sexta-feira, 15 de julho de 2016

O alvorecer da vida maçônica






Vamos aqui hoje fazer algumas divagações acerca da Magia de ser Maçom! 
Como em um ninho de pássaros cheio de ovos prontos para se quebrarem e deles surgirem inúmeros e assustados filhotes, assim podemos fazer uma comparação ainda que grotesca com o surgimento de mais um ou vários maçons.
Muitos deles estão enclausurados em seus afazeres diários, com as suas atividades terrenas, prontos para serem chamados a deixarem os seus ninhos para conhecer os mistérios de uma Instituição milenar que muitos chamam de Arte Real.
Ali, como nos ninhos, estão sendo chocados em todo o mundo, milhares de novos maçons ainda implumes à espera da vestimenta que os farão resplandecer com toda a plenitude espargindo luzes para si e para aqueles que com eles certamente conviverão.
O alvorecer maçônico se dá diuturnamente em todo o Universo quando várias gaiolas vão sendo abertas paulatinamente para deixar livres aqueles que já são considerados por muitos outros como livres e de bons costumes.
Quando iniciam são considerados Aprendizes, pequenos pintainhos em busca de proteção e direcionamento por parte daqueles que estarão sempre á disposição para fazê-los trilharem o caminho do bem.
Mais à frente, agora como Companheiros, já um pouco mais desenvolvidos, vestirão a roupagem de um franguinho já bastante curioso para penetrar sorrateiramente nos conhecimentos dos Grandes Mistérios.
Durante algum tempo fica se alimentando para tornar-se num futuro não muito longínquo um galo com a crista bem avermelhada e com esporas afiadas para enfrentar as vicissitudes que a vida, sem qualquer dúvida, reserva para todos nós, para alguns mais cedo, para outros um pouco mais tarde e para uma grande maioria já no final de suas experiências terrenas.
O galo, como é do conhecimento de todos os maçons, representa a vigilância, aquele que ainda na aurora do dia, com o seu canto estridente, acorda homens e mulheres para o trabalho, crianças para se prepararem para ir para as escolas para o aprendizado tão importante e imprescindível para todos os seres humanos.
O galo significa que um maçom deve estar sempre vigilante contra os inimigos da Ordem. O galo é relacionado ao Orador, que é o Guardião da Lei, responsável por vigiar se a lei maçônica está sempre sendo observada.
No simbolismo dos três princípios herméticos, o Galo representa Mercúrio, princípio da Inteligência e da sabedoria. Esta ave é, também, símbolo da pureza.
O Galo é o gerador da esperança, o anunciador da Ressurreição, pois o seu canto marca à hora sagrada do alvorecer, ou seja, o triunfo da Luz sobre as Trevas. A sua presença na Câmara das Reflexões simboliza o alvorecer de uma nova existência, visto que o recipiendário vai morrer para a vida profana e renascer para a vida maçônica, sendo ele o signo exotérico da Luz que o recipiendário vai receber.
Em seu último simbolismo, o galo alude ao despertar das forças adormecidas que a iniciação pretende realizar, simbolizando também esotericamente, a "Força Moral", indestrutível, guiando os passos do maçom dentro e fora do Templo. A difícil tarefa de desbastar a pedra bruta que só se pode alcançar com algum êxito, quando realizada com a mais firme perseverança e vigilância constante.
Na vida maçônica, esta alegoria tem como figura central o Mestre Maçom, aquele responsável pela indicação, pela iniciação e pelo constante acompanhamento da evolução daquele pintainho que um dia, no momento certo, fez a casca do ovo se romper para dele sair para enfrentar as agruras e as alegrias do cotidiano da vida.
Ele será o responsável pelo aprimoramento, pelo entusiasmo e pela dedicação daquele que um dia teve a felicidade de ser tão carinhosa e respeitosamente acolhido em um Templo de sabedoria, de tolerância e de fraternidade na verdadeira acepção da palavra.
De bom alvitre lembrar que o alvorecer maçônico acontece todos os dias, pois o verdadeiro apologista do aprofundamento consciente sabe que ele nunca atingirá o seu final. Estará sim, sempre se renovando e se aperfeiçoando como a medicina do corpo no seu mister de ser a responsável pelo nascimento de seres saudáveis, aptos a enfrentarem as agruras constantes do cotidiano.
Que a maçonaria nunca tenha o seu anoitecer e sempre se mantenha altaneira e vibrante em cada alvorecer.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

O que significa Loja Maçônica?





Qual maçom nunca foi questionado por um profano do por que do termo “LOJA”?

Muitos são aqueles que perguntam se vendemos alguma coisa nas Lojas, para justificar o nome. Alguns, fanáticos e ignorantes, chegam a ponto de indagar que é na Loja que os maçons vendem suas almas!
Em primeiro lugar, precisamos ter em mente que, só porque “loja”, em português, denomina um estabelecimento comercial, isso não significa que o mesmo termo em outras línguas tem o mesmo significado. Vejamos: “Loge”, palavra francesa, pode se referir à casa de um caseiro ou porteiro, um estábulo, ou mesmo o camarote de um teatro. Mas os termos franceses para um estabelecimento comercial são “magasin”, “boutique” ou “commerce”.
Da mesma forma, o termo usado na língua inglesa, “lodge”, significa cabana, casa rústica, alojamento de funcionários ou a casa de um caseiro, porteiro ou outro funcionário. Os termos mais apropriados para um estabelecimento comercial em inglês são “store” ou “shop”.
Já o termo italiano “loggia” significa cabana, pequeno cômodo, tenda, mas também pode designar galeria de arte ou mesmo varanda. Os termos corretos para um estabelecimento comercial são “magazzino”, “bottega” ou “negozio”.
Em espanhol, “logia”, derivada do termo italiano “loggia”, denomina alpendre ou quarto de repouso. As palavras mais adequadas para estabelecimento comercial são “tienda” e “comercio”.
Por último, podemos pegar o exemplo alemão, “loge”, que não tem apenas a grafia em comum com o francês, mas também o significado: um pequeno cômodo mobiliado para porteiro ou caseiro, ou um camarote. Já os melhores termos para estabelecimento comercial em alemão são “kaufhaus”, “geschaft” ou “laden”.
Com base nesses termos, que denominam as Lojas Maçônicas nas línguas francesa, italiana, espanhola, alemã e inglesa, pode-se compreender que as expressões referem-se a uma edificação rústica utilizada para alojar trabalhadores, e não a um estabelecimento comercial.
Verifica-se então uma relação direta com a Maçonaria Operativa, em que os pedreiros costumavam e até hoje costumam construir estruturas rústicas dentro do canteiro de obras, onde eles guardam suas ferramentas e fazem seus descansos.
Essas simples edificações que abrigam os pedreiros e suas ferramentas nas construções são chamadas de “loge, lodge, loggia, logia” nos países de língua francesa, alemã, inglesa, italiana e espanhola.
A palavra na língua portuguesa que mais se aproxima desse significado não seria “loja” e sim “alojamento”. Nossas Lojas Maçônicas são exatamente isso: alojamentos simbólicos de construtores especulativos. Isso fica evidente ao se estudar a história da Maçonaria em muitos países de língua espanhola, que algumas vezes utilizavam os termos “Alojamiento” em substituição à “Logia”, o que denuncia que ambas as palavras têm o mesmo significado.
À luz dos significados dos termos que designam as Lojas Maçônicas em outras línguas, podemos observar que a teoria amplamente divulgada no Brasil de que o uso da palavra “Loja” é herança das lojas onde os artesãos vendiam o “handcraft”, ou seja, o fruto de seu trabalho manual, além de simplista, é furada. Se fosse assim, os termos utilizados nas outras línguas citadas teriam significado similar ao de estabelecimento comercial, se seria usado em substituição às outras palavras que servem a esse fim.

Na próxima vez que você passar em frente a um canteiro de obras e ver à margem aquela estrutura simples de madeira compensada ou placas de zinco, cheia de trolhas, níveis, prumos e outros utensílios em seu interior, muitas vezes equipada também com um colchão para o pedreiro descansar à noite, lembre-se que essa estrutura é a versão atual daquelas que abrigaram nossos antepassados, os maçons operativos, e que serviram de base para nossas Lojas Simbólicas de hoje.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

A LOJA PERFEITA



 Parece-me que o sonho de qualquer Loja Maçônica é fazer valer o que diz o Salmo 133:

“Oh quão bom e quão suave é, que os irmãos vivam em união! É como o óleo precioso sobre a cabeça, que desce sobre a barba, a barba de Arão, e que desce à orla das suas vestes. Como o orvalho de Hermom, e como o que desce sobre os montes de Sião, porque ali o Senhor ordena a bênção e a vida para sempre.” 

A elevação do grau de consciência da excelência do AMOR fraternal descrito nas palavras acima alcança todos, não escapa ninguém dessa Lei Universal. O que sair fora disso é desarmônico, prejudicial. É a força cega que fere de morte a Loja, a filha de Sião. A Loja unida é como um corpo: quando um padece, todos padecem; quando um chora, todos choram; quando um se alegra, todos se regozijam. Porque nessa Loja o Senhor ordena a bênção e a vida para sempre! O óleo precioso do AMOR fraternal lubrifica as engrenagens, que deslizam sem desgaste em seu trabalho com Força e Vigor.
Como unir homens, dotados de egos, vaidades, formações, conceitos, dogmas e valores tão diferentes? É aí que começa a ficar interessante a arte de ser Maçom e viver em harmonia. É um esforço comum a todos os membros, e que requer habilidade, comprometimento mútuo e vontade de formar um só corpo. Antes de apreciarmos os preceitos maçônicos é importante nos conhecermos uns aos outros, trabalhar nossos pontos fortes, identificando os pontos fracos. Como sempre digo, no mundo profano, o modelo de união se dá pela formação de grupos lapidados por terceiros, enquanto que, na Maçonaria, a lapidação é individual, contanto que cada Pedra lapidada se encaixe no corpo da Loja, antes de se encaixar no edifício social.
O maior prejuízo para uma Loja Maçônica chama-se “crítica”. Criticar significa pegar o Malhete e sair trabalhando a Pedra do outro irmão. A força cega se aproveita disso e conduz a Loja à ruína.
O debate é saudável para a Loja. A crítica é destrutiva. O behaviorista B. F. Skinner, em seu livro “Science and Human Behavior” diz que, a crítica é fútil porque coloca um homem na defensiva, deixando-o em posição desconfortável, tentando justificar-se. Em momentos como esse, a essência do AMOR fraternal, também chamada de egrégora, se desfaz e a força cega assume o controle. A crítica é perigosa porque fere o que o homem tem como precioso, seu orgulho, gerando ressentimentos. É o começo do fim dos relacionamentos.
John Wanamaker, um psicólogo estudioso dos relacionamentos, também escreveu: “Eu aprendi em 30 anos que é uma loucura a crítica. Já não são pequenos os meus esforços para vencer minhas próprias limitações sem me amofinar com o fato de que Deus não realizou igualmente a distribuição dos dons de inteligência”. Os homens deveriam fazer autocrítica. Como não o fazem, criticá-los é desafiar a harmonia em Loja.
B. F. Skinnner costumava fazer experimentos com animais, buscando compreender o comportamento destes, para depois compará-lo com o das pessoas. Ele demonstrou que um animal que é recompensado por bom comportamento aprenderá com maior rapidez e reterá o conteúdo aprendido com muito maior habilidade que um animal que é castigado por mau comportamento. Estudos recentes mostram que o mesmo se aplica ao homem.
O homem adora criticar. Tem os que criticam erros de ritualística em plena sessão, atrapalhando a egrégora, criando constrangimentos, quebrando a sequência dos trabalhos, cruzando a palavra entre as CCol e o Or tudo pelo prazer de corrigir, criticar e fazer prevalecer seu potencial, seu ego e sua autoridade, quando na verdade, o que deveria prevalecer seria o AMOR. Buscar a perfeição na ritualística é nosso dever. Mas não é prudente fazer críticas e correções em pleno serviço. É o começo do fim.             Estudos têm mostrado que a crítica não constrói mudanças duradouras, mas promove o ressentimento. Acaba deixando o rei no trono, mas sem súditos para os governar. É o fim do reinado.
O combustível do AMOR e da união é o elogio. Se algum irmão fez um trabalho e o mesmo precisa ser melhorado, seu consciente o está cobrando por melhora. Ele sabe que precisa melhorar, não porque alguém o cobre melhoras, mas porque o seu interior, sua alma, pede por melhora. Quando alguém o elogia após a leitura de um trabalho, gera uma crítica construtiva, pois elogiou quando dentro dele existe uma crítica. Esse irmão se sentirá motivado a fazer mais e mais trabalhos, e, essa persistência o levará à perfeição sem que necessitasse críticas de terceiros. Hans Selye, outro notável psicólogo que amava estudar o comportamento humano diz: “Com a mesma intensidade da sede que nós temos de aprovação, tememos a condenação”. Na prática, não só tememos, como também não ficamos satisfeitos com críticas feitas por pessoas semelhantes a nós, com o mesmo grau de fragilidade.
A Loja perfeita elogia, sugere, estimula, confere recompensas com palavras: O VERBO. A PALAVRA. O AMOR.
Não quero com isso buscar unanimidade favorável a essa tese que defendo. Mas tenho observado que em Lojas onde se pensa diferente, o AMOR esfriou, a harmonia desapareceu e as CCol da Loja estão em perigo.
Autor: Manoel Miguel – CIM 293759 – ARLS Colunas de São Paulo 4145 – Or.’. de São Paulo, 23 de junho de 2016. EV

quinta-feira, 7 de julho de 2016

COMEMORAÇÃO JUNINA DA LOJA MAÇÔNICA SÃO JOSÉ Nº 14 "VIVA SÃO JOÃO BATISTA".


"VIVA SÃO JOÃO" NA LOJA SÃO JOSÉ Nº 14.


Muita comida típica: milho verde, canjica, pamonha, cocada, pé de moleque, arroz doce...
Tudo muito gostoso,

 ornamentação característica da época, organizado pelo Clube de Samaritanas, sob a Presidência de Nossa Cunhada Roberlânia, esposa de Nosso Venerável Mestre, Gilberto Alves de Lima.  

Irmãos reunidos em uma foto para a posteridade, Grupo de Irmãos Indissolúvel de Nossa Poderosa Oficina

 Pense nuns caba desmantelado, Aprendiz, Companheiro e Mestre, três gerações da São José nº 14.

Visão parcial da festa, o pessoal se preparando para dançar um forrozinho

 
Ir.'. Marcelo, abrindo o salão com um verdadeiro forro pé de serra.

Uma linda comemoração em família, o Ir.'. Wellington e família, muita animação.

 Os IIr.'. Wilque e Fernando marcando presença com suas famílias e convidados
Aqui já marcando presença Duarte Júnior.

 Festival de Quadrilha


Olha ai, Os Gigantes do Forró

 Os Futuros Iniciados na Arte Real, Sandro, Duarte e Lúcio, marcando presença nos festejos juninos, juntamente com os IIr.'. Gilberto, Nil e Mário,
Dáááááálêêêê, São José Nº 14.

Dando uma voltinha no salão 

Olha Ele ai, o Nosso Venerável Mestre, Gilberto Alves de Lima, distribuindo simpatia e visitando todas as mesas.
  
Ir.'. Afrânio Isaías de Macedo e Família, muito feliz com a presença de seu filho, que reside em Angola e seu cunhado, Presidente do Jique Club.



Adivinha quem ganhou o Balaio? O Venerável de Honra Mário Azevedo, e porque ficou se amarrando e não queria nem comprar o Balaio de São João

Ir.'. Edvar de Souza Presença marcante no Nosso São João,
Nesse momento convocando o sanfoneiro para fazer um repente com nosso Ir.'. Jorge Teixeira
e o melhor, sob a chancela do Venerável Mestre 


O melhor é o que ficou na lembrança de todos nós, muita fraternidade, muito carinho, muito respeito, muita alegria, resumindo uma maravilhosa noite de comemoração e confraternização, onde reinou o espírito de amor e fraternidade que nos une como verdadeiros IIr.'., que mai confraternizações e comemorações continuem a acontecer em nosso meio, Valeu São José nº 14, Valeu Venerável Gilberto Alves de Lima, que o GADU continue a te abençoar.




quinta-feira, 30 de junho de 2016

OS CUIDADOS QUE O MAÇOM DEVE TER COM A SOBERBA: A IRMÃ DO ORGULHO, DA ARROGÂNCIA E DA VAIDADE.



        Dizem que um dos maiores inimigos do homem é inerente a ele mesmo: o seu ego.
Existe uma fábula sobre uma rã que se perguntava como poderia se afastar daquela região fria, em pleno inverno. Alguns gansos sugeriram que ela emigrasse com eles, mas o problema é que a rã não sabia voar. "Deixem-me pensar - disse a rã - tenho um cérebro fora do comum". Então pediu ajuda a dois gansos: acharam um galho forte e cada um deles sustentou o galho por uma extremidade. A rã segurou-se ao galho, pela boca. Os gansos e a rã faziam o vôo quando, em certo momento, passaram por uma pequena aldeia, de onde os habitantes saíram para ver o inusitado espetáculo. E alguém perguntou: "De quem foi tão brilhante ideia?". A rã, toda orgulhosa e se sentindo a mais genial, a mais importante das criaturas, respondeu com ênfase: "Fui eu"! Eis então que o orgulho descomedido da rã foi à causa da sua própria ruína, pois no momento que abriu a boca, soltou-se do galho, e caiu para morte.
A soberba sempre foi censurada através dos séculos, por todas as doutrinas humanitárias e por todas as religiões de que se tem notícia. Para a maçonaria não é diferente, pois ela é vista como uma eficiente pedra de tropeço, uma ponta nefasta da pedra bruta que precisa ser desbastada, uma voluntária condenação espiritual do homem.
A soberba é um sentimento que se caracteriza pela pretensão de superioridade sobre as demais pessoas, seja por acreditar que é o melhor no que faz, no que decide, no que sabe, no que tem ou na sua capacidade de resolver as coisas.
A 1ª Epístola do apóstolo João adverte que a soberba é a semente de todo pecado. Aliás, para a Igreja Católica, a soberba é considerada um dos sete pecados capitais, sendo associada ao orgulho excessivo, à arrogância e à vaidade, próprios do demônio Lúcifer (“a Estrela da Manhã”) e ao planeta Vênus.
Para muitos teólogos, a soberba é o pilar de toda a transgressão do homem. Isso porque a soberba é considerada como o pecado original, uma vez que existia muito antes do homem e da criação. Uma linha teórica acredita que Satanás, o anjo caído, corrompeu-se em soberba. O livro de Isaías, por exemplo, relata a queda do anjo: “derrubada está na cova a tua soberba (...), serás precipitado para o reino dos mortos, no mais profundo abismo”. No entanto, outros estudiosos rejeitam essa ideia porque, para eles, a soberba só surgiu com o homem.
Além do cristianismo, o judaísmo e o islamismo também atribuíram à soberba vários conceitos como semente do mal, destruidora dos homens, maldição e queda do espírito, ruína e crimes da alma, praga maldita, paixões da carne, etc. No poema de Dante Alighieri, “A Divina Comédia”, o purgatório principal é composto por sete círculos que representam os sete pecados capitais. E logo no primeiro círculo encontram-se os “orgulhosos” (ou os soberbos), apontados como os que mais se distanciam de Deus, já que ali se encontra o alicerce para uma vida de pecado.
E por alguma razão esse veneno do orgulho e da soberba sempre foi perigoso, de uma forma notável, na vida de líderes espirituais. Mesmo com pouco estudo é possível conferir que o orgulho, mais do que qualquer outro pecado, foi a causa da derrota de muitos personagens da história que assumiram posições de influência sobre o povo de Deus.
De olhos embotados pelo véu da ignorância, o soberbo se sente autorrealizado, querendo mostrar-se para os outros a todo preço, desejando a sua admiração, como se isso elevasse sua estima ao máximo e lhe trouxesse prazer.
O soberbo quer superar sempre; não aceita ser como a média, não aceita ser como os demais. Ele precisa se destacar, tem necessidade de grandeza e valorização. Exige respeito, reconhecimento, aplausos. Mas quando é superado, o soberbo logo se deixa dominar pela inveja, querendo depreciar os outros e vangloriar-se. Se não consegue ser o mais inteligente ele então desejará e será o mais ignorante, falando sobre isso o tempo todo para que, seu interlocutor, ao ouvir a depreciação passe a elogiar o soberbo mesmo que seja por educação.
E não é só quando fala com atrevimento e empáfia que o soberbo se revela. Não é apenas com uma fluidez e uma eloquência impositiva de “verdades sublimes” que a soberba sobressai, pois ela também se faz presente até mesmo no silêncio dos pensamentos quando o soberbo se vê numa resistência intelectual ao que provém dos seus demais, e, ao ouvi-los, diz para si mesmo coisas do tipo: “eu já sei tudo sobre isso”, “quem ele pensa que é para me ensinar alguma coisa”, “primeiro ele precisa crescer, para depois ele vir falar alguma coisa de mim”.
Do mesmo modo, a soberba não ocorre só em matéria de conhecimento, mas também há soberba de poder econômico (“ele vai ver o que eu faço com ele”), de posses materiais (“o meu carro é muito melhor do que o dele”), de posição hierárquica (“aqui quem pode criticar sou eu”), e até das situações vantajosas em geral, como ocorre quando alguém se acha o maioral só por conhecer autoridades e pessoas influentes.
Para o Maçon.’., que tem como um dos seus propósitos a busca da Pedra Polida Perfeita de cada um, que se dá pela mera conversão de si mesmo num modelo útil e proveitoso para toda a família e para a humanidade em geral, recomenda que se traga luz à consciência, a fim de combater também esse mal da ignorância, até porque a maior vítima da soberba é ela mesma, que mais cedo ou mais tarde acabará isolada, aprisionada pela sua própria autossuficiência.
Todos nós já nascemos picados pela Serpente. A soberba e o orgulho são venenos que não matam de uma vez, mas que podem se espalhar pelas veias. Começa aos poucos, de forma sutil, paralisando nervos, matando a sensibilidade, até que chegue ao sistema nervoso central e domine a razão. Se a vítima não tomar o antídoto em tempo, é fatal: estará contaminada pelo veneno da autossuficiência. Afinal, o que o soberbo busca é a admiração, mas ignora um efeito colateral que é a compaixão das pessoas pelo humilhado e o desprezo ao opressor orgulhoso.
 A correção da soberba ocorre única e simplesmente pela virtude da humildade. É agindo com simplicidade que se consegue combater a soberba nas suas mais diversas formas, evitando a ostentação, contendo as vaidades e olhando o mundo não apenas a partir de si, mas principalmente ao redor de si.
O antídoto da humildade inclui uma dose saudável de moderação nas palavras e no pensamento. É indispensável reconhecer que cada um de nós carrega tesouros valiosos em seu próprio templo de virtudes, mas somos como vasos de barro; viemos do pó e ao pó voltaremos; todos nós. Somos da mesma natureza, criaturas vivas e maravilhosas, mas ao mesmo tempo cheios de diferentes imperfeições aos olhos humanos, seres pensantes e capazes, mas em constante transformação, e até o mais importante dos homens uma hora sucumbe, sem abalar o fluxo e o refluxo do universo, que segue o seu curso evidenciando a insignificância de cada um de nós para a continuidade da vida nesta terra. E o que nos parece uma certeza agora pode se revelar um equívoco logo ou mais adiante.
Que o G.’.A.’.D.’. U.’. ilumine a todos.
Irmão Ronaldo Zanata Pazim
Loja Cavaleiros de São José Cerquilho - SP

quarta-feira, 15 de junho de 2016

São João Smoler, para nós, São João de Jerusalém, Patrono da Maçonaria.






                                           
      
Ao iniciarmos os trabalhos em loja, o V.’.M.’. Invoca a proteção do G.’.A.’.D.’.U.’.e abre-se a loja, dizendo  -“em homenagem a São João, nosso padroeiro, declaro aberta esta loja no Grau de A.’.M.’. sobre o Titulo distintivo (e diz o nome da loja)” . Nesse momento os trabalhos estão abertos, mas nos resta a pergunta: Quem é este São João, e o porque do titulo distintivo?
A Bíblia fala de dois São João: o Batista e o Evangelista.
Para responder a esta pergunta nós precisamos ainda mais nos aprofundar um pouco em textos, lendas e histórias, para descobrirmos quem foi São João de Jerusalém e porque nossas lojas são dedicadas a ele.
Comecemos por fazer algumas distinções. O primeiro São João de que ouvimos falar e o qual um dos mais famosos personagens da bíblia é sem dúvida, São João Batista, o précussor de Jesus, pregou a vinda do Senhor, a necessidade de se arrepender  dos pecados e das pessoas serem batizadas, tendo o privilégio de batizar o próprio Jesus. Mais tarde, lançado na prisão por ter reprovado publicamente o casamento adúltero de Herodes Ântipas com Herodias, esposa de seu irmão, quando foi morto, após Salomé, filha de Herodias,  ter pedido a Herodes sua cabeça em uma bandeja, o mesmo teve sua cabeça decepada por ser fiel aos seus princípios e convicções.
Este Santo tem seu dia de comemoração também associado aos mistérios celestes, pois se comemora exatamente no dia do equinócio de inverno, ou seja, o dia mais curto do ano. A maçonaria, por sua vez, associou este dia como contemplação a esta transição do sol, e a reverencia em suas lojas com associações a sua doutrina. Erroneamente alguns historiadores associaram este São João como patrono da maçonaria, talvez por ser o mais famoso e conhecido, mas isso é um erro comum entre os que levianamente estudam a maçonaria por obrigação.
O outro São João de que se tem noticia, e também associado à maçonaria, é o São João Evangelista. Apostolo e um dos três mais intimamente associados de Jesus, juntamente com Pedro e Tiago. Este João escreveu o evangelho segundo João, as três cartas de João e Apocalipse, uma maravilhosa visão da Revelação.
Sua data de comemoração é associada ao solstício de verão, que ocorre em dezembro.
Nesta data eram eleitas as gestões das lojas, e neste solstício a maçonaria também realizava comemorações pela passagem do sol. Porém, também erroneamente, este São João foi associado como patrono da maçonaria; principalmente por aqueles que não se dão ao trabalho de ler, e gostam muito de citar grandes nomes do passado não testando e investigando sua veracidade; meramente copiando e transcrevendo seus dizeres e se esquecendo que a verdade é a mola que nos impulsiona. Então, surgem as perguntas: Se nenhum deles é o patrono da maçonaria, quem o é? Se não são estes dois importantes santos, a quem abrimos nossas lojas e trabalhamos sobre sua proteção?
No ano de 550 da era cristã, após a vinda de Jesus, nasceu um menino na ilha de Chipre ao sul da Itália, onde seu pai, Epifânio, era o governador da ilha, motivado por sua formação cristã e caridosa. Dedicou sua vida a obras assistenciais, por ajudar pobres, doentes e famintos. Tinha o costume de sentar-se em frente à igreja para ouvir e atender as queixas destes desafortunados. O mesmo se encaminhou a Jerusalém, com a intenção de montar um hospital que atendesse aos peregrinos que viajavam à Terra Santa, para visitar o Santo Sepulcro.
Nesta ocasião ocorriam as Sagradas Cruzadas, lideradas pelos cavaleiros Templários, ao qual este menino se inspirou em seus métodos e conduta, durante as Sagradas Cruzadas, fundou a Ordem dos Cavaleiros Hospitalares e montou em Jerusalém um hospital que atendesse aos peregrinos que iam à terra santa, utilizando recursos próprios, de sua herança.
O garoto, e agora homem, veio a faleceu no ano de 619, na cidade de Amatonto, na ilha de Chipre. Após a sua morte, o Papa em reconhecimento ao seu desprendimento e amor incondicional, o canonizou com o nome, São João Esmoleiro, porém este santo ficou mais conhecido como São João de Jerusalém.
A História certamente terminaria aqui, mas se fossemos meros profanos. Mas para nós, maçons iniciados na Arte Real, livres pensadores e perseguidores da verdade, não! Ainda nos restam as pergunta: Porque dedicar as lojas à ele? O que ele fez em Jerusalém? Porque voltou a sua pátria?
Atentai, amados IIr.’., que a resposta esta diante de vossos olhos. Ao sair de sua terra natal, o garoto levou o quinhão da fortuna de seu pai, que lhe era de direito. Ao invés de viver uma vida sossegada, ele deslocou-se para Jerusalém, onde construiu com enorme dificuldade, um hospital para socorrer os enfermos. Porém, a época era das Cruzadas, e os povos viviam em guerra. Baseado nos princípios da Cavalaria Templária, ele fundou a Ordem dos Cavaleiros Hospitalares, que tinha por principal função, defender os hospitais e prestar socorro à quem se achava enfermo. Ele mesmo foi amigo, irmão e confidente de muitos enfermos, e deu a eles mais do que os seus recursos financeiros. Doou a cada um deles, sua saúde e atenção. Nunca fez distinções entre feridos de guerra e leprosos; todos que buscavam ajuda neste período de caos encontravam, sem dúvida, uma mão estendida nos Cavaleiros Hospitalares e em São João.
A Ordem dos Cavaleiros Hospitalares logo foi transformada na Ordem dos Cavaleiros de Jerusalém, que agora não só tomavam conta dos hospitais, mas corriam em socorro dos doentes e dos necessitados, onde quer que se encontrassem. Esta Ordem sobreviveu durante anos, e ganhou enorme respeito dos Templários da época. O seu fundador foi eleito e sagrado Grão-Mestre dos Cavaleiros de Jerusalém, recebendo as mais altas honrarias Templárias, pois estes o reconheciam como um puro e fiel Cavaleiro, seguidor dos antigos valores. São João retornaria a sua pátria, na Ilha de Chipre, por saber que a mesma estava à mercê de invasão dos Turcos, e o seu povo necessitava de ajuda. Para isso, ele contou com sua experiência em Jerusalém, e fundou a Ordem dos Cavaleiros de Malta, que tinha a dupla função: Proteger os hospitais, ajudar os enfermos e feridos, e lutar pela manutenção da paz e preservação da independência de sua pátria.
A Ordem prosperou na parte da Hospitalaria, mas a sua força armada não foi suficiente para deter a invasão Turca, que dominou e destruiu grande parte da Ilha. Gostaríamos de dizer que tudo foi fácil e belo, mas esta não é a verdade. Muito sangue foi derramado para que os Cavaleiros pudessem prosseguir em sua jornada, e mantivessem a chama acesa, no intuito de ajudar os feridos e vitimas de doenças.
Os Cavaleiros de Malta foram conhecidos por seus atos como, grandes defensores dos oprimidos e daqueles que precisavam de ajuda, assim como já eram os Cavaleiros de Jerusalém. Após a morte de São João, e sua posterior  canonização, a Ordem de Cavalaria Templária associaría, fortemente, São João de Jerusalém como seu patrono, e ao se postarem no campo, para as batalhas, sempre se colocavam sobre a proteção do mesmo.
A Maçonaria copiou grande parte de seus ensinamentos e do modo de agir dos Templários, além de associar São João como seu padroeiro, pois os ideais deste nobre homem, que foi elevado a condição de Santo, combinavam com a doutrina maçônica de amor incondicional ao próximo, e sua elevada determinação em lutar pela liberdade. A partir deste momento, em que a maçonaria se colocava a campo para lutar pela liberdade da humanidade, clamava a esta grande figura, que a partir deste momento, sería conhecido por todos os maçons como: São João de Jerusalém nosso Patrono.
Por isso todas as lojas são abertas e dedicadas a sua homenagem, e até hoje nós somos lojas de São João. O amor dele nos contagia, e em sua homenagem é que trabalhamos para socorrer os necessitados, como ele o fez, e levar a luz do conhecimento e da verdade a toda a Humanidade.
Comemora-se no dia 23 de janeiro o dia de São João Smoler, para nós, São João de Jerusalém, Patrono da Maçonaria.



autor: Ir. Waldemar (A.R.L.S. União e Lealdade)
adaptado e revisado: lr.’. Mário Paiva (A.’.R.’.L.’.S.’. IIR.’. Fraternos – GLERN)

sexta-feira, 10 de junho de 2016

O Uso da Maçonaria para Vantagens Pessoais



Quando pertencemos a uma instituição, entidade, clube ou a uma ordem, temos obviamente motivos para acreditar que, fazendo parte desse grupo, teremos certos privilégios e prerrogativas não extensivas àqueles que não pertencem a esse meio.
Essa é uma situação comum que atinge a todos os que participam de um grupo estruturado e organizado. Trata-se de uma sensação básica que pode ser tanto positiva quanto negativa. Positiva quando vista sob o ângulo da compreensão de limites e negativa quando interpretada erroneamente: quando uma pessoa pensa que pode tudo.
É necessário reforçar que privilégios e prerrogativas podem ser desculpas ou disfarces para a intransigência, a arrogância e a falta de respeito – proveitos e favores que requerem a atenção e a vigilância pessoal de cada um de nós.
Das Regras Legais
Todo sistema social organizado dispõe de leis próprias que estabelecem as condições de convívio e postura, da mesma forma como uma instituição ou ordem disciplina o modo de ser de seus integrantes para mantê-los coesos em seus princípios.
O homem, o cidadão, antes mesmo de abraçar uma instituição, deve respeito às leis de seu país e às normas de seu Estado ou Cidade, as quais ditam sua conduta na “vida profana”, que todo iniciado na Maçonaria sabe como é.
A Maçonaria, por sua vez, também tem suas regras estatutárias, que orientam e disciplinam os irmãos, os chamados landmarks, as mais antigas leis que regem a Maçonaria – são regras colecionadas por Alberto Mackey, como explica a literatura Maçônica.
Dentre os vinte e cinco landmarks maçônicos, podemos extrair três deles: aquele que reza a crença no Grande Arquiteto do Universo, o que exige respeito ao Governo Maçônico e o que diz: “todos os Maçons são absolutamente iguais dentro da Loja, sem distinções de prerrogativas profanas, de privilégios que a sociedade confere”.
Da obtenção de vantagens
Pela leitura do landmark da igualdade, não resta dúvida alguma de que os irmãos em Loja encontram-se nivelados. Entretanto, o objetivo desta reflexão é discutir quando um Maçom pode usar referida condição para obter vantagens pessoais na sociedade.
Todos têm plena noção de que respeitar as leis de seu país é uma obrigação, assim como respeitar as regras da Maçonaria como ordem institucional de funcionamento também o é. Mas até que ponto, externamente, tais fundamentos irão acompanhar o irmão Maçom?
Fazer parte da Maçonaria pode deixar alguém em evidência? Claro que pode.
O fato de eu ser Maçom pode estabelecer contatos a partir dos quais se originam trabalhos profissionais?
Sem dúvida, mas a Maçonaria não é um trampolim para uma coisa nem outra. Nada de mal há em aproveitar os frutos advindos naturalmente de sua participação na Maçonaria. Porém, merece censura aquele que faz da Ordem uma base para suas aspirações politiqueiras, por exemplo, sem estar realmente comprometido com os fins da instituição.
Cabe aqui ressalvar que a Maçonaria não é incompatível com a política, que se revela em sua origem histórica por seus feitos (Abolição, Independência e República). Inclusive, a Constituição do Grande Oriente do Brasil prevê ser um direito do Maçom solicitar o apoio dos Irmãos quando candidato eletivo no mundo profano (disposição mantida no atual projeto de Constituição aprovado pela AFL/GOB: Art. 31-XIII), contanto que seja combatido qualquer tipo de exibicionismo que possa comprometer a imagem da Instituição.
Mas..., e a Irmandade?
Parece claro evidenciar que a Maçonaria, como Fraternidade que é, assim existe para permitir que os irmãos se reconheçam e prestem ajuda mútua uns aos outros. Desse modo, todos aprendem a se reconhecer de uma maneira muito própria, por meio de um ensinamento transmitido de forma a assegurar a interação com outro Maçom.
A fraternidade humana é uma bandeira de luta da Maçonaria em prol da amizade entre os homens (o espírito da Ordem), como preleciona José Martins Jurado em sua obra Apontamentos Adonhiramitas (Madras Editora, 2004, p. 50).
Se há uma Fraternidade, então há uma intenção de apoio também, de um suporte que faça o Maçom se sentir seguro em poder contar com um irmão em uma situação mais delicada ou necessária.
Porém, é nesse ponto que reside a sutileza em diferenciar o “uso da irmandade” com o objetivo de buscar uma solução para uma situação de dificuldade do “uso da irmandade” como se fosse um privilégio ou prerrogativa para obter ganho ou vantagem pessoal.
“Como irmãos, os Maçons devem mútuo auxílio e socorro, até mesmo com risco de perigos e da própria vida”, como nos expõe José Martins Jurado em seus já citados Apontamentos, em uma referência ao inciso V do artigo 32 da Constituição do Grande Oriente do Brasil.
 É importante não perder de vista, contudo, que a Ordem Maçônica não prega a vantagem para quem pertencer aos quadros de uma Loja. A assim chamada Arte Real direciona seus trabalhos nas oficinas para o aperfeiçoamento do homem, para o aprimoramento intelectual e moral e para a solidariedade.
A tolerância e o respeito mútuo são princípios que não se coadunam com a postura da “Lei de Gerson”, expressão popularmente cunhada e que explica muito bem o assunto aqui discutido, isto é, que a vida de um Maçom deve ser pautada por vantagens pessoais.
O Código Maçônico (ou os Mandamentos da Maçonaria Universal) institui que é dever detestar a avareza, porque quem ama as riquezas em demasia não tirará nenhum fruto delas e será tachado como egoísta. A própria Constituição do Grande Oriente do Brasil, no inciso I do artigo 1º, inserido no capítulo que trata dos princípios gerais da Maçonaria e dos postulados universais da Instituição, “condena a exploração do homem, os privilégios e as regalias...”.
Nesse diapasão, se um Ir.´. esquece o ideal maçônico, o aperfeiçoamento moral, e valoriza mais seus interesses pessoais, apresentando-se como Maçom ou autoridade maçônica e usando seu status de membro da Ordem para obter algumas vantagens pessoais, ele poderá ser acusado de cometer um delito contrário aos princípios da Arte Real, de travestir os ideais de uma Loja em “casa de favores” em vez de “casa de valores”.
Portanto, sem dúvida alguma, pode-se dizer que citar os abusos em Loja evita acusações levianas ou destituídas de provas, que formam as fofocas, e impõe-se obviamente, garantindo-se o amplo direito de defesa, um princípio basilar de uma sociedade justa.
Para não passar desapercebido e, também, como verdadeiro sinal de alerta, não se deve olvidar que a sublime Ordem, conquanto não seja secreta, requer discrição. Partindo dessa premissa, não deve o Ir.´., na euforia de pertencer a uma arte tão nobre e antiga, sair contando a todos sua condição de Maçom, pois existem pessoas mal-intencionadas e oportunistas que podem tanto atacar a Ordem e combater o Maçom por pura ignorância, como tirar proveito da camaradagem.
Conclusão
Ser Maçom propicia orgulho, porque a Ordem Maçônica é firme, histórica e já produziu grandes feitos. A justiça é um de seus lemas, assim como a prática da virtude um de seus objetivos. Entretanto, essa virtude só será revelada se o Maçom agir dentro de limites, não imaginando que tudo pode pela simples condição de ser um Maçom, e sim que tudo poderá se seu desejo, pedido ou favor não oferecer constrangimento nem significar vantagem desnecessária ou indevida. Nesse caso, ele estará agindo respeitosamente à imagem da Arte Real, com ética e postura, e se mostrará temente aos ensinamentos maçônicos.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

ASSIDUIDADE MAÇÔNICA





O Irmão assíduo se faz, não resta dúvida, no sabedor do que sucede, se faça, ou seja, resolvido em Loja. Tem sempre conhecimento direto de todos os eventos templários. O maçom ativo - Para se dizer maçom não é bastante ter se iniciado no primeiro grau simbólico ou ter sido colado em outros mais avançados. Para ser maçom, na verdadeira acepção da palavra, é preciso estar em atividade plena, mostrar-se valente, manter-se disposto, ser estudioso, enfim, demonstrar-se trabalhador, diligente e consciencioso. A isso tudo se pode acrescentar ainda: Para se anunciar como maçom urge que, além de ativo e resoluto, seja aplicado, interessado e frequente aos trabalhos da Loja.
De fato, o trabalho sempre foi e o será a máxima ideia da Maçonaria. Traduz seu pensamento dominante em todos os rituais. Faz-se num dos incondicionais deveres do iniciado. A totalidade das fórmulas ritualísticas com seus símbolos, alegorias ou emblemas, bem como todas as cerimônias com suas tradições normativas de deveres e obrigações, têm suas fontes generosas na ideia do trabalho, através dos quais aprofundamos os conhecimentos, aprimoramos a educação, mais nos amamos e nos instruímos.
Assiduidade – é o hábito que leva o indivíduo a achar-se presente onde deve estar para cumprimento de seus deveres. A assiduidade é garantia para ação contínua e eficaz de qualquer esforço de indivíduos ou comunidades. Ela se completa pela pontualidade. Assiduidade e pontualidade são traços positivos de personalidade bem formada, revelando uma consciência madura das próprias responsabilidades. Constitui uma das virtudes do maçom; não diz respeito apenas ao comportamento social, ao compromisso assumido, mas à participação em uma Egrégora que beneficia a quem se encontra ao seu lado; diz respeito ao elo da corrente; à necessidade para a formação do grupo. Quem se ausentar sem motivo aparente ou justificado estará solapando aos demais a oportunidade de reforçar as vibrações e a soma dos fluídos destinados à formação grupal.
Todos os Maçons assumem o compromisso, como regra geral e iniludível, de assistir os trabalhos da Oficina a que pertencem. As Constituições e Regulamentos Gerais de todas as Potências maçônicas dispõem sobre este dever, recomendando a justificação por escrito, dirigida ao Venerável, ao Maçom que, por qualquer motivo, não puder comparecer às sessões. Consoante às regras maçônicas, a falta de assiduidade impede o ato de votar e ser votado; o “aumento do salário”, podendo ser suspenso ou até eliminado do quadro.
A frequência aos Trabalhos - Não raro, as colunas estão quase desertas. Por isso é comum ouvir-se o anúncio contristador de “reinar silêncio nas colunas”. Ninguém faz uso da palavra. Muitas decepções poderiam ser evitadas se obreiros recalcitrantes adquirissem o hábito da assiduidade. A frequência dos Irmãos aos Trabalhos é um dos itens constantes de todas as pautas das reuniões administrativas. Há os que não vão aos Trabalhos da Oficina porque acham que a mesma nada tem a lhes ensinar. São os presunçosos. Se forem trolhados, não sabem fazer o Sinal de Aprendiz. Há os que não vão à Oficina porque acham que as reuniões se tornaram desinteressantes e monótonas. Estes fazem parte daquele grande grupo que “entrou para a Maçonaria, mas a Maçonaria não entrou neles”. Acham as reuniões desinteressantes, mas nada fazem para torná-las melhores. São os reformistas e críticos de palavras. Nada fazem porque lhes faltam luzes para fazer, ou porque egoístas, não querem dividir os seus conhecimentos, quando raramente possuem algum. São os verdadeiros inoperantes da Ordem.
 Os argumentos, de todos os grupos de faladores, são extremamente frágeis e na realidade se baseiam, também com a Maçonaria, em três colunas, ou melhor, três anti-colunas: a ignorância, o desinteresse e o perjúrio. Perjuro não é somente quem revela os nossos Segredos Iniciáticos, mas também é perjuro aquele que não cumpre com as obrigações contraídas para com a Sublime Ordem no Cerimonial da Iniciação. Enriqueça sua Oficina, abrilhantando-a com sua presença, com sua luz e conduzindo-a com suas opiniões. O bom maçom - não se pertence nos dias das reuniões. A não ser por motivos que independam da sua vontade, deve lhe doer, no íntimo, furtar-se à convivência amistosa dos seus companheiros de colunas. É necessário não se esquecer de que os velhos amigos que comparecem à Loja, um dia o aplaudiram entre aquelas mesmas colunas tão pouco transpostas por ele. Deve predominar na sua lembrança que antes da sua recepção, os sindicantes trouxeram ao quadro da Loja a informação que dispunha de tempo suficiente para ser assíduo aos trabalhos da Oficina, sem prejuízo das obrigações sociais-profanas.
Não deve consentir, nem concorrer para que as colunas da sua Loja sejam olvidadas ou permaneçam na desolação. Ao iniciado incumbe estudar, aprender, conhecer os “Landmarks”, as Regras, a Constituição, os Regulamentos, os Atos e Decretos da Ordem, para que adquira fundamentos de longa duração, enriquecidos pelos estímulos fertilizantes da boa vontade, e se firme em alicerces seguros e de fina estrutura moral que edifiquem as obras que falam mais alto das eficiências da Sublime Instituição.
Os golpes de malhetes devem, portanto, ecoar sempre aos seus ouvidos, dentro do limiar do Templo. As palavras sagradas e de passes devem configurar, permanentemente, algo positivo para a sua vida real. A cadeia de união deve ser deveras frequentada com assiduidade, porque nela é que se consagra o cumprimento do solene compromisso do maçom com a humanidade. As peças de arquitetura devem ser tidas como causa determinante da sua vida templária, tornando-se fontes de luz iluminadora dos feitos e realizações do conjunto de todos os Irmãos.
Querer é poder – No ato iniciático, o Neófito recebe do Venerável o Avental - a mais honrosa insígnia do Maçom - pois é o emblema do Trabalho e a indicar que devemos sempre ser ativos e laboriosos, em cumprir o dever de assiduidade à Oficina, sem ele não podemos comparecer às nossas reuniões. A resposta afirmativa é testemunhada por todos os presentes. Ser assíduo depende da vontade, ou melhor, dizendo, da boa vontade do obreiro. Se a intuição de uma vontade que representa o querer for atendida, os empecilhos que se apresentarem para tolher aquela iniciativa, nos dias de reuniões, serão removidos ou sobrepujados.  Não resta dúvida que quem se disponha a querer, supera os obstáculos, desfaz as dificuldades e não encontra impossíveis que detenha nos seus intentos. O que planeja fazer, o faz, com toda certeza. Conhecendo a si mesmo como alma, o ser humano estará predisposto a mudar seus rumos de vida, ou seja, o querer. Entretanto não basta querer, é preciso saber como, e o apoio da Loja Maçônica é fundamental, pois nela o Irmão encontra, ou deveria encontrar, a plenitude da Maçonaria como filosofia estruturada em argumentos incontestáveis e de vastas consequências morais.
Tomando essa direção que as condições pessoais permitem sem qualquer motivação contrária, o espírito do individualismo mais afeito ao comodismo desaparecerá ante o incentivo do movimento de grupo mais ajustado com a fraternidade. Somente pela assiduidade e pela intelectualização que adquirir na escola do progresso maçônico, é que o iniciado poderá dirigir suas inclinações, seus desejos e propósitos sociais e templários. Concluindo - Meus caríssimos Irmãos, o maçom que se afasta de seus Irmãos e de sua Loja estará dando um passo impensado e cruel, uma vez que, com sua ausência, atingirá a todos, rompendo a Cadeia de União, por ser ele um elo indispensável; sua ausência “enlutará” sua comunidade. Ele para manter a Luz dos conhecimentos, o calor da fraternidade e a chama do ideal, necessário é que esteja no convívio permanente de seus Irmãos. Necessitamos do convívio constante. Retorne e encontrará seus Irmãos prontos a recebê-lo e abraçá-lo. O Grande Arquiteto do Universo que tudo fez; que tudo sabe e que tudo vê; que nos fez Maçons, porquanto não nos fizemos, nem sequer nos tornamos – simplesmente somos – porque ELE assim o quis! Somos simples elos – parte de um todo que se faz UM – um por todos e em cada um.
PS – Não se faz Maçonaria fora do Templo.
A Maçonaria que se pratica na vida profana é uma obrigação do Iniciado e é reativada a cada Sessão, como uma espécie de bateria que precisa ser recarregada. Se algum Irmão acha que nada mais tem a aprender, então ele deve ter atingido a Gnose Perfeita e é chegado o momento dele começar a ensinar.

quinta-feira, 14 de abril de 2016

O PAVILHÃO NACIONAL E O MAÇOM



Símbolo maior de uma nação, a bandeira representa seu povo, sua história e nos remete a posicionamentos e aos valores que devemos assegurar perante nossa Pátria.
Diante da realidade atual, não há como desconsiderar a gravidade dos problemas econômicos, políticos e institucionais pelos quais passa a nação. Para o Maçom é imprescindível uma ação enérgica diante deste quadro, desde que se mantenha preservado o posicionamento estritamente maçônico de não nos deixarmos levar pelo vício da paixão e, menos ainda, nos engajarmos em atitudes violentas e desrespeitosas com as opiniões contrárias.
Todo momento de incerteza e desconfiança, seja política, ética ou moral encontra sua reação por meio de investigações, julgamentos dos delitos e as consequentes punições, que desaguarão no fortalecimento das leis e das instituições. Neste momento especial da História de nosso país, sejamos sinceros e atentos ao risco de cometermos o equívoco de manifestações desrespeitosas e destemperadas, pró ou contra seja quem for. O resultado desta postura irrefletida será, necessariamente, a criação de zonas de atrito entre Irmãos.
E fica a pergunta: Quem ganha com isto? Combater a tirania, a ignorância, os preconceitos e os erros, glorificar o Direito, a Justiça e a Verdade, são estas as diretrizes da política, da moral e da ética, que conduzem os labores maçônicos, baseados na garantia do Direito, na aplicação da Justiça e, acima de tudo, na incansável busca da Verdade dos fatos. Indiferentemente das opiniões pessoais e do posicionamento político partidário, nós Maçons não podemos perder nossa identidade de Irmãos, unidos por compromissos acima das paixões profanas. Não devemos esquecer dos laços de fraternidade que nos unem. E dos valores consolidados que regem nossa Fraternidade. A nossa Nação, representada em nossos Templos pela Bandeira Nacional, deve ser reverenciada, respeitada e amada. Pregar a violência, usar frases clichês como “pegar em armas”, o insulto ao outro pela divergência de opinião, não condizem com o Maçom e nem com a mensagem de nossa bandeira.
“Salve lindo pendão da esperança! Salve símbolo augusto da paz! Tua nobre presença à lembrança A grandeza da Pátria nos traz.”
Não há dúvidas de que seja um desejo sincero de todos os Maçons um futuro melhor para o Brasil. Somente conseguiremos atingir essa meta tendo em nós a clara convicção de que devemos transformar nossa indignação em ação concreta contra a grande mazela da sociedade brasileira, que é a corrupção, em todos os níveis, de forma apartidária sendo nós mesmos vigilantes de nossa própria conduta. Contra a corrupção, que é a origem e a consequência de toda essa mazela pela qual passamos hoje, a Maçonaria tem uma ação séria e comprometida com o Brasil, que é o projeto Corrupção Nunca Mais (www.corrupcaonuncamais.com.br).
O Irmão está colaborando? Tem, de fato, como Maçom, consciência de seu dever em promover o bem-estar da Pátria?
“Contemplando o teu vulto sagrado, Compreendemos o nosso dever, E o Brasil por seus filhos amados, poderoso e feliz há de ser!”
Este artigo foi inspirado no livro “MAÇONARIA PARA MAÇOM” do Irmão e Amigo Jorge Vicente, que na página 109, relata uma experiência diante da apresentação do Pavilhão Nacional:
“Eis que surge o Porta-Bandeira na postura correta, emocionante, trazendo a Bandeira do Brasil, sem que ela se curvasse um só instante. Ele, o Irmão que conduzia o Pavilhão, seguia ereto, como que estando a Ordem.”
 Neste décimo ano de compartilhamento de instruções maçônicas, mantemos a intenção primaz de fomentar os Irmãos a desenvolverem o tema tratado e apresentarem Prancha de Arquitetura, enriquecendo o Quarto-de-Hora-de-Estudo das Lojas. Precisamos incentivar os Obreiros da Arte Real ao salutar hábito da leitura como ferramenta de enlevo cultural, moral, ético e de formação maçônica.

Fraternalmente lr.´. Sérgio Quirino Guimarães.