quarta-feira, 31 de outubro de 2012

31 DE OUTUBRO DE 1517 - DIA DA REFORMA PROTESTANTE

luter
No dia 31 de outubro, celebramos o Dia da Reforma Protestante. Neste dia, no ano de 1517, o monge Martinho Lutero expunha nas portas da Igreja de Wittenberg, na Alemanha, as 95 teses contra a venda de indulgências. Indulgência é o mérito, por boa ação ou compra, da remissão da pena dos pecados. Verdadeiros abusos eram cometidos nesta época. As pessoas achavam que não precisavam mais da graça, da fé, da palavra de Deus, nem de Jesus Cristo, compravam uma carta de indulgência e pronto, a salvação estaria garantida. Era o pensamento da época. Era a onda religiosa do momento.
 
95 tesesMartim Lutero argumentou contra isso. Ensinou que a Igreja devia pregar a salvação pela graça e fé, mediante a ação de Jesus Cristo, revelado nas Sagradas Escrituras. Com certeza, nem ele tinha consciência das proporções que tomaria este movimento. Novas rupturas e até novas guerras se justificaram a partir de então. Mas também uma autêntica e verdadeira vivência do Evangelho volta a se fazer presente, entre católicos e protestantes, motivada pela atitude de Lutero.

A GRANDE CAIXA DE FERRAMENTAS


www.brasilmacom.com.br - A GRANDE CAIXA DE FERRAMENTASApós seu renascimento simbólico para a vida, todo maçom recebe do Grande Arquiteto do Universo uma bela caixa de ferramentas
Em princípio, essa caixa encontra-se vazia e, como é de se esperar, o Aprendiz ávido por conhecimento logo quer encher esta caixa, pensando erroneamente que isso lhe trará a sabedoria e o transformará em um ser humano melhor. Do que adianta o Aprendiz ter em suas mãos ferramentas formidáveis se seu coração e suas mãos não estão preparados para usá-las?
As três primeiras ferramentas que serão guardadas dentro desta caixa são a régua de 24 polegadas, o maço e o cinzel. Ouso dizer que a régua de 24 polegadas representa para nós, maçons, homens livres, pensantes e formadores de opinião, a retidão que devemos ter em nossas vidas durante as 24 horas do dia, medindo milimetricamente nossas ações, reações e decisões para sermos o mais justos possível com nossos semelhantes, profanos ou iniciados, mas acima de tudo filhos do Grande Arquiteto do Universo.
O maço e o cinzel são as melhores ferramentas que o Aprendiz Maçom recebe, pois, junto com elas vem um grande desafio, que é simbolicamente desbastar a pedra bruta de nosso coração, que consiste em livrar-nos de tudo aquilo que é prejudicial a humanidade: vícios, inveja, preguiça, indiferença, ignorância (em todos os sentidos), acomodação e intolerância. Ficaríamos a noite toda aqui listando estas asperezas e não as terminaríamos. Daí, minha conclusão da importância destas ferramentas.
Ainda sobre o maço e o cinzel, estas ferramentas nos acompanharão pela vida toda, a cada degrau que subirmos na Escada de Jacó, a cada grau, a cada cargo, insígnia ou decisão, só seremos justos e perfeitos se tivermos usado o maço e o cinzel desde o dia que eles nos foram apresentados pelo Irmão Primeiro Vigilante.
Sendo seres humanos, herdamos a dualidade, a opção entre o bem e o mal, o certo e o errado, qualidades formidáveis e defeitos terríveis, e somos colocados à prova disso toda hora, mas aquele que realmente trabalhou com o maço e o cinzel a vida toda, saberá adoçar suas palavras, colocar suas opiniões de maneira que não firam a honra de seus semelhantes, mesmo quando as opiniões tomam rumos e caminhos diferentes.
É totalmente salutar ao maçom expor seus pontos de vista, inclusive é uma de nossas obrigações maçônicas, não devemos nos acovardar em nossas opiniões, mas, repito, mais importante que nosso ego e nossas opiniões é realmente a harmonia, a paz e a busca por conhecimento que nos motiva a deixar nossa família, o aconchego de nosso lar, para encontrarmos a família que escolhemos em nossas oficinas.

Junto com esta formidável caixa de ferramentas, o Grande Arquiteto do Universo nos dá um cadeado inquebrável feito do material mais resistente que existe, dificílimo de ser encontrado: o caráter. Este cadeado trancará a caixa de ferramentas, quando as mesmas não estejam sendo usadas.

Para este cadeado, uma chave nos é confiada e com ela o maçom, dentro da oficina, o abrirá, utilizará as ferramentas da caixa, aprenderá a pensar, agir e falar de forma maçônica, medindo palavras, colocando o ego em último lugar, procurando sempre ser democrático, agindo de maneira que a loja não perca a harmonia e seja preferencialmente unânime em suas decisões.
É importante lembrar que a quebra da harmonia, da justiça e da perfeição da Loja não deve ser medida com base em debates, decisões, opiniões, discussões e votações, pois maçons verdadeiros sabem que isso pode ser feito de maneira elegante, cortez e salutar. Nossos belos rituais simbólicos não devem ser quebrados baseados em atos e palavras proferidas sem antes serem medidas.
Voltando à chave, o maçom deverá guardá-la em segredo, num lugar de difícil acesso, lugar íntimo e puro, situado no lado esquerdo do peito, o coração. É ali que o verdadeiro maçom guarda sua chave e só revela àqueles que pertencem à Ordem.
Somente os resultados dos ensinamentos adquiridos com a Arte Real, de utilizar os instrumentos e ferramentas, deverão ser repassados ao mundo profano, na forma de bons exemplos, atos e decisões justas no dia-a-dia.
Desta forma, trabalharemos para que num futuro próximo possamos ser pessoas melhores e nosso mundo ser melhor do que o dia em que nele chegamos, pois essa é a obrigação de todo aquele que ousou ser reconhecido maçom.

Autor
Ir.’. Douglas Rodrigues de Oliveira
Loja Estudo e Fraternidade n° 31 • Sinop / MT

terça-feira, 30 de outubro de 2012

PORQUÊ 'MEU IRMÃO', E NÃO 'MEU AMIGO'?


www.brasilmacom.com.br - PORQUÊ 'MEU IRMÃO', E NÃO 'MEU AMIGO'?Os maçons tratam-se, entre si, por "irmão", tratamento que é explicitamente indicado a cada novo maçom após a sua iniciação. Imediatamente após terminada a sessão de Iniciação é normal que todos os presentes cumprimentem o novo Aprendiz com efusivos abraços, rasgados sorrisos e, entre repetidos "meu irmão", "meu querido irmão" e "bem vindo, meu irmão", recebe-se, frequentemente, mais afeto do que aquele que se recebeu na semana anterior.
O que seria um primeiro momento de descontração torna-se, frequentemente, num verdadeiro "tratamento de choque", num momento de alguma estranheza e, quiçá, algum desconforto para o novo Aprendiz. Afinal, não é comum receber-se uns calorosos e sinceros abraços de uns quantos desconhecidos, para mais quando estes nos tratam - e esperam que os tratemos - por irmão... e por tu! Sim, que outro tratamento não há entre maçons, pelo menos em privado - que as conveniências sociais podem ditar, em público, distinto tratamento.
O primeiro momento de estranheza depressa se esvai - e os encontros seguintes encarregam-se de tornar naturalíssimo tal tratamento, a ponto de se estranhar qualquer "escorregadela" que possa suceder, como tratar-se um Irmão na terceira pessoa... Aí, logo o Aprendiz é pronta e fraternalmente corrigido, e logo passa a achar naturalíssimo tratar por tu um médico octogenário, um político no ativo, ou um professor universitário. E de fato assim é: entre irmãos não há distinção de trato.
Não se pense, todavia, que todos se relacionam do mesmo modo. Afinal, não somos abelhas obreiras, e mesmo entre essas há as que alimentam a rainha ou as larvas, as que limpam a colmeia, e as que recolhem o néctar. Do mesmo modo, todos os maçons são diferentes, têm distintos interesses, e não há dois que vivam a maçonaria de forma igual. É natural que um se aproxime mais de outro, mas tenha com um terceiro um relacionamento menos intenso. Não é senão normal que, para determinados assuntos, recorra mais a um irmão, e para outros a outro - e podemos estar a falar de algo tão simples quanto pedir um esclarecimento sobre um ponto mais obscuro da simbologia, ou querer companhia ao almoço num dia em que se precise, apenas, de quem se sente ali à nossa frente, sem que se fale sequer da dor que nos moi a alma.
Mas não serão isto "amigos"? Porquê "irmãos"? Durante bastante tempo essa questão colocou-se-me sem que a soubesse responder. Sim, havia as razões históricas, das irmandades do passado, mas mesmo nessas teria que haver uma razão para tal tratamento. O que leva um punhado de homens a tratarem-se por "irmão" em vez de se assumirem como amigos? Como em tanta outra coisa, só o tempo me permitiu encontrar uma resposta que me satisfizesse. Não é, certamente, a única possível - mas é a que consegui encontrar.
Quando nascemos, fazê-mo-lo no seio de uma família que não temos a prerrogativa de escolher. Ninguém escolhe os seus pais ou irmãos de sangue; ficamos com aqueles que nos calham. O mais natural é que, em cada núcleo familiar, haja regras conducentes à sua própria preservação e à de todos os seus elementos, regras que passam, forçosamente, pela cooperação entre estes. É, igualmente, natural que esse fim utilitário, de pura sobrevivência, seja reforçado por laços afetivos que o suplantam a ponto de que o propósito inicial seja relegado para um plano inferior. É, assim, frequente que, especialmente depois de atingida a idade adulta, criemos laços de verdadeira e genuína amizade com os nossos irmãos de sangue, que complementa e de certo modo ultrapassa, em certa medida, os meros laços de parentesco.
Do mesmo modo, quando se é iniciado numa Loja - e a Iniciação é um "renascimento" simbólico - ganha-se de imediato uma série de Irmãos, como se se tivesse nascido numa família numerosa. Neste registro, os maçons têm, uns para com os outros, deveres de respeito, solidariedade e lealdade, que podem ser equiparados aos deveres que unem os membros de uma célula familiar. Porém, do mesmo modo que nem todos os irmãos de sangue são os melhores amigos, também na Maçonaria o mesmo sucede. Não é nenhum drama; o contrário é que seria de estranhar. Diria, mesmo, que é desejável e sadio que assim suceda, pois a amizade quer-se espontânea, livre e recíproca. E, tal como sucede entre alguns irmãos de sangue, respeitam-se e cumprem com os deveres que decorrem dos laços que os unem, mas não estabelecem outros laços para além destes. Pode acontecer - e acontece. Mas a verdade é que o mais frequente é, especialmente dentro de cada Loja, cada maçom encontre, dentre os seus irmãos, grandes amigos - e como são sólidos os laços de amizade que se estabelecem entre irmãos maçons!

Fonte: www.brasilmacom.com.br

A PACIÊNCIA NO DESBASTE DA PEDRA BRUTA


www.brasilmacom.com.br - A PACIÊNCIA NO DESBASTE DA PEDRA BRUTA
Esta Pílula é um “repeteco” do meu primeiro trabalho quando era Aprendiz, feito muitos anos atrás. É um trabalho curto e simples sobre a Paciência no desbaste da Pedra Bruta. Esta Pílula é dirigida, principalmente aos Aprendizes que estão se iniciando na realização espiritual e na condução ao aperfeiçoamento. Esse início é o despertar da consciência adormecida, da mente, das emoções e aprimoramento dos atos. É o amanhecer da consciência interior, que esteve até agora, adormecida ou inativa.

Devemos nos descobrir e caminhar na direção da Luz sem preconceitos, ilusões, vaidades e com a mente clara e imparcial e, sobretudo, paciente pois há em cada ser humano uma ilimitada possibilidade de bem, de força e capacidade de desenvolver e manifestar as mais elevadas qualidades humanas.

Paciência, é o elemento fundamental para nossa jornada na busca da evolução. Esta evolução é uma meta que somente será atingida com perseverança, constância, sinceridade de propósitos e, muita, muita paciência.

Devemos, pois, Irmãos Aprendizes, desbastar a Pedra Bruta, que é a atual situação das nossas almas profanas para sermos instruídos nos mistérios da Ordem da Arte Real. Ela deve ser trabalhada com cuidado, com carinho e habilidade com o malho e o cinzel, para que chegue apresentar a forma de um paralelogramo. E este trabalho exige a virtude da paciência que por sua vez, está subordinada à fortaleza da alma, a retidão do caráter e ao controle dos vícios.

Esta paciência, consiste também, na capacidade constante de encarar as adversidades, tolerando seus amargores. É a resignação de um lado, e perseverança tranquila, do outro.

paciência é, sem dúvida, uma forma de persistência. É uma qualidade que, de modo geral, não associamos à vontade, mas é parte de uma vontade plenamente desenvolvida em nossa mente e em nossa alma, refletindo seus raios pelo nosso corpo. A paciência, o tempo e a perseverança, com seus valores extremados, nos habilitam a realizar muitas coisas. Essa ideia, Irmãos, é semelhante aquela já dita por alguns filósofos, aos quais a visão hermética lhes possibilitava tais coisas: “O trabalho da Pedra Bruta é um trabalho de paciência, tendo em vista a duração do tempo, do labor e o capricho necessário para levá-la ao formato de um paralelogramo perfeito”.

Muitos abandonam este trabalho por cansaço e outros, desejando consegui-lo precipitadamente, nunca tiveram êxito.

Na verdade, como está explícito nas linhas acima, é um trabalho árduo e paciente e este é um dos objetivos mais importantes da nossa Ordem Maçônica, e, muito provavelmente, o principal. Os impacientes não conseguem realizar este trabalho. E, finalizando, fica no ar uma frase para pensarmos e refletirmos:

“A Paciência não é como uma flor que pode ser colhida. É como uma montanha, que passo a passo, deve ser escalada”.

Alferio - http://pilulasmaconicas.blogspot.com

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

FEIJOADA DANÇANTE

Ontem foi realizada a tradicional feijoada dançante da Loja Maçônica São José Nº14, em nosso espaço cultural. 






















Foram momentos agradáveis de confraternização entre nossas famílias e a sociedade mipibuense.










Agradecemos a presença de todos e desde já fazemos o convite para os próximos eventos sociais que realizaremos em um futuro próximo.







domingo, 28 de outubro de 2012

OS ALTOS GRAUS


www.brasilmacom.com.br - ALTOS GRAUSA formação de um maçom está formalmente concluída logo que concluída a cerimônia pela qual ele é elevado ao 3.º grau e assume a qualidade de Mestre Maçom. Todos os "segredos" lhe estão transmitidos, todas as "lições" lhe estão dadas, o método maçônico de evolução é-lhe conhecido. A partir desse momento, o Mestre Maçom é um Aprendiz que aprende o que tem de aprender, como pretende, segundo as suas prioridades e preferências. Acabou a sua aprendizagem e tem a sua "carta de condução". Mas aprender o quê? Tudo o que lhe foi exposto, apresentado, mostrado. Todos os símbolos, rituais, ornamentos, textos, que lhe foram fornecidos ao longo da sua formação. Não que tenha de saber esses textos de cor. Mas porque todos esses elementos são pistas, sinais, caminhos abertos à sua individual exploração.

Onde conduzem esses caminhos? Ao interior de si próprio! À interiorização das virtudes e normas de comportamento e princípios que devem reger a conduta de um homem bom e justo e que procura aproximar-se o mais possível do conceito de homem perfeito. Porquê? Porque crê que é esse trabalho, esse esforço, esse objetivo, o verdadeiro significado da vida, a razão de ser da nossa existência, porque o nosso caráter, o nosso espírito, a nossa alma (chame-se-lhe o que se quiser) necessita desse esforço, desse reforço, desse aperfeiçoamento, para evoluir e passar adiante (chame-se-lhe Ressurreição, ou Glória, ou Paraíso, ou Nirvana, ou o que se quiser). Complementarmente à sua crença religiosa e em reforço e desenvolvimento desta, o maçom procura assim descortinar o inescrutável, entrever o sentido da vida e o Plano do Criador, cumprir a sua vocação.

Em bom rigor, para o fazer segundo o método maçônico não necessita de mais ferramentas do que as que lhe foram dadas ao longo da sua instrução como Aprendiz e Companheiro e na sua exaltação a Mestre. Elas chegam, está lá tudo o que é necessário para que o homem bom que um dia bateu à porta do Templo se torne um homem melhor, um pouco melhor em cada dia que passa, um tudo nada melhor do que no dia anterior e um não sei quê pior do que no dia seguinte.

Para esse trabalho fazer, basta-lhe atentar e meditar e trabalhar nos conceitos e lições que recebeu, explorar a miríade de símbolos e chamadas de atenção com que se deparou. E tirar de cada meditação, de cada exploração, de cada esclarecimento, a respetiva lição e - mais e sobretudo - aplicá-la na sua conduta de vida. O Mestre Maçom tem tudo o que necessita para o seu trabalho e a obrigação de ensinar os que se lhe seguem - cedo descobrindo que será também ensinando que ele próprio aprende...

Mas alguns Mestres Maçons sentiam-se insatisfeitos, desconfortáveis. Até à sua exaltação, tinham tido um guião, uma cartilha, mentores, que auxiliavam o seu percurso. E, de repente, ainda inseguros, ainda tateando o seu caminho, os seus Irmãos largavam-nos ao caminho e diziam-lhes: "aí tens tudo o que precisas de ter para fazer o teu caminho! Procura, lê , estuda, medita, tenta, acerta, erra, quando errares volta atrás e tenta de novo até acertares." Não haveria maneira de guiar ainda o seu trabalho? Não de os conduzir, mas de fornecer como que um mapa, um guia, que facilitasse a sua tarefa? Tudo bem que tudo o que havia a explorar e aprender já lá estava no que lhe fora ensinado. Mas as alegorias têm de ser decifradas, os significados encontrados... É certo que o trabalho tem de ser individual mas... precisa absolutamente de ser tão solitário? Está certo que cada Mestre Maçom deve procurar a sua Luz e, para o fazer, tem de se abalançar ele próprio a atravessar a escuridão mas... não se pode dar-lhe nem uns fosforozitos, nem uma velinhas, para ajudar a alumiar o caminho?

Cedo se chegou à conclusão que sim, que se podia. Que, embora cada um tivesse os meios de explorar o seu caminho, não havia mal nenhum em proporcionar a quem o quisesse um mapa, um guia, um roteiro, que desenvolvesse, paulatinamente, patamar a patamar, as noções que já estavam disponíveis para serem desenvolvidas, mas que não havia mal nenhum se o fossem através de um roteiro bem organizado.

E assim se desenvolveu aquilo a que hoje se chama Altos Graus. Nas derivas do Romantismo, muitos sistemas de altos Graus foram desenvolvidos. De alguns deles ainda restam resquícios, tentativas de manutenção. Outros entretanto desapareceram. No mundo maçônico, nos dias de hoje, predominam dois sistemas de Altos Graus, do Rito Escocês Antigo e Aceito e do Rito de York. Outros são também praticados: do Rito Escocês Retificado, por exemplo.

Mas não se engane ninguém: ao percorrer qualquer desses sistemas (ou mais do que um), não se sobe, não se fica mais alto, mais poderoso, superior. Ao percorrer cada um dos sistemas de Altos Graus está-se a utilizar um guia de auxílio no nosso caminho individual. Cada grau não é um patamar. É uma viagem de descoberta e estudo. E o grau seguinte não é um patamar superior. É apenas outra viagem de descoberta e estudo. De que se volta para de novo partir, seja para reestudar a mesma lição, para reestudar lição anterior, ou para explorar nova lição. E, a todo o momento, o Mestre Maçom pode decidir fazer nova viagem segundo o seu roteiro (e tomar novo grau) ou explorar por sua conta própria. Ou fazer ambas as coisas...

A Maçonaria é um caminho de conhecimento, iluminação e aperfeiçoamento. Que cada um percorre como quer. Às vezes com roteiro. Às vezes sem guia. Uns de uma maneira. Outros de outra. Nem sequer, bem vistas as coisas, o mais importante é o destino. Importante, importante mesmo, é o final da viagem e o que se retém dela!

Por: Rui Bandeira

sábado, 27 de outubro de 2012

LIVRES E DE BONS COSTUMES


O ideal dos homens livres e de bons costumes, que a sublime Ordem ensina, mostra que a finalidade da Maçonaria é, desde épocas mais remotas, dedicar-se ao aprimoramento espiritual e moral da Humanidade, pugnando pelos direitos dos homens e, pela Justiça, pregando o amor fraterno, procurando congregar esforços para uma maior e mais perfeita compreensão entre os homens, a fim de que se estabeleçam os laços indissolúveis de uma verdadeira fraternidade, sem distinção de raças nem de crenças, condição indispensável para que haja realmente paz e compreensão entre os povos.

No mundo da atualidade, conturbado pela incompreensão e pela ganância, mais do que nunca é necessário que brilhe no coração dos Irmãos a flama do ideal maçônico; que os obreiros, almas que se ornam pela bondade, forças que se unem pelo amor, vontades que se harmonizam pelo desejo de espalhar luz sobre seus semelhantes, tornando-os bons e caritativos, sejam orientados e guiados na trajetória que os leva a perfectibilidade.

Livre, palavra derivada do latim, em sentido amplo quer significar tudo o que se mostra isento de qualquer condição, constrangimento, subordinação, dependência, encargo ou restrição.

A qualidade ou condição de livre, assim atribuído a qualquer coisa, importa na liberdade de ação a respeito da mesma, sem qualquer oposição, que não se funde em restrição de ordem legal e, principalmente moral.

Em decorrência de ser livre, vem a liberdade, que é faculdade de se fazer ou não fazer o que se quer, de pensar como se entende, de ir e vir a qualquer parte, quando e como se queira, exercer qualquer atividade, tudo conforme a livre determinação da pessoa, quando não haja regra proibitiva para a prática do ato ou não se institua princípio restritivo ao exercício da atividade.

Bem verdade é que a maçonaria é uma escola de aperfeiçoamento moral, onde o homem vai aprimorar-se em benefício dos semelhantes, desenvolvendo qualidades que o possibilitam ser, cada vez mais, útil à coletividade. Não nos esqueçamos, porém, que, de uma pedra impura jamais conseguiremos fazer um brilhante, por maior que sejam nossos esforços.

O conceito maçônico de homem livre é diferente, é bem mais elevado do que o conceito jurídico.

Para ser homem livre, não basta Ter liberdade de locomoção, para ir aqui ou ali.
Goza de liberdade o homem que não é escravo de suas paixões vis, que não se deixa dominar pela torpeza dos seus instintos de fera humana.

Não é homem livre, não desfruta da verdadeira liberdade, quem esta escravizado a vícios.

Não é homem livre aquele que é dominado pelo jogo, que não consegue libertar-se de suas tentações.

Não é homem livre, quem se enchafurda no vício, degrada-se, condena-se por si mesmo, sacrifica voluntariamente a sua liberdade, porque os seus baixos instintos se sobrepuseram às suas qualidades, anulando-as.

Maçom livre, é o que dispõe da necessária força moral para evitar todos os vícios que infamam, que desonram, que degradam.

O supremo ideal de liberdade é livrar-se de todas as propensões para o mal, despojar-se de todas as tendências condenáveis, sair do caminho das sombras e seguir pela estrada que conduz à prática do bem, que aproxima o homem da perfeição intangível.

Ser livre é ir mais além, é buscar outro espaço, outras dimensões, é ampliar a órbita da vida. 

É não estar acorrentado. É não viver obrigatoriamente entre quatro paredes.
Sendo livre e por conseqüência, desfrutando de liberdade, o homem deve, sempre pautar sua vida pelos preceitos dos bons costumes, que é expressão, também derivada do latim e usada para designar o complexo de regras e princípios impostos pela moral, os quais traçam a norma de conduta dos indivíduos em suas relações domésticas e sociais, para que estas se articulem seguindo as elevadas finalidades da própria vida humana.

Os bons costumes, referem-se mais propriamente à honestidade das famílias, ao recato das pessoas e a dignidade ou decoro social.

A idéia e o sentido dos bons costumes não se afastam da idéia ou sentido de moral, pois, os princípios que os regulam são, inequivocamente, fundados nela.
O bom maçom, livre e de bons costumes, não confunde liberdade, que é direito sagrado, com abuso que é defeito.

O bom maçom, livre e de bons costumes, crê em Deus, ser supremo que nos orienta para o bem e nos desvia do mal.

O bom maçom, livre e de bons costumes, é leal.

Quem não é leal com os demais, é desleal consigo mesmo e trai os seus mais sagrados compromissos.

O bom maçom, livre e de bons costumes, cultiva a fraternidade, porque ela é a base fundamental da maçonaria, porque só pelo culto da fraternidade poderemos conseguir uma humanidade menos sofredora.

O bom maçom, livre e de bons costumes, recusa agradecimentos porque se satisfaz com o prazer de haver contribuído para amparar um semelhante.

Texto extraído do Informativo “O V I G I L A N T E” da Loja Maçônica 
Vigilantes da Lei (Jurisdicionada à GLMERJ).
Rio de Janeiro – Ano II – Nº20 –Agosto de 2009

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

"SHRINERS" - QUEM SÃO E O QUE FAZEM?


No Best Seller Mundial de Dan Brown, “ O Símbolo Perdido”, ficou muito evidente nos capítulos 99 até 102  a existência dos SHRINER´s no mundo, a qual talvez seja a divulgação mais recente acerca desta sublime ordem. Vejamos os trechos: ( Editora Sextante, 2009 )
(…) Fazia muito tempo que Simkins trabalhava na região de Washington, mas não conhecia aquele templo nem qualquer ordem mística sediada na Franklin Square.
— Esse prédio — disse Sato — pertence a um grupo chamado Antiga  Ordem Árabe dos Nobres do Santuário Místico.
— Nunca ouvi falar.
— Acho que já ouviu, sim. É um grupo paramaçônico mais conhecido como Shriners.
Simkins lançou um olhar incrédulo para o edifício ornamentado, Os shriners? Aqueles que constroem hospitais para crianças? Não conseguia imaginar “ordem” menos ameaçadora do que uma irmandade de filantropos que usava pequenos barretes vermelhos e marchava em desfiles pela rua. (…) – CAPÍTULO 99
(…) — Professor, nós dois sabemos que a CIA está me esperando naquela praça. Não tenho a menor intenção de cair em uma armadilha. Além do mais, não precisava do número. Só existe um prédio ali que poderia ser relevante... o Templo de Almas. — Ele fez uma pausa, baixando os olhos para Langdon. — A Antiga Ordem Árabe dos Nobres do Santuário Místico.
Langdon ficou confuso. Ele conhecia o Templo de Almas, mas havia se esquecido de que ficava na Franklin Square. Os shriners são... a “Ordem”? O templo deles fica localizado em cima de uma escadaria secreta? Historicamente falando, aquilo não fazia nenhum sentido, mas, naquele momento, Langdon não estava em condições de discutir história. (…) – CAPÍTULO 102
O Shrine é uma fraternidade paramaçônica Internacional fundada em Nova York em 1872, Baseada nos princípios Maçônicos e da Confraternização, Companheirismo e Diversão, idealizada em 1870 por Willian J. Florence e Dr. Walter Millard Fleming, formando a primeira Diretoria em 1872. Em 1920 inauguraram o primeiro hospital SHRINE em Shreveport EUA. Hoje são cerca de 450.000 membros compondo a organização composta exclusivamente de Mestres Maçons regulares e que conta para seu funcionamento com a participação maciça das cunhadas. ( Esposas dos Maçons).  O Shrine é mais conhecido pelo atendimento oficial e gratuito na área de saúde as crianças com até 18 anos de idade, é uma entidade reconhecida pala ONU e pelos principais Países como a organização do gênero de “Maior Filantropia do Mundo”.
Seus membros apóiam voluntariamente no encaminhamento de crianças e acompanhantes para um dos 22 grandes hospitais existentes no Planeta, e no Brasil, a entidade tem, além desta intermediação, a meta da construção de um Hospital Shrine no Estado de Mato Grosso, para funcionar na rede dos demais Hospitais Shrines do mundo.

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ESTUDANDO O AVENTAL MAÇÔNICO


www.brasilmacom.com.br - O AVENTALApós a cerimônia de iniciação, o Venerável Mestre entrega o Avental ao Mestre de Cerimônias, para com ele revestir o neófito. O agora Maçom, só poderá entrar no Templo de sua Loja, ou de qualquer outra, vestindo o Avental. Tal insígnia maçônica, nas palavras do Irmão Assis Carvalho, “é o principal Símbolo que compõe a Indumentária Maçônica.” O Avental, para o citado autor, possui uma característica especial que o diferencia de outras insígnias:
Está presente desde os remotos tempos Operativos. O famoso escritor francês Jules Boucher define o Avental como: “essencial adorno do Maçom”. Por mais celeuma que possa ocasionar essa palavra “adorno”, pois o sentido de adornar é enfeitar, decorar, e, obviamente, não é esse o principal sentido simbólico dessa indumentária, tomaremos essa definição como ponto de partida para um estudo mais aprofundado do Avental e sua função para os Maçons, tendo em vista as opiniões conflitantes muito comuns, em se tratando deste objeto de estudo. Para compreendermos melhor sua função e o porquê de suas diferentes formas, utilizaremo-nos de uma análise histórica do Avental. Contudo, ressalte-se,concentraremos nossos esforços em uma análise histórica e funcional, tendo em vista o Grau de Aprendiz, já que sabidamente, muitos dos símbolos que são ostentados em Aventais de Graus mais elevados ainda fogem e devem mesmo fugir de nossa compreensão de Aprendiz.
Antes propriamente dessa linha evolutiva, gostaríamos de estabelecer uma conexão com as palavras do Irmão francês apresentadas anteriormente. Para tanto, lembremo-nos de uma passagem inicial muito significativa e ainda muito viva nas mentes dos Aprendizes: ao entregar o avental, o Venerável Mestre diz ao neófito: “- Ele (o Avental) vos lembrará que um Maçom deve ter sempre uma vida ativa e laboriosa.” Além dessa forte simbologia relacionada com o trabalho, quase unânime entre os grandes Mestres e escritores Maçons, o Avental é objeto de várias interpretações, tendo em vista especialmente sua configuração e apresentação. O Avental do Aprendiz, com a Abeta levantada formando um triângulo sobre um retângulo, significa para alguns o quaternário sendo sobreposto pelo ternário.Outros ainda interpretam o triângulo sobreposto como a alma flutuando sobre ocorpo.
No 1º Grau (Aprendiz), a alma estaria acima do corpo, ainda desligada, e a partir do 2º Grau (Companheiro Maçom), a alma já estaria dentro do corpo, fazendo desse seu instrumento e domínio.
Justamente para entendermos um pouco melhor a função e o simbolismo que o Avental carrega em si e ao cobrir o corpo físico do Maçom,mister se faz uma análise histórica do Avental.
Para alguns escritores, a origem do Avental está ligada a tempos muito remotos, como o Paraíso Terrestre. Alguns irmãos vêem Adão como o inventor do Avental, representado na folha de parreira, a qual cobria seus órgãos genitais.
Quanto a esta origem, as objeções são muito grandes, tendo em vista que a base cientifica ou mesmo filosófica para tal tipo de análise se mostra praticamente inexistente. Se é verdade que a Maçonaria não pretende ser apenas uma sociedade cientifica e filosófica, é fato que toma como base dados científicos para justificar muita de suas concepções. Ao fazer uma análise de tal porte, deveria-se esperar uma explanação um pouco mais exaustiva, tendo em vista a originalidade da idéia. Contudo, pelas bases às quais tivemos acesso,tal assertiva se mostra não muito consistente. O Irmão Assis Carvalho, inclusive,demonstra uma certa ironia ao comentar tal fato, classificando como “uma fantasia,um afã criativo” enfim, conotando que a origem do Avental não está, em hipótese alguma, ligada à figura religiosa de Adão.
Outros também vêem uma origem mais que milenar para o surgimento do Avental, tendo como base os Mistérios Egípcios, Persas, Indus, entre outros. Nesse ponto, descreveremos uma das possíveis formas de tal Avental egípcio: era triangular, com a cúspide para cima e com vários adornos diversos dos hoje existentes. Alem disso, a faixa ao redor do corpo que o sustentava não tinha apenas este propósito, mas estava intensamente magnetizada com o corpo.Há também, acerca deste possível Avental, descrições mais pormenorizadas sobre o Avental dos Mestres, o que, como já se afirmou, não se mostra pertinente com a proposta deste trabalho.
Contudo, vale ressaltar que se faziam presentes as rosetas e uma cor azul pálida, simbolizando a inocência branca sendo substituída pelo conhecimento,o céu azul.
Mais uma vez, as objeções a esta possível origem da insígnia sob análise neste singelo trabalho são muitas. Um dos mais respeitados autores Maçons, o Irmão José Castellani, é absolutamente claro em classificar tal proposição como fantasia. Um dos pontos mais significativos de sua critica se refere ao cingidor, sobre o qual o Irmão afirma: “Quanto ao simbolismo do cingidor, ou seja, dos cordéis que prendem o Avental à cintura, não há comentários a fazer, pois se trata de elucubração de ocultistas...” Tais objetos egípcios são vistos, por este mesmo autor, como uma proteção para as vestimentas da antiga aristocracia, ou no máximo, um protetor genital.
Uma outra corrente associa o surgimento do Avental às Guildas e corporações Medievais. Tais associações, que deram origem à Maçonaria Operária, tinham por hábito distribuir entre seus Membros, aventais para o exercício do ofício ao qual estavam ligados. Esses aventais, portanto, apresentavam entre si leves diferenças com base nos diferentes trabalhos e conhecimento acerca do ofício em questão, tais como Sapateiro, Ferreiro Açougueiro, entre outros. O Avental dos antigos operários da Maçonaria Operativa estava ligado à idéia de trabalho, era um instrumento do próprio. O Avental era feito predominantemente de couro de carneiro, um couro espesso, com vistas a proteger os obreiros de labutas muitas vezes perigosas para o corpo humano. Enfim, o Avental era uma proteção para o corpo dos maçons primitivos, cobrindo, em linhas gerais, desde o pescoço até o abdômen, sendo que o do aprendiz cobria uma parte maior do corpo do que o avental do Companheiro e do Mestre, pois como o aprendiz não possuía ainda a habilidade  necessária com as ferramentas, além de iniciar o trabalho na Pedra Bruta, estava sujeito afazer um uso maior do avental do que os mestres. Uso maior não em tempo, e sim,stricto sensu, de aproveitar o avental conforme sua destinação de proteger o corpo e a roupa de quem o usa.
Com a transição da Maçonaria Primitiva para a Maçonaria Especulativa, processo histórico que, tal como qualquer outro, quiçá mais ainda, não ocorreu de forma instantânea, a figura e a função do Avental foram paulatinamente se alterando.
Ressaltamos mais uma vez que, por um considerável tempo, tanto a Especulativa quanto a Operativa conviveram, especialmente pelos relatos que se tem da Inglaterra no século XVIII.
Como exteriorização dessa relativa dicotomia entre Especulativa e Operativa, temos na Inglaterra a existência de duas grandes potências justamente nesse século de transição. Note-se que não se trata de uma correspondência absoluta entre ambas as dicotomias, embora ambas guardem uma não desprezível ligação. De um lado havia as Grandes Lojas dos Antigos, formadas principalmente por Maçons mais tradicionais, mais “conservadores”, nas quais não ocorreram grandes mudanças em relação ao Avental, predominando, exceto pelo couro de ovelha que passou a ser o material mais utilizado, uma relativa padronização e simplicidade nos Aventais de todos os Graus, tendo em vista que os próprios eram adquiridos, em sua maioria, pelas próprias Lojas e concedidos aos Irmãos. Do outro, as Grandes Lojas dos Modernos, de natureza teoricamente mais democrática, mais aberta, as mudanças mais significativas ocorreram em relação ao Avental. A concepção do simbolismo do Avental decorre justamente do entendimento que a Maçonaria Especulativa passou a conceder ao Avental. O Avental passou a ser visto como um emblema da dignidade, da honra, do trabalho material ou intelectual, trabalho esse que era desprezado. Naturalmente, numa sociedade marcada anteriormente pelos senhores da terra, apenas a propriedade era vista como algo dignificante. A Maçonaria Especulativa alçou o Avental como símbolo do trabalho, da labuta, ao qual o Maçom está ligado ao adentrar na Ordem,dignificando o próprio, o trabalho, perante os olhos da sociedade. Esse é o grande significado do Avental, enquanto instrumento fundamental do Maçom. Esta é a grande razão simbólica pela qual um Aprendiz Maçom não deve adentrar em uma Loja sem estar coberto por essa indumentária. Tal insígnia não nos deixa esquecer que a labuta é uma constante na vida do Maçom, seja em Loja ou fora dela.
Contudo, ao mesmo tempo em que as Grandes Lojas Antigas alçaram o Avental como símbolo, e, conseqüentemente, modificaram sua forma passando a utilizar tecidos mais leves tal como o cetim, o brim e o linho, a vaidade,algumas vezes exagerada de alguns Irmãos, provocaram uma verdadeira revolução no Avental. Verdadeiras obras de arte, pinturas, foram realizadas nos Aventais das Grandes Lojas dos Modernos.
Novos símbolos, tal como roseiras, fitas, bordados, foram introduzidos nos Aventais, especialmente dos Graus de Mestre. Enquanto nas Grandes Lojas Antigas predominavam a simplicidade destes instrumentos Maçônicos tão preciosos, principalmente no Grau de Aprendiz, sendo o branco predominante, até pelo material utilizado, o couro de ovelha, nas Grandes Lojas Modernas houve uma radical transformação exteriorizada nas pinturas das Abetas, na criação de laços, pinturas de novos símbolos, entre outros.Quanto maior o Grau, maiores as “sofisticações” encontradas.
Quanto a esta sofisticação dos Aventais, e esta nova função de certa forma “decorativa”, dois comentários se mostram muito pertinentes. O primeiro,tendo como base assertivas de Assis Carvalho, tendo como objeto o Cavaleiro Miguel André de Ramsay, codificador do Rito Escocês.
Buscando negar a origem Operativa da Maçonaria, e afirmar uma origem Nobre, como sucessores dos Templários, de Jacques De Molay, o Irmão Ramsay impulsionou a criação de Graus e nomes pomposos na Maçonaria e, conseqüentemente,os mais belos e ricos Aventais foram sendo também criados. Além disso, cabe agora relembrarmos a definição introduzida no começo de nosso trabalho, atribuída a Jules Boucher: “o Avental constitui-se no essencial adorno do Maçom.”Raimundo Rodrigues explica que a palavra adorno tem o sentido de enfeite,decoração. Conclui ele na imprecisão de sintaxe no uso de tal palavra, já que a função fundamental ou essencial do
Avental seria simbolizar o trabalho ao qual os Maçons devem se entregar. Contudo, fazendo uma outra análise,  podemos compreender a utilização de tal vocábulo, visto que, para muitos Irmãos, a utilização do Avental ficou muito ligada à idéia de enfeitar-se para quando da participação em Loja. Aliás,conforme relata Assis de Carvalho, eram comuns os Maçons das Grandes Lojas Modernas saírem das sessões e caminharem por Londres devidamente trajados, felizes na utilização de seus Aventais, enquanto os Maçons das Grandes Lojas Antigas,por estarem acostumados a utilizar o Avental quando em oficio, visto que muitos ainda eram Operários, utilizarem apenas os simples Aventais quando em Loja ou justamente no local de labuta.
Em 1813, com a unificação das duas grandes Potências Inglesas, houve também a edição de um normativo regulamentando e padronizando os Aventais, de forma a coibir os inúmeros abusos.
Logicamente, alguns símbolos introduzidos ao longo do tempo foram consolidados, mas os exageros cessaram, e, até hoje, pelo que afirma Assis Carvalho, não houve grandes mudanças nos Aventais Ingleses, caracterizados pelo rito York.
Vale ressaltar também o Congresso Mundial dos Supremos Conselhos em Lausane, datado de 1875. Nesse encontro, decidiu-se também por uma padronização dos Aventais utilizados pelos seguidores do Rito Escocês Antigo eAceito.
Nesse ponto, o autor Assis de Carvalho faz uma critica expressa aos seguidores de tal rito no Brasil, tendo em vista as seguidas mudanças do Avental aqui ocorridas nas últimas décadas, levando em conta que o R:.E:.A:.A:. não assistiu a grandes mudanças em outros países. Como último ponto a se destacar do Avental Maçônico, gostaríamos de nos focar na Abeta.
Muitos estudiosos Maçons procuram dar significados à sua posição em relação ao Avental.
Outros, entretanto, apoiando-se na experiência histórica e mesmo em fotografias antigas, têm demonstrado que a Abeta não tem um sentido simbólico,pelo menos em sua origem. Antony Sayer, primeiro Grão Mestre da Loja da Inglaterra (1717), está caracterizado em fotos com uma Abeta levantada.Ressalte-se que ele era Mestre e que sua Abeta estava levantada. A utilização da Abeta para baixo ou para cima está, segundo esses autores, mais ligada,originalmente, à praticidade do que a qualquer simbolismo. A Abeta era utilizada pelos Irmãos Operativos para prender o Avental à camisa, tendo propositalmente um espaço próprio para este botão. Alguns irmãos baixavam a Abeta como forma de esconder imprecisões, desgastes de alguns Aventais. Alem disso, a forma triangular ou oval não apresentava também qualquer significado. Atualmente, se admite a diferença no posicionamento para se caracterizar o Grau, o que pode ser considerado muito válido. Contudo, originalmente, pela análise histórica da Abeta, há autores que defendem a inexistência de um simbolismo próprio. Além disso, como já se afirmou anteriormente, as correias que prendiam as Abetas ao corpo dos Maçons Operativos, tanto no pescoço como na cintura, nada tinham de especial. Eram apenas correias, sem nenhum magnetismo ou coisa do tipo.
Finalizando, o Avental simboliza, em uma primeira impressão,ainda no cerimonial de Iniciação, trabalho, labor, labuta. O que podemos aprender com significado de trabalho do Avental?
Que todo Maçom deve dedicar-se ao trabalho diariamente, e,quando ele está em Loja, ou, mais propriamente ao tema, quando ele está na Oficina,o trabalho é simbolizado pelo uso do Avental.
Mesmo havendo posicionamentos diferentes com relação ao simbolismo do avental ou ao seu uso prático, não há como deixar de mencionar-se a interpretação mais aceita e oportuna com relação a essa indumentária. Ao desbastar a Pedra Bruta com o maço e o cinzel, o avental protege o Aprendiz contra a poeira e os estilhaços provenientes de seu ofício. Cumpre o papel que sempre cumpriu, a saber, o de servir como uma peça extra de proteção no manuseio, por exemplo,da pedra e até mesmo como um meio de transporte de pedras (e outros materiais)de um lugar para outro. O avental, dessa forma, está protegendo o Irmão das conseqüências do seu trabalho de aprimoramento constante e da eliminação de seus defeitos. Graças à proteção do avental, a roupa do Irmão, como se fosse sua reputação,está a salvo da sujeira representada pela poeira e os resquícios dos defeitos inerentes a todos nós, seres humanos.
Cumpre, sobretudo, o Avental, o seu papel de um dos mais importantes Símbolos da Maçonaria e de elo entre aqueles que o portam, como Irmãos Maçons, unidos, através dessa indumentária, pela fraternal amizade.

Bibliografia
Ritual do R:.E:.A:.A:.
CARVALHO, Assis. O Avental Maçônico e outros
Estudos, 2a ed., Londrina: Ed. Maçonica “A Trolha”, 1997;
CARVALHO, Assis. Ritos & Rituais, 1a ed.,
Londrina: Ed. Maçonica “A Trolha”, 2001;
CASTELLANI, José. Manias e Crendices em Nome da Maçonaria, 1a ed., Londrina:Ed. Maçonica “A Trolha”, 2002;
RODRIGUES, Raimundo. Visão Filosófica da Arte Real, 1a ed., Londrina: Ed.Maçonica “A Trolha”, 2002;
Texto extraído do Informativo “O V I G I L A N T E” da Loja Maçônica
Vigilantes da Lei (Jurisdicionada à GLMERJ).
Rio de Janeiro – Ano II – Nº20 –Agosto de 2009

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

FRIEDRICH LUDWIG SCHRÖDER


SUA BIOGRAFIA PROFANA ( ENQUANTO ATOR DE TEATRO )
www.brasilmacom.com.br - SCHRÖDER, FRIEDRICH LUDWIGSCHRÖDER, FRIEDRICH LUDWIG (1744-1816), ator alemão, diretor teatral e dramaturgo, Schröder foi o primeiro a encenar Shakespeare no teatro alemão. Nasceu na cidade de Schwerin no dia 2 de novembro de 1744.
Começou a carreira de ator ainda criança, na Companhia de Teatro do padrasto, Konrad Ernst Ackermann. Aprendeu tudo o que lhe foi possível com a própria mãe, a atriz Sophie Schröder, e com Ackermann, que era um comediante notável, Mas o seu maior mestre e inspirador foi o ator Konrad Ekhof, que se tinha incorporado à Companhia Teatral de Ackermann, em 1764.
Em 1771, com apenas 27 anos, Schröder foi nomeado Diretor do Teatro da Cidade de Hamburgo, cargo no qual se manteve durante nove anos.
Neste período, o destaque de sua atuação deveu-se principalmente à encenação – pela primeira vez na Alemanha – de diversas obras de Shakespeare, entre elas Hamlet, Iago, Shylock, Rei Lear, Falstaff, e Macbeth. Schröder se firmou como o ator de maior prestígio da época na Alemanha, evidenciando um perfeito domínio da expressão corporal e vocal.
Logo que assumiu o cargo de diretor do Teatro de Hamburgo, Schröder levou à cena as obras dramáticas de Goethe (von de Göthz Berlichingen,  Clavigo, Stella), Friedrich Maximilian von Klinger e Heinrich Leopold Wagner. Da Inglaterra trouxe também as obras O Gamester, de Edward Moore, e O Comerciante de Londres, de George Lillo.
Schröder deixou Hamburgo em 1780 e passou os quatro anos seguintes como Diretor do Teatro da cidade de Viena (Viena Burgtheater). De 1785 a 1798 ele foi novamente Diretor do Teatro de Hamburgo, onde encenou muitas das obras que tinha escrito em Viena.
F. L. Schröder morreu aos 72 anos de idade, na cidade de Rellingen, a 03 de setembro de 1816.

SUA BIOGRAFIA ( MÍNIMA) MAÇÔNICA: ( FUNDADOR DO RITO SCHRÖDER, QUE LEVA O SEU NOME )
Nota do Editor do BLOG:
 O Rito Schröder hoje é praticado no Brasil por mais de 2.000 Maçons em um pouco mais de 100 Lojas, tornando-se a Nação que possui mais Lojas e Irmãos na pratica do respectivo Rito, ultrapassando inclusive a própria Alemanha que atualmente possui somente 26 Lojas praticando o Rito “
Continua…
“... que ele o conhecia como um bom homem”
Em 8 de setembro de 1774, foi realizada uma Loja de Aprendiz ordinária.
Estavam presentes os Irmãos:
von Wickede, Venerável Mestre,
Nagant, 1º Vigilante,
Bubbers, 2º Vigilante,
Matthias, Tesoureiro,
Suse, Secretário,
Stubbe,1º Diácono,
Naudi, Mestre de Cerimônias e 23 Irmãos membros
“Em seguida o Venerável Mestre propôs aos Irmãos que um senhor de nome Friedrich Ludwig Schröder, um homem livre, diretor dos atores locais, apresentou-se a muito tempo e de forma séria para que fosse iniciado em nossa venerável Ordem. Apesar de que uma comunicação deveria ser feita normalmente com 14 dias de antecedência perante uma Loja, ele poderia, neste caso, comprovar através do seu depoimento correspondente à verdade, que o conhece como homem bom, ao qual aderiram os Irmãos Bubbers, Nagant, Mathias, Rodde e Suse”.
“O Ir. Papenguth foi incumbido da preparação, após o dinheiro ter sido entregue ao Ir. Tesoureiro, o qual tudo fez de direito, e o Iniciando foi conduzido pelo Tesoureiro e o Mestre de Cerimônias para o recinto da Loja”.
“OVenerabilíssimo Irmão Jänisch, Grão-Mestre Provincial de Hamburgo e Baixa Saxônia, entrou na Loja, e a ele foi oferecido o malhete, o qual ele devolveu”.
“O Candidato proposto chama-se Friedrich Ludwig Schröder, com 29 anos de idade, de religião Luterana, residente em Hamburgo e foi admitido como Aprendiz”.
Como Schröder chegou a Maçonaria? Desde 1773, o Ir. Bode, que foi, durante muitos anos, o Venerável Mestre da Loja Absalom, e simultaneamente o Grão-Mestre Adjunto da Grande Loja Provincial de Hamburgo e Baixa Saxônia, o fez conhecer a maçonaria, e em 8 de setembro de 1774, Schröder foi iniciado na Loja “Emanuel zur Maienblume” sem que fosse escrutinado, sinal do grande prestígio que ele possuía em meia a população de Hamburgo.
Seis semanas após a sua iniciação, ele, ainda no grau de aprendiz, fundou uma Loja que levou o nome “Elise zum Warmen Herzen” (Eliza ao coração ardente), para que os membros de sua Trupe pudessem ser aceito nela, obtendo desta forma uma posição moral fixa. Porém, após três anos, a Loja adormeceu.
Em 1775, ele recebeu o Grau de Mestre e foi eleito Venerável Mestre da Loja
Emanuel em 28 de junho de 1787, apesar de ter residido na cidade de Viena de 1781 até 1785, época em que pouco se dedicou a Loja.
Em 1779, aconteceu a sua eleição para Grão-Mestre Provincial Adjunto, e em 1814, pra Grão-Mestre da Grande Loja de Hamburgo.
Na época de sua iniciação, maçonaria na Alemanha recai no período mais escuro de sua história. Com a Estrita Observância, o caráter simples da Maçonaria Inglesa foi perdido, sendo ela substituída pelo misticismo, alquimia, rosacrucianismo, iluminismo e altos grausvindos da França. Em Hamburgo também apareceram estas idéias fantasmagóricas.
Não deixa dúvida que Schröder um homem tão sério e simples, queria através da maçonaria a educação para uma Moral verdadeira, não compactuando com tais futilidades.
Em 1782, no Congresso de Wilhelmsbad, a Estrita Observância foi levada ao Túmulo. No ano seguinte em Hamburgo foi escolhida uma Comissão de Irmãos e foi lhe dada a determinação para restabelecer novamente a legislação das Lojas e refazer a Maçonaria segundo o modelo Inglês. Cinco anos se passaram sem que nada de substancial fosse realizado.
Em 1788, Schröder foi eleito para esta Comissão e no final do ano, ele apresentou o seu trabalho totalmente concluído.
Segundo os fundamentos dos Livros das Constituições de 1723, ele montou a maçonaria em três graus, abolindo o quarto, da Loja Escocesa. Sobre suas intenções ele escreve:
“Logo após minha eleição para Venerável Mestre, eu me dediquei intensamente a maçonaria, não economizando nem esforços e nem dinheiro, para conhecer o assim chamado Sistema e todas as ‘peças’ que eram praticadas sob o nome da maçonaria e de tornar público as minhas idéias sobre a origem da maçonaria que eu já havia comunicado a Bode em 1787, através de vários documentos que foram apresentados aos maçons em 1723”.
“Diversas dessas foram publicadas através de impressos; porém felizmente, eu achei em nosso arquivo um exemplar do Antigo ritual que havia sido usado em uma Loja na Alemanha, e que acabou com todas as minhas dúvidas ... agora eu possuía documentos para elaboração”. E no lugar disto: “A Maçonaria não é uma Ordem, o Livro da Constituição Inglesa e os nossos, nunca usam esta expressão, mas sim uma Corporação de Profissionais, Guilda, Fraternidade”.
“Os antigos Alemães as chamavam de corporações, isto é, guildas unidas, ou seja, corporações constituídas através de Estatutos e Regimentos. Daí também na maçonaria o nome Irmão, pois a associação é uma Fraternidade”.
“Como tal, ela tem assumido os símbolos da profissão de pedreiro, ela não poderá ter mais de três graus: Aprendiz, Companheiro e Mestre”.
Assim é em todos os países onde existem corporações; com o Mestre fecha o círculo; quem depois dele exige alguma coisa não é Mestre, isto é, ele não entende que sua obrigação de Mestre e habilidade da verdadeira mestria exige o máximo e somente um ingênuo pode imaginar que depois de Mestre ainda exista um Cavaleiro, um Espiritualista ou Adepto de uma Ordem.
Mas as indefinições e as insatisfações dos rituais falsificados, onde sempre permanecem lacunas, deu (junto a outros maus motivos) causa para que fosse procurada através da maçonaria a Teosófica, Ordem de Cavaleiros, Alquimia e Magia.
Nada foi mais prejudicial à maçonaria do que confundi-la com a Ordem, ela é uma fraternidade para um Trabalho, uma Construção com os necessários Estatutos, provas e habilidade para atingir as virtudes de Mestre. Isto é o máximo que um ser humano pode alcançar.
Quem conhece a inacreditável confusão que foi introduzida na maçonaria no final do século 18, deve compreender a luta de Schröder contra estes altos graus e entende que ele rejeitava antes de tudo a influência dos altos graus sobre os graus de São João (Simbólicos).
Somente, três anos após, Schröder ter apresentado a sua proposta, foi definitivamente aceita e elevada à condição de lei.
Qual o trabalho profundo está atrás desta obra? Disso, Schröder deu o testemunho em suas principais obras: “Materialen zur Geschichte der Freimaurerei seit ihrer Entstehung bis 1723” (Materiais para História da Franco-Maçonaria desde a sua origem até 1723), Jena. 1815. 4ª, 314 páginas e “Materialen zur Geschichte der Freimaurerei seit der Wiederherstellung der Großen Loge in London, 5717” (Materiais para a História da Franco-Maçonaria desde o restabelecimento da Grande Loja em Londres, 5717) 4 Volumes, 8ª Ed, com 1547 Páginas.
Estas volumosas obras de Schröder foram impressas numa gráfica secretas em Jena, por Johann Karl Wesselhöft. Com certeza, Schröder assumiu os custos, que não foram pequenos tanto para a fundação como para o funcionamento desta gráfica secreta. Desta saíram seus trabalhos históricos, uma coleção dos rituais para o Engbund (Associação restrita), livros de canções, listas de Lojas, e pequenos trabalhos gráficos. A gráfica secreta continuou existindo anos após a morte de Schröder. Junto a este trabalho existe a reedição do Ritual no qual explica os significados dos símbolos da Arte Real. Estes materiais permanecem ainda como fonte de pesquisa para historiadores maçônicos.
Schröder não se deixou aborrecer pelo esforço e pelos custos para ter as cópias dos rituais de diferentes sistemas (ritos) existentes na época e elaborou o projeto de um ritual muito próximo do antigo Inglês. Este tinha como objetivo não servir somente as Lojas de Hamburgo, mas Schröder esperava, que este também pudesse ser adotado por outras Lojas. Por isto, ele se aproximou de outros que entendiam do assunto para servirem como conselheiros, sobretudo, o Diretor do Ginásio de Weimar e o pesquisador de antiguidade Böttinger e, através, deste Herder, e mais tarde Bode e Fessler.
Através do trabalho comum do Ritual chegou-se a uma intima amizade entre Schröder, o ator  Herder, o Capelão da Corte e Superintendente Geral. Como era interna esta amizade, nota-se em uma correspondência de Herder para Schröder em 15, dezembro de 1800, na qual diz:
“... o senhor sabe, eu tenho um filho, seu nome é Wilhelm, que agora concluiu o seu aprendizado com o Sr. Janssen e com o melhor elogio deste e de todos que o conhecem. Como ele se mostrou tão íntimo e cordial ao Professor, ele mesmo assim se sente e nós sentimos com ele: “ele precisa ir para frente”. Agora, Irmão, eu tomo com toda confiança a sua mão, eu conduzo o jovem ao Senhor e digo: seja o Senhor o seu pai ... Como ele ficará agradecido ao Senhor ... e como nós vamos agradecer ao Senhor. Eu não solto a sua não enquanto o Senhor não disser sim. O Senhor o fará e totalmente, como o Senhor faz tudo. Irmão, alegre-me com palavra e ação. E nós estamos indissoluvelmente ligados até o túmulo. Faça o Senhor, o que eu não posso fazer por ele, seja o Senhor o seu pai. Com coração e espírito e tudo o que sou capaz. O seu Herde.”
De 1800 até 1803, Schröder e Herder tinham uma movimentada correspondência sobre o ritual. Schröder mandava os seus projetos para Herder e este fazia as suas observações. Não foi por milagre, que o ritual de Schröder teve rápida e duradoura aceitação pelas Lojas, já que duas sumidades espirituais são os seus pais. Ele não só foi aceito pelas Lojas coirmã da Grande Loja de Hamburgo como também as Lojas do Reinado de Hannover, as quais se filiaram em 1867, na maior parte, à Grande Loja Royal York, mas continuaram com o ritual de Schröder, ao mesmo tempo, as Lojas da Saxônia e Turíngia, algumas poucas na Suíça, na Hungria e também além mar. Para isto, que não foi fácil para Schröder triunfar com suas convicções devido à manifestação contrária do Ir. Sieviking. Este assumiu em 1789 o primeiro malhete da Loja “St Georg” e nesta oportunidade afirmou que os símbolos e cerimônias maçônicas eram farsantes e ilusórias e designou como indigno, quando homens racionais se ocupam com seriedade com isto. Ele exigiu a eliminação de todos os símbolos e cerimônias. Contra isto, Schröder se apresentou com um grandioso e elaborado pronunciamento em 3 de setembro de 1789. Neste pronunciamento, ele disse entre outras coisas:
“Com a mais viva convicção eu considero a maçonaria como verdadeira e venerável. A maçonaria, ela, cuja moralidade tão puramente admirável é apropriada a todo grande propósito final; ela, que tem todas as qualidades para fazer o ser humano melhor; ela, que é declarada inimiga de todos os preconceitos; ela, que demoliu as diferenças colocadas entre os homens na religião, na pátria e no meio social; ela, que através do nome Irmão, é a mais preciosa relíquia dos primeiros direitos da humanidade, unindo como verdadeiros Irmãos pessoas desconhecidas; ela, que tem como princípio o ensino da verdadeira tolerância, pode ser uma obra de hierarquia e os seus hábitos de força? ... Com este calor pela causa, eu não sou, portando, indiferente aos seus abusos ... contra o fanatismo de qualquer espécie, ... contra o eterno bem fazer em palavra que nunca será realidade ... Mas minha palavra, minha obrigação, minha convicção me impedem de jamais dar minha opinião sobre isto, que pode estremecer os alicerces da maçonaria. Daí, o ocorrido é para mim, surpreendentemente notável, que os maçons elejam um Mestre ... que conferencia aos seus Irmãos: que ele somente quer permanecer seu Mestre, se a maçonaria fosse abolida. Pois que acabar com os símbolos significa acabar com a maçonaria ... É prudente que nós acabemos com os abusos, pois é do maior interesse para nós e da formação do ser humano; é prudente a esta nobre finalidade acrescentemos e fixemos mais outra que é o bem estar da humanidade; mas que nós não podemos realizar substanciais alterações nem na nossa constituição, nem nas nossas legislações, nem nos nossos rituais e ainda muito menos numa total supressão, sem ao mesmo tempo agirmos contra toda a maçonaria e contra a nossa livre e séria obrigação.”
Além da redação do ritual está escrito como trabalho contíguo a elaboração do catecismo. Este pode ser também considerada uma obra de Mestre. Daí, entre outros, surge também o Ir. Fischer - Gera (falecido em 1905) com suas muitas edições publicadas e da mesma forma o Ir. Horneffer que tomou como base os seus trabalhos.
A enorme importância que Schröder dava ao aprofundamento dos conhecimentos maçônicos, torna-se visível através do Engbund. Quais os pensamentos que ele queria alcançar, expressa-se pelas seguintes palavras:
“Desde que eu aceitei o malhete da Loja, tornou-se para mim uma obrigação ir a fundo na natureza íntima das coisas que fez muito homem justo perder muito tempo em vão; não quero me tornar uma ferramenta de um superior desconhecido ou servir para divulgação ou reprodução de uma quimera ... eu considero obrigação, de não ficar só para mim os conhecimentos que acredito ter alcançado, mas sim comunica-los a todas as Lojas grande e pequenas para o bem da maçonaria ... eu creio servir substancialmente a maçonaria se eu mostrar aqueles que estão na direção das ilusões, protegendo-os contra outros mais; este é meu objetivo principal. Se for encontrada verdade na minha apresentação, então eu quero propor a criação uma união independente entre as Lojas, semelhante a uma espécie de quarto grau, criando um ritual o mais parecido possível com o antigo ritual inglês, no qual serão mostradas as verdades aos Irmãos Mestres examinados”.
Em 1797, ele propôs aos Irmãos do 3º grau a criação de uma Loja Econômica de Instrução.
“Aqui eu quero apresentar aos Irmãos os sistemas e falcatruas maçônicas ... onde deveram ser tratadas questões morais e científicas de forma escrita ou oral e produzir respostas ... porém o número de Irmãos era muito pequeno, o entusiasmo não durou e com apenas 18 reuniões encerraram os trabalhos desta linda instituição.
Os membros eram denominados “Irmãos de Confiança”. Mas Schröder não desistiu da idéia de formar um círculo de pesquisa científica. Assim, foi fundado o “Engbund” que realizou a sua primeira reunião em 25 de outubro de 1802, mas ele não ficou restrito a Hamburgo, pois mais de 30 Lojas de outros orientes viram no “Engbund” de Hamburgo a sua Associação - Máter e formaram os seus “Engbünde”. Eles mantinham correspondência epistolar entre si e trocavam seus trabalhos científicos e os demais. Até pentecostes de 1868 perdurou a Associação Máter com as suas Associações filhas. Então, por decisão dos Grãos-Mestres da Alemanha, ele foi dissolvido. Contudo, em seguida, várias Lojas formaram novamente os “Engbünde”.
É curioso, que Schröder que era um violento adversário dos Altos Graus, mesmo assim com os “Irmãos de Confiança” e, mais tarde, com o Engbund, propôs – segundo suas próprias palavras – “uma espécie de 4º Grau”, introduziu na Associação um ritual especial também para iniciações e ao mesmo tempo um sinal de reconhecimento próprio. Os documentos dos “Engbünde” eram guardados em um arquivo especial, contudo, ele não admitia qualquer ascendência deste Alto Grau sobre os graus de São João.
Schröder também agiu como verdadeiro Maçom relativamente à caridade. Ele constituiu uma Caixa de Pensão para os atores em Hamburgo, que até hoje leva o seu nome e, quando não havia hospital público em Hamburgo, ele estimulou em 1793, a fundação de um instituto para os empregados doentes, o qual no decorrer de algumas décadas se desenvolveu no Hospital maçônico (Elisabeth) que não é somente reservado a maçons, mas a todo doente e goza de muito boa reputação.
Nós temos que lembrar mais um ato significativo de Schröder: trata-se da declaração de independência da Loja Provincial de Hamburgo e Baixa Saxônia, pois a pressão da ocupação francesa desde 1806 pesava de maneira muito significativa sobre Hamburgo. A comunicação com a Inglaterra se tornava cada vez mais difícil e qualquer relacionamento podia ser punido com a pena de morte. Contudo, a relação com a Grande Loja inglesa, que era reconhecida de direito como Loja mãe da maçonaria alemã, já estava relaxada desde
1803, principalmente, por culpa do Grande Secretário de Londres que não respondia de maneira alguma as perguntas importantes de Hamburgo, mas também pelo fato do então Grão-Mestre de Londres ter se envolvido em direitos da Loja Provincial. Além disto, formavam-se várias Grandes Lojas sem solicitar permissão de Londres. Assim, em Berlim, em Westifalen, em Mannheim e na Saxônia preparavam-se, da mesma forma, para a fundação de uma Grande Loja Independente.
Temia-se que, se a Loja Provincial mantinha relação com a Grande Loja de Londres, a autoridade Francesa em Hamburgo poderia proibi-la, dissolve-la ou obriga-la a se subjugar ao Grande Oriente Francês como uma Loja Provincial francesa. Schröder sabiamente prevendo esta dificuldade, consultou o representante da Loja Provincial junto as três Grandes Lojas de Berlim, o Irmão Marmalle, perguntando como estas se posicionariam perante a idéia de uma Grande Loja independente de Londres em Hamburgo e recebeu como resposta: “... que em nossas reuniões anteriores já surgiu o desejo de ser independente a sua venerável Grande Loja, e que isto foi expresso com muita eloqüência; não se pode duvidar, portanto, das respostas das três Grandes Lojas daqui”.
E na ata das três Grandes Lojas de Berlim datado de 5 de novembro de 1808 está escrito: “... as três Grandes Lojas daqui reconhecerão com prazer a Grande Loja da Baixa Saxônia em Hamburgo e que seja possível que as duas Grandes Lojas em Hamburgo se unam e formem uma Grande Loja independente se prejudicar os seus sistemas”.
Porém, Schröder não queria aconselhar uma separação forçada da Grande Loja de Londres. Assim ele esperou com paciência até que na visão dos Irmãos de Hamburgo a separação não poderia mais ser evitada. Somente em 4 de fevereiro de 1811 foi convocada uma Assembléia de Mestres, Companheiros e Aprendizes das cinco Lojas de Hamburgo para deliberar sobre a separação da Grande Loja inglesa e ser declarada a independência da Loja Provincial como Grande Loja Independente de Hamburgo. Nesta Assembléia Schröder fez a exposição do tema. Dos 84 Irmãos presentes 83 votaram a favor que a então Loja Provincial de Hamburgo e da Baixa Saxônia se declarasse, a exemplo de todas a demais Grandes Lojas da Alemanha, a fundação de uma Grande Loja Independente de Hamburgo. Esta decisão foi comunicada as demais Grandes Lojas da Alemanha e do Grande Oriente.
Assim, através da declaração de independência da Grande Loja Provincial e abertura da Grande Loja de Hamburgo, Schröder demonstrou com perspicácia e retidão espiritual um acontecimento importante para a maçonaria.
Schröder pertence ao rol dos maiores que estiveram na maçonaria. Enquanto tivermos uma maçonaria ele jamais será esquecido.

Dados e Informações coletadas no Colégio do Rito Schröder do Brasil, com sede em Florianópolis – SC, e que se tem conhecimento foi o Estado Brasileiro que recebeu os primeiros praticantes do Rito  na Cidade de Joinville – SC antes da 2ª Guerra Mundial, cujo Rito deixou de ser praticado durante grande período durante e pós Guerra por questões óbvias e por decreto do então Presidente Getúlio Vargas que proibiu a prática de qualquer cultura Alemã ou de sua origem no Brasil.
Atualmente a Loja mais Antiga praticante do Rito Schröder com mais de 50 anos de funcionamento no Brasil é a Concórdia e Humanitas, sediada em Porto Alegre-RS e jurisdicionada à Grande Loja Maçônica do Rio Grande do Sul.

Fonte: www.brasilmacom.com.br