terça-feira, 8 de janeiro de 2013

UMA ABORDAGEM SOBRE MORAL & DOGMAS


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foto: divulgação
Os mistérios que cercam nossa Ordem fortaleceram ao longo dos séculos a teoria de que atos relacionados com ciências ocultas são praticados dentro dos templos maçônicos. A imaginação, porém, dificilmente corresponde à realidade.

A fama foi se criando ao longo da segunda metade do século XVIII por conta dos conceitos místicos não autorizados pela Igreja. No entanto o “mérito” pela cristalização desta teoria cabe quase que exclusivamente a Albert Pike (1809-1891). Advogado, poeta, escritor prolífico, general do exército da confederação dos Estados Unidos, e claro, Maçom. Pike era um leitor voraz, especialmente interessado nas religiões e sistemas filosóficos de culturas antigas, e sua influência na formação do pensamento e do código de moral das pessoas ao redor do mundo.

O mito foi explorado por um autor francês cujo pseudônimo era Leo Taxil, que escreveu uma popular série de livros e folhetos denunciando a maçonaria na década de 1890. Mas em 1897 o próprio Taxil revelou que seu retrato sobre Albert Pike como adorador do príncipe das trevas era uma completa farsa.

Uma extraordinária explicação surge em defesa de Pike na obra de John J. Robinson, denominada “A Pilgrim´s Path” – título não traduzido para o português :

“O fundamentalismo anti-maçônico baseia-se nos escritos do autor para condenar a Maçonaria e sua filosofia, mas omitem o fato de que suas obras foram escritas apenas para a jurisdição Sulista doRito Escocês da América do Norte, que era o limite da autoridade maçônica de Pike. Tal jurisdição abrangia estados do sul e oeste e representava cerca de 20% do total de maçons americanos. Isso significa que cerca de 80% dos maçons americanos têm pouco ou nenhum conhecimento sobre o trabalho do General Pike. Estes homens são mistificados por ataques contra a Maçonaria que citam os escritos de Pike, sem que tenham a menor idéia do que o antagonista está falando."

“Alguns dos críticos da Maçonaria encontram nas obras de Pike sua matéria prima, especialmente em seu pesado “Morais e Dogmas”, um livro de 861 páginas que muitos maçons possuem, mas poucos leram. A leitura não só é entediante como também está repleta da própria percepção de Pike sobre a Maçonaria. Muitos Maçons poderão concordar com algumas declarações, mas há outros que jamais acreditarão. Pike foi tão envolvido em seu conhecimento de antigas religiões e sistemas filosóficos que tendia a fazer o estudo da Maçonaria muito mais complexo e esotérico do que jamais foi criado para ser. Em alguns dos seus capítulos, se as palavras "Maçom" e "Maçonaria" fossem removidos, é razoável acreditar que muitos maçons não seriam capazes de reconhecer a sua própria fraternidade nos escritos.”

“Pike foi uma força dinâmica, estabelecendo uma forte adesão na sua própria jurisdição. Era uma figura muito respeitada na história da maçonaria americana, mas nunca foi um porta-voz de todos os maçons e nunca tentou afirmar-se como tal. Ele era um homem forte que jamais deixou de expressar suas opiniões pessoais, e é importante lembrar que seus pronunciamentos sobre maçonaria são apenas isso: a sua própria opinião.”. Este conceito está muito bem claro no prefácio de “Morais e Dogmas”:

“Todos são totalmente livres para rejeitar tudo o que aqui pode parecer-lhe ser mentira ou insalubre”

Robinson diz que sentiu-se aliviado ao ter lido o prefácio pois há muita coisa em “Morais e Dogmas” que ele próprio rejeita. Como exemplo, as citações a partir da página 819 em que Pike afirma :

 “Os Graus Simbólicos (que Pike chama de Graus Azuis) são apenas a entrada do Templo. Parte dos símbolos são mostrados ali para o iniciado, que é intencionalmente enganado por falsas interpretações. Não se espera que ele entenda, pretende-se que ele imagine que tenha entendido. Sua verdadeira explicação é reservada aos altos Graus Filosóficos”.
Esta é mais uma das citações de Pike que sustentam os argumentos dos anti-maçons. Robinson afirma ter indagado maçons o suficiente de forma a estar convencido de que não há um único maçom que concorde com esta afirmação. Por outro lado há uma corrente que defende a tese de que tais citações eram apenas uma forma de confundir e despistar os perseguidores da Ordem.

No entanto nenhuma citação de Pike excita mais os fundamentalistas anti-maçônicos do que suas referências a Lúcifer. Foram apenas três sentenças (das quais duas são realmente exclamações) retiradas de um livro de, como já dissemos, 861 páginas com um índice de 216 páginas. Poucas citações na história da humanidade têm atraído a atenção de tantos :

 “Lúcifer, o filho da manhã! É ele que porta a luz e com seu esplendor intolerável cega as almas frágeis, egoístas ou sensuais ? Não duvide !”

Com este parágrafo Pike deu aos anti-maçons o prato cheio de que necessitavam para alimentar suas teorias. 
Robinson analisa : “Na realidade a paixão de Pike - talvez sua obsessão - foi a de que todos os homens deveriam procurar conhecimento, ou simplesmente a "Luz". Desta luz derivam a informação e a compreensão. Alguns fundamentalistas, no entanto, afirmam que toda luz vem da crença em Deus, e que qualquer outra fonte de luz é anti-cristã, muito embora o resto do mundo continue a usar expressões como: "Temos que levar isto à luz do dia", ou, "Alguém aqui quer lançar alguma luz sobre este assunto?". Isto é o que Jornal Scripps-Howard tinha em mente quando se aprovou um farol como sua marca registrada, com o slogan "Dê a luz às pessoas e encontrarão seu caminho".

“Luz, no sentido em que é utilizado por Pike, significa educação. Educação é uma daquelas coisas que a maioria de nós acha que é universalmente aceito, e ele estava em completa harmonia com essa abordagem. Talvez ele tenha sido um pouco diferente dado ao seu fascínio pela história da religião, o tema da maioria de seus escritos.”

Porque “Lúcifer”? Na astronomia romana, Lúcifer foi o nome dado a estrela da manhã (que agora conhecemos por outro nome romano - Vênus). A “Estrela da Manhã” aparece no céu pouco antes do amanhecer, anunciando o sol nascente. O nome deriva do termo em latim Lucem Ferre, ou “portador de luz".

Portanto pode-se afirmar que, como “Morais e Dogmas” é um livro que mistura o fascínio de religiões e filosofias antigas com astrologia, mitos, lendas e esoterismos de todos os tipos, Pike quis apenas dizer que “O planeta Vênus surge antes do nascer do sol e é o portador da luz”, relacionando o astro ao conhecimento.

Então, Lúcifer nada mais é do que um antigo nome em latim para a estrela da manhã, a estrela D´Alva, o portador da luz. Isso pode ser confuso para a maioria dos cristãos.

Segundo Robinson, Lúcifer faz a sua aparição no décimo quarto capítulo do Antigo Testamento, livro de Isaías, no décimo segundo versículo, e em nenhum outro lugar. Afirma também que a relação Bíblica entre o termo Lúcifer e o príncipe das trevas, o anjo caído, não passa de erro de tradução dos antigos manuscritos em hebraico e de mutações dos textos ao longo dos tempos e suas diversas traduções.

“Tratando-se de um termo em Latim, como foi encontrado um significado para um manuscrito hebraico escrito antes do surgimento da língua Romana?” E completa : “Na versão original do texto hebraico, o décimo quarto capítulo de Isaías não trata de um anjo caído, mas de um rei babilônico que durante a sua vida teria perseguido os filhos de Israel.”

Ainda assim a maioria dos estudiosos maçônicos admitem que Pike errou ao usar o termo “Lúcifer” no sentido acadêmico. John Robinson cita um velho ditado: “Pode estar correto, mas não é certo.”

Pode ser bom para um estudioso escrever para o esclarecimento de outros estudiosos, mas para aqueles com uma verdadeira vontade de se comunicar, devem ser utilizadas palavras e termos de uso comum.

Não satisfeitos, muitos fundamentalistas acusavam Pike de conspirar para assumir o poder nos Estados Unidos. Teorias da conspiração e acusações de que em nossas reuniões está se organizando uma nova Ordem Mundial, perseguem a maçonaria até os dias atuais. Sobre este assunto reproduzimos as palavras de Brent Morris, Ph.D e Historiador Maçônico, para o documentário “Os mistérios da maçonaria” – produzido pelo Canal The History Channel : "Dizem que somos perigosos e sinistros porque existimos há séculos, estamos por toda parte, que homens poderosos já pertenceram à fraternidade e nos reunimos em segredo. Mas se não conseguimos concordar em servir sanduíche de presunto ou de atum depois da reunião como podemos concordar em dominar o mundo ?"

Bibliografia


- Almanaque da Maçonaria – On Line Editora - 2008
- Web Sites : http://www.masonicinfo.com/lucifer.htm
- Documentário “Decifrando o passado – Os Mistérios da Maçonaria” – The History Channel

Rogério Alegrucci - M∴M∴
Trabalho apresentado na A∴R∴L∴S∴ Manoel Tavares de Oliveira, 2396 - R∴M∴ GOB-GOSP - Or∴de São Paulo em 03/03/2009 E∴V∴

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

A EXPRESSÃO "ERA VULGAR" E O "CALENDÁRIO MAÇÔNICO"


Desde os idos mais antigos a humanidade utiliza-se de certos referenciais para delimitar um determinado espaço de tempo. Os astrônomos servem-se de acontecimentos naturais ou fenômenos a que se referem os seus cálculos, como as revoluções da Lua, os equinócios e solstícios, os eclipses e a passagem dos cometas. Os cronologistas e historiadores, servem-se também de certos acontecimentos que tiveram influência sobre o gênero humano. Designam-se as épocas enunciando os fatos notáveis a que se referem: Criação do mundo, fundação de Roma e o nascimento de Cristo, entre outros. Primitivamente, os tempos eram calculados em gerações: a Bíblia, por exemplo, conta dez gerações antes do Dilúvio e outras dez depois do Dilúvio. Já segundo Heródoto (Grego considerado o Pai da História) e a maior parte dos autores da época, três gerações correspondiam a cem anos. Posteriormente, possivelmente no século VIII, introduziu-se o uso das Eras, que consistiam no número de anos civis de um povo que decorriam desde uma época notável, tomada como ponto de referência, e que dava o nome à era adotada.

Quanto à etimologia da palavra “Era”, é um tanto controversa. Alguns indícios apontam que teve sua origem na Espanha e, acredita-se, ser a contração das iniciais A.E.R.Aencontradas nos monumentos antigos e que significam Annus Erat Regni Augusti (era o ano do reinado de Augusto) ou Ab Exordio Regni Augusti que significa "Do começo do reinado de Augusto", pois os Espanhóis iniciaram seus cálculos a partir do período que o país ficou sob o domínio de Augusto. Outros dizem derivar da palavra latina aes, aeris (bronze), porque das medalhas e moedas desse metal se deduzia a data do acontecimento notável que serviu de começo a uma serie de anos. As palavrasera e época tem certa relação entre si, mas contudo são bem distintas: Era, é o número de anos decorridos desde certo acontecimento notável; época é o momento desse acontecimento. De todos os marcos de início que se poderiam escolher, nenhum seria mais apropriado e natural do que o próprio começo do tempo, isto é: o instante do ponto de partida da primeira volta da Terra em torno do Sol, no princípio do mundo. Todos os povos tomariam este instante se tivesse sido possível determiná-lo. Não o sendo cada povo adotou, como já dissemos, uma Era: A dos Judeus funda-se na criação do Mundo, segundo o Gênesis; a dos antigos Romanos, na fundação da sua Capital; a dos Gregos, no estabelecimento dos jogos Olímpicos; a dos Egípcios, na ascensão de Nabonassar, primeiro rei da Babilônia, ao trono daquele Império; a dos Cristãos no nascimento de Cristo.

Já a expressão Vulgar tem origem no Latim Vulgaris ou Vulgus e primitivamente significava “pessoas comuns” ou seja, aqueles que não são da realeza. Isto pelo menos até meados do século XVI quando a palavra Vulgar passou a ter o significado de algo “grosseiramente indecente”. Foram os Judeus, no entanto, que substituíram o antes de Cristo e o depois de Cristo por antes e depois da Era Vulgar. Como a Era Cristã, sob a denominação de Era Vulgar, é a mais empregada, serve de termo médio e de comparação com as outras, as quais podem se classificar em Eras antigas, as anteriores à Era Vulgar, e Eras Modernas, as posteriores. A Era Vulgar, portanto, designa o calendário Gregoriano mundialmente adotado. Para entender como a expressão Era Vulgar passou a ser empregada na Maçonaria, é preciso lançar mão do Calendário Maçônico. O primeiro ano do Calendário Maçônico é o Ano da Verdadeira Luz, Anno Lucis em Latim, ou simplesmente V.´.L.´. ou A.´.L.´. como empregado na datação de antigos documentos Maçônicos do século XVIII, e interpretado como Latomorum Anno ou, como no texto original em inglês que serviu de base para esta pesquisa, “Age of Stonecutters” – que significa “Idade dos Cortadores de Pedra”. A determinação do Ano da Verdadeira Luz teria sido com base nos cálculos de James Usher, um bispo Anglicano nascido no ano de 1581, em Dublim. Usher havia desenvolvido um cronograma que começava com a criação do mundo segundo o Livro de Gênesis, que precisou ter ocorrido as 09 horas da manhã do dia 23 de Outubro de 4004 A.C., com base no texto Massotérico (texto em hebraico que deu origem à vários capítulos da Bíblia) ao invés do Septuaginta (antiga tradução grega do Velho Testamento). Neste contexto, James Anderson fez constar em sua Constituição de 1723 a adoção de uma cronologia independente da religião, pelo menos no contexto britânico da época, com o objetivo de afirmar, simbolicamente, a Universalidade da Maçonaria. Foi aceito, portanto, que o início da Era Maçônica deu-se 4000 anos antes da Era Comum ou Vulgar. Nota-se o que parece ser um pequeno arredondamento de quatro anos entre os cálculos de Usher e o que foi adotado nas Constituições de Anderson. O Ano Maçônico tem o mesmo comprimento do ano Gregoriano, no entanto, começa em 01 de março – assim como o Ano Juliano que ainda estava em vigor quando da redação das Constituições de Anderson. No calendário Maçônico os meses são designados pelo seu número ordinal. Assim, 01 de março de 2011 da E.´. V.´. seria o dia 01 do mês 01 do ano de 6011 da V.´.L.´., segundo Anderson.

Se por um lado existem claras referências nas Constituições de Anderson a eventos calculados segundo a regra que citamos, por outro tal prática parece não ter sido adotada como regra geral. Os antigos maçons dos Ritos de York e Francês adicionavam 4000 anos à Era Vulgar, conforme as Constituições de Anderson. No entanto Maçons do Rito Escocês Antigo e Aceito utilizavam o calendário judaico, adicionando 3760 anos à Era Vulgar. Já os Maçons do Arco Real utilizavam-se da data de construção do segundo Templo, ou 530 anos antes da Era de Cristo.  Qualquer que seja o motivo que tenha levado a tantas variações nos diferentes Ritos, um calendário maçônico é baseado na data de um evento ou um começo, e estas referências eram usadas ​​em documentos oficiais das Lojas. As datas históricas são símbolos de novos começos, e não devem ser interpretadas como se já houvesse uma loja maçônica no Jardim do Éden... A idéia só foi concebida para se transmitir que os princípios da maçonaria (e não a maçonaria em si) são tão antigos quanto a existência do mundo. Vejo que qualquer outro significado Maçônico para estas datas não passam de um desejo dos primeiros maçons escritores de criar uma linhagem antiga para a Maçonaria, nos moldes de suas imaginações.

No Brasil há registros de que o GOB utilizava, nos primórdios da maçonaria Nacional, um calendário equinocial muito próximo do calendário hebraico, situando o início do ano maçônico não em 01 de março como sugere Anderson, mas no dia 21 de março (equinócio de outono, no hemisfério Sul) e acrescentando 4000 aos anos da Era Vulgar, datando seus documentos com o ano da V.´.L.´.(A.´.L.´.). Desta maneira, o 6° mês Maçônico tinha início a 21 de agosto (primeiro dia do sexto mês) e o 20° dia era, portanto, 09 de setembro da E.´.V.´., como situa um Boletim do GOB de 1874, isto segundo o Irm\ José Castellani, em sua obra “Do pó aos arquivos”. Outro bom exemplo é a imagem do topo deste artigo, retirado da Ata de Iniciação de D. Pedro I :

O fato é que datar pranchas e documentos maçônicos com o ano da V.´.L.´. caiu em desuso, talvez porque hoje saibamos que nosso sistema solar existe há mais de 4,5 bilhões de anos. Utilizar o calendário Gregoriano e referir-se a ele como E.´.V.´., é a pratica mais comum nos dias atuais.

Bibliografia:
Philosophical e Mathematical Dictionary – Vol I - 1815 – Google Books
Peça de Arquitetura do Irm\ Antonio Carlos Rios – Academia Maçonica de Letras do MS – COMS-COMAB
The Masonic Manual by Robert Macoy – Revised Edition – 1867
Do pó aos arquivos – José Castellani
Web Site da Grande Loja Maçônica de Minnesota-USA
Considerações do Irm\ Reinaldo Roberto Gianelli Jr.
Considerações pessoais
         Rogério Alegrucci - M\M\ CIM 247473
Trabalho apresentado na A∴R∴L∴S∴ Manoel Tavares de Oliveira, 2396 - R∴M∴ GOB-GOSP - Or∴de São Paulo em 30/08/2011 E∴V∴

A ORIGEM DO NOME GADU


www.brasilmacom.com.br - A ORIGEM DO NOME GADUO RITO MODERNO, intelectualmente direcionado para o verdadeiro princípio da tolerância, e em nome da total liberdade de identificar-se com as consciências de seus membros, desconsidera a afirmação DOGMÁTICA de que o recipiendário é obrigado, no dia de sua Iniciação, a afirmar solenemente a sua crença no GADU, fórmula que harmoniza o princípio da construção com o Ideal Maçônico, na Construção do Edifício da Liberdade Humana.

A Tradição Maçônica chama de “Deus” o Grande Arquiteto do Universo, mas seria isso uma Tradição a partir de 1717 ou desde mais além?

Todos sabemos que a partir da chamada Maçonaria dos Aceitos, erroneamente chamada de especulativa, uma forte influência protestante fez-se presente na sua primeira Constituição, através dos Irmãos Pastores, responsáveis por sua redação, notadamente seu compilador, ANDERSON.

Todavia, onde teria ele buscado o nome GADU?

“À espera da cidade dotada de sólidos fundamentos, da qual Deus é o Arquiteto e Construtor”
Epístola aos Hebreus, 11, 10.
 
“Como sábio Arquiteto, pus o alicerce”
1ª Epístola aos Coríntios, 3, 10.

Sabemos que, nos Antigos Deveres, nas raras invocações Rituais, encontraremos uma forte influência do catolicismo e, um pouco mais próximo ao novo período, o credo andersoniano. Todavia, merece nossa consideração o fato de a data da primeira condenação pontifícia ter ocorrido justamente em 1738, quando os ingleses modificam, pela primeira vez, o Livro das Constituições, tornando-o mais próximo ao Teísmo de Roma, condenação esta que não aconteceu em 1723, quando o texto original, nitidamente Deísta, foi aprovado e publicado pela Grande Loja de Londres.

Parece-nos ter sido uma preocupação constante a introdução de nomes e episódios bíblicos para a formação da nossa mitologia maçônica. Até mesmo a fórmula GADU, que nos parecia tão pessoal, foi buscada na Epístola de Paulo…

Se entendermos nossa Arte como não dogmática, somente um Maçom livre e de bons costumes poderá entender essa Liberdade como a querem os franceses, que em seu nome suprimiram das suas constituições, em 1877, a fórmula do GADU, o que provocou o rompimento com a Inglaterra e o início da sua “irregularidade” perante a Loja-Mãe da Moderna Maçonaria, oriunda da Grande Loja de Londres, de 1717, considerada “Maçonaria Regular”, ou seja, fundada por maçons autênticos, regularmente Iniciados e possuidores dos poderes necessários para fundas Lojas.

Seria isso mesmo se a afirmação acima fosse verdadeira; acontece que, segundo AMBELAIN, não é:

“En septiembre de 1714, en Londres, el Pastor presbiteriano James Anderson educa a profanos en las ideas masónicas y, a finales de ano, probablemente el dia de san Juan de Invierno, funda una logia com siete de ellos.

Ahora bien, Anderson no es MAESTRO DE LOGIA. Por lo tanto, no puede transmitir la iniciación masónica. Ni siquiera es masón regular, ya que no se ha encontrado ningrín rastro de su iniciación, sino CAPELIAN de logia, cosa muy diferente. Por conseguiente, esas iniciaciones son totalmente irregulares, sin ningún valor. Y aunque hubiera sido COMPAÑERO regular (lo que no es el caso), seguiram siendo ilícitas, y ninguno de sus iniciados podria ir más lejos. Tres anos más tarde, en 1717, esos ocho masones irregulares constituirán cuatro logias, tan irregulares como la primera”

Robert Ambelain. El Secreto Masónico. Mertinez Roca. Págs. 219 e 220.

Acreditamos corajosamente que, em momento algum, nossos Irmãos franceses negaram a existência da fórmula do Grande Arquiteto do Universo. Deixaram, sim, fluir, e isto deve ser visto com o respeito devido a todo ser que se pretendia livre de dogmas, a percepção íntima e pessoal do Deus do seu próprio coração, quando e como esta realidade manifestar-se na suam mente pequenina, perto do Macro-ideal de um Universo em expansão e ainda quase totalmente desconhecido. O mais são regras pessoais, impostas e determinativas de algo que não se impõe, mas oferece-se como demonstração do mais profundo amor.

Esse amor representa a Unidade, o princípio e o fim de tudo. Ela não pretende eliminar os contrários, mas estabelecer o princípio da Ordem sobre a desordem, ao que o lema escocista tão bem se ajusta: ORDO AB CHAO.

A origem do nome “GADU” está, portanto, no princípio criador, independente da fórmula ou oposição. O GADU não exige a crença Nele; Ele simpresmente é. Uma Atualidade não pode ser uma Realidade humana. Seu nome está inscrito na Constituição da Maçonaria, o verdadeiro livro do Conhecimento Sagrado. Somente através desta Lei Sagrada, que rege o Universo, será possível ascender do inferior até o superior. Todavia, esta Constituição não foi escrita por mãos humanas. Não foi Anderson quem a elaborou e as Potências a compilaram. Não, suas páginas estão brancas como a Alma Universal. Apenas o verdadeiro Iniciado, o Mestre Exemplar, saberá gravar, no seu próprio coração, a ORIGEM DO NOME “GADU”, lendo no silêncio da PAZ PROFUNDA, as regras que lhe forem atribuídas.

Fonte: grau33.com.br

domingo, 6 de janeiro de 2013

O PROCESSO FORMATIVO DO MAÇOM


www.brasilmacom.com.br - O PROCESSO FORMATIVO DO MAÇOM
Candidatos – Muitos Candidatos são iniciados em nossa Ordem sem os suficientes      esclarecimentos sobre o que a Maçonaria realmente é e representa. Isso se deve, não raro, aos escrúpulos do proponente, temeroso em revelar algum segredo e, outras vezes, o seu próprio desconhecimento sobre o que pode ou não revelar.

A Loja – Hoje, o lugar onde os maçons se reúnem chama-se Loja e cada Loja tem características próprias. Algumas são mais filantrópicas, promovem atividades para arrecadar dinheiro e ajudam asilos, orfanatos e creches, outras Lojas têm um cunho mais político e seus membros gostam de analisar a situação do país nessa área, mas, enfatizamos, em Maçonaria não se permite discussão de política partidária. Todas as atividades visam melhorar a moral, o caráter e o comprometimento dos Irmãos para com o progresso da humanidade, não havendo nenhum ganho político ou financeiro em ser Maçom.

O Maçom – Verdadeiro homem de bem, cumpre a lei de justiça, de amor e de caridade, na sua maior pureza. É bom, humano e benevolente para com todos, sem distinção de raças, nem de crenças, porque em todos os homens vê irmãos seus. Possuído do sentimento de caridade e de amor ao próximo, faz o bem pelo bem, sem esperar paga alguma; retribui o mal com o bem, toma a defesa do fraco contra o forte, e sacrifica sempre seus interesses à justiça.

Encontra satisfação nos benefícios que espalha, nos serviços que presta, no fazer ditosos os outros, nas lágrimas que enxuga, nas consolações que prodigaliza aos aflitos. Não alimenta orgulho, nem ódio, nem rancor, nem desejo de vingança; perdoa e esquece as ofensas e só dos benefícios se lembra.

Nunca se compraz em rebuscar os defeitos alheios nem evidenciá-los. Estuda suas próprias imperfeições e trabalha incessantemente em combatê-las.

Não se envaidece da sua riqueza, nem das suas vantagens pessoais, usa, mas não abusa dos bens que lhe são concedidos.

Se a Sociedade colocou sob o seu mando outros homens, trata-os com bondade e benevolência, porque são seus iguais perante o Criador do Universo; usa da sua autoridade para lhes levantar a moral e não para esmagá-los com o seu orgulho. Evita tudo quanto lhes possa tornar mais penosa a posição subalterna em que se encontram.

Quando subordinado, de sua parte compreende os deveres da posição que ocupa e se empenha em cumpri-los conscienciosamente.

Finalmente, o verdadeiro Maçom respeita todos os direitos que aos seus semelhantes dão as leis da natureza, como quer que seja respeitado os seus.

A Maçonaria - é a maior organização fraternal do mundo, com quase três milhões de membros nos Estados Unidos, mais de 700 mil membros na Grã-Bretanha e mais de um milhão no resto do mundo. Embora seja a firme crença em um Ser Supremo, condição sem a qual não será admitido na Ordem, que acolhe em seus quadros homens de todas as religiões e tem como tema central o comportamento moral, o auto-aperfeiçoamento constante e a dedicação à caridade, a Maçonaria não responde à acusações.  Não se importou por ter sido declarada ilegal por Adolf Hitler, Benito Mussolini e Francisco Franco.

Mesmo em nossa sociedade dominada pela mídia, que fatos são mais importantes do que matérias em jornais, em TV ou Internet, as críticas antimaçônicas permanecem não respondidas em razão da tradicional política da Maçonaria não responder aos ataques, mesmo disponibilizando notáveis conhecedores  de sua filosofia, história e ritualística que escolheram ser membros dela, com extrema facilidade poderiam refutar esses ataques.

Influência maçônica na história – Sem mencionarmos a Maçonaria Brasileira, diremos que a Maçonaria estava presente na Revolução Americana, com membros como George Washington, Benjamim Franklin,  James  Monroe, Alexander Hamilton, Paul Revere, John Paul Jones e mesmo o marquês de Lafayette e Benedict Arnold. Outras revoluções, contra a Igreja e o Estado, foram lideradas por Maçons como Benito Juarez, Simon Bolívar, Giuseppe Garibaldi e Sam Houston (ajudado, em alguns casos pelos produtos de seu companheiro Maçom, Samuel Colt).

Reis e imperadores que fizeram o juramento maçônico incluem Eduardo VII, Eduardo VIII e George VI da Inglaterra, Frederico, o Grande, da Prússia, George I da Grécia, Haakon VII da Noruega, Stanislaw II da Polônia e até o rei Kamehameha V do Havaí. Além de Washington e Monroe, o rol maçônico de presidentes dos Estados Unidos inclui Andrew Jackson, James K. Polk, James Buchanan, Andrew Johnson, James A. Garfield, Theodore Roosevelt, William Howard Taft, Warren G. Harding, Franklin D. Roosevelt,  Harry S. Truman, Lyndon Johnson, Gerald Ford, o Irmão honorário Ronald Reagan (Irmão honorário) e Balak Obama.

A  Segunda Guerra Mundial foi travada pelos líderes maçônicos britânicos Sir Winston S. Churchill, o marechal-de-campo conde Alexander de Túnis, o marechal-de-campo Sir Claude Auchinlech,  o marechal lorde Newhall (Royal Air Force) e o general Sir Francis Wingate.

A Maçonaria americana estava bem representada pelos generais Mark Clark, Omar Bradley, George Marshall, Joseph Stillwell e Douglas Mac Arthur.

Também não havia sempre Maçons no mesmo lado. Napoleão comandou seus marechais Maçons Messena, Murat, Soult, Mac Donald e Ney contra os Maçons Kutuzov da Rússia, Blucher da Prússia e a causa de sua ruína, o duque de Wellington.

É difícil saber onde parar ao se enumerar a influência maçônica em todos os aspectos da vida ocidental nos últimos 292 anos, seja essa influência política, militar ou cultural.

Em música, a Maçonaria aparece em toda a escala, desde William C. Handy, compositor do The St. Louis Blues, até John Philip Sousa, e de Gilbert e Sullivan, passando por Sibellius e Haydn até Wolfgang Amadeus Mozart, que, segundo alguns, foi assassinado por revelar segredos maçônicos em sua ópera A Flauta Mágica.

Os membros maçônicos do mundo literário incluem Sir Walter Scott, Robert Burns, Rudyard Kipling, Jonathan Suvift, Oscar Wilde, Oliver Goldsmith,  Mark Twain e Sir Arthur Conan Doyle (que nunca teria permitido que o livro anti-maçônico Jack the Ripper: The Final Solution de Stephen Knight fosse reescrito, como foi, em uma versão de filme de ficção, degradando a criação de Sir Arhur, Sherlock Homes, contra os Irmãos do próprio Sir  Arthur em Londres).

Maçonaria e Religião (Síntese) - Os requisitos religiosos da Maçonaria são bastante simples: a crença em um Ser Supremo e a inexistência de qualquer interferência, ou mesmo persuasão contra, a crença individual do Maçom. Pode-se afirmar com segurança que a Maçonaria não é uma religião por uma simples razão; em geral, os adeptos acreditam que seus credos religiosos estão completamente certos. Isso significa que eles acreditam que todos os outros credos são, ao menos até certo ponto, errados. A posição da Maçonaria é oposta, uma vez que admite que haja alguma verdade em todas as percepções humanas de Deus e declina de afirmar que qualquer crença em particular é perfeita.

Nosso dever - Atravessamos uma época de crise abrangendo todos os pontos de vista, mas principalmente no comportamento humano, onde prevalecem a violência, o egoísmo, a corrupção e a licenciosidade, resultando, conseqüentemente, em insegurança quanto ao futuro imediato e gerando simultaneamente ceticismo, desencanto e conformismo.

Conscientizando-nos de nossas responsabilidades, cabe-nos trabalhar por uma sociedade melhor, dentro dos princípios da Razão e da Justiça e para tanto se faz urgente selecionar candidatos de valor para as escolhas de futuros maçons capazes de lutar permanentemente contra aquilo que á abominável, contra o que escraviza e degenera. Eu vos afirmo que o mundo está repleto de homens bons, cultos, sensatos, preciosos, de valor. Que sejam bem-vindos à Maçonaria e à Ordem!


Ir.`. Valdemar Sansão – M.’. M.’.
A.'.R.'.L.'.S.'. Arnaldo Alexandre Pereira - GLESP
Or.'. São Paulo – SP
focoartereal.blogspot.com

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

DEUS E O HOMEM


Todos os homens são iguais por natureza, feitos do mesmo barro, pelo mesmo Criador; embora nos iludamos, tanto é estimado por Deus o camponês pobre quanto o príncipe poderoso

(Platão)

Deus – Ser infinito, perfeito, criador de tudo e de todos. Para o Maçon, Deus é o Grande Arquitecto do Universo. - Homem – o ser humano com sua dualidade de corpo e de espírito.
 
god_creates_manO medo do desconhecido e a necessidade de dar sentido ao mundo que o cerca levaram o homem a fundar diversos sistemas de crenças, cerimonias e cultos – muitas vezes centrados na figura de um ente supremo - que o ajudam a compreender o significado último de sua própria natureza. O ser humano é uma criatura instintivamente religiosa. Deus é o nosso mais forte arquétipo.
 
Deus é amor. Não podemos ver o amor, nem ter uma compreensão do que seja o amor, a não ser quando ele toma um corpo. Todo o amor que existe no universo é Deus. O amor entre marido e mulher, entre pais e filhos, é uma parcela ínfima de Deus manifestado através de forma visível. O amor de mãe, tão infinitamente terno, tão abnegado, é o mesmo amor, apenas manifestado em maior dosagem pela mãe.
 
O Homem – Deus, em seus desígnios, faz o homem nascer num meio onde pode desenvolver sua inteligência e quer que dela use para o bem de todos; porque é uma missão que lhe dá, colocando em suas mãos o instrumento com a ajuda do qual o homem pode desenvolver, a seu turno, as inteligências retardatárias e as conduzir a Deus. A inteligência é rica de méritos para o futuro, mas com a condição de ser bem empregada; se todos os homens dotados, se servissem dela segundo os propósitos de Deus, a tarefa seria fácil para fazer a Humanidade avançar; infelizmente, muitos fazem dela um instrumento de orgulho e de perdição para si mesmos. O homem abusa da inteligência como de todas as outras faculdades e, entretanto, não lhe faltam lições para adverti-lo de que uma poderosa mão pode lhe retirar aquilo que ela mesma lhe deu.
 
Perguntaram ao Dalai Lama o que mais o surpreende na humanidade – Ele respondeu:
 
Porque perdem a saúde para juntar dinheiro e depois perdem dinheiro para recuperar a saúde. E por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem do presente de tal forma que acabam por não viver nem o presente nem o futuro. E vivem como se nunca fossem morrer e morrem como se nunca tivessem vivido!
 
Religiões – O medo do desconhecido e a necessidade de dar sentido ao mundo que o cerca levou o homem a fundar diversos sistemas de crenças, cerimonias e cultos - muitas vezes centrados na figura de um ente supremo – que o ajuda a compreender o significado último de sua própria natureza.
 
Denominam-se religiões as filosofias – há milhares delas – que conduzem o ser humano às Igrejas, movidas pelo temor de um castigo divino ou pela esperança de um prémio após a morte. Todo acto capaz de unir Deus à criatura pode se considerar religião, independente da nomenclatura.
 
A primeira missão das religiões é provar que existe Deus que nos criou e que, se o nosso corpo físico é perecível, a nossa alma é eterna. Provar também que Deus, pela sua imensidade, está em tudo que existe. E sobre o respeito que devemos ter por Deus e a reverência que a Ele devemos consagrar.
 
As religiões monoteístas professam a crença num Deus único, transcendente – distinto e superior ao universo – e pessoal. Um dos grandes problemas do monoteísmo é a explicação da existência do mal no mundo, o que levou diversas religiões a adoptarem um sistema dualista, o maniqueísmo, fundado nos princípios (opostos) supremos do bem e do mal.
 
As grandes religiões monoteístas são o judaísmo, o cristianismo – que professa a existência de um só Deus, apesar de reconhecer, como mistério, três pessoas divinas – e o islamismo. A religião visa ao retorno a Deus daquele que o “abandonou”, em um regresso aos preceitos contidos no Livro Sagrado de sua Fé.
 
Deve-se distinguir religião de seita, doutrina ou qualquer princípio similar. A Maçonaria pode ser uma religião no sentido estrito do vocábulo, isto é, na harmonização da criatura com o Criador. É a religião Maior e Universal; o contacto com a Parte Divina; é a comunhão com o Grande Arquitecto do Universo, é o culto diante do Altar dentro de uma Loja ou no Templo Interior de cada maçon. O maçon deve ser religioso nas suas atitudes, pois não é criatura de viver isolado e só.
 
Maçonaria e Igreja não se confundem, se completam. A Igreja é de cunho divino, santo, que vem do alto; Maçonaria é de cunho humano, terreno, que foi a melhor maneira de expressar os ensinamentos do alto. Maçonaria é religião, pois liga os homens entre si e com o Grande Arquitecto do Universo. Maçonaria não é religião quanto aos seus actos exteriores, dogmas de fé, pois ela nunca pretendeu sobrepor a fé de nenhum de seus membros, nem lhes impõe nenhuma crença, excepto o amor fraternal e a existência do Ser Infinito. Na Maçonaria ninguém luta por supremacia, pois todos são iguais, ninguém impõe suas ideias, pois são respeitados todos os ideais, cada qual adorando a Deus de acordo com os ditames de sua própria consciência.,
 
Resumindo, o maçon será religioso quando praticar o bem e considerar o próximo como irmão, seja qual for a sua condição social, não seja visto como superior ou inferior, mas, antes de qualquer discriminação, seja reconhecido como igual ou semelhante.
 
Deus e Homem – Para os cristãos, Jesus é Deus feito carne, a personificação da verdade, a revelação e o cumprimento das promessas de Deus. Mas Jesus era também homem, e por isso seus ensinamentos eram dotados de uma profunda preocupação com a realidade temporal da humanidade. Assim, Jesus venerou como divina a lei contida no Antigo Testamento, mas ensinou aos discípulos que se concentrassem nos dois preceitos fundamentais: o amor a Deus e o amor ao próximo. Seu nascimento, morte e ressurreição significam o início do reino de Deus, que deveria ser acima de todo esforço humano, um desígnio divino. Assim, os ensinamentos de Jesus podem ser resumidos em dois pontos fundamentais: a exortação a uma vida justa e piedosa e a exaltação da omnipotência divina como instância superior aos actos humanos.
 
A fé em Jesus Cristo, Filho de Deus, implica a aceitação do mistério de sua dupla natureza, divina e humana, que não se confundem, mas estão indissoluvelmente unidas.
 
 – Em Teologia, a Fé é a expressão da crença como acto lógico e fundamental da razão humana. É a primeira das virtudes teológicas, aquela pela qual cremos em todas as verdades que Deus revelou que a Igreja propôs à crença, e que são contidas na Escritura Sagrada ou ensinadas pela Tradição. É absolutamente necessário ter fé para ser salvo; esta fé deve ser explicita para os adultos, ao menos para as principais verdades. O cristão é, por outra, obrigado a confessar a sua fé publicamente, mesmo com perigo de vida, se o quiserem constranger pela força a renegá-la.
 
De uma maneira geral, pode-se definir a fé como uma convicção fundada não sobre a evidê0ncia ou sobre o raciocínio, mas sobre o testemunho. Assim entendida, a fé é, mesmo na ordem natural, a fonte do maior número dos nossos conhecimentos.
 
Para Luis Umbert Santos (Cartilha del Francmasón), a fé religiosa transfere os fenómenos do mundo natural ao sobrenatural, sendo portanto a principal oponente do racionalismo. E Ragon diz que, segundo os teólogos: “... a fé seria a virtude de crer firmemente em coisas que nem sempre estão de acordo com a Natureza nem com a razão. Pelo visto ignoravam que crer é o oposto de saber. A incredulidade de São Tomé é a metáfora com que se nos quer advertir que a fé não deve ser cega, sendo mister que a verdadeira fé, isto é, aquela que salva e conduz à verdade, seja iluminada pela sã razão e se apoie na convicção da consciência.
 
Diremos que a Fé de um homem pertence-lhe tanto quanto a sua Razão. Precisamos de uma fé, mas de uma fé robusta.
 
Fé em Deus – Exige-se aos candidatos à iniciação maçónica a declaração de sua fé em Deus. Aquele que negar a existência em Deus, diz Mackey, é negado o privilégio da iniciação, sendo o ateísmo uma desqualificação para a Maçonaria. “Este piedoso princípio, diz ele, distinguiu a Fraternidade desde o período mais primitivo, sendo uma feliz coincidência que a Companhia dos Maçons Operativos instituída em 1477, tivesse adoptado como sua divisa, o verdadeiro sentimento maçónico: “O Senhor é toda a nossa Fé”.
 
Valdemar Sansão – M:. M:
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quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

O SIMBOLISMO DA ROMÃ


A romanzeira ou pé de romã, em hebraico Rimmôn, é uma pequena árvore, ou até um arbusto pertencente à família “Punica Granatum” – nome latino – e no vernáculo mais purista, diz-se Romãzeira.

No sul da Espanha existe uma linda cidade, que foi a capital dos reinos de Castela e Aragão, conquistada aos árabes em 1492 pelos reis católicos, chamada romã = Granada.
Cresce silvestre no Oriente Médio e principalmente na Palestina, onde existem três cidades com o nome desse fruto, Rimon, Gate Rimon e En-Rimon. Da Palestina, através da Diáspora, foi levada a todo o mundo, inclusive, depois dos descobrimentos, ao Novo Mundo e posteriormente à Austrália e à Nova Zelândia.

Considerando-se a origem da Romã como sendo hebraica, nada melhor, para uma compreensão inicial, que recorrermos às Sagradas Escrituras. O Velho Testamento refere a Romã, ONZE vezes, enquanto o Novo Testamento, a omite totalmente. Por ordem cronológica, transcrevemos as passagens alusivas a esse fruto:
  1. “Farás também a sobrepeliz da estola sacerdotal toda de estofo azul. No meio dela haverá uma abertura para a cabeça; será debruada essa abertura, como a abertura de uma saia de malha, para que não se rompa. Em toda a orla da sobrepeliz farás romãs de estofo azul, púrpura e carmesim; e campainhas de ouro no meio delas. Haverá em toda a orla da sobrepeliz uma campainha de ouro e uma romã, outra campainha de ouro e outra romã. Essa sobrepeliz estará sobre Aarão quando praticar o seu ministério, para que se ouça o seu sonido, quando entrar no santuário diante do Senhor, e quando sair, e isso para que não morra.” (Êxodo 28-31.35.)
  2. “Depois vieram até o vale de Escol, por causa do cacho de uvas, o qual o trouxeram dois homens numa vara, como também romãs e figos.” (Números 13:23)
  3. “E porque nos fizeste subir do Egito, para nos trazer a este mau lugar, que não é de cereais, nem de figos, nem de vides, nem de romãs, nem de água para beber?” (Números 20:5)
  4. “Fez também romãs em duas fileiras por cima de uma das obras de rede para cobrir o capitel no alto da coluna; o mesmo fez com o outro capitel. Os capitéis que estavam no alto das colunas eram de obra de lírios, como na Sala do Trono, e de quatro côvados. Perto do bojo, próximo à obra de rede, os capitéis que estavam no alto das duas colunas tinham duzentas romãs, dispostas em fileiras em redor, sobre um e outro capitel.” (II Reis 7:18-20)
  5. “Há quatrocentas romãs para as duas redes, isto é, duas fileiras de romãs para cada rede, para cobrirem os dois globos dos capitéis que estavam no alto da coluna.” (II Crônicas 4:13)
  6. “Os teus lábios são como um fio de escarlate, e tua boca é formosa; as tuas faces, como romã partida, brilham através de véu.” (Cantares 4:3)
  7. “Os teus renovos são um pomar de romãs, com frutos excelentes.” (Cantares 4:13)
  8. “Desci ao jardim das nogueiras, para mirar as renovos do vale, para ver se brotavam as vides e se floresciam as romãzeiras.
    ” (Cantares 6:11)
  9. “Levar-te-ia e te introduziria na casa de minha mãe, e tu me ensinarias; eu te daria a beber vinho aromático e mosto das minhas romãs.” (Cantares 8:2)
  10. “Sobre ele havia um capitel de bronze; a altura de cada um era de cinco côvados; a obra de rede e as romãs sobre o capitel ao redor eram de bronze. Semelhante a esta era a outra coluna com as romãs. Havia noventa e seis romãs aos lados; as romãs todas, sobre a obra de rede ao redor, eram cem.” (Jeremias 52:22-23)
  11. “Saul se encontrava na extremidade de Gibeá, debaixo da romãzeira em Migron; e o povo que estava com ele era de cerca de seiscentos homens.” (I Samuel 14:2)

No que diz respeito às cidades:

  1. “Lebaote, Silim e Rimom; ao todo, vinte e nove cidades com suas aldeias.” (Josué 15:32)
  2. “Então viraram e fugiram para o deserto, à penha Rimom.” (Juizes 20:45)
  3. “A sétima sorte saiu à tribo dos filhos de Dã; Jeúde, Bene-Beráque, Gate-Rimom.” (Josué 19:45)
  4. “Em En-Rimon, em Zorá, em Jarmute.” (Nemias 11:29)
Desconhece-se a origem das cidades acima referidas, mas tudo leva a crer, que os seus nomes derivaram do grande número de Romãzeiras existentes. Alguns autores dão a Romãzeira como originária do Egito onde era conhecida pelo nome de “Anhmen”; fazem, outrossim, certa ligação entre a “Romã” e o nome de “Amon Ra”. Prosseguem dizendo não caber dúvida que foi no Egito que o fruto constituía um símbolo sagrado, pois os Sacerdotes egípcios, usavam a romã nos atos litúrgicos iniciáticos. Para os romanos, a sua origem está no norte da África. O seu nome latino – Punica Granatum – sugere a sua origem na cidade de Cartago. Na realidade, esta cidade foi fundada pelos fenícios da cidade de Tiro, que foi fundada pelos sidônios, da cidade de Sidon. Estas cidades situam-se ao norte da Palestina, no atual Líbano.

Platão teria afirmado que dez mil anos antes de Menés já existia a cerimônia que incluía a Romã como fruto, com a sua rubra flor. Somente os sacerdotes de Amon Ra tinham o privilégio de cultivar a Romãzeira. As Romãs, consideradas como oferendas sagradas, eram colocadas sobre os túmulos dos Faraós.

Encontram-se referências a respeito com ao sacerdote Egípcio de Heliópolis, de nome Manthonm, em sua história dos reis, escrita em grego, 300 anos antes de Cristo. Sobre os Altares dos deuses Horus, Set, Isis e Osiris, este o deus supremo e juiz do além-vida, protetor da morte, eram colocadas as mais exuberantes Romãs, como símbolo dos iniciados nos supremos mistérios. Essas oferendas aumentavam de número consoante a categoria do iniciado ou a importância do cargo, como os grandes hierofantes de Amon Ra e de Osiris, que além dessas ofertas serem colocadas em seus túmulos, eram também plantadas nos parques funerários, um número determinado e simbólico de Romãzeiras.

O número variava entre três, cinco e sete, de conformidade com a hierarquia. O rei Thotmesis – Tutmós – da XVIII dinastia, morto no ano 59 a.C. teve plantadas em seu parque funerário, cinco Romãs. Um hábito curioso diz respeito às pessoas que tinham débitos com o falecido. Essas dívidas eram pagas com Romãs, depositadas sobre o seu túmulo. Esse fruto simbolizava a vida e a união geográfica do Egito, compreendido assim o Alto Egito, o Meio Egito e o Baixo Egito, que representavam os três “ninhos interiores” ou a câmara baixa; os cinco “ninhos superiores” ou câmara alta, dos deuses Osiris, o juiz supremo da outra vida, Set, deus das trevas, que matou a Osiris e Horus, que vingou a Osíris, casado com Isis, além da deusa Nefritis ou Isis, irmã de Osiris.

No antigo Egito, o mês tinha três semanas de dez dias cada uma, e o ano doze meses ou seja, 360 dias aos quais, para corrigir a anomalia astronômica, foram acrescentados cinco dias que eram os correspondentes aos aniversários dos deuses Osiris, Horus, Set, Isis e Nefritis. Esses cinco dias acrescidos eram considerados de maus augúrios, e para aplacar o azar, eram oferecidas Romãs colocadas nos altares. Paralelamente, semeavam no parque funerário três Romãs, simbolizando as três o Egito e mais cinco em honra aos cinco deuses patronos dos cinco últimos dias, e mais sete, em homenagem às sete trajetórias que as almas deviam percorrer para purificar-se. Essa origem da Romã no Egito conflita com as sagradas escrituras.

Na oportunidade em que Jacó saiu de Israel em direção ao Egito, para fugir da fome que assolava a sua região, levou consigo mudas de videira, de romãzeira, figueiras e demais árvores frutíferas, plantando-as e cultivando-as. Na volta para Canaã, quando os hebreus chefiados por Moisés foram inspecionar a terra prometida, trouxeram de lá, frutos excepcionais, descritos como gigantescos, eis que para carregar um cacho de uvas, foi preciso dois homens, pendurado o cacho numa vara; junto, trouxeram figos e romãs; podemos imaginar, se comparados com o enorme cacho de uvas, o tamanho dos figos e das romãs! Sem dúvida a origem da Romãzeira, é da Palestina.

Para os Assírios, a romã simbolizava a vida e os primeiros frutos da colheita eram entregues ao sacerdote que extraía o seu suco para que o Rei o oferecesse ao ídolo. Os frutos mais formosos que simbolizavam o prolongamento da vida eram preservados para o templo; a Romãzeira era considerada como o pai da vida; com a madeira da árvore, eram confeccionados amuletos. Os fenícios tinham a Romã, também, como frutos sagrados, bem como os Cartagineses e os Romanos, que os reproduziam nos capitéis de suas colunas e os colocavam nas tumbas dos sacerdotes e dos reis. Para os gregos, a Romã era sagrada e eles a denominavam de Roidion, e a Romãzeira de Roía; os frutos eram oferecidos à deusa da sabedoria, protetora da cidade de Atenas. Para os iniciados nos mistérios de Eleusis, Dodone, Delfos, Megara e outros, a Romã simbolizava a fecundidade e a vida.

Se a Romã era usada como símbolo de vida, a concepção hebraica a reforça, considerando a propagação da espécie como o elemento mais relevante da vida. A Romã é de difícil uso como alimento, porque a separação dos grãos, firmemente inseridos em sua polpa, exige certa habilidade; mas, o seu suco, obtido com o esmagamento das suas sementes, que na realidade se constituem cada uma em um fruto separado, é de fácil obtenção. Obtido o suco, de certa forma abundante, fermentado esse, produz-se um vinho de sabor suave e delicado que, talvez para o paladar do ocidental, possa parecer estranho.

Quando de nossa estada em Israel, justamente, em Canaã, adquiri no comércio, uma garrafa de vinho de romã; gelado, nos pareceu de agradável paladar. Retornados ao Brasil, procuramos obter certa quantidade de romãs retirando-lhes os grãos que esmagamos, coamos o suco, acrescentamos um pouco de açúcar e deixamos fermentar. O vinho obtido tinha o mesmo paladar daquele que adquirimos em Israel. Efetivamente, depois de degustá-lo em pequenas doses, decorrido algum tempo, notamos o seu efeito energético; preferimos denominá-lo assim, de afrodisíaco. O relato contém além das insinuações, simbolismos profundos relacionados com os costumes hebreus. A análise meticulosa desvenda preciosas lições.

Por que Salomão valorizava tanto a romã e o seu vinho? Além do atributo afrodisíaco que os comerciantes dão ao vinho da Romãzeira, o relato de Cantares é claro. O rei Salomão reinou sobre Israel durante quarenta anos, portanto, não se o pode julgar uma pessoa já idosa, mas no vigor da idade. O relato inserido em I Reis 11 nos dá:

“Ora além da filha do faraó, amou Salomão, muitas mulheres estrangeiras; moabitas, amonitas, edomitas, sidônias e hetéias, mulheres das nações de que havia o Senhor dito aos filhos de Israel: não caseis com elas, nem casem elas convosco, pois vos perverteriam o coração, para seguirdes os seus deuses. A estas se apegou Salomão pelo amor. Tinha setecentas mulheres, princesas, e trezentas concubinas. Sendo já velho, suas mulheres lhe perverteram o coração para seguir outros deuses; e o seu coração não era de todo para com o Senhor seu Deus, como fora o de Davi, seu pai.”

Apesar do texto bíblico denominá-lo de “velho”, um homem para contentar a mil mulheres, mesmo com higidez excepcional, deveria valer-se de algum produto afrodisíaco, que não era outro senão o vinho da romã. Isto justifica o seu uso, a ponto de fazer da Romã um símbolo sexual conjugado com os lírios, símbolo da excelência feminina. Colocadas as Romãs e os Lírios, nos capitéis das Colunas do Templo, quis Salomão render destaque à sua condição de rei poderoso em todos os sentidos. Poder-se-ia, contudo, questionar sobre esse evento: mas quando Salomão tinha mil mulheres o Templo já estava construído como as duas respectivas colunas. No entanto, já naquele momento, Salomão possuía mulheres em grande número e é de se supor que a ingestão do vinho afrodisíaco já era um hábito e uma necessidade. Não se conhece a idade exata de Salomão.

No livro I Crônicas, 29:1 lemos: “Disse mais o rei Davi a toda a congregação; Salomão meu filho, o único a quem Deus escolheu, é ainda moço e inexperiente, e esta obra é grande; porque o palácio não é para homens, mas para o Senhor Deus.” E no livro I Reis, 3:7 lemos: “Agora, pois, ó Senhor meu Deus, tu fizestes reinar a teu servo em lugar de Davi meu pai; não passo de uma criança, não sei como conduzir-me”.

Quando Davi ordenou o censo, excluiu os que tinham a idade de menos de 20 anos. Poderíamos, calcular, a grosso modo, que Salomão sentira-se criança, talvez por não ter atingido a idade de vinte anos. Portanto, se Salomão reinara durante quarenta anos, e assumira o reinado aos vinte anos, ao morrer, teria sessenta anos, idade que não podemos aceitar como de pessoa já velha. Porém, se Salomão se considerou criança, poderia, perfeitamente, ter apenas quatorze ou treze anos de idade, e então ao morrer teria de 53 a 54 anos! Mas, se com essa idade iniciou a construção do Templo, como justificar a presença das Romãs e dos Lírios? Talvez uma manifestação profética, uma vez que esses adornos foram determinados por Davi que os recebera do Senhor. Davi, por sua vez, tivera um grande número de mulheres e concubinas, e o uso do vinho afrodisíaco, poderia ter sido também um hábito seu. Em Jerusalém era muito usada a Alcaparra, denominada em hebraico de Abyynah, cujos brotos e flores excitavam os desejos sexuais; hoje as sementes conservadas em vinagre constituem um condimento muito apreciado em toda a parte.

De qualquer forma, é preciso encontrar-se uma justificativa muito mais coerente sobre a presença das Romãs, do que a simplista de que simbolizava a união fraterna, pela coesão de seus grãos. A necessidade dos excitantes sexuais vem justificada pelo costume que os poderosos tinham de manter junto a si, múltiplas esposas e concubinas; os excessos sexuais da época não constituíam pecado ou falha moral.

Completaremos o estudo sobre a Romã, examinando detalhadamente o seu aspecto interno e externo. O fruto é arredondado, assemelhando-se a um pequeno cântaro, ou a uma laranja de bom tamanho. Sua casca é lisa e manchada na coloração mista do vermelho com o verde, com manchas amareladas.

Na parte oposta ao pedúnculo que se prende ao ramo, apresenta uma coroa formada de pequenos triângulos, e no seu centro restos de pistilos secos de sua flor. Essa flor é de cor escarlate e composta de três pétalas carnosas que após desabrochar completamente dão lugar a uma rosácea de cinco pétalas; curiosamente, ao formar-se o fruto, surgem mais duas pétalas que se mantêm envolvidas pela coroa, secando paulatinamente até o completo desenvolvimento do fruto.

A casca é grossa e robusta; quando bem maduro, o fruto rompe-se, pondo à mostra alguns grãos; quando colhida e deixada em lugar quente, a Romã seca lentamente; não apodrece; e mesmo seco, o fruto é utilizado, pois os seus grãos apresentam-se mais doces ainda. O interior apresenta duas câmaras: a alta que contém cinco celas onde se espremem dezenas de grãos, e a câmara baixa, que se apresenta da mesma forma; os grãos têm no centro, uma diminuta semente branca e ao redor uma grande parte carnosa e transparente, nas colorações que partem do rosa pálido ao vermelho rubi. Essa parte interna lembra os favos de mel; as celas são divididas por uma espécie de cortina branca e leve.

Essa película resistente é amarga, como o é toda a casca exterior, possuindo propriedades medicinais; pela grande quantidade de tanino que contém, é usada como adstringente para diarreia; a casca, em forma de chá é um excelente vermífugo. Os grãos são saborosos, podendo ser ingeridos agrupados; o gosto esquisito, é agridoce. No Oriente, como já referimos, esses grãos macerados produzem um líquido que fermentado resulta em vinho afrodisíaco. O simbolismo do fruto e de sua flor se adequa à filosofia maçônica. A planta, ou melhor, o arbusto, tem as folhas pequenas e perenes, de um verde escuro; a planta não atinge altura significativa e desde cedo, quando em desenvolvimento, tendo um metro e meio, já produz frutos. Os grãos simbolizam a união dos maçons em seus vários aspectos: o fisiológico, porque cada grão possui “carne”, “sangue” (o suco) e “ossos”, (as sementes). Os grãos crescem unidos de tal forma que perdem o formato natural, que seria redondo; espremidos uns aos outros, são semelhantes a polígonos geométricos, com várias facetas; são lustrosos e belos, lembrando os favos de uma colmeia de abelhas; as abelhas trabalham sem descanso e assim lutam os maçons.

Os frutos representam os maçons que estão no Oriente Eterno; são pedras totalmente polidas que abrilhantam o Reino Celestial. As câmaras simbolizam a vida externa e a interna, ou seja, a mente humana e o espírito. As cinco células da Câmara Alta representam as fases intelectuais onde se estuda a razão da verdade eterna;, o conhecimento, o impulso para o elevado, para a moral e para a perfeita harmonia.

Representam, ao mesmo tempo, as cinco raças humanas, perfeitamente unidas, sem preconceitos; também recordam as cinco idades do homem: a embrionária, a infância, a do aprendizado, a construtiva e a madura. As três células da Câmara Baixa correspondem ao aprendizado, ao companheirismo e ao mestrado. As três substâncias do homem: sangue, carne e ossos; ao homem Templo, ao homem Altar e ao homem Alma. As três luzes: Ven.’. e Vvig.’.. O formato externo representa a Terra, seja pela sua esfera, seja pela sua coloração e conteúdo.

O astronauta soviético Yuri Gagarin, quando pôde contemplar a Terra do Cosmos, exclamou: “Ela é azul!” Hoje, passada quase uma geração, o jornalista japonês Akiyama, a bordo da estação orbital russa Mir enviou a seguinte mensagem: “O ar e as águas estão visivelmente sujos. Estou muito ocupado aqui, em cima, para ser filosófico; mas sinto que realmente faço parte da mãe Terra, agora, e acredito que temos que realmente fazer alguma coisa para salvá-la” – acrescentou: “eu não estou falando dos desertos, mas em outras partes da África e da Ásia não há muitas árvores”. Que expressiva diferença após poucos anos! A Terra para Gagarin era azul; para Toyohiro Akiyama, a Terra perdeu a suavidade colorida!

A Romã expressa, na sua coloração, a realidade. A coroa de triângulos ou coroa da virtude, do sacrifício, da ciência, da fraternidade, do amor ao próximo, está colocada numa extremidade da esfera. Simboliza o coroamento da obra da Arte Real. A flor rubra representa a chama do entusiasmo que conduz o Neófito ao seu destino, iluminando a sua jornada. As cores da Romã simbolizam: o verde, o reino vegetal; a amarela, o reino mineral; e a vermelha, o reino animal. As membranas brancas, que não constituem cor, mas a mistura de todas as cores como as obtidas quando o raio transpassa o cristal formando o arco-íris, simboliza a paz e o amor fraterno.

Podemos acrescentar que o simbolismo da romã se equivale, na Arte Real, ao simbolismo da Cadeia de União, da Orla Dentada, da Corda de 81 Nós, e ao do Feixe de Esopo.

Em suma, a romã simboliza a própria Loja e a sua a Egrégora.


Gabriel Campos de Oliveira

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

A ORIGEM DA PALAVRA IRMÃO


www.brasilmacom.com.br - A ORIGEM DA PALAVRA IRMÃOOs membros da Maçonaria, unidos pelo Amor Fraternal, qualquer que seja o seu grau, dão-se o tratamento de "Irmão" . É o título que geralmente se dão, mutuamente , os religiosos de uma mesma Ordem e de um mesmo convento e também os membros de uma mesma associação.

Este tratamento existe em todas as sociedades iniciáticas e nas confrarias, onde o seu significado é a condição adquirida com a participação de um mesmo ideal baseado na amizade. É o tratamento que se davam entre si os Maçons operativos.

A origem do cordial tratamento de "Irmão" afirma que este tratamento foi adotado e nunca mais olvidado pelos maçons, desde os tempos de Abraão, o velho patriarca bíblico. Reza a história que estando ele e sua mulher SARA no Egito, lá ensinavam as sete ciências liberais ( Gramática, lógica e dialética , matemática, geometria astronomia e música ) , e contou entre os seus discípulos com um de nome Euclides. Tão inteligente que não demorou nada em tornar-se mestre nas mesmas ciências, ficando por isso bastante afamado como ilustre personagem.

Então Euclides, a par com suas aulas, estabeleceu regras de conduta para o discipulado; em primeiro lugar cada um deveria ser fiel ao Rei e ao país de nascimento; em segundo lugar, cumpria-lhes amarem-se uns aos outros e serem leais e dedicados mutuamente. Para que seus alunos não descuidassem destas últimas obrigações, ele sugeriu aos mesmos que se dessem, reciprocamente, o tratamento de "Irmãos" ou "Companheiros".

Aprovando inteiramente esse costume da escola de Euclides, a Maçonaria resolveu sugeri-lo aos seus iniciados, que receberam-no com todo agrado, sem nenhuma restrição, passando a ser uma norma obrigatória nos diversos Corpos da Ordem.

De fato, traduz uma maneira de proceder muito afetiva e agradável a todos os corações dos que militam em nossos Templos. Assim passaram os Iniciados ao uso desse tratamento em todas as horas, quer no mundo profano, quer no maçônico.

O Poema Regius, que data do ano de 1.390, aconselha os operários a não se tratarem de outra forma senão de "meu caro Irmão". Por isso o tratamento de Irmão dado por um Maçom a um outro, significa reconhecimento fraternal, como pertencente à mesma família. Os Maçons são Irmãos por terem recebido a mesma Iniciação, os mesmos modos de reconhecimento e foram instruídos no mesmo sistema de moralidade.
Além da amizade fraternal que deve uni-los, os Maçons consideram-se irmãos por serem, simbolicamente, filhos da mesma mãe, a Mãe-Terra, representada pela deusa egípcia Ísis, viúva de Osíris, o Sol, e a mãe de Hórus. Assim os Maçons são, também, simbolicamente, Irmãos de Hórus e se autodenominam Filhos da Viúva.

Durante a Iniciação quando o recipiendário recebe a Luz, seus novos Irmãos juram protegê-lo sempre que for preciso. A partir daquele momento, todos que a ele se referem o tratam como Irmão. Os filhos de seus novos Irmãos passam a tratá-lo como "Tio" e as esposas de seus Irmãos passam a ser sua "Cunhada". Forma-se nesse momento um elo firme entre o novo membro da Ordem e a família maçônica.

A Maçonaria não reconhece qualquer distinção entre raças, crenças, condições financeira ou social entre seus obreiros. Há séculos vem a Sublime Instituição oferecendo a oportunidade aos homens de se encontrarem e colherem os frutos do prazer de conviver sempre em paz, em união e concórdia, como amigos desinteressados, dentro de um espírito coletivo voltado à prática do bem, guiados por rígidos princípios morais, sem desavenças e dissensões.

Os membros de nossa Ordem aprendem a destruir a ignorância em si mesmo e nos outros; a ser corajosos contra suas próprias fraquezas, lutar contra seus próprios vícios e também contra a injustiça alheia. São estimulados a praticarem um modo de vida que produza um nível elevado em suas relações com seus Irmãos, aos quais dedicam amizade sincera e devotada. São fieis cumpridores de todo dever cujo cumprimento lhes seja legalmente imposto ou reclamado pela felicidade de sua Pátria, de sua Família e da Humanidade.

Jamais abandonará sua prole, seus Irmãos e seus amigos, no perigo, na aflição ou na perseguição. Sobre o coração do Maçom está o símbolo do amor, da amizade, da razão serena e perseverante. O que o distingue na vida profana é sua aversão à iniqüidade, à injustiça, à vingança, à inveja e à ambição, sendo ele constante em fazer o bem e em elogiar seus Irmãos.

O verdadeiro Irmão é aquele que interroga sua consciência sobre seus próprios atos, pergunta a si mesmo se não violou a lei da justiça, do amor e da caridade em sua maior pureza; se não fez o mal e se fez todo o bem que podia;

O verdadeiro Irmão é aquele que interroga sua consciência sobre seus próprios atos, pergunta a si mesmo se não violou a lei da justiça, do amor e da caridade em sua maior pureza; se não fez o mal e se fez todo o bem que podia;

se não menosprezou voluntariamente uma ocasião de ser útil; se ninguém tem o que reclamar dele. E quando não tem uma palavra que auxilie, procura não abrir a boca...( Se for falar, cuida para que suas palavras sejam melhores que o seu silêncio )

O Irmão, possuído do sentimento de caridade e de amor ao próximo, faz o bem pelo bem, sem esperança de recompensa, retribui o mal com o bem, toma a defesa do fraco contra o forte, e sacrifica sempre seu interesse à justiça.

Ele é bom, humano e benevolente para com todos, sem preferência de raças nem de crenças, abraça o branco e o preto (pois não é a cor, mas sim o talento e a virtude que faz um homem elevar-se por sobre os demais), o rico e o pobre, o jovem e o velho, o sábio e o ignorante, o nobre e o plebeu, porque vê Irmãos em todos os homens.

Porém, devemos observar que nem o rico, o príncipe ou o sábio, devem "descer" para o nivelamento. Não descendo ao nível deles mas, sim, ajudando-os a se levantarem e poderem melhor enxergar o horizonte. É caminhando que se faz o caminho. Pensando, Agindo , sentindo, sofrendo , aprendendo e corrigindo. Fazendo melhor em seguida. Se comprometendo a sempre ensinar aos capazes, o que se aprendeu. Capacitando-os. Perpetuando a GNOSE adquirida. Quem deverá "subir" é o pobre; pobre no sentido de ser CARENTE. Acontece de existir entre os ricos de recursos materiais, os pobres de sabedoria, ignorantes de conhecimento, de altruísmo e complacência.

O verdadeiro Irmão não tem ódio, nem rancor, nem desejo de vingança; Compreendendo, nem condena. Portanto perdoa, e anula as ofensas, e não se lembra senão dos benefícios que já tenha recebido, porque sabe que com a mesma sábia compreensão que deixou de condenar, assim será tratado intimamente, na sua própria causa de compreensão, como réu de sua consciência , quando essa lhe julgar.

Não se compraz em procurar os defeitos alheios, nem em colocá-los em evidência. Se a necessidade a isso o obriga, procura sempre motivar o bem que pode atenuar o mal. Não se envaidece nem com a fortuna, nem com as vantagens pessoais, porque sabe que tudo o que lhe foi dado apenas o direito da posse, pertence ao mundo. e por poder dessa força natural , se desmerecido, tudo pode lhe ser retirado.

Se a ordem social colocou homens sob sua dependência, ele os trata com bondade e benevolência, porque são seus iguais perante o Grande Arquiteto do Universo; usa de sua autoridade para erguer-lhes o moral e não para os esmagar com o seu orgulho; evita tudo o que poderia tornar sua posição subalterna mais penosa.
O subordinado, por sua vez, compreende os deveres da sua posição, e tem o escrúpulo em cumpri-los conscienciosamente.

O verdadeiro Irmão respeita em seus semelhantes todos os direitos dados pelas leis da Natureza, como gostaria que os seus fossem respeitados. Aplicando os ensinamentos maçônicos, tanto no interior dos Templos como no seio da sociedade profana, dentro de suas possibilidades, colabora para a edificação do Templo da civilização humana.

Afinal, se cultiva a liberdade, a igualdade e a fraternidade, tem por obrigação, abrir mais os seus braços, entrelaçar seus Irmãos e oferecer sua convivência fraterna, sua influência, seu trabalho de auxílio, com harmonia, paz, concórdia e fraternização, dentro e fora do Templo.

Enfim, o verdadeiro Irmão saberá fazer o Bem sem ostentação, mas não sem utilidade para todos. Onde quer que o pobre reclame o combate sem descanso aos exploradores dos fracos, o auxílio e proteção à criança ou à mulher, o Irmão é obrigado a fazer obra maçônica. É-lhe proibido fechar os olhos aos deserdados da sorte.
Porém, só quando se encontra revestidos de todas essas virtudes é que pode dizer:"Meus Irmãos como tal me reconhecem" - frase mais ouvida e citada dentro da Loja e também fora dela - como forma de identificação.
Curioso, no entanto, é que ao sermos reconhecidos como irmãos o outro abre o sorriso e os braços, como se fosse um velho conhecido. Esse é um sentimento de irmandade, é muitas vezes, mais forte que entre Irmãos de sangue.

Nossa Ordem precisa de Irmãos verdadeiros, aqueles que têm orgulho de pertencerem à Sublime Instituição e estão dispostos a sacrifícios pessoais em benefício da mesma.

O Grande Arquiteto do Universo, que é DEUS, ouve nossos rogos e nos mostra o caminho que a Ele conduz, continue a nos proporcionar a dádiva da aproximação de valorosos Irmãos que nos socorrem em nossas dificuldades, se interessam por nós, nos escrevem, telefonam para saber como estamos, trocam e-mails e assim, não nos deixam experimentar a depressão e a solidão.

Nossas Lojas Maçônicas são portos seguros, colos de mãe para enxugamento das lágrimas e o consolo de nossas dores, num ambiente de luz, paz e amor, pois é sublime reunir em seu seio, católicos, evangélicos, espíritas, maometanos, israelitas, budistas, e a todos dizer: " Aqui vossas disputas não encontrarão eco. Aqui, não ofendereis a ninguém e ninguém vos ofenderá".

Meu Irmão, se eu me esquecer de você, nunca esqueça de mim! Conte comigo. Eu conto consigo.
"O maior cargo em maçonaria é o de verdadeiro Irmão".


Ir.·. Valdemar Sansão
www.brasilmacom.com.br

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

O HAITI VÊ RENASCER A AVE FÊNIX

Quero dar boas vindas a todos os Irmãos e visitantes deste blog e como primeira postagem deste ano que hoje se inicia, escolhi falar de uma fênix dos dias atuais, que é a Maçonaria do Haiti, renascendo das cinzas após o grande flagelo sofrido por aquele país recentemente.
Os Maçons do Haiti (de fato o primeiro país a conseguir sua independência na América, depois das 13 colônias inglesas) mostram um orgulho que gostaríamos de ver nos nossos.
Num país pobre, sofrido, esmagado pela superstição, pelo analfabetismo e pelas imensas dificuldades, ainda assim a Maçonaria floresce, quase um flashback de séculos atrás, sob luz da esperança de que é possível ascender, mudar, melhorar e evoluir.
Somos a terceira maior Maçonaria do mundo – e nos perdemos em questiúnculas desprezíveis, em baboseiras jurídicas, em disputas cretinas, em jogo imbecil de vaidades e ambições por títulos grandiloquentes à falta do devido mérito.
Claques e grupelhos ignoram as lições mais elementares da Instituição que mudou o mundo e nos legou a tolerância e o moderno sistema de democracia representativa, resvala na sua busca de poderes inúteis dos que necessitam de alfaias para se tornarem alguém.
Vejam nas fotos a pobreza material dos maçons haitianos e riqueza de suas posturas. São Maçons forjados na adversidade, Irmãos a quem devemos um profundo respeito.
E aqueles entre nós que “se decepcionam com a Maçonaria”, que façam por onde merecer a condição de Maçons. Não é a Maçonaria que tem de fazer “alguma coisa”. São os Maçons, fazendo ressurgir a Fênix das cinzas.