quinta-feira, 30 de junho de 2016

OS CUIDADOS QUE O MAÇOM DEVE TER COM A SOBERBA: A IRMÃ DO ORGULHO, DA ARROGÂNCIA E DA VAIDADE.



        Dizem que um dos maiores inimigos do homem é inerente a ele mesmo: o seu ego.
Existe uma fábula sobre uma rã que se perguntava como poderia se afastar daquela região fria, em pleno inverno. Alguns gansos sugeriram que ela emigrasse com eles, mas o problema é que a rã não sabia voar. "Deixem-me pensar - disse a rã - tenho um cérebro fora do comum". Então pediu ajuda a dois gansos: acharam um galho forte e cada um deles sustentou o galho por uma extremidade. A rã segurou-se ao galho, pela boca. Os gansos e a rã faziam o vôo quando, em certo momento, passaram por uma pequena aldeia, de onde os habitantes saíram para ver o inusitado espetáculo. E alguém perguntou: "De quem foi tão brilhante ideia?". A rã, toda orgulhosa e se sentindo a mais genial, a mais importante das criaturas, respondeu com ênfase: "Fui eu"! Eis então que o orgulho descomedido da rã foi à causa da sua própria ruína, pois no momento que abriu a boca, soltou-se do galho, e caiu para morte.
A soberba sempre foi censurada através dos séculos, por todas as doutrinas humanitárias e por todas as religiões de que se tem notícia. Para a maçonaria não é diferente, pois ela é vista como uma eficiente pedra de tropeço, uma ponta nefasta da pedra bruta que precisa ser desbastada, uma voluntária condenação espiritual do homem.
A soberba é um sentimento que se caracteriza pela pretensão de superioridade sobre as demais pessoas, seja por acreditar que é o melhor no que faz, no que decide, no que sabe, no que tem ou na sua capacidade de resolver as coisas.
A 1ª Epístola do apóstolo João adverte que a soberba é a semente de todo pecado. Aliás, para a Igreja Católica, a soberba é considerada um dos sete pecados capitais, sendo associada ao orgulho excessivo, à arrogância e à vaidade, próprios do demônio Lúcifer (“a Estrela da Manhã”) e ao planeta Vênus.
Para muitos teólogos, a soberba é o pilar de toda a transgressão do homem. Isso porque a soberba é considerada como o pecado original, uma vez que existia muito antes do homem e da criação. Uma linha teórica acredita que Satanás, o anjo caído, corrompeu-se em soberba. O livro de Isaías, por exemplo, relata a queda do anjo: “derrubada está na cova a tua soberba (...), serás precipitado para o reino dos mortos, no mais profundo abismo”. No entanto, outros estudiosos rejeitam essa ideia porque, para eles, a soberba só surgiu com o homem.
Além do cristianismo, o judaísmo e o islamismo também atribuíram à soberba vários conceitos como semente do mal, destruidora dos homens, maldição e queda do espírito, ruína e crimes da alma, praga maldita, paixões da carne, etc. No poema de Dante Alighieri, “A Divina Comédia”, o purgatório principal é composto por sete círculos que representam os sete pecados capitais. E logo no primeiro círculo encontram-se os “orgulhosos” (ou os soberbos), apontados como os que mais se distanciam de Deus, já que ali se encontra o alicerce para uma vida de pecado.
E por alguma razão esse veneno do orgulho e da soberba sempre foi perigoso, de uma forma notável, na vida de líderes espirituais. Mesmo com pouco estudo é possível conferir que o orgulho, mais do que qualquer outro pecado, foi a causa da derrota de muitos personagens da história que assumiram posições de influência sobre o povo de Deus.
De olhos embotados pelo véu da ignorância, o soberbo se sente autorrealizado, querendo mostrar-se para os outros a todo preço, desejando a sua admiração, como se isso elevasse sua estima ao máximo e lhe trouxesse prazer.
O soberbo quer superar sempre; não aceita ser como a média, não aceita ser como os demais. Ele precisa se destacar, tem necessidade de grandeza e valorização. Exige respeito, reconhecimento, aplausos. Mas quando é superado, o soberbo logo se deixa dominar pela inveja, querendo depreciar os outros e vangloriar-se. Se não consegue ser o mais inteligente ele então desejará e será o mais ignorante, falando sobre isso o tempo todo para que, seu interlocutor, ao ouvir a depreciação passe a elogiar o soberbo mesmo que seja por educação.
E não é só quando fala com atrevimento e empáfia que o soberbo se revela. Não é apenas com uma fluidez e uma eloquência impositiva de “verdades sublimes” que a soberba sobressai, pois ela também se faz presente até mesmo no silêncio dos pensamentos quando o soberbo se vê numa resistência intelectual ao que provém dos seus demais, e, ao ouvi-los, diz para si mesmo coisas do tipo: “eu já sei tudo sobre isso”, “quem ele pensa que é para me ensinar alguma coisa”, “primeiro ele precisa crescer, para depois ele vir falar alguma coisa de mim”.
Do mesmo modo, a soberba não ocorre só em matéria de conhecimento, mas também há soberba de poder econômico (“ele vai ver o que eu faço com ele”), de posses materiais (“o meu carro é muito melhor do que o dele”), de posição hierárquica (“aqui quem pode criticar sou eu”), e até das situações vantajosas em geral, como ocorre quando alguém se acha o maioral só por conhecer autoridades e pessoas influentes.
Para o Maçon.’., que tem como um dos seus propósitos a busca da Pedra Polida Perfeita de cada um, que se dá pela mera conversão de si mesmo num modelo útil e proveitoso para toda a família e para a humanidade em geral, recomenda que se traga luz à consciência, a fim de combater também esse mal da ignorância, até porque a maior vítima da soberba é ela mesma, que mais cedo ou mais tarde acabará isolada, aprisionada pela sua própria autossuficiência.
Todos nós já nascemos picados pela Serpente. A soberba e o orgulho são venenos que não matam de uma vez, mas que podem se espalhar pelas veias. Começa aos poucos, de forma sutil, paralisando nervos, matando a sensibilidade, até que chegue ao sistema nervoso central e domine a razão. Se a vítima não tomar o antídoto em tempo, é fatal: estará contaminada pelo veneno da autossuficiência. Afinal, o que o soberbo busca é a admiração, mas ignora um efeito colateral que é a compaixão das pessoas pelo humilhado e o desprezo ao opressor orgulhoso.
 A correção da soberba ocorre única e simplesmente pela virtude da humildade. É agindo com simplicidade que se consegue combater a soberba nas suas mais diversas formas, evitando a ostentação, contendo as vaidades e olhando o mundo não apenas a partir de si, mas principalmente ao redor de si.
O antídoto da humildade inclui uma dose saudável de moderação nas palavras e no pensamento. É indispensável reconhecer que cada um de nós carrega tesouros valiosos em seu próprio templo de virtudes, mas somos como vasos de barro; viemos do pó e ao pó voltaremos; todos nós. Somos da mesma natureza, criaturas vivas e maravilhosas, mas ao mesmo tempo cheios de diferentes imperfeições aos olhos humanos, seres pensantes e capazes, mas em constante transformação, e até o mais importante dos homens uma hora sucumbe, sem abalar o fluxo e o refluxo do universo, que segue o seu curso evidenciando a insignificância de cada um de nós para a continuidade da vida nesta terra. E o que nos parece uma certeza agora pode se revelar um equívoco logo ou mais adiante.
Que o G.’.A.’.D.’. U.’. ilumine a todos.
Irmão Ronaldo Zanata Pazim
Loja Cavaleiros de São José Cerquilho - SP

quarta-feira, 15 de junho de 2016

São João Smoler, para nós, São João de Jerusalém, Patrono da Maçonaria.






                                           
      
Ao iniciarmos os trabalhos em loja, o V.’.M.’. Invoca a proteção do G.’.A.’.D.’.U.’.e abre-se a loja, dizendo  -“em homenagem a São João, nosso padroeiro, declaro aberta esta loja no Grau de A.’.M.’. sobre o Titulo distintivo (e diz o nome da loja)” . Nesse momento os trabalhos estão abertos, mas nos resta a pergunta: Quem é este São João, e o porque do titulo distintivo?
A Bíblia fala de dois São João: o Batista e o Evangelista.
Para responder a esta pergunta nós precisamos ainda mais nos aprofundar um pouco em textos, lendas e histórias, para descobrirmos quem foi São João de Jerusalém e porque nossas lojas são dedicadas a ele.
Comecemos por fazer algumas distinções. O primeiro São João de que ouvimos falar e o qual um dos mais famosos personagens da bíblia é sem dúvida, São João Batista, o précussor de Jesus, pregou a vinda do Senhor, a necessidade de se arrepender  dos pecados e das pessoas serem batizadas, tendo o privilégio de batizar o próprio Jesus. Mais tarde, lançado na prisão por ter reprovado publicamente o casamento adúltero de Herodes Ântipas com Herodias, esposa de seu irmão, quando foi morto, após Salomé, filha de Herodias,  ter pedido a Herodes sua cabeça em uma bandeja, o mesmo teve sua cabeça decepada por ser fiel aos seus princípios e convicções.
Este Santo tem seu dia de comemoração também associado aos mistérios celestes, pois se comemora exatamente no dia do equinócio de inverno, ou seja, o dia mais curto do ano. A maçonaria, por sua vez, associou este dia como contemplação a esta transição do sol, e a reverencia em suas lojas com associações a sua doutrina. Erroneamente alguns historiadores associaram este São João como patrono da maçonaria, talvez por ser o mais famoso e conhecido, mas isso é um erro comum entre os que levianamente estudam a maçonaria por obrigação.
O outro São João de que se tem noticia, e também associado à maçonaria, é o São João Evangelista. Apostolo e um dos três mais intimamente associados de Jesus, juntamente com Pedro e Tiago. Este João escreveu o evangelho segundo João, as três cartas de João e Apocalipse, uma maravilhosa visão da Revelação.
Sua data de comemoração é associada ao solstício de verão, que ocorre em dezembro.
Nesta data eram eleitas as gestões das lojas, e neste solstício a maçonaria também realizava comemorações pela passagem do sol. Porém, também erroneamente, este São João foi associado como patrono da maçonaria; principalmente por aqueles que não se dão ao trabalho de ler, e gostam muito de citar grandes nomes do passado não testando e investigando sua veracidade; meramente copiando e transcrevendo seus dizeres e se esquecendo que a verdade é a mola que nos impulsiona. Então, surgem as perguntas: Se nenhum deles é o patrono da maçonaria, quem o é? Se não são estes dois importantes santos, a quem abrimos nossas lojas e trabalhamos sobre sua proteção?
No ano de 550 da era cristã, após a vinda de Jesus, nasceu um menino na ilha de Chipre ao sul da Itália, onde seu pai, Epifânio, era o governador da ilha, motivado por sua formação cristã e caridosa. Dedicou sua vida a obras assistenciais, por ajudar pobres, doentes e famintos. Tinha o costume de sentar-se em frente à igreja para ouvir e atender as queixas destes desafortunados. O mesmo se encaminhou a Jerusalém, com a intenção de montar um hospital que atendesse aos peregrinos que viajavam à Terra Santa, para visitar o Santo Sepulcro.
Nesta ocasião ocorriam as Sagradas Cruzadas, lideradas pelos cavaleiros Templários, ao qual este menino se inspirou em seus métodos e conduta, durante as Sagradas Cruzadas, fundou a Ordem dos Cavaleiros Hospitalares e montou em Jerusalém um hospital que atendesse aos peregrinos que iam à terra santa, utilizando recursos próprios, de sua herança.
O garoto, e agora homem, veio a faleceu no ano de 619, na cidade de Amatonto, na ilha de Chipre. Após a sua morte, o Papa em reconhecimento ao seu desprendimento e amor incondicional, o canonizou com o nome, São João Esmoleiro, porém este santo ficou mais conhecido como São João de Jerusalém.
A História certamente terminaria aqui, mas se fossemos meros profanos. Mas para nós, maçons iniciados na Arte Real, livres pensadores e perseguidores da verdade, não! Ainda nos restam as pergunta: Porque dedicar as lojas à ele? O que ele fez em Jerusalém? Porque voltou a sua pátria?
Atentai, amados IIr.’., que a resposta esta diante de vossos olhos. Ao sair de sua terra natal, o garoto levou o quinhão da fortuna de seu pai, que lhe era de direito. Ao invés de viver uma vida sossegada, ele deslocou-se para Jerusalém, onde construiu com enorme dificuldade, um hospital para socorrer os enfermos. Porém, a época era das Cruzadas, e os povos viviam em guerra. Baseado nos princípios da Cavalaria Templária, ele fundou a Ordem dos Cavaleiros Hospitalares, que tinha por principal função, defender os hospitais e prestar socorro à quem se achava enfermo. Ele mesmo foi amigo, irmão e confidente de muitos enfermos, e deu a eles mais do que os seus recursos financeiros. Doou a cada um deles, sua saúde e atenção. Nunca fez distinções entre feridos de guerra e leprosos; todos que buscavam ajuda neste período de caos encontravam, sem dúvida, uma mão estendida nos Cavaleiros Hospitalares e em São João.
A Ordem dos Cavaleiros Hospitalares logo foi transformada na Ordem dos Cavaleiros de Jerusalém, que agora não só tomavam conta dos hospitais, mas corriam em socorro dos doentes e dos necessitados, onde quer que se encontrassem. Esta Ordem sobreviveu durante anos, e ganhou enorme respeito dos Templários da época. O seu fundador foi eleito e sagrado Grão-Mestre dos Cavaleiros de Jerusalém, recebendo as mais altas honrarias Templárias, pois estes o reconheciam como um puro e fiel Cavaleiro, seguidor dos antigos valores. São João retornaria a sua pátria, na Ilha de Chipre, por saber que a mesma estava à mercê de invasão dos Turcos, e o seu povo necessitava de ajuda. Para isso, ele contou com sua experiência em Jerusalém, e fundou a Ordem dos Cavaleiros de Malta, que tinha a dupla função: Proteger os hospitais, ajudar os enfermos e feridos, e lutar pela manutenção da paz e preservação da independência de sua pátria.
A Ordem prosperou na parte da Hospitalaria, mas a sua força armada não foi suficiente para deter a invasão Turca, que dominou e destruiu grande parte da Ilha. Gostaríamos de dizer que tudo foi fácil e belo, mas esta não é a verdade. Muito sangue foi derramado para que os Cavaleiros pudessem prosseguir em sua jornada, e mantivessem a chama acesa, no intuito de ajudar os feridos e vitimas de doenças.
Os Cavaleiros de Malta foram conhecidos por seus atos como, grandes defensores dos oprimidos e daqueles que precisavam de ajuda, assim como já eram os Cavaleiros de Jerusalém. Após a morte de São João, e sua posterior  canonização, a Ordem de Cavalaria Templária associaría, fortemente, São João de Jerusalém como seu patrono, e ao se postarem no campo, para as batalhas, sempre se colocavam sobre a proteção do mesmo.
A Maçonaria copiou grande parte de seus ensinamentos e do modo de agir dos Templários, além de associar São João como seu padroeiro, pois os ideais deste nobre homem, que foi elevado a condição de Santo, combinavam com a doutrina maçônica de amor incondicional ao próximo, e sua elevada determinação em lutar pela liberdade. A partir deste momento, em que a maçonaria se colocava a campo para lutar pela liberdade da humanidade, clamava a esta grande figura, que a partir deste momento, sería conhecido por todos os maçons como: São João de Jerusalém nosso Patrono.
Por isso todas as lojas são abertas e dedicadas a sua homenagem, e até hoje nós somos lojas de São João. O amor dele nos contagia, e em sua homenagem é que trabalhamos para socorrer os necessitados, como ele o fez, e levar a luz do conhecimento e da verdade a toda a Humanidade.
Comemora-se no dia 23 de janeiro o dia de São João Smoler, para nós, São João de Jerusalém, Patrono da Maçonaria.



autor: Ir. Waldemar (A.R.L.S. União e Lealdade)
adaptado e revisado: lr.’. Mário Paiva (A.’.R.’.L.’.S.’. IIR.’. Fraternos – GLERN)

sexta-feira, 10 de junho de 2016

O Uso da Maçonaria para Vantagens Pessoais



Quando pertencemos a uma instituição, entidade, clube ou a uma ordem, temos obviamente motivos para acreditar que, fazendo parte desse grupo, teremos certos privilégios e prerrogativas não extensivas àqueles que não pertencem a esse meio.
Essa é uma situação comum que atinge a todos os que participam de um grupo estruturado e organizado. Trata-se de uma sensação básica que pode ser tanto positiva quanto negativa. Positiva quando vista sob o ângulo da compreensão de limites e negativa quando interpretada erroneamente: quando uma pessoa pensa que pode tudo.
É necessário reforçar que privilégios e prerrogativas podem ser desculpas ou disfarces para a intransigência, a arrogância e a falta de respeito – proveitos e favores que requerem a atenção e a vigilância pessoal de cada um de nós.
Das Regras Legais
Todo sistema social organizado dispõe de leis próprias que estabelecem as condições de convívio e postura, da mesma forma como uma instituição ou ordem disciplina o modo de ser de seus integrantes para mantê-los coesos em seus princípios.
O homem, o cidadão, antes mesmo de abraçar uma instituição, deve respeito às leis de seu país e às normas de seu Estado ou Cidade, as quais ditam sua conduta na “vida profana”, que todo iniciado na Maçonaria sabe como é.
A Maçonaria, por sua vez, também tem suas regras estatutárias, que orientam e disciplinam os irmãos, os chamados landmarks, as mais antigas leis que regem a Maçonaria – são regras colecionadas por Alberto Mackey, como explica a literatura Maçônica.
Dentre os vinte e cinco landmarks maçônicos, podemos extrair três deles: aquele que reza a crença no Grande Arquiteto do Universo, o que exige respeito ao Governo Maçônico e o que diz: “todos os Maçons são absolutamente iguais dentro da Loja, sem distinções de prerrogativas profanas, de privilégios que a sociedade confere”.
Da obtenção de vantagens
Pela leitura do landmark da igualdade, não resta dúvida alguma de que os irmãos em Loja encontram-se nivelados. Entretanto, o objetivo desta reflexão é discutir quando um Maçom pode usar referida condição para obter vantagens pessoais na sociedade.
Todos têm plena noção de que respeitar as leis de seu país é uma obrigação, assim como respeitar as regras da Maçonaria como ordem institucional de funcionamento também o é. Mas até que ponto, externamente, tais fundamentos irão acompanhar o irmão Maçom?
Fazer parte da Maçonaria pode deixar alguém em evidência? Claro que pode.
O fato de eu ser Maçom pode estabelecer contatos a partir dos quais se originam trabalhos profissionais?
Sem dúvida, mas a Maçonaria não é um trampolim para uma coisa nem outra. Nada de mal há em aproveitar os frutos advindos naturalmente de sua participação na Maçonaria. Porém, merece censura aquele que faz da Ordem uma base para suas aspirações politiqueiras, por exemplo, sem estar realmente comprometido com os fins da instituição.
Cabe aqui ressalvar que a Maçonaria não é incompatível com a política, que se revela em sua origem histórica por seus feitos (Abolição, Independência e República). Inclusive, a Constituição do Grande Oriente do Brasil prevê ser um direito do Maçom solicitar o apoio dos Irmãos quando candidato eletivo no mundo profano (disposição mantida no atual projeto de Constituição aprovado pela AFL/GOB: Art. 31-XIII), contanto que seja combatido qualquer tipo de exibicionismo que possa comprometer a imagem da Instituição.
Mas..., e a Irmandade?
Parece claro evidenciar que a Maçonaria, como Fraternidade que é, assim existe para permitir que os irmãos se reconheçam e prestem ajuda mútua uns aos outros. Desse modo, todos aprendem a se reconhecer de uma maneira muito própria, por meio de um ensinamento transmitido de forma a assegurar a interação com outro Maçom.
A fraternidade humana é uma bandeira de luta da Maçonaria em prol da amizade entre os homens (o espírito da Ordem), como preleciona José Martins Jurado em sua obra Apontamentos Adonhiramitas (Madras Editora, 2004, p. 50).
Se há uma Fraternidade, então há uma intenção de apoio também, de um suporte que faça o Maçom se sentir seguro em poder contar com um irmão em uma situação mais delicada ou necessária.
Porém, é nesse ponto que reside a sutileza em diferenciar o “uso da irmandade” com o objetivo de buscar uma solução para uma situação de dificuldade do “uso da irmandade” como se fosse um privilégio ou prerrogativa para obter ganho ou vantagem pessoal.
“Como irmãos, os Maçons devem mútuo auxílio e socorro, até mesmo com risco de perigos e da própria vida”, como nos expõe José Martins Jurado em seus já citados Apontamentos, em uma referência ao inciso V do artigo 32 da Constituição do Grande Oriente do Brasil.
 É importante não perder de vista, contudo, que a Ordem Maçônica não prega a vantagem para quem pertencer aos quadros de uma Loja. A assim chamada Arte Real direciona seus trabalhos nas oficinas para o aperfeiçoamento do homem, para o aprimoramento intelectual e moral e para a solidariedade.
A tolerância e o respeito mútuo são princípios que não se coadunam com a postura da “Lei de Gerson”, expressão popularmente cunhada e que explica muito bem o assunto aqui discutido, isto é, que a vida de um Maçom deve ser pautada por vantagens pessoais.
O Código Maçônico (ou os Mandamentos da Maçonaria Universal) institui que é dever detestar a avareza, porque quem ama as riquezas em demasia não tirará nenhum fruto delas e será tachado como egoísta. A própria Constituição do Grande Oriente do Brasil, no inciso I do artigo 1º, inserido no capítulo que trata dos princípios gerais da Maçonaria e dos postulados universais da Instituição, “condena a exploração do homem, os privilégios e as regalias...”.
Nesse diapasão, se um Ir.´. esquece o ideal maçônico, o aperfeiçoamento moral, e valoriza mais seus interesses pessoais, apresentando-se como Maçom ou autoridade maçônica e usando seu status de membro da Ordem para obter algumas vantagens pessoais, ele poderá ser acusado de cometer um delito contrário aos princípios da Arte Real, de travestir os ideais de uma Loja em “casa de favores” em vez de “casa de valores”.
Portanto, sem dúvida alguma, pode-se dizer que citar os abusos em Loja evita acusações levianas ou destituídas de provas, que formam as fofocas, e impõe-se obviamente, garantindo-se o amplo direito de defesa, um princípio basilar de uma sociedade justa.
Para não passar desapercebido e, também, como verdadeiro sinal de alerta, não se deve olvidar que a sublime Ordem, conquanto não seja secreta, requer discrição. Partindo dessa premissa, não deve o Ir.´., na euforia de pertencer a uma arte tão nobre e antiga, sair contando a todos sua condição de Maçom, pois existem pessoas mal-intencionadas e oportunistas que podem tanto atacar a Ordem e combater o Maçom por pura ignorância, como tirar proveito da camaradagem.
Conclusão
Ser Maçom propicia orgulho, porque a Ordem Maçônica é firme, histórica e já produziu grandes feitos. A justiça é um de seus lemas, assim como a prática da virtude um de seus objetivos. Entretanto, essa virtude só será revelada se o Maçom agir dentro de limites, não imaginando que tudo pode pela simples condição de ser um Maçom, e sim que tudo poderá se seu desejo, pedido ou favor não oferecer constrangimento nem significar vantagem desnecessária ou indevida. Nesse caso, ele estará agindo respeitosamente à imagem da Arte Real, com ética e postura, e se mostrará temente aos ensinamentos maçônicos.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

ASSIDUIDADE MAÇÔNICA





O Irmão assíduo se faz, não resta dúvida, no sabedor do que sucede, se faça, ou seja, resolvido em Loja. Tem sempre conhecimento direto de todos os eventos templários. O maçom ativo - Para se dizer maçom não é bastante ter se iniciado no primeiro grau simbólico ou ter sido colado em outros mais avançados. Para ser maçom, na verdadeira acepção da palavra, é preciso estar em atividade plena, mostrar-se valente, manter-se disposto, ser estudioso, enfim, demonstrar-se trabalhador, diligente e consciencioso. A isso tudo se pode acrescentar ainda: Para se anunciar como maçom urge que, além de ativo e resoluto, seja aplicado, interessado e frequente aos trabalhos da Loja.
De fato, o trabalho sempre foi e o será a máxima ideia da Maçonaria. Traduz seu pensamento dominante em todos os rituais. Faz-se num dos incondicionais deveres do iniciado. A totalidade das fórmulas ritualísticas com seus símbolos, alegorias ou emblemas, bem como todas as cerimônias com suas tradições normativas de deveres e obrigações, têm suas fontes generosas na ideia do trabalho, através dos quais aprofundamos os conhecimentos, aprimoramos a educação, mais nos amamos e nos instruímos.
Assiduidade – é o hábito que leva o indivíduo a achar-se presente onde deve estar para cumprimento de seus deveres. A assiduidade é garantia para ação contínua e eficaz de qualquer esforço de indivíduos ou comunidades. Ela se completa pela pontualidade. Assiduidade e pontualidade são traços positivos de personalidade bem formada, revelando uma consciência madura das próprias responsabilidades. Constitui uma das virtudes do maçom; não diz respeito apenas ao comportamento social, ao compromisso assumido, mas à participação em uma Egrégora que beneficia a quem se encontra ao seu lado; diz respeito ao elo da corrente; à necessidade para a formação do grupo. Quem se ausentar sem motivo aparente ou justificado estará solapando aos demais a oportunidade de reforçar as vibrações e a soma dos fluídos destinados à formação grupal.
Todos os Maçons assumem o compromisso, como regra geral e iniludível, de assistir os trabalhos da Oficina a que pertencem. As Constituições e Regulamentos Gerais de todas as Potências maçônicas dispõem sobre este dever, recomendando a justificação por escrito, dirigida ao Venerável, ao Maçom que, por qualquer motivo, não puder comparecer às sessões. Consoante às regras maçônicas, a falta de assiduidade impede o ato de votar e ser votado; o “aumento do salário”, podendo ser suspenso ou até eliminado do quadro.
A frequência aos Trabalhos - Não raro, as colunas estão quase desertas. Por isso é comum ouvir-se o anúncio contristador de “reinar silêncio nas colunas”. Ninguém faz uso da palavra. Muitas decepções poderiam ser evitadas se obreiros recalcitrantes adquirissem o hábito da assiduidade. A frequência dos Irmãos aos Trabalhos é um dos itens constantes de todas as pautas das reuniões administrativas. Há os que não vão aos Trabalhos da Oficina porque acham que a mesma nada tem a lhes ensinar. São os presunçosos. Se forem trolhados, não sabem fazer o Sinal de Aprendiz. Há os que não vão à Oficina porque acham que as reuniões se tornaram desinteressantes e monótonas. Estes fazem parte daquele grande grupo que “entrou para a Maçonaria, mas a Maçonaria não entrou neles”. Acham as reuniões desinteressantes, mas nada fazem para torná-las melhores. São os reformistas e críticos de palavras. Nada fazem porque lhes faltam luzes para fazer, ou porque egoístas, não querem dividir os seus conhecimentos, quando raramente possuem algum. São os verdadeiros inoperantes da Ordem.
 Os argumentos, de todos os grupos de faladores, são extremamente frágeis e na realidade se baseiam, também com a Maçonaria, em três colunas, ou melhor, três anti-colunas: a ignorância, o desinteresse e o perjúrio. Perjuro não é somente quem revela os nossos Segredos Iniciáticos, mas também é perjuro aquele que não cumpre com as obrigações contraídas para com a Sublime Ordem no Cerimonial da Iniciação. Enriqueça sua Oficina, abrilhantando-a com sua presença, com sua luz e conduzindo-a com suas opiniões. O bom maçom - não se pertence nos dias das reuniões. A não ser por motivos que independam da sua vontade, deve lhe doer, no íntimo, furtar-se à convivência amistosa dos seus companheiros de colunas. É necessário não se esquecer de que os velhos amigos que comparecem à Loja, um dia o aplaudiram entre aquelas mesmas colunas tão pouco transpostas por ele. Deve predominar na sua lembrança que antes da sua recepção, os sindicantes trouxeram ao quadro da Loja a informação que dispunha de tempo suficiente para ser assíduo aos trabalhos da Oficina, sem prejuízo das obrigações sociais-profanas.
Não deve consentir, nem concorrer para que as colunas da sua Loja sejam olvidadas ou permaneçam na desolação. Ao iniciado incumbe estudar, aprender, conhecer os “Landmarks”, as Regras, a Constituição, os Regulamentos, os Atos e Decretos da Ordem, para que adquira fundamentos de longa duração, enriquecidos pelos estímulos fertilizantes da boa vontade, e se firme em alicerces seguros e de fina estrutura moral que edifiquem as obras que falam mais alto das eficiências da Sublime Instituição.
Os golpes de malhetes devem, portanto, ecoar sempre aos seus ouvidos, dentro do limiar do Templo. As palavras sagradas e de passes devem configurar, permanentemente, algo positivo para a sua vida real. A cadeia de união deve ser deveras frequentada com assiduidade, porque nela é que se consagra o cumprimento do solene compromisso do maçom com a humanidade. As peças de arquitetura devem ser tidas como causa determinante da sua vida templária, tornando-se fontes de luz iluminadora dos feitos e realizações do conjunto de todos os Irmãos.
Querer é poder – No ato iniciático, o Neófito recebe do Venerável o Avental - a mais honrosa insígnia do Maçom - pois é o emblema do Trabalho e a indicar que devemos sempre ser ativos e laboriosos, em cumprir o dever de assiduidade à Oficina, sem ele não podemos comparecer às nossas reuniões. A resposta afirmativa é testemunhada por todos os presentes. Ser assíduo depende da vontade, ou melhor, dizendo, da boa vontade do obreiro. Se a intuição de uma vontade que representa o querer for atendida, os empecilhos que se apresentarem para tolher aquela iniciativa, nos dias de reuniões, serão removidos ou sobrepujados.  Não resta dúvida que quem se disponha a querer, supera os obstáculos, desfaz as dificuldades e não encontra impossíveis que detenha nos seus intentos. O que planeja fazer, o faz, com toda certeza. Conhecendo a si mesmo como alma, o ser humano estará predisposto a mudar seus rumos de vida, ou seja, o querer. Entretanto não basta querer, é preciso saber como, e o apoio da Loja Maçônica é fundamental, pois nela o Irmão encontra, ou deveria encontrar, a plenitude da Maçonaria como filosofia estruturada em argumentos incontestáveis e de vastas consequências morais.
Tomando essa direção que as condições pessoais permitem sem qualquer motivação contrária, o espírito do individualismo mais afeito ao comodismo desaparecerá ante o incentivo do movimento de grupo mais ajustado com a fraternidade. Somente pela assiduidade e pela intelectualização que adquirir na escola do progresso maçônico, é que o iniciado poderá dirigir suas inclinações, seus desejos e propósitos sociais e templários. Concluindo - Meus caríssimos Irmãos, o maçom que se afasta de seus Irmãos e de sua Loja estará dando um passo impensado e cruel, uma vez que, com sua ausência, atingirá a todos, rompendo a Cadeia de União, por ser ele um elo indispensável; sua ausência “enlutará” sua comunidade. Ele para manter a Luz dos conhecimentos, o calor da fraternidade e a chama do ideal, necessário é que esteja no convívio permanente de seus Irmãos. Necessitamos do convívio constante. Retorne e encontrará seus Irmãos prontos a recebê-lo e abraçá-lo. O Grande Arquiteto do Universo que tudo fez; que tudo sabe e que tudo vê; que nos fez Maçons, porquanto não nos fizemos, nem sequer nos tornamos – simplesmente somos – porque ELE assim o quis! Somos simples elos – parte de um todo que se faz UM – um por todos e em cada um.
PS – Não se faz Maçonaria fora do Templo.
A Maçonaria que se pratica na vida profana é uma obrigação do Iniciado e é reativada a cada Sessão, como uma espécie de bateria que precisa ser recarregada. Se algum Irmão acha que nada mais tem a aprender, então ele deve ter atingido a Gnose Perfeita e é chegado o momento dele começar a ensinar.

quinta-feira, 14 de abril de 2016

O PAVILHÃO NACIONAL E O MAÇOM



Símbolo maior de uma nação, a bandeira representa seu povo, sua história e nos remete a posicionamentos e aos valores que devemos assegurar perante nossa Pátria.
Diante da realidade atual, não há como desconsiderar a gravidade dos problemas econômicos, políticos e institucionais pelos quais passa a nação. Para o Maçom é imprescindível uma ação enérgica diante deste quadro, desde que se mantenha preservado o posicionamento estritamente maçônico de não nos deixarmos levar pelo vício da paixão e, menos ainda, nos engajarmos em atitudes violentas e desrespeitosas com as opiniões contrárias.
Todo momento de incerteza e desconfiança, seja política, ética ou moral encontra sua reação por meio de investigações, julgamentos dos delitos e as consequentes punições, que desaguarão no fortalecimento das leis e das instituições. Neste momento especial da História de nosso país, sejamos sinceros e atentos ao risco de cometermos o equívoco de manifestações desrespeitosas e destemperadas, pró ou contra seja quem for. O resultado desta postura irrefletida será, necessariamente, a criação de zonas de atrito entre Irmãos.
E fica a pergunta: Quem ganha com isto? Combater a tirania, a ignorância, os preconceitos e os erros, glorificar o Direito, a Justiça e a Verdade, são estas as diretrizes da política, da moral e da ética, que conduzem os labores maçônicos, baseados na garantia do Direito, na aplicação da Justiça e, acima de tudo, na incansável busca da Verdade dos fatos. Indiferentemente das opiniões pessoais e do posicionamento político partidário, nós Maçons não podemos perder nossa identidade de Irmãos, unidos por compromissos acima das paixões profanas. Não devemos esquecer dos laços de fraternidade que nos unem. E dos valores consolidados que regem nossa Fraternidade. A nossa Nação, representada em nossos Templos pela Bandeira Nacional, deve ser reverenciada, respeitada e amada. Pregar a violência, usar frases clichês como “pegar em armas”, o insulto ao outro pela divergência de opinião, não condizem com o Maçom e nem com a mensagem de nossa bandeira.
“Salve lindo pendão da esperança! Salve símbolo augusto da paz! Tua nobre presença à lembrança A grandeza da Pátria nos traz.”
Não há dúvidas de que seja um desejo sincero de todos os Maçons um futuro melhor para o Brasil. Somente conseguiremos atingir essa meta tendo em nós a clara convicção de que devemos transformar nossa indignação em ação concreta contra a grande mazela da sociedade brasileira, que é a corrupção, em todos os níveis, de forma apartidária sendo nós mesmos vigilantes de nossa própria conduta. Contra a corrupção, que é a origem e a consequência de toda essa mazela pela qual passamos hoje, a Maçonaria tem uma ação séria e comprometida com o Brasil, que é o projeto Corrupção Nunca Mais (www.corrupcaonuncamais.com.br).
O Irmão está colaborando? Tem, de fato, como Maçom, consciência de seu dever em promover o bem-estar da Pátria?
“Contemplando o teu vulto sagrado, Compreendemos o nosso dever, E o Brasil por seus filhos amados, poderoso e feliz há de ser!”
Este artigo foi inspirado no livro “MAÇONARIA PARA MAÇOM” do Irmão e Amigo Jorge Vicente, que na página 109, relata uma experiência diante da apresentação do Pavilhão Nacional:
“Eis que surge o Porta-Bandeira na postura correta, emocionante, trazendo a Bandeira do Brasil, sem que ela se curvasse um só instante. Ele, o Irmão que conduzia o Pavilhão, seguia ereto, como que estando a Ordem.”
 Neste décimo ano de compartilhamento de instruções maçônicas, mantemos a intenção primaz de fomentar os Irmãos a desenvolverem o tema tratado e apresentarem Prancha de Arquitetura, enriquecendo o Quarto-de-Hora-de-Estudo das Lojas. Precisamos incentivar os Obreiros da Arte Real ao salutar hábito da leitura como ferramenta de enlevo cultural, moral, ético e de formação maçônica.

Fraternalmente lr.´. Sérgio Quirino Guimarães.

quarta-feira, 13 de abril de 2016

A ESTRADA QUE NOS LEVA A VIRTUDE





Uma das estradas mais difíceis de se trafegar é aquela que nos conduz a Virtude. Essa estrada que se caracteriza por diferentes obstáculos, por curvas acentuadas, por retas longínquas que parecem não ter fim, por aclives e declives que por vezes nos levam a exaustão e que em alguns casos nos faz quase perder a direção revela-nos inesperados cenários.
Essa estrada ganha denominações variadas conforme cada trecho de seu trajeto. Seu início é um tanto obscuro, é praticamente desabitado, onde mal conseguimos vislumbrar aquilo que nos cerca e enxergar o que está a nossa volta.... Trafegar por essa estrada exige rigorosa disciplina, cuidado, abnegação, orientação e muita força de vontade para percorrê-la com sabedoria.
Porém, dificilmente consegue-se transitá-la sem passar incólume por algumas privações. Suas pistas, as vezes mostram-se extremamente escorregadias e leva-nos a um certo grau de insegurança de como devemos desviar das inevitáveis surpresas. Deparamo-nos a cada pouco com novos Sinais que nos obrigam a mudar as Marchas, obedecendo um novo critério para que a nossa empreitada ganhe maior sustentação e segurança.
A Luz da imensidão dessa estrada se revela paulatinamente, à medida que vamos nos aprofundando no caminho. É a Luz que nos traz a revelação de nossos Atos e sublima as nossas Atitudes. Trata-se de uma estrada que pode-se percorrer em Três grandes Etapas ao redor do Mundo. Ao viajarmos por ela, seremos invariavelmente reconhecidos como pessoas Livres e de Bons Costumes, o que já é um bom começo para quem ainda precisará desvendar seus augustos mistérios.
Seja pela pista da direita, quando nossa tendência é trafegar mais lentamente, ou pela esquerda, quando somos instados a pisar mais fundo, o que vale mesmo é saber discernir o dualismo das pistas para que possamos continuar a percorrê-la dentro dos limites da Tolerância. É claro que a sensação de Liberdade, de sentir o vento batendo no rosto e a sensação gostosa de superação interior a cada Pedágio vencido são sinônimos do êxito de nosso trajeto.
Estamos seguindo adiante, onde um Sinal nos mostra a Elevação de um trecho que exige mais cuidado, mais estudo de como percorrer com segurança. É o trecho das nossas transferências onde Matéria e Espírito começam a se interpor e mesclarem-se como fonte inovadora de nossas aspirações. Segue-se mais algum tempo e após aferirmos com maior acuidade que estamos prestes a Exaltar a nossa jornada encontramos a placa que se divisa a nossa frente indicando um sinal M.´., que nesse nosso trajeto chamaremos de Moderação, de Maturidade e de Maestria pela maneira como estamos seguindo a estrada que nos conduz à Virtude....
Vamos parar por aqui. Há trechos ainda muito mais tortuosos e cheios de percalços a serem transpostos. Esperemos pois, por uma próxima viagem.
Fraternalmente Ir.´. Newton Agrella

                                                                                                                                     M.´. I.´. Gr.´. 33 REAA

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Trabalhar duro Nosso Ser Interior


O silêncio é uma virtude que deve fazer parte de nossa vida. O poeta inglês Samuel Butler dizia que “o silêncio é uma virtude que nos torna agradáveis aos nossos semelhantes”. E quando iniciamos na Maçonaria juramos guardar o mais profundo silêncio. O silêncio pedido não é o sigilo. O silêncio pedido é o silêncio para reflexão, do calar das palavras para melhor meditar sobre os ensinamentos, sobre as instruções. É o aprofundamento no interior para melhor captação dos ensinamentos.
O sigilo é outra coisa. É “a conservação secreta dos conhecimentos havidos por iniciação, tanto dos métodos de trabalho, como das suas lendas e tradições que só podem ser comunicadas a outros Irmãos”, diz o Landmark nº 23.
Lembremos-nos de um momento da iniciação em que ficamos em profundo silêncio, o silêncio pedido pela Maçonaria, quando estávamos na “caverna”, que chamamos de “Câmara de Reflexão”, meditando sobre a morte e fazendo o último testamento da vida. Foi uma oportunidade ímpar passado em nossa vida. O Irmão Francisco Javier Moreno Martinez em sua Peça de Arquitetura intitulada “O Silêncio na Maçonaria” destaca: “Somente o homem capaz de guardar o silêncio será disciplinado em todos os outros aspectos de seu ser, e assim poderá se entregar à meditação”. O silêncio é a virtude maçônica que desenvolve a discrição, corrige os defeitos, permite usar a prudência e a tolerância em relação aos defeitos e faltas dos semelhantes.
Finalmente, cabe salientar que os maçons se reúnem em templos, e "O templo representa a fortaleza da paz e do silêncio". (Isaías, cap. 30 v. 15)”. Afinal é no silêncio e no trabalho duro com reflexão, direcionamento e estratégia que o Maçom vai percorrendo os degraus da vida maçônica. No trabalho duro de desbastar a sua Pedra Bruta, e no silêncio para desenvolver a discrição, corrigir seus defeitos e tornando cada vez mais tolerantes para com os Irmãos e o próximo.
Assim, como diz a frase acima, praticando o silêncio seremos agradáveis aos nossos semelhantes. E estamos cansados de saber que somente através dos perigos e das dificuldades que poderemos alcançar a iniciação. Ou seja, é no trabalho duro e no silêncio que poderemos alcançar o sucesso das empreitadas do dia a dia. E o Dale Carnegie dá o conselho de que “trabalhe duro e em silêncio”. Deixe que o seu sucesso faça barulho”. E o sucesso será o aumento das virtudes, onde poderá se destacar no meio da comunidade. Desta forma, quanto mais duro e exigente for o Maçom consigo mesmo, mais fácil se tornará a vida.

Os Fuzileiros Americanos dizem que “quanto mais suar em tempo de paz, menos sangrará em guerra”. Das Leis Básicas da Maçonaria existe uma das regras que diz que os Maçons devem ser reservados em suas palavras e obras, a fim de que os mais observadores não descubram aquilo que não seja oportuno que aprendam. Trabalhemos duro, mas com reflexão, direcionamento e estratégia, praticando o silêncio e meditando sobre o lema da Grande Loja da Inglaterra que adotou, depois da unificação, a legenda: “Audi, Vide, Tace”, ou seja, “Ouça, Veja, Cale”. O calar é o silêncio no sentido de meditar

sexta-feira, 11 de março de 2016

Simbolismo Maçônico



Simbolismo: A tradição dos símbolos é uma ciência viva. Ela permite aquele que a possui adaptar seus conhecimentos às necessidades de seus irmãos, soerguer uma sociedade que naufraga, amparar e reanimar um coração sem coragem e projetar a luz até onde as próprias trevas parecem ter seu reino absoluto.
Ritualismo, Simbologia e Símbolos: A Simbologia é a ciência mais antiga do mundo. Através dos símbolos, os povos primitivos se expressavam e comunicavam suas tradições. O primeiro aprendizado no mundo foi constituído por símbolos. Em um tempo onde a linguagem oral era ainda incipiente, os símbolos foram o meio de comunicação. A palavra símbolo deriva da palavra grega symbolum, que significa juntar, reunir. Os símbolos são uma representação de objetos, ideias ou ações e são uma linguagem especial, compreensível pelo hemisfério direito do cérebro, isto é, a imaginação. Eles têm um efeito muito poderoso na mente humana, sendo mais eficientes do que palavras. Isso porque o significado contido em um termo muitas vezes, não traduz, de fato, a essência do que busca comunicar.
Simbolismo Maçônico: Toda a estrutura ideológica da Maçonaria está baseada no Simbolismo. Nos símbolos é que se encontram as chaves que abrem o conhecimento do mundo espiritual existente em cada um de nós. Quando falamos do Simbolismo Maçônico, queremos falar não é o do conjunto de símbolos adotados pela Maçonaria, mas sim da concepção que a nossa Instituição tem do símbolo e de como pode ou deve ser utilizado.
Pode-se dividir o simbolismo maçônico em duas categorias: a emblemática e a esquemática. Emblemática: A primeira tem um sentido mais moral a inferir-se por analogia: o Compasso, a medida na pesquisa; Esquadro, a retidão na ação; Maço, vontade na aplicação; Cinzel, discernimento na investigação; Prumo, a perspicácia mental, a profundidade na observação; Nível, uso correto do conhecimento; Régua, figurando a retidão de conduta; Alavanca, poder da vontade; Trolha, benevolência para com todos; a cor branca, a inocência ou pureza; a cruz, o ideal do auto-sacrifício; uma ferramenta, o trabalho.
Esquemática: Comporta um significado mais intelectual, filosófico, ou científico, que pode ou não incluir a primeira: o ponto representando a Vida Una; a Circunferência, o infinito ou a eternidade; o Triângulo, a trina manifestação da Vida Una; o Pentágono, o homem perfeito. O simbolismo realmente iniciático é esquemático e tem sido e tem sido a linguagem inalterável, universalmente usada desde a mais remota Antiguidade para proclamar e perpetuar certas verdades eternas, essenciais à vida humana. No entanto, é mister que cada interessado procure interpretá-lo, compreendê-lo e senti-lo por seus próprio esforço para poder penetrar seus profundos significados.
Nicola Aslan sobre Simbolismo: (...) Cansados e saturados por dois séculos de guerras políticoreligiosas, desiludidos das religiões, ditas reveladas, que as tinham provocado, provocando um verdadeiro caos nos costumes morais e religiosos do povo inglês, os maçons especulativos, surgidos em princípios do século XVIII voltaram às vistas para o simbolismo das religiões da Antiguidade, tentando redescobrir os símbolos do passado e o seu conteúdo doutrinário e iniciático deturpado, desfigurado e velado pela ignorância eclesiástica medieval e pelos sofismas dos doutores escolásticos. Em consequência dos estudos empreendidos pelos estudiosos, formouse a Simbólica Maçônica. Nela são compreendidos Símbolos das mais variadas origens e procedências, que podem ser divididos em cinco classes principais: a) Símbolos místicos e religiosos tradicionais: o Tau (símbolo do poder); o Círculo com um Ponto Central (Sol); o Selo de Salomão ou Escudo de Davi (criação, Deus, perfeição); o Triângulo, o Delta Luminoso, os Três Pontos (a ideia de Deus) etc. b) Símbolos tirados da arte da construção: símbolos dos maçons operativos: o Compasso (medida na pesquisa); o Esquadro (retidão na ação); o Malho (vontade na aplicação); o Cinzel (discernimento na investigação); a Perpendicular (profundeza na observação); o Nível (emprego correto dos conhecimentos); a Régua (precisão na execução); a Alavanca (poder da vontade); a Trolha (benevolência para com todos); o Avental (símbolo do trabalho construtor) etc. c) Símbolos herméticos e alquímicos: o Sol e a Lua; as Colunas B e J; os três princípios da Grande Obra: Enxofre, Mercúrio e Sal; os quatro elementos herméticos: Ar, Água, Terra e Fogo; o VITRIOL, etc. d) Símbolos possuindo um significado particular: a romã (simbolizando os maçons unidos entre si por ideal comum); a Cadeia de União (união fraternal que liga por uma cadeia indissolúvel todos os maçons do globo, sem distinção de seitas e condições); a Estrela Flamejante (a iluminação); a letra G (conhecimento); o ramo de Acácia (imortalidade e inocência); o Pelicano (amor e abnegação), etc. e) Outros símbolos tradicionais: pitagóricos (números); cabalísticos (sefirot); geométricos, religiosos, e todos aqueles que se prestaram a um significado maçônico. De acordo com os seus pontos de vistas particulares, estes símbolos são vistos pelos maçons seja como elementos de Iniciação com significados esotéricos, seja como fórmulas morais comportando significados educativos. De qualquer maneira, as ideias representadas por estes símbolos devem ser admitidas por todos os membros da fraternidade maçônica, sem o que não podem ser considerados verdadeiros maçons. O Nível, por exemplo, representa também a ideia da igualdade, obrigatória entre os maçons. O Esquadro é o emblema da retidão e do direito, princípios que devem ser obrigatoriamente respeitados por todos os maçons. O Malhete é o símbolo da autoridade do Venerável e personifica a disciplina nos trabalhos que todo maçom é obrigado a admitir. E além de representarem fórmulas ou ideias morais, os Símbolos são uma espécie de linguagem que une os maçons entre si por serem expressão de ideias comuns a todos eles. É este o sistema adotado pela Maçonaria, diz Mackey, para desenvolver e inculcar as grandes verdades religiosas e filosóficas, de que foi, por muitos anos, a única conservadora. E é por esta razão, como já observei, que qualquer investigação dentro do caráter simbólico da Maçonaria deve ser precedida por uma investigação da natureza do simbolismo em geral, se quisermos apreciar convenientemente o seu uso particular na organização maçônica.
Uma aula de Simbologia: Trecho do livro: O Símbolo Perdido, Dan Brown. (...) A arquitetura, a arte e o simbolismo de Washington estão entre os mais interessantes do mundo. Porque vocês cruzam o oceano antes de visitar a sua própria capital? - As coisas mais antigas são mais legais - disse alguém. - E por coisas antigas - esclareceu Langdom - suponho que você queira dizer castelos, criptas, templos, esse tipo de coisa? Cabeças aquiesceram simultaneamente. - Muito bem. Mas seu eu dissesse a vocês que Washington tem todas essas coisas? Castelos, criptas, pirâmides, templos... está tudo lá. Os rangidos diminuíram. - Meus amigos - disse Langdon, baixando a voz e avançando até a beira do tablado -, ao longo da próxima hora, vocês vão descobrir que o nosso país transborda de segredos e de histórias ocultas. E, exatamente como na Europa, todos os melhores segredos estão escondidos à vista de todos. Langdom diminuiu as luzes e passou o slide seguinte. - Quem pode me dizer o que George Washington está fazendo aqui? O slide era de um conhecido mural que mostrava George Washington vestido com trajes completos de um maçom, parado diante de uma estranha engenhoca – um gigantesco tripé de madeira com um sistema de cordas e polias, no qual estava suspenso um imenso bloco de pedras. Um grupo de espectadores bem-vestidos o rodeava. - Levantando-se esse bloco de pedra? - arriscou alguém. Langdom não disse nada, pois preferia sempre que possível, que algum outro aluno fizesse a correção. - Na verdade - sugeriu outro aluno -, acho que Washington está baixando a pedra. Ele está vestido com trajes maçônicos. Já vi imagens de maçons assentando pedras angulares. Na cerimônia tem essa espécie de tripé para colocar a primeira pedra. - Excelente - disse Langdon. O mural mostra o pai de nosso país usando um tripé e uma polia para assentar a pedra angular do Capitólio em 18 de setembro de 1793, entre 11h15 e 12h30. - Langdon fez uma pausa, correndo os olhos pela sala. - Alguém pode me dizer o significado dessa data e hora? Silêncio. - E se eu dissesse a vocês que esse momento exato foi escolhido por três famosos maçons: George Washington, Benjamin Franklin e Pierre L‘ Enfant, o principal arquiteto da capital? Mais silêncio. - A pedra angular foi assentada nessa data e hora simplesmente porque, entre outras coisas, a auspiciosa Caputs Draconis estava em Virgem. Todos trocaram olhares intrigados. - Espere aí - disse alguém. - O senhor está falando de... astrologia? - Exato. Embora seja uma astrologia diferente da que conhecemos hoje em dia. Alguém levantou a mão. - Esta querendo dizer que os nossos pais fundadores acreditavam em astrologia? Langdom deu um sorriso. - E muito. O que você diria se eu lhe contasse que a cidade de Washington tem mais signos astrológicos em sua arquitetura do que qualquer outra cidade do mundo... zodíacos, mapas de estrelas, pedras angulares assentadas em datas e horários astrológicos precisos? Mais da metade dos homens que elaboraram a nossa Constituição eram maçons e prestavam muito atenção à posição dos astros no céu enquanto estruturavam seu novo mundo. - Uma coincidência impressionante, considerando-se que as pedras angulares das três estruturas que formam o Triângulo Federal, ou seja, o Capitólio, a Casa Branca e o Monumento a Washington, foram todos assentados em anos diferentes, mas tudo cuidadosamente programados para que isso ocorresse exatamente nas mesmas condições astrológicas. Langdom se deparou com uma sala cheia de olhos arregalados. Alguém levantou a mão no fundo da sala. - Por que fizeram isso? Langdom deu uma risadinha. - A resposta para essa pergunta é material para um semestre inteiro. Se estiver curioso, deve fazer o meu curso sobre misticismo. Para ser franco, não acho que vocês estejam emocionalmente preparados para ouvir a resposta. - Como assim? Gritou o aluno. – Experimente! Langdom fez uma pausa exagerada, como se estivesse pensando no assunto, e em seguida balançou a cabeça, brincando com os alunos. - Desculpe, não posso. Alguns de vocês são calouros. Tenho medo de impressioná-los. - Conte para a gente! Gritaram todos. - Talvez vocês devessem virar maçons e descobrir a resposta na origem. - A gente não pode entrar - argumentou o rapaz. - Os maçons são uma sociedade supersecreta! - Supersecreta? É mesmo? - Então por que os maçons usam anéis, prendedores de gravatas ou broches maçônicos à vista de todos? Por que os prédios maçônicos possuem indicações claras? Por que os horários das suas reuniões são publicados em jornal? - Meus amigos, os maçons não são uma sociedade secreta... eles são uma sociedade com segredos. - Dá na mesma - murmurou alguém. - É? - desafiou Langdom. - Você diria que a Coca-Cola é uma sociedade secreta? - Bom, e se batesse na sede da corporação e pedisse a receita da Coca-Cola original? - Eles nunca iriam me dar. - Exatamente. Para conhecer o maior segredo da Coca-Cola, você precisaria entrar para a empresa, trabalhar muitos anos, provar que é de confiança e, depois de muito tempo, alcançar os mais altos escalões, nos quais essa informação poderia ser compartilhada com você. E então você assinaria um termo de confidencial idade. - Então o senhor está dizendo que a Francomaçonaria é uma grande empresa? - Só na medida em que tem uma hierarquia rígida e leva a confidencial idade muito a sério. - Meu tio é maçom - entoou uma voz aguda de uma moça. - E a minha tia detesta, porque

O Ir. João Ivo Girardi é Obreiro da Loja “Obreiros de Salomão” nr. 39 (Blumenau). E autor do “Vade-Mécum Maçônico – Do Meio-Dia à Meia-Noite”