sábado, 9 de novembro de 2013

FILATELIA MAÇÔNICA

filatelia, arte e técnica de colecionar e estudar selos postais, transmite mensagens e símbolos, registra momentos históricos, culturais e comemorativos dos mais diversos países e culturas do mundo.
Apresentamos nesta coleção selos e outras peças filatélicas (como carimbos, cartões postais e envelopes) relacionadas ao tema da Maçonaria, contendo personalidades históricas, homenagens, objetos, comemorações, rituais, locais e símbolos maçônicos. Selecionamos as peças mais interessantes da nossa coleção, incluindo selos raros, clássicos, antigos e modernos.

Selos Maçônicos do Brasil
Os Correios do Brasil lançaram em 20/agosto/2004 (no Dia do Maçom) este conjunto de selos sobre maçonaria, representando elementos e símbolos maçônicos:




SABEDORIA, FORÇA E BELEZA:
As colunas representam a Sabedoria, que orienta no caminho da vida, a Força, que anima e sustenta o homem em todas as dificuldades, e a Beleza que adorna as ações, o caráter e o espírito do maçom.
ESCADA DE JACÓ: Simboliza a escala da hierarquia maçônica, na qual ascendem aqueles que pela fé e pelo esforço, tiverem conseguido transformar a pedra bruta em pedra polida, apta à construção da vida.
FERRAMENTAS DE TRABALHO:
O "Esquadro, o Nível e o Prumo" simbolizam as ferramentas utilizadas pelos maçons na construção da Ordem.
DESBASTANDO A PEDRA BRUTA:
Representa o Emblema do Aprendiz, ao qual cabe a obrigação de desvencilhar-se dos defeitos e das paixões, para poder trabalhar na construção moral da humanidade, que é a verdadeira obra da maçonaria.


      "Os selos divulgam os mais relevantes princípios e fundamentos da Maçonaria, como o de orientar no caminho da vida, animar e sustentar o homem em todas as dificuldades e adornar as ações, o caráter e o espírito do Maçom. Também instrui sobre a obrigação do aprendiz em desbastar a Pedra Bruta, desvencilhando-se dos defeitos e das paixões, que habita, preparando-se para a construção moral da humanidade, a verdadeira obra da Maçonaria. A ascensão dos Maçons que, pela fé e pelo esforço, tiverem conseguido transformar a Pedra Bruta em Pedra Cúbica, é outro aspecto valorizado pela Maçonaria e perpetuado por esta emissão."
(Laelso Rodrigues, Grão-Mestre Geral do Grande Oriente do Brasil)






Brasil, 2007 e Uruguai, 2007
(emissão conjunta)

Selo comemorativo:

1807-2007 - Bicentenário de Nascimento do Maçom Giuseppe Garibaldi

O primeiro selo mostra Giuseppe Garibaldi a cavalo, levando a bandeira dos revolucionários gaúchos, simbolizando a importância de seu papel na Revolução Farroupilha. O símbolo da maçonaria com o Esquadro e Compasso aparece no canto superior direito.Desenho feito por Márcia Mattos (Brasil).

O segundo selo apresenta à direita, o rosto de Giuseppe Garibaldi nas cores verde e branco e uma linha vermelha, simbolizando as cores da bandeira da República Italiana, em homenagem à Itália pela qual Garibaldi combateu. À esquerda, uma fragata do século XIX, em que tremula a bandeira do Uruguai, lembrando a atuação de Garibaldi como Comandante da Frota na defesa do governo daquele país.Desenho feito por Carlos Menck Freire (Uruguai).

Brasil, 1992
Selo comemorativo emitido em 20/agosto/1992 (Dia do Maçom):

Homenagem ao Grande Oriente do BrasilSímbolo do "Esquadro e Compasso" e maquete do Palácio Maçônico do Grande Oriente do Brasil (Brasília/DF), inaugurado em 04/dezembro/1992. O Grão-Mestre Geral na época era o Irmão Jair Assis Ribeiro.


Desenho feito por Lucia T.V. Ramos
Brasil, 1988
Selo comemorativo:

Sesquicentenário (150 anos) da morte de José Bonifácio de Andrada e Silva

Pintura de José Bonifácio com símbolos do Brasil Império e da Maçonaria.
Descrição do Edital: "O selo mostra a figura de José Bonifácio de Andrada e Silva, O Patriarca da Independência, com elementos que o identificam: o brasão de armas do Brasil independente, envolvido pela cruz da Ordem de Cristo, o martelete e o minério do mestre da mineralogia e, ainda, a faixa, o avental e o emblema maçônico para lembrar o Grão-Mestre de maçonaria. O artista fez o retrato a bico-de-pena e aquarela inspirando-se em uma gravura e uma litografia da época."
Desenho feito pelo quadrinhista, pintor e historiador Ivan Wasth Rodrigues.



Envelope de Primeiro Dia de Circulação (06 de abril de 1988),
com o carimbo comemorativo:


Ilumina teus povos: dá socorro
Pronto e seguro ao índio tosco, ao negro,
Ao pobre desvalido; então riqueza
Teus cofres encherá...
Brasil, 1977
Selo comemorativo emitido em 18/julho/1977:

Cinquentenário de Fundação das Grandes Lojas Brasileiras:- Grande Loja da Bahia nº 1, fundada em 22.05.1927;

- Grande Loja do Rio de Janeiro nº 2, fundada em 24.06.1927;

- Grande Loja do Estado de São Paulo (GLESP) nº 3, fundada em 15.07.1927


O selo mostra símbolos do Esquadro, Compasso e a letra 'G', sobre o mapa do Brasil.Desenho feito por J.P.Guimarães


Envelope de Primeiro Dia de Circulação:

Selo com o símbolo do esquadro e compasso.
Brasil, 1973
Selo comemorativo:

Homenagem ao Grande Oriente do Brasil - 1822/1973

Em 17/junho/1822 foi instalado no Rio de Janeiro o Grande Oriente do Brasil sendo José Bonifácio de Andrada e Silva nomeado o primeiro Grão-Mestre.

Desenho por Maria Carmen Ribeiro e Suzana S. Fonseca

Envelope de Primeiro Dia de Circulação (24 de agosto de 1973):

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

ASSEMBLEIA LEGISLATIVA HOMENAGEIA A LOJA SÃO JOSÉ Nº14 COM UMA PLACA

Reconhecendo a contribuição dada pela Loja São José nº14 à Assembleia Itinerante, a AL homenageou nossa Oficina com uma placa, que será o registro para a posteridade desse tão importante evento realizado em nossas dependências.



quinta-feira, 7 de novembro de 2013

ASSEMBLEIA LEGISLATIVA REALIZA SESSÃO NA LOJA SÃO JOSÉ Nº14

Ontem (06/11) a Loja São José nº14 teve o privilégio de sediar, ao longo do dia, duas sessões da Assembléia Legislativa do Estado do Rio Grande do Norte.
Na primeira, a sessão de abertura da Assembléia Itinerante, que visa levar aos municípios o plenário da AL para que a população possa estar mais perto daqueles que são responsáveis pelas legislação do nosso estado.
Na segunda, audiência pública tendo como tema a saúde pública no município de São José de Mipibu, em especial o Hospital Regional Monsenhor Antônio Barros.
Os OObr.'. de nossa Oficina se sentem honrados em terem colaborado para a realização deste evento que foi tão importante para a nossa cidade. 









terça-feira, 5 de novembro de 2013

ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA SE INSTALARÁ AMANHÃ EM SÃO JOSÉ DEMIPIBU

Todas as atividades da Assembleia Legislativa serão realizadas no município de São José de Mipibú, nos próximos dias 06 e 07. Na quarta-feira, a sessão plenária acontecerá nas dependências da Loja Maçônica São José Nº14, no Centro da cidade. Ao mesmo tempo estarão acontecendo, no Largo da Matriz, os atendimentos da Assembleia Cidadã. No horário da tarde, será realizada uma audiência pública sobre a situação atual do Hospital Regional Monsenhor Antônio Barros. À noite, a população vai aproveitar a Assembleia Cultural, com shows dos artistas Arnaldo Farias e Grupo Vira Samba.
 
Durante a sessão plenária, devem ser votadas as Propostas de Emenda à Constituição (PEC) 001 e 002, que proíbem o uso de marcas e slogans publicitários pelo Governo do Estado e a afixação de quadros com fotos de governantes. De acordo com a proposta 001/2013, o Poder Executivo somente poderá utilizar nas peças de propaganda como marca de governo o brasão do Estado e como slogan, a frase: "Governo do Estado do Rio Grande do Norte".
 
A PEC 002 altera o artigo 26, da Constituição Estadual, nos moldes do artigo 17 da Constituição Federal. A Constituição do RN passa a ter em sua redação o princípio da eficiência, acrescentado aos já expressos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade e publicidade.
 
ASSEMBLEIA CIDADÃ
 
São José de Mipibú faz parte da região metropolitana de Natal e sediará a 18ª edição da Assembleia Cidadã, evento nos dias 6 e 7 deste mês, no Largo da Matriz e na Escola Municipal Professor Severino Bezerra de Melo. Os locais foram escolhidos pela facilidade de acesso por parte da população e por obedecerem a todos os critérios exigidos pelo Corpo de Bombeiros.
A população de São José de Mipibú, estimada em 39.776 habitantes pelo censo 2010, será beneficiada com diversos serviços gratuitos nas áreas de educação, ação social, saúde, lazer e cultura. Nos dois das de evento, o horário de funcionamento é das 08:30 às 11:30 e das 13:30 às 17:30.
 
Nesta edição, a realização dos atendimentos será dividida em dois locais: na estrutura armada pela ALRN, no Largo da Matriz, onde acontecerão as ações de retirada de documentação (identidade, CPF e carteira de trabalho), oficinas de reciclagem, brinquedos populares e biscuit, corte de cabelo, saúde bucal, atividades de recreação e apresentações culturais; e nas instalações da Escola Municipal Professor Severino Bezerra de Melo, que concentrará todos os atendimentos do setor de saúde (clínica geral, pediatria, mastologia, dermatologia, cardiologia e vacinação) e as oficinas de Leitura e Contação de Histórias e Sabonetes Artesanais e Plantas Medicinais.
 
Em 2013, a Assembleia Cidadã esteve nos municípios de Touros, Santo Antônio e Caicó, levando benefícios a mais de 64.000 norte-rio-grandenses. Ao todo, em seis anos de trajetória, o projeto atendeu cerca de 318.000 pessoas, contribuindo com o resgate da cidadania e dos direitos do indivíduo.

Fonte: www.deputadofabiodantas.com.br

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

ELEIÇÕES NA GLERN

Hoje é o dia mais importante do ano para Grande Loja Maçônica do Estado do Rio Grande do Norte.
Logo mais, à noite, serão realizadas as eleições em todas as Lojas jurisdicionadas para a escolha do novo Grão-Mestre, que administrará a GLERN pelos próximos três anos.
Os postulantes Umberto Câmara, Roberto di Sena, Wecsley Dantas e Sam Revoredo aguardarão o resultado que, em caso da não obtenção de mais da metade dos votos, será conhecido apenas após o 2º turno, previamente marcado para a próxima semana.
Aos candidatos desejamos sorte, e seja quem for o eleito, que trabalhe em prol do engrandecimento da Maçonaria potiguar, brasileira, e por que não dizer, Universal.

domingo, 3 de novembro de 2013

BRASILEIRO É OTÁRIO?!

Por Edison Teixeira, Chanc.'.

Apesar deste blog ser dedicado principalmente a assuntos maçônicos, por vezes sentimos a necessidade de abordar temas profanos.
Após tomar conhecimento deste e-mail recebido e publicado pelo colunista Rodrigo Constantino na Revista Veja, senti-me quase que na obrigação de publicá-lo aqui, para que os IIr.'. sintam-se tão revoltados quanto a mim e, quem sabe, num futuro próximo, tomemos providências para extinguir ou, pelo menos, minimizar estes absurdos que acontecem em nosso país.
Segue abaixo o referido e-mail:
Tenho um amigo que é o feliz proprietário de um carro sueco Volvo. Marca excelente, considerado o carro mais seguro do mundo.
Mas como todo o automóvel, eventualmente apresenta algum problema. Neste caso foi uma pequena irregularidade no funcionamento do motor. Como o proprietário é engenheiro e gosta do assunto, dedicou-se a pesquisar pessoalmente o que estava ocorrendo. Constatou-se que um dos bicos injetores dos cinco cilindros estava enviando uma quantidade maior de combustível que os demais, o que ocasionava o funcionamento irregular. Bastaria portanto, substituir o bico avariado. Uma peça do tamanho de um isqueiro BIC. Melhor seria a substituição dos cinco bicos. Segundo cotação realizada na Volvo do Brasil, os bicos, no mercado brasileiro, custavam aproximadamente R$ 700/cada – ou seja, R$ 3.500,00 os cinco. 
Para tirar a dúvida, nosso amigo resolveu consultar o site internacional de compras E-Bay. E lá encontrou os cinco bicos por apenas US$ 260, mais US$ 34 de frete. Uma diferença absurda,  favor do consumidor, onde pagando um, ele levaria os cinco bicos…
Até aqui, nenhuma novidade. Todo o mundo sabe a taxação estratosférica que qualquer produto “importado” para o Brasil paga. A surpresa veio 15 dias depois, quando o produto chegou. Veja a foto. O produto tinha na embalagem a inscrição MADE IN BRAZIL. Fabricado pela BOSCH brasileira.
É aquela política terrível de, como brasileiros, não termos acesso a certos produtos. São apenas “for export”. Ridícula intervenção do Estado na Economia. Num momento em que o país é sacudido de Norte a Sul com o grito de “NÃO AGUENTO MAIS!” , trago mais este ingrediente a pauta de cretinices a que os brasileiros são submetidos diariamente. 
Em plena era da globalização somos uma ilha de explorados economicamente como se tivéssemos os portos (ou os olhos) fechados a produtos das “nações amigas”, como se dizia muito antigamente. E o pior, é que o produto é fabricado aqui, mas não está à disposição dos nativos, nós. Isso é coisa de governos de países TOTALITÁRIOSEsta é mais uma entre as várias formas pelas quais somos roubados pelo governo. Uma vergonha!

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

VISITA FRATERNAL

Na última terça-feira (29/10) recebemos em nossa Loja a visita dos IIr.'. Wecsley Dantas, Raimundo Ponte e Antônio Soares, que abrilhantaram a Sessão com a habitual demonstração de cultura maçônica e fraternidade.
Os dois primeiros, candidatos a Grão-Mestre e Grão-Mestre Adjunto respectivamente, vieram expor suas propostas e plano de metas para a próxima gestão da GLERN, em caso de êxito no pleito.



quarta-feira, 30 de outubro de 2013

ORAÇÃO AOS PRESTONIANOS

Por Kennyo Ismail

Meus Irmãos, devo lhes contar uma história. Uma história que não deveria ser contada. Uma história que, na verdade, não deveria ter acontecido. Ao ousar contar essa história, faço pelo mesmo objetivo da livre busca da verdade que motiva vocês, meus prezados Irmãos, a lerem estas palavras. Faço por acreditar na evolução da organização maçônica assim como na dos homens. Faço por não temer que palavras sejam escritas em vão. 
Não, meus Irmãos. Não é uma ficção. Gostaria que fosse. Nem tampouco é um exagero. Melhor seria. Tirar-me-ei o desejo de desabafar, próprio do escritor sozinho em silêncio, observando o compromisso solene da verdade, e nada mais que a verdade. E assim, que cada um de vocês, meus legítimos Irmãos, tão legítimos quanto aquele que nasceu do mesmo ventre que eu, possam compreender a verdadeira dimensão dos fatos que estou prestes a expor. 
Ah, quão bom seria se eu pudesse desabafar. Seria o desabafo de um maçom. De um maçom que ama a fraternidade. Que sente orgulho da Maçonaria, sua história e seus feitos. De um daqueles que respira Maçonaria com o peito inflado pela boa honra. Afinal, não é preciso elencar os momentos importantes de nosso país e do mundo dos quais nossa Ordem foi a responsável ou uma importante colaboradora. Sim, somos um belo sistema de moral. Sim, somos o berço da democracia moderna. E sim, colaboramos para a independência de nossos países. Honrar essa história é tão meu dever como honrar a de minha família, de meus ancestrais. Amo a Maçonaria como um filho ama sua mãe, como um soldado ama sua pátria. E é meu dever cuidar da Mãe Maçonaria como um filho adulto deve cuidar daquela mãe senhora que tanto o ensinou. 
Entretanto, se eu fizesse um desabafo, provavelmente cometeria o erro de derramar nele minhas percepções, meus valores, minhas opiniões. E isso carregaria o cenário onde os fatos estarão expostos de uma espessa bruma de mim mesmo, dificultando assim a mais clara, nítida, límpida visão dos mesmos. Assim, me aterei aos fatos, desejando que cada palavra que eu escolher sirva como um raio de sol a iluminá-los. 
A história que devo contar é a história de um maçom, de um de nós. Um irmão que ingressou jovem na instituição, entre seus 21 e 22 anos de idade, e que, com o passar do tempo, optou por seguir a vocação de professor. Inteligente e estudioso, esse irmão começou a realizar extensos e profundos estudos sobre a Maçonaria, inclusive trocando correspondências com irmãos de dentro e de fora do país. Com apenas 30 anos de idade, seus textos e palestras já eram largamente comentados nas Lojas. E a organização daquele conhecimento maçônico acabou gerando um livro, que foi muito bem aceito pela comunidade maçônica. 
Durante seus estudos, o Irmão pôde observar, entre outras coisas, que alguns maçons, tendo pouco conhecimento maçônico, têm total aversão àquilo que desconhecem e que, por desconhecerem, acreditam ser inovações. Outros, um pouco melhor informados, acabam por apresentar uma espécie de “ciúmes de preeminência”, ou seja, por serem mais antigos de Ordem, detentores de grau mais elevado ou algo parecido, se incomodam com o reconhecimento dado a outrem que, aos olhos deles, é inferior. 
Obstinado, o referido Irmão, idealizador de uma Maçonaria jovem e dedicada ao estudo, tratou de implementar essa ideia em sua Loja. Em pouco tempo, a Loja estava repleta de jovens promissores, com uma ritualística invejável e sempre palco de interessantes palestras e debates. Porém, essa mudança de paradigma, mesmo que em uma Loja somente, gerou grande descontentamento por parte dos maçons mais conservadores. 
Contando com uma pequena coleção de opositores, o protagonista desta história não se intimidou, dando prosseguimento em seus trabalhos em prol da Sublime Ordem. Mas mal sabia ele que um dos que mais se incomodava com sua jornada maçônica era ninguém menos do que seu próprio Grão Mestre. Homem vaidoso e pouco conhecedor dos ensinamentos maçônicos, seu Grão Mestre se irritava mais a cada viagem que fazia, tomando, dia após dia, ciência da relevância e da fama que aquele jovem maçom havia construído, sem cargos ou títulos. Além disso, o Grão Mestre nutria certa mágoa com nosso protagonista, por este não ter ajudado seu grupo na última disputa política que havia enfrentado. 
Conforme a inveja e a mágoa profanas foram consumindo o Grão Mestre, tornava-se crescente seu desejo de frear os avanços maçônicos de nosso protagonista. Até que, num belo dia, o Grão Mestre encontrou o que procurava. Um Irmão foi até ele para contar um pequeno ocorrido envolvendo nosso protagonista que, aos olhos daquele inconfidente, tratava-se de atitude cabível de discussão e, quem sabe, até mesmo punição. 
Era exatamente o que o Grão Mestre queria e precisava. Já com tudo tramado e arquitetado em sua mente pouco maçônica, ele conseguiu distorcer o incidente de tal forma a ponto de interpretá-lo como uma infração gravíssima, perseguindo e promovendo uma campanha difamatória contra nosso Irmão e gerando constrangimentos e transtornos a ele e a toda sua Loja. Para conseguir o que almejava, a manipulação da questão pelo Grão Mestre foi tamanha, que foi como transformar meia dúzia de passos discretos em uma procissão em praça pública. 
Não faltavam Irmãos de outras Lojas que procuravam nosso protagonista para consolá-lo com palavras de apoio, todos se dizendo revoltados com o abuso de autoridade e energia investida pelo Grão Mestre nesse caso em particular. Porém, o repúdio só não era maior do que o medo que tinham das represálias daquele governante com luvas de ferro. 
Mesmo grato pelas demonstrações de apreço de tantos Irmãos, nosso Irmão se entristecia a cada contato, a cada visita. Provavelmente, ele compartilhava do mesmo sentimento e opinião que dominaram Martin Luther King Jr., quando este registrou que “nossas vidas começam a acabar no dia em que nos calamos sobre as coisas que importam” e “no final, nós nos lembraremos não das palavras de nossos inimigos, mas do silêncio de nossos amigos”. 
Seguindo em frente, nosso Irmão protagonista enfrentou a acusação, ladeado por fiéis irmãos de sua Loja. Encarou o processo de cabeça erguida, defendendo-se como se estivesse num processo justo, mesmo sabendo que se tratava de uma tocaia cuidadosamente preparada pelo Grão Mestre para que ele não escapasse. E, logicamente, não escapou. 
Entretanto, o tempo é o senhor da razão. Em dez anos, lá estará nosso protagonista, pesquisando, escrevendo, pois o lobo pode perder seus dentes, mas nunca sua natureza. Já o Grão Mestre, ah, esse nem sequer seu nome será lembrado. 
Essa é a história da vida maçônica de William Preston, nascido em 1742, iniciado em 1763, que teve seu livro, “Illustrations of Masonry”, publicado em 1772, e respondeu a um processo disciplinar maçônico em 1777. Um dos personagens mais notáveis e respeitados na história da Maçonaria em todo o mundo, cuja obra influenciou quase todos os rituais maçônicos praticados atualmente. Foi também de Preston que partiu a iniciativa das Lojas saírem das tavernas e construírem espaços próprios. 
É como diz o velho adágio: “um povo que não conhece sua história está condenado a repeti-la”. Dedico essa história a todos os Irmãos “prestonianos”.

sábado, 26 de outubro de 2013

MAÇONARIA E JUDAÍSMO (PARTE II)

por el M:.R:.H:. Guilherme Oak

Existem traços comuns entre os rituais, símbolos e palavras maçônicos e judaicos. Um dos landmarques judaicos é a crença num Deus que criou tudo na nossa exis-tência e que nos deu uma Lei para ser seguida, incluindo, ipso facto, os preceitos morais de relacionamento humano. A crença em Deus, a prece, a imortalidade da alma, a caridade, o agir respeitosamente entre os seus semelhantes fazem parte integrante do ideário maçônico - pelo menos da maçonaria teísta - como também do judaísmo, e por que não dizer de todas as grandes religiões do mundo (o budismo seria um caso à parte).
O judaísmo ensina que a Lei de Deus está contida na Torah (), a parte principal da bíblia judaica que contem os 5 primeiros livros de toda a Bíblia, como visto anteriormente, ou seja o Pentateuco dos cristãos. A tradição judaica ensina que a Torah é a eterna lei dada por Deus e é completa, nunca será mudada até mesmo por Deus e, obviamente, nunca poderá ser alterada por qualquer mortal. Já aqui surge naturalmente uma comparação com os landmarques maçônicos que preceituam não estar no poder de qualquer homem-maçom ou corpo maçônico fazer inovações na estrutura básica da maçonaria. Nos tempos modernos, ambas assertivas podem cheirar politicamente incorretas, apresentando um odor dogmático que repulsa as mentes liberais e tolerantes no limiar do terceiro milênio, mas convém salientar que isto se refere aos fundamentos que deverão permanecer intocados. Tanto que um dos livros clássicos de Pike se intitula Moral e Dogma. Assim maçonaria e judaísmo, tais como os padrões éticos das outras grandes religiões, ensinam que devemos nos auto-disciplinar e manter nossas paixões em constante guarda. O disciplinamento ritualístico, seja nas sinagogas seja nas lojas maçônicas, auxilia a desenvolver esta habilidade.
            Outra similitude poderá, também, ser encontrada na cerimônia da circuncisão e do Bar Mitzvah (). Logo após o nascimento de todo judeu homem, ele é circuncidado pelo rabino, ou seja é feito o corte no prepúcio do pênis do bebê, numa cerimônia familiar como um sinal ancestral de aliança entre Deus e patriarca Abraão. Treze anos depois, já adolescente, o mesmo judeu macho participa do Bar Mitzvah que consiste em aprender a recitar preces e passagens bíblicas em hebraico e a participar em rituais judaicos quando, enfim, adquire todos os direitos e deveres do homem judeu. Todos os maçons já fizeram, aqui, a comparação com a iniciação maçônica do profano e a exaltação ao grau de mestre quando se adquire a plenitude maçônica...
            No tocante à liberdade individual, maçonaria e judaísmo emulam para ver quem apresenta maior performance de respeito e apoio. Tal fato, contudo, não é exclusivo dos dois, pois o cristianismo apresenta, também, considerações profundas sobre o livre arbítrio, mas não é o caso de ser aqui discutido. O judaísmo ensina que todo ser humano é capaz do bem e do mal e tenta ajudar o fiel a usar o livre arbítrio para escolher o caminho eticamente correto. A maçonaria ensina que aqueles que são moralmente capazes podem encontrar a “luz” na maçonaria se eles desejarem isto por suas próprias vontades livres. Os maçons franceses, principalmente os do Grande Oriente de França, chegaram ao ponto de colocar como um dos seus lemas a liberdade absoluta de pensamento. O conceito de exercitar a vontade livre para aceitar a lei e a reparação pelas transgressões passadas é o que preconiza o Rosh Hashanah (  ) e o Yom Kippur ( ). Os judeus acreditam que dez dias no início do novo ano judeu devem ser usados para reparar os pecados passados e buscar a resolução firme de evitar o pecado no futuro. De modo análogo, a maçonaria ensina que todo homem deve lutar para crescer moralmente e livrar-se de todo preconceito. Não é atoa que a disputa entre a maçonaria francesa e a inglesa se dá entre a liberdade absoluta de pensamento, preconizada pelos franceses, contra o teísmo inglês que forçou a própria reformulação da Constituição de Anderson, quinze anos após a sua promulgação.
            A luz é um importante símbolo tanto no judaísmo como na maçonaria. “Pois o preceito é uma lâmpada, e a instrução é uma luz”, Prov. 6, 23. Um dos grandes feriados judaicos é o Chanukah (), ou seja o Festival das Luzes, comemorando a vitória do povo de Israel sobre aqueles que tinham feito a prática da religião um crime punível pela morte ali pelo ano 165 a. E. V. (Os judeus substituem o antes de Cristo e o depois de Cristo pelo antes e depois da Era Vulgar). A luz é um dos mais densos símbolos na maçonaria, pois representa (para os maçons de linha inglesa) o espírito divino, a liberdade religiosa, designando (para os maçons de linha francesa) a ilustração, o esclarecimento, o que esclarece o espírito, a claridade intelectual. A Luz, para o maçom, não é a material, mas a do intelecto, da razão, é a meta máxima do iniciado maçom, que, vindo das trevas do Ocidente, caminha em direção ao Oriente, onde reina o Sol. Castellani diz que graças a essa busca da Verdade, do Conhecimento e da Razão é que os maçons autodenominam-se Filhos da Luz; e talvez não tenha sido por acaso que a Maçonaria, em sua forma atual, a dos Aceitos, nasceu no “Século das Luzes”, o século XVIII.
            Outro símbolo compartilhado é o tão decantado Templo de Salomão. Figura como uma parte central na religião judaica, não só, por ser o rei Salomão uma das maiores figuras do panteão de Israel, como o Templo representar o zênite da religião judaica. Na maçonaria, juntou-se a figura de Salomão, à da construção do Templo, pois os maçons são, simbolicamente, antes de tudo, construtores, pedreiros, geómetras e arquitetos. Os rituais maçônicos estão prenhes de lendas sobre a construção do Templo de Salomão. Para os maçons existem três Salomões: o Salomão maçônico, o bíblico e o histórico.
            Outro traço cultural comum seria a obediência para com a autoridade. Max Weber propôs três tipos de autoridade: a tradicional, a carismática e a racional-legal. A primeira adstrita às sociedades antigas, a segunda referente aos surtos de carisma que a humanidade vive de tempos em tempos e a terceira, apanágio da modernidade. A tradição judaica ensina uma obediência respeitosa para com os pais e os rabinos. A maçonaria ensina, desde a Constituição de Anderson de 1723, o respeito para com a autoridade legitimamente constituída. (Este preceito é cristalino na maçonaria de cunho anglo-saxão, já os latinos, no embate contra o trono e a cruz...).
            Como último aspecto comum, tem-se os esforços positivos na maçonaria e no judaísmo para encorajar o aprendizado. A cultura judaica tem uma larga tradição de impulsionar o maior número de judeus a se notabilizar pelo conhecimento nas artes, na literatura, na ciência, na tecnologia, nas profissões em geral. Durante séculos, os judeus tem se destacado nos diversos campos do conhecimento humano e o seu empenho em melhorar suas escolas e seus centros de ensino demonstram cabalmente isto. Digo de notar-se é que as famosas escolas talmúdicas - as yeshivas - vem do verbo lashevet , ou seja sentar-se. Deste modo para aprender é necessário sentar-se nos bancos escolares. Assim também na maçonaria, nota-se uma preocupação constante, cada vez maior, com o desenvolvimento intelectual dos seus epígonos, no fundo, não só como um meio de melhorar a sua escola de fraternidade e civismo como também para perpetuar os seus ideais e permanecer como uma das mais ricas tradições do mundo moderno.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

MAÇONARIA E JUDAÍSMO (PARTE I)

por el M:.R:.H:. Guilherme Oak

A tradição judaica não é dominada por muitos escritores maçônicos que, por isto mesmo, cometem muitos pecados de interpretação no tocante a sua influência na maçonaria. Antes de apontar a influência judaica na maçonaria seria interessante fixar alguns traços da cultura judaica, comumente desprezados, para não se incorrer em erros lamentáveis. Veja-se, por exemplo, as colunas do Templo de Salomão que estão citadas em Reis I, 7, 21: “Ergueu as colunas diante do pórtico do santuário; ergueu a coluna do lado direito, à qual deu o nome de Jaquin; ergueu a coluna da esquerda e chamou-a Boaz”. Quando se pergunta a um professor de hebraico o que significa BOAZ , ele discorrerá sobre o significado e a tradução desta palavra. Se perguntarmos, ao mesmo professor, o que significa BOOZ, muito empregada pelos maçons franceses e repetida pelos brasileiros e que é uma corrupção de BOAZ, ele não saberá, obviamente, o significado da palavra, pois ela não tem nada a ver com o hebraico. Quanta discussão inútil se evitaria se se pudesse resolver a questão filologicamente.
            Os caracteres da escrita hebraica não possuem vogais. Normalmente são substituídos por sinais (massoréticos) que agem como vogais. Assim se um judeu religioso escrevesse o nome de Deus em hebraico no alfabeto ocidental soaria algo como: D--s ou N-ss-  S-nh-r, tomando todo o cuidado para não tomar o santo nome em vão. Os judeus pronunciam o nome de Deus de várias maneiras: El, Eloim, El Shadai, Adonai, etc. Contudo, o nome inefável de Deus [desnecessário dizer que o hebraico se lê da direita para a esquerda] raríssimamente é grafado (quando o é, normalmente para uso em pesquisa etimológica sobre a origem do Nome) ou pronunciado (sendo nestas pouquíssimas vezes, não é propriamente pronunciando e sim soletrado com as letras hebraicas: iod, hei, vav e hei). Em inglês, o nome inefável é transliterado como YHVH (Javé em Português como se verá a seguir). Os estudiosos cristãos ensinam que os judeus adoram Deus com um nome relacionado com a letra W. Tal fato se deve a dominação que os alemães exerceram no campo teológico nos últimos duzentos anos. O W em alemão é pronunciando como o V em português e inglês e o vav em hebraico. Os alemães também grafam como J onde encontram o iod hebreu ou o Y em inglês (tal letra inexiste no alfabeto português) quando ele ocorre. Assim YHVH apareceria como JHWH. A Bíblia de Jerusalém grafa como Javé e/ou Iahweh.
            A tradição judaica afirma que a atual pronúncia do Nome é um segredo para sempre perdido desde a destruição do Templo e é considerado impróprio tentar pronunciar o Nome. Quando o Nome ocorre em caracteres hebraicos deve ser usada uma palavra substituta, ou seja Adonai.
            Outro traço importante na cultura religiosa hebraica é o termo Bíblia. Claro que Bíblia é o têrmo português para a palavra hebraica Tanach . Tanach ou Tanack é um acrônimo construído pelas três seções da Bíblia: a Torah , ou seja a Lei, o Nevi’im , ou seja os Profetas e o Kesuvim ou Ketuvim , ou seja os Escritos ou os Hagiógrafos. Na versão moderna, constituem os 39 livros (considerando-se Samuel I e II e Reis I e II como livros separados) da Escritura Hebraica que, obviamente, os judeus não chamam de Velho Testamento. Aquilo que os cristãos chamam de Velho Testamento e Novo Testamento, os judeus chamam de Escritura Hebraica e Escritura Cristã. O cânon hebraico difere do cânon cristão por desconsiderar os livros escritos em grego e os suplementos gregos de Ester e Daniel. Para uma breve recordação, o cânon hebraico lista os seguintes livros:
·      Pentateuco: 1- Gênesis, 2- Êxodo, 3- Levítico, 4- Números, 5- Deuteronômio;
·      Profetas: [anteriores] 6- Josué, 7- Juízes, 8- Samuel (I e II), 9- Reis (I e II), [posteriores]10- Isaías, 11- Jeremias, 12- Ezequiel, 13- ‘Os Doze’ profetas, na ordem retomada pela Vulgata: Oséias, Joel, Amós, Abdias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias;
·      Hagiógrafos: 14- Salmos, 15- Jó, 16- Provérbios, 17- Rute, 18- Cântico dos Cânticos, 19- Eclesiastes (Coelet), 20- Lamentações, 21-Ester, 22- Daniel, 23- Esdras, 24- Neemias e 25- Crônicas. 
            Aqui surge uma questão que agora poder ser respondida com maior conhecimento de causa. Quando um candidato maçônico judeu presta um juramento, a Torah deve ser posta no altar como Livro da Lei? Não. A Torah é somente uma parte da Bíblia judaica. Colocar a Torah no altar seria o equivalente para os cristãos de se colocar somente os quatro Evangelhos no altar, sem as Epístolas, o Apocalipse, etc. O Livro dos Profetas e os Hagiográfos assumem um importante papel na adoração judaica e no entendimento da lei judaica. A Torah é a mais importante seção da Bíblia, e é particularmente venerada, mas não é toda a Escritura.
            Seria, então, o caso de se colocar o Talmud no altar para os candidatos judeus? Aqui, convém, esclarecer que o Talmud é um livro de interpretação legal. O Talmud também ensina uma grande parte sobre o pensamento judeu e a crença religiosa, mas ele não é a Sagrada Escritura. As obras de Santo Agostinho e de São Tomás de Aquino desempenham o mesmo papel numa relação similar com a Bíblia dos cristãos, contudo, também não são as Escrituras.
            Surge agora uma outra pergunta. Os judeus usam chapéu em Loja? Aqui convém distinguir entre o chapéu propriamente dito e quipá (kipah), uma espécie de solidéu. O solidéu (solis Deo = só a Deus) designa o pequeno barrete, geralmente feito de fazenda mole e flexível, a qual se ajusta à cabeça, com que os padres cobrem a coroa ou pouco mais e que deve ser tirado ante o sacrário. A cobertura da cabeça é preconizada em diversos ritos maçônicos (apesar da prática não ser uniforme) para os Mestres em qualquer Sessão, ou para todos os Obreiros, ou apenas para os Mestres em Sessão do terceiro grau. Geralmente tal cobertura é necessária e feita com o chapéu negro desabado, podendo-se todavia, utilizar o solidéu (que é o quipá hebraico) em Sessões do terceiro grau ou de Pompas Fúnebres. O judaísmo adota a prática oriental de cobrir a cabeça durante as orações como um sinal de respeito, enquanto nos países ocidentais, a prática é totalmente ao contrário: descobre-se a cabeça exatamente pela mesma razão. Algumas Obediências Maçônicas decidiram que o quipá (iarmulque [yarmulke], barrete, tiara, etc.) não é um chapéu no sentido maçônico, mas um elemento do vestuário. O R\E\E\A\adota a opinião que o barrete do rito não deve ser removido, por exemplo, durante a saudação da bandeira. Deve ser considerado, também em maçonaria, o barrete frígio, que era um pequeno boné de feltro, de forma cônica e com um pequeno rebordo, com o qual, na Antigüidade, o senhor cobria a cabeça do escravo na cerimônia de libertação e que era tomado como emblema de liberdade; graças a isso, ele é, em alguns ritos, um símbolo maçônico, já que a maçonaria sempre foi libertária.

            Uma última distinção deve ser feita sobre o diferente uso do conceito fariseu entre cristãos e judeus. O judaísmo moderno é farisaico no seu temperamento, mas os judeus não usam a palavra como um sinônimo de “hipócrita”. É provável que este último significado adveio de um conflito entre aqueles que escolheram seguir Jesus e Paulo e aqueles que permaneceram com o cerne da fé judaica. Naquele tempo, os fariseus dominavam o pensamento e a prática judaica e é melhor denunciar o farisaísmo como um desvio do pensamento judeu do que denunciar os judeus propriamente ditos, desde que os antigos cristãos almejavam converter os judeus. Os fariseus e os saduceus eram os competidores primários no pensamento e na prática religiosa dos judeus, embora houvessem outros grupos, como os essênios, buscando oferecer idéias diferentes. Os saduceus eram o partido da classe sacerdotal e mantinham a posição de que somente a Lei escrita deveria ser seguida à risca. Os fariseus conseguiam fazer uma combinação mais flexível entre a Lei escrita e a oral. Outra importante distinção era que os fariseus afirmavam que uma pessoa não deveria pertencer necessariamente à classe sacerdotal para bem cumprir os mandamentos e adorar a Deus. É esta última diferença que é a mais importante no desenvolvimento do judaísmo na sua forma para os últimos dois mil anos. Alguns autores fazem um símile entre este conflito e o da Reforma protestante, quinze séculos depois.