segunda-feira, 9 de setembro de 2013

A ORIGEM DO PODER DOS CAVALEIROS TEMPLÁRIOS

Os cavaleiros templários foram lendários monges soldados da Idade Média, conhecidos como guerreiros de Deus, vistos como homens sagrados e também como lutadores perversos, devotados à pobreza, porém mais ricos que os reis. Eles alcançaram um poder inigualável em sua época, e algumas lendas sugerem que a fonte deste poder era o Santo Graal, a mais preciosa relíquia de toda a cristandade.

Mesmo assim, justamente quando desfrutavam de seu auge, os templários acabaram sendo destruídos e sua fortuna desapareceu para sempre. Este triste fim foi decretado pela própria Igreja Católica que lhes serviu de berço, pois devido às suas práticas obscuras em relação à doutrina cristã e ao dinheiro, eles foram acusados de múltiplas heresias, e mortos por isso.

Em 18 de março de 1314 d.C., um dos homens mais poderosos de toda a Europa, chamado Jacques de Molay, é executado na fogueira, sob as acusações de adoração ao diabo, sodomia e chantagem envolvendo dinheiro. Jacques de Molay é um dos 69 homens queimados vivos naquele dia sob as ordens do rei Felipe IV da França. Ele é um dos Cavaleiros Templários, uma das irmandades mais misteriosas da história.

Os templários se denominavam os pobres cavaleiros de cristo, mas mesmo assim eles se tornaram uma das organizações mais ricas da Europa. Diziam que a fonte de sua riqueza era uma antiga relíquia, que fora descoberta sob as ruínas de um antigo templo judeu em Jerusalém, e que muitos, mas nem todos, consideram ser o Santo Graal.

A intrigante história dos cavaleiros templários tem início com as Cruzadas, expedições militares encomendadas pela Igreja Católica e abençoadas pelo Papa, com o objetivo de auxiliar os cristãos do oriente e o Império Bizantino a reabrir os caminhos de acesso às regiões sagradas ao redor de Jerusalém, as quais tinham sido fechadas pelos muçulmanos.

No ano 1096 d.C. um exército de cavaleiros europeus marcha ao longo de milhares de quilômetros para uma região denominada Terra Santa. Naquela época, os muçulmanos dominavam o Oriente Médio e uma região que vai da Pérsia à Espanha, atravessando o norte da África, e ofereciam resistência à entrada de cristãos nestas regiões. Então, o Papa Urbano II convoca uma guerra santa para resgatar Jerusalém, a cidade mais sagrada do cristianismo.

Após três anos de viagem, os cavaleiros chegaram ao seu destino, e em algumas semanas conquistaram a cidade em meio a uma carnificina e a um banho de sangue sem precedentes. Para governar o novo reinado que agora se estabelecia em Jerusalém, os cavaleiros escolheram alguém de seu próprio meio, e ano após ano continuam a lutar para manter o seu solo sagrado.

No ano 1118 d.C., eles escolheram o conde de Edessa para ser seu terceiro líder, o qual ficou conhecido como Balduíno II. O novo rei de Jerusalém recebeu então a visita de um cavaleiro cruzado e nobre francês chamado Hugo de Payens, quem idealizou a criação de uma nova ordem militar, cuja finalidade seria proteger os peregrinos que se dirigiam a Jerusalém do ataque de ladrões e de muçulmanos que atacavam os reinos cristãos que haviam sido recentemente criados no Oriente.

Estava fundada a Ordem dos Templários, que de um grupo de nove cavaleiros se transformaria em pouco tempo em um exército de milhares. Eles se denominavam a Ordem dos Pobres Cavaleiros do Templo de Salomão, mas logo eles ficaram conhecidos como os Cavaleiros Templários, guerreiros e monges que faziam votos de pobreza, obediência e celibato.

Com o passar do tempo eles foram adquirindo uma aura mística de poder. Além de suas habilidades em batalha e de sua dedicação mística monástica, o mito do imenso poder desta ordem foi reforçado pela própria sede dos Cavaleiros Templários, que consistia em uma parte de um antigo templo judeu onde outrora já estivera a Arca da Aliança, e onde o próprio Jesus havia entregado seus ensinamentos.

Foi neste lugar sagrado que os templários encontraram aquilo que pode ter moldado definitivamente o seu destino. Segundo as lendas, por baixo do antigo templo, os cavaleiros fizeram uma das mais notáveis descobertas de todos os tempos. De posse de um antigo pergaminho que fornecia a localização de antigos tesouros judeus, eles passaram nove anos cavando túneis até encontrarem, entre tantas outras coisas, o Santo Graal.

Na Idade Média, o Graal é tema de incontáveis lendas e canções, figurando como a taça que Jesus utilizou na última ceia com seus apóstolos, o evento que inaugura o principal dos sacramentos do Cristianismo. Além disso, o Santo Graal teria sido o recipiente em que foi recolhido seu sangue quando Cristo foi ferido com a Lança de Longinus.

Contudo, existem também especulações de que os templários teriam encontrado um livro com um registro dos descendentes de Jesus em seu suposto matrimônio com Maria Madalena. De acordo com esta teoria, a palavra Santo Graal seria na verdade uma expressão levemente alterada, que em sua origem significaria Sangue Real, numa referência aos filhos de Jesus.

Para muitos, a teoria do Sangue Real como a fonte de poder dos Cavaleiros Templários faz mais sentido do que a de uma relíquia. Provar que Jesus casou e teve filhos balançaria os fundamentos do cristianismo e ameaçaria toda a estrutura de poder da Europa medieval. Certamente, a Igreja pagaria qualquer preço para suprimir esta informação.

Curiosamente, Hugo de Payens deixa a Terra Santa para ir ao Concílio de Troyes, na França. Ninguém sabe o que foi discutido lá, mas o Papa Honório II dá aos templários a sua bênção, e seu sucessor, o Papa Inocêncio, confere aos cavaleiros poderes sem precedentes, como a imunidade das leis, regulamentações e taxas de cada nação, fazendo da ordem uma poderosa força autônoma.

Por outro lado, historiadores consideram que o poder dos Templários era o resultado de suas boas relações e de sua influência financeira. Registros apontam que os templários administravam grandes quantidades de recursos de maneira bastante eficiente. Mais que isso, eles teriam se tornado hábeis em emprestar dinheiro à juros, o que na época era considerado simonia e usura.

Há quem credite aos templários a invenção do cheque e das linhas de crédito. No final de 1200 d. C. os templários já são uma das mais ricas e poderosas organizações europeias. Contudo, mais para o final do século, o ideal das Cruzadas perde força na Europa, e os templários já não são mais tão bem vistos como antes. Além disso, o rei da França estava praticamente falido, e seu principal credor era justamente a Ordem dos Templários.

O destino da ordem havia sido colocado nas mãos do nobre francês Jacques de Molay, que buscou reerguer o espírito das Cruzadas, mas tudo foi em vão. Os templários foram presos, torturados e condenados à fogueira. As acusações eram múltiplas e bizarras, nem todas elas relacionadas à especulação financeira, mas à adoração do demônio na forma da figura esotérica conhecida como Baphomet.

Com tantas torturas e em meio a tantas acusações sem sentido, mescladas com informações esparsas sobre o gnosticismo praticado pelos Templários, até hoje não se tem certeza sobre qual a verdadeira fonte de poder desta ordem. Os historiadores se atêm às teorias políticas e econômicas, as quais não precisam ser necessariamente falsas para que a versão mística do seu poder seja considerada.

São muitos os indícios de que os Templários tiveram contato com algo secreto e grande valor, o que acabou sendo representado como o Santo Graal, seja como elementos da última ceia ou registro de descendência do matrimônio entre Jesus e Maria Madalena. Para os gnósticos, os templários teriam descoberto o segredo da união com Deus através do conhecimento, desafiando assim o dogma da fé católica e figurando como uma ameaça à estrutura medieval de poder da Igreja e do estado francês.
 
Fonte: www.sgi.org.br

domingo, 8 de setembro de 2013

ONDE ESTÁ A CABEÇA DE JOÃO BATISTA?

Em diversas partes do mundo, no interior de templos suntuosos e ricamente adornados, lugares santos são reservados para abrigar os restos mortais de um corpo que se acredita ser de João Batista. Estes fragmentos vêm sendo cultuados por séculos. Muito longe dos civilizados centros europeus, em um deserto habitado em sua maioria por nômades, aconteceu uma descoberta que pode mudar a história.
Um monastério remoto de uma igreja copta contém uma ligação bastante misteriosa com João Batista. Seus monges ainda realizam antigas cerimônias praticadas nos tempos de São João. Em seu interior existe a cripta subterrânea onde algo espantoso foi achado enterrado, e os monges isolados deste local acreditam ter encontrado os ossos de João Batista.
Para os católicos, a cabeça mumificada de João Batista pode ser encontrada na Igreja de San Silvestro in Capite, localizada em Roma, na Itália. Na tradição católica, todo altar deve conter uma relíquia, a qual possui um significado específico.
Uma relíquia pode ser a parte do corpo de um santo, desde o mais pequenino pedaço de osso, gotas de sangue, pedaços de vestimentas, membros ou até mesmo um corpo inteiro. As relíquias sempre desempenharam uma função muito importante em diversas tradições religiosas. No catolicismo, antes que uma pessoa possa ser declarada santa, funcionários especiais da Igreja devem determinar se estas relíquias deram origem ou inspiraram algum milagre.
Apesar de ser algo muito impressionante entrar em uma das inúmeras Igrejas europeias e ver a cabeça, os braços ou as pernas de um santo, é comum que as pessoas se esqueçam que os ensinamentos do Cristianismo afirmam que em si mesmo o corpo não possui qualquer importância depois da morte, já que do pó viemos e ao pó voltaremos.
Para um cristão tradicional, as relíquias em si mesmas não possuem valor algum. De acordo com os ensinamentos da Igreja Católica, os pedaços de ossos, os pedaços de carne ou os pedaços de vestimentas não devem ser venerados, mas devem servir como recordação da santidade, da dedicação e da fé destes grandes personagens.
Em essência, as relíquias servem para lembrar os cristãos dos bons exemplos de seus antepassados. Por este motivo existem, por toda a Europa, catedrais magníficas que foram construídas para abrigar estes restos sagrados. Em especial, os restos de São João Batista, um personagem misterioso enquanto vivo, mas que se converteu em um enigma ainda maior após a sua sangrenta execução.
Existem menções de que Jesus e João eram primos. De acordo com o Novo Testamento, existe um paralelo fascinante entre os seus nascimentos. Maria, jovem e virgem, foi informada por um anjo que ela teria um filho, o qual seria chamado Jesus. Isabel, a prima de Maria, já velha e infértil, foi informada pelo mesmo anjo que ela teria um filho, o qual seria chamado João. Além disso, os cristãos consideram que João foi o último profeta da antiga ordem, enquanto Jesus seria o primeiro da nova.
Contam as tradições que quando ainda era muito jovem, João decidiu viver como um eremita, vestido como o antigo profeta Elias, com trajes feitos de pele de animais. Filho de um alto sacerdote da Judeia, João poderia ter desfrutado de uma vida cheia de prosperidade e prestígio. Ele se alimentava de gafanhotos, uma ótima fonte de proteínas que não transmite doenças nem carrega parasitas. Sua sobremesa era mel selvagem.
Não demorou para que uma série de rumores se espalhassem sobre este homem estranho e selvagem. As pessoas perguntavam à João se ele seria o profeta Elias, que tinha prometido retornar do mundo dos mortos, e se ele seria o Messias. João respondia que era apenas uma voz que gritava no deserto, preparando o caminho para o Senhor.
Os manuscritos do mar Morto sugerem que João teria sido membro do grupo espiritual conhecido como os Essênios, e que teria se retirado ao deserto para proclamar a vinda do reino de Deus. Outras narrativas afirmam que João buscou o isolamento no deserto após ter rejeitado as súplicas de amor de Salomé.
João começou a pregar a chegada do fim dos tempos, pois esperava que a profecia de Isaías se cumpriria, quando todos os vales se ergueriam e todas as montanhas se aplanariam. Ele realizava a imersão cerimonial na água como sinal de arrependimento e purificação, um ritual que acabou sendo conhecido tempos mais tarde como Batismo. Por isso, ele foi chamado de João Batista.
Entre os milhares que acabaram rumando até as águas do rio Jordão, um deles era seu primo, um marceneiro desconhecido chamado Jesus. João o reconheceu como o Messias das profecias bíblicas, e pode-se dizer que com o batismo de Jesus por seu primo nas águas do rio Jordão, a religião cristã teve seu início.
Alguns meses depois, João passou a denunciar o rei Herodes de ter raptado sua cunhada Herodíades e passado a viver com ela como esposo. Por este motivo, ele foi preso e levado ante a presença do rei. Surpreendentemente, o rei Herodes passou a ouvir as mensagens de João. Contudo, a rainha Herodíades não tinha intenção de perder sua influência sobre o rei para algum profeta do deserto. Usando sua filha Salomé, a rainha enganou Herodes e o fez prometer à filha qualquer coisa. E ela pediu a cabeça de João Batista em uma bandeja de prata.
Segundo os ensinamentos do Cristianismo hoje espalhados por todo o mundo, João foi reverenciado como o primeiro mártir cristão. Uma busca por seus restos foi iniciada ainda nos primeiros séculos da nova era, e podem ter terminado apenas recentemente, em um remoto monastério egípcio, conhecido como monastério de São Macário.
O deserto do Saara, onde fica o monastério, já foi chamado de “a terra sem tempo”, pois para aqueles que nele vivem o primeiro século da era cristã pode ser considerado como sendo ontem. Por milênios, o oásis onde se encontra este monastério tem sido um ponto de encontro de homens sagrados.
Ali, os monges de tradição cristã copta ortodoxa ainda seguem os ensinamentos entregues por João Batista. Ao menos uma vez em suas vidas, estes monges devem rumar ao deserto em peregrinação solitária. O novo eremita deverá ficar a partir de então sem ver pessoas por diversos anos. Por mais estranho que este tipo de vida possa parecer, os monges afirmam que esta prática confere uma sensação poderosa de liberdade sem limites.
Uma das lendas que cerca o monastério afirma que a ossada de João Batista teria sido trazida até este monastério e escondida em algum lugar sob o solo. Contudo, até o século passado, ninguém havia tentado encontrá-la. Muitas fontes históricas independentes sustentavam que os restos mortais de João Batista tinham sido contrabandeadas para fora da terra santa para Alexandria, onde por algum tempo ficaram à salvo da destruição e da profanação.
Algumas referências afirmavam que no século X estes restos foram trazidos até o monastério de São Macário, mas nunca foi encontrada a especificação de um lugar onde eles pudessem ser achados. Os monges poderiam estar caminhando dia após dia sobre os restos de São João, e por isso uma escavação foi conduzida, até que uma estranha ossada foi encontrada. Para os monges de São Macário, esta é a ossada de João Batista.
Com os recursos científicos disponíveis, esta ossada poderia ser examinada e seria possível determinar se ela data da época de João Batista ou não. Contudo, não poderia ser determinado definitivamente se ela seria ou não de João. E na verdade, isso seria muito pouco relevante para o universo das religiões e da fé.
O que realmente importa é o que estes ossos representam como símbolo para os crentes. O monastério de São Macário, assim como qualquer outro lugar sagrado que afirme conter relíquias de João Batista ou qualquer outro santo, é um lugar de peregrinação, de renovação da fé e de identidade com o passado. As pessoas que vão a estes lugares não estão preocupadas se as ossadas são mesmo ou não de João Batista, mas sim o que estas ossadas, sejam de quem sejam, fazem pela sua fé.
Após a descoberta da ossada, o Patriarca Copta fez uma viagem especial até o Cairo para avaliar e estudar a questão. Ele acabou aconselhando os monges para que não anunciassem oficialmente a sua descoberta, ao que eles obedeceram, evitando qualquer publicidade a respeito. Se o monastério de São Macário é realmente o lugar de descanso do profeta do deserto, então um pequeno grupo de monges ocultou este fato da história, mas a repercussão desta descoberta chegará inevitavelmente, mais cedo ou mais tarde, a todas as partes do mundo.

Fonte: www.sgi.org.br

sábado, 7 de setembro de 2013

A INFLUÊNCIA DA MAÇONARIA NA INDEPENDÊNCIA DO BRASIL

A influência decisiva da Maçonaria na Independência do Brasil é um assunto pouco comentado fora dos círculos maçônicos e, apesar da ampla documentação existente a este respeito, é difícil encontrar entre os leigos aqueles que conhecem um mínimo sobre este assunto.
Certamente a Independência foi o produto dos esforços de diversos setores da sociedade que viria a ser a brasileira, mas muitos dos protagonistas deste evento eram maçons ilustres. Entre estes destacados articuladores da Independência, José Bonifácio de Andrada de Silva, Ministro do Reino, é sem dúvida uma figura de grande importância.
O Patriarca da Independência - como ficou conhecido – foi responsável por diversos fatos determinantes. Foi o primeiro Grão Mestre do Grande Oriente, fundada no início de 1822 no Rio de Janeiro, e que reunia as lojas então existentes.
Meses mais tarde, em julho do mesmo ano, influencia diretamente a iniciação do próprio Dom Pedro na maçonaria, e sua imediata elevação ao grau de Mestre Maçom.
No mês seguinte outra figura proeminente, Joaquim Gonçalves Ledo, entra decisivamente em cena. Durante viagem do Grão Mestre José Bonifácio, o Grande Primeiro Vigilante Ledo assume uma reunião extraordinária do Grande Oriente.
Era Ledo quem verdadeiramente refletia o sentimento popular em relação ao tema, assume uma reunião e nesta reunião ele promoveu um discurso enérgico a favor da Independência, colocando imediatamente em votação a proposta, que foi aprovada.
Joaquim Ledo vinha sendo o mais enérgico incentivador da Independência no meio maçônico. Por diversas vezes encaminhou manifestos e exortações a Dom Pedro, ressaltando os pontos positivos da conquista da soberania brasileira. Tanto é assim que o dia 20 de agosto, data da reunião que exigia a Independência, é celebrado como o dia do maçom brasileiro.
A cópia da ata desta reunião memorável seguiu às mãos de Dom Pedro, quem leu seu conteúdo às margens do Ipiranga naquela tarde de 7 de setembro de 1822 e, diretamente influenciado por ela, pela inteligência de José Bonifácio e pelo entusiasmo de Joaquim Ledo, proclamou a Independência do Brasil.

Fonte: www.sgi.org.br

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

AFINAL, O QUE É SER DEMOLAY?

Por Lázaro Chaves

Ser Demolay é ser amante da Sabedoria, da Virtude, da Justiça, da Humanidade.
Ser Demolay é ser amigo dos pobres, dos desgraçados que sofrem, que choram, que têm fome, dos que clamam pelo Direito, pela Justiça e os utilizam como única norma de conduta o bem de todos e seu engrandecimento e o progresso.
Ser Demolay é querer a harmonia das famílias, a concórdia dos povos, a paz do gênero humano.
Ser Demolay é derramar por toda a parte os divinos esplendores da instrução; educar para o bem, a inteligência; conceber os mais belos ideais do Direito, da Moralidade, da Honra e praticá-los.
Ser Demolay é levar para o terreno prático, aquele formosíssimo preceito de todos os lugares e todos os séculos, que diz com infinita ternura aos homens de todas as raças, desde o alto de uma cruz e como os braços abertos ao mundo: “amai-vos uns aos outros, formais uma só família, sede irmãos.”
Ser Demolay é pregar a tolerância; praticar a caridade sem distinção de raças, crenças ou opiniões, é lutar contra a hipocrisia e o fanatismo.
Ser Demolay é viver para a realização da Paz Universal, tendo pelos vivos o mesmo respeito que dedicamos aos nossos mortos.
Se o senhor não reúne estas condições, afaste-se da Ordem Demolay!

Fonte: www.demolaypb.com.br

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

NA ÁFRICA - MAÇONS POR TODOS OS LADOS E MAÇONARIA EM LUGAR ALGUM

Tradução: José Filardo

A primeira loja em terra africana foi criada em Saint Louis du Sénégal em 1781. Com tudo isso, a maçonaria permanece ali um apanágio exclusivo de europeus: foi preciso aguardar até o início do Século XX para que fossem iniciados os primeiros africanos. Muitos entre eles marcarão a história da África, como Blaise Diagne, originário do Senégal que se tornará deputado e sub-secretário de estado das Colônias (1931-1932).
Depois da Segunda Guerra Mundial o movimento não para de seduzir as elites africanas que estudam agora nas universidades francesas. Todos militam pela independência de seu país; desde 1960, uma confraria realmente africana vê a luz do dia, amplamente implantada nos mais altos escalões dos novos Estados. Todo-poderosa, ela suscita, entretanto, temores, quando não uma franca hostilidade. Os motivos? Eles são, por vezes, religiosos – o catolicismo e o Islã sempre se opuseram à implantação de lojas – mas, sobretudo políticos.
Na Costa do Marfim, desde 1963, Félix Houphouët-Boigny as impede e as reprime, acusando-as de fomentar conspirações. Uma paranoia amplamente difundida, que conduz à sua intervenção e perseguição em outros países, tais como o Bénin, Madagascar, Zaïre, Guiné e Mali. Nos anos 70, as perseguições chegam ao fim; a maçonaria africana toma um desenvolvimento quase irresistível.
Para o melhor? Nem sempre! Os apetites de poder são numerosos e as lojas rapidamente se tornam etapas incontornáveis em direção ao topo. Mais ainda, os regimes implantados monopolizam as ferramentas maçônicas. Numerosos presidentes africanos são abertamente maçons e se instalam na chefia das obediências de seus países.
A partir daí os ideais humanistas dão lugar à instrumentalização comercial, à corrupção, à rede Françafrique. É o que faz com que se diga que na África de hoje, os maçons estão em todos os lugares, mas a maçonaria não está em lugar algum…

Fonte: bibliot3ca.wordpress.com

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

MAÇONARIA - A ESSÊNCIA FILOSÓFICA DO PENSAMENTO HUMANO

A Maçonaria buscou sua essência filosófica nas mais diversas escolas do pensamento humano. É possível descobri-la, inclusive, entre os filósofos gregos.
Sua identificação fica mais clara ainda, quase que em sua totalidade, junto às escolas filosóficas modernas: Renascimento, Racionalismo e Iluminismo, cujo grande objetivo era a liberação da consciência humana, pois, além da prática do livre pensamento, a filosofia moderna traz impregnada em sua estrutura um programa que vai desde a valorização da vida natural, passando pela ciência e investigação científica, até o reconhecimento dos valores e direitos individuais.
A Maçonaria é uma instituição universal, fundamentalmente filosófica, trabalhando pelo advento da justiça, da solidariedade e da paz entre os homens. A tarefa essencial da filosofia maçônica é irradiar a luz dos seus princípios e de seus hábitos para melhorar a condição humana. É tradicionalista e às vezes progressista; isto parece um paradoxo, mas não o é. Tradição é conservar o melhor do passado para utilizá-lo em compreender mais o presente e preparar um porvir melhor para o futuro, separando o valioso do que é sem valor nas doutrinas e sistemas que a História conheceu.
A filosofia maçônica deseja que o ser e a existência do homem girem em torno de três valores superiores que a História destacou como as maiores conquistas da humanidade:Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Ela, entretanto, mais que nenhuma outra, pondera que, dentre as três, a mais especial é a Fraternidade, pela transcendência e os benefícios que implica e abarca, tanto na esfera do individual como na do coletivo.
A filosofia maçônica quer defender o homem da ignorância e da incultura; dos temores e das necessidades; da exploração e das injustiças; do fanatismo do dogma e dos tabus, sobretudo da opressão e das tiranias interiores e exteriores de qualquer classe.
Sócrates (469-399 a. C.), um dos maiores filósofos da humanidade, ao examinar o que significa tornar-se humano, tinha por objetivo não mais a ciência ou a natureza, mas o próprio homem. Ele ensinou que pecar é ignorar, e que a purificação da alma passa necessariamente pelo autoconhecimento do homem. Ele introduziu o homem na filosofia e estabeleceu que o melhor instrumento de que este homem dispõe para realizar a missão a que foi destinado é o conhecimento de si mesmo. E este tem sido o objetivo pelo qual, primordialmente, a Maçonaria vem propugnando, ou seja, o CONHECE-TE A TI MESMO. 

Artigo publicado na edição nº 555 (Fev/2011) do Jornal Centro Sul de Irati/PR

domingo, 1 de setembro de 2013

DUQUE DE CAXIAS - MAÇOM E CATÓLICO

A questão da religiosidade de Caxias é das mais curiosas. Curiosa porque ele era maçom, em uma época em que ser maçom era equivalente a ser herege, heterodoxo.
No entanto, diz-nos Vilhena de Moraes que o Duque de Caxias morreu abraçado com o crucifixo. Mais ainda, já declarara em seu testamento: "Sou católico romano, nesta fé tenho vivido e espero morrer". Católico e maçom.
Não apenas maçom curioso, mas participante, sendo elevado a altos graus e chegando a Grão-Mestre de um efêmero Grande Oriente Nacional Brasileiro, conforme nos indica Octaviano Bastos. Ainda mais, até 1871 era atuante nas altas esferas da maçonaria nacional, tendo recebido dois votos para Grão-Mestre naquele ano.
Verdade é que Caxias não era o único católico que também era maçom no Brasil. Outros nomes aparecem nas listas maçônicas do Século XIX, tais quais o Marquês de Olinda, Frei Caneca, Frei José de Santa Rita, Padre José Pereira Tinoco, Cônego Juliano de Faria Lotário, Cônego Januário da Cunha Barbosa, Padre Manoel Inácio de Carvalho, Bispo Sebastião do Pinto Rego e um grande número de outros clérigos e leigos. Todos católicos e maçons.
Como assim, quando se sabe que a maçonaria européia era francamente anticatólica e cooperara na derrota de Roma e se regozijara na sua conquista por Vitor Emanoel da Sardenha?
É talvez necessário esclarecer que a maçonaria brasileira se apresentava em duas alas bem distintas. a maçonaria monarquista conservadora, e a maçonaria revolucionária libero - republicana.
A maçonaria conservadora, liderada por José Bonifácio, que é chamado de "traidor", por muitos maçons, impôs seu conservantismo por meio de violência - prisões, exílio e morte.
Eventualmente, essa maçonaria impôs no Brasil o chamado Rito Escocês, que na verdade era um rito criado por Frederico II da Prússia, que nada tinha de revolucionário e radical.
Sendo assim, inúmeros católicos sinceros, como Caxias, pertenceram à maçonaria conservadora, sem de maneira alguma sentirem que estavam ferindo suas consciências cristãs.
Caxias, como muitos outros maçons, ia à missa regularmente, conforme atesta seu diário de guerra no Paraguai. Mais ainda, sabe-se que era amigo dos capelões do Exército que, em retorno, cooperavam com ele, inclusive colocando-se ao seu lado na luta intestina entre conservadores e liberais dentro das Forças Armadas.
No entanto, o momento em que Caxias mais se distinguiu como católico foi durante a chamada Questão Religiosa., Como membro do Conselho de Estado, e como fiel defensor do Imperador, votou três vezes em favor da posição regalista da Coroa. Porém, ao contrário dos outros regalistas, ressalvou cada vez que votava apenas na questão temporal e que o Governo não podia, nem devia, se imiscuir na área espiritual.
Mais tarde, essa luta entre a Igreja e o Estado chegou a um impasse. As dioceses de Olinda e Pará estavam em uma situação descrita como de "total anarquia político-religiosa". A Coroa considerava a possibilidade de levar a cabo mais prisões e mais punições. Caxias, convidado a assumir a presidência do Conselho de Ministros, exigiu que os bispos fossem anistiados, como condição para sua aceitação do cargo.
Como presidente do Conselho de Ministros pacificou a família católica brasileira concedendo anistia aos Bispos D. Vital e D. Macedo Costa. Pagou ainda suas côngruas atrasadas e deu-lhes liberdade de viajar a Roma, como no caso de D. Vital.
É verdade que sua atuação não foi vista com muitos bons olhos pelos maçons radicais, que parecem tê-lo posto de lado naquele momento. Por ocasião de sua morte, em 1880, não houve nem choro nem ranger de dentes, como houvera poucos meses antes por ocasião da morte do celebrado chefe maçônico Visconde do Rio Branco.
Não que Caxias tivesse sido expulso da maçonaria. Apenas que nenhum maçom radical expressou grande tristeza ao vê-lo partir. Nem por isso deixava ele de ser maçom, como não deixara ele de ser bom católico durante toda sua vida.

Fonte: altoscorpos.org

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

APAGANDO VELINHAS

Quem comemorou mais uma primavera no dia de hoje foi a presidente do Clube de Samaritanas da Loja São José, a cunhada Idaíres, esposa do V.'.M.'. Mário Azevedo de Paiva.
Que o G.'.A.'.D.'.U.'. abençôe a nossa cunhada e seus familiares, enchendo seu lar de saúde, paz e felicidades!


A HISTÓRIA DOS RITOS DE MEMPHIS-MISRAIM

A história dos Ritos de Misraim, Memphis, Memphis-Misraim é extraordinariamente confusa. Desde obscuras origens legendárias até as modernas correntes do Século XXI, quem tentar fazer uma história verídica corre o risco de ser extremamente parcial em função das fontes de dados, tão escassa.
A principais fontes de abastecimento de dados são os que oferecem as mesmas Obediências em suas páginas de Internet, mais o que aparece em alguns livros (escassos e difíceis de conseguir) sobre o Rito.
Por outra parte, os poucos historiadores que escreveram sobre estes temas tiveram que recorrer por sua vez as fontes de dados não validadas, que levantam fortes interrogações sobre os antecedentes deste Rito. Os livros proporcionam poucas imagens de documentos e o leitor que quer ser imparcial, observa que nada traz o conhecimento completo. Cada um posse uma parte do “Corpo de Osíris”. Talvez este seja o mistério da Maçonaria de Misraim e Memphis: o Iniciado deve reunir como um quebra-cabeça esotérico, os fragmentos de sabedoria espalhados por todo o mundo.

Então Podemos Dizer Que Assim Começa a História:

O RITO PRIMITIVO

Em 1780, o Marquês de Chefdebien fundou o “Rito Primitivo” (em Narbonne, França).

GAD BÉDARRIDE

Em 1782, um misterioso “iniciador egípcio”, de nome místico “Ananiah” (“O Sábio”), de visita a Cavaillon (França), inicia Gad Bédarride. Este, por sua vez, inicia os seus filhos, que vêm a tornar-se nos principais difusores do Rito Egípcio naquele país.

O RITO DOS PERFEITOS INICIADOS NO EGIPTO

Em 1788, em Veneza, foi criado o “Rito dos Perfeitos Iniciados do Egipto, ou Rito de Misraïm”. Este Rito deu continuidade aos trabalhos iniciados por Cagliostro e funcionava com uma Carta Constitutiva que ele passara a um grupo protestante (os Socisienos) por ele iniciados no Rito Egípcio. Estes trabalhos foram difundidos em França por alguns Maçons que tinham participado na campanha de Napoleão no Egipto.

A AUTÊNTICA TRADIÇÃO

1801 marca a data em que surgem numerosos ritos reclamando a autentica tradição egípcia e são constituídas muitas Lojas com esta finalidade.

A GRANDE LOJA FRANCESA DE MISRAÏM

Foi em 1810 que os três irmãos, Michel, Marc e Joseph Bedarride fundaram a Grande Loja Francesa de Misraïm, com poderes outorgados pelo Grande Comendador Italiano De Lassalle. Fiéis à tradição, enfatizaram na sua ritualística a história do primeiro rei do Egipto (detentor dos segredos da Ordem): Misraïm.

SAMUEL HONIS E MARCONIS DE NÉGRE

Em 1815, também em França (Montauban), Samuel Honis e Marconis de Négre, cavaleiros templários iniciados pelo egípcio Ormuz, sacerdote de Memphis (convertido ao Cristianismo por São Marcos), fundaram uma outra obediência do Rito de Memphis.

O RITO DE MISRAÏM

A primeira menção ao Rito foi feita em Veneza em 1788. Ele se difundiu rapidamente em Milão, Gênova e Nápoles e apareceu na França com Michel Bedarride, que recebeu o Grão-Mestrado em 1810, em Nápoles, do Irmão De Lasalle. De 1810 a 1813 os três Irmãos Bedarride desenvolveram o Rito na França, de certa forma sob a proteção do Rito Escocês. Ilustres Maçons pertenceram a ele, como o Conde Muraire, Soberano Grande Comendador do Rito Escocês Antigo e Aceito, o Duque Decazes, o Duque de Saxe-Weimar, o Duque de Leicester e o Tenente Coronel de Teste, entre outros.

O RITO DE MEMPHIS

A maioria dos membros que acompanharam Bonaparte na Missão do Egito eram Maçons pertencentes a antigos Ritos iniciáticos: Philalètes, Irmãos Africanos, Rito Primitivo e Grande Oriente de França. No Cairo eles descobriram uma sobrevivência gnóstico-hermética e no Líbano entraram em contato com a Maçonaria drusa, a mesma encontrada por Gérard de Nerval, remontando assim à Maçonaria “operativa” que acompanhava os seus protetores, os Templários. Conseqüentemente, os Irmãos da Missão do Egito decidiram renunciar à filiação maçônica vinda da Grande Loja da Inglaterra. E assim nascia em 1815 o Rito de Memphis , em Montauban, sob a direção de Samuel Honis e Marconis de Negre, com numerosas Lojas no exterior e personalidades ilustres em suas fileiras, como Louis Blanc e Giuseppe Garibaldi, ele que em breve se tornaria o unificador de Memphis e de Misraim.

HISTÓRIA DO RITO DE MEMPHIS-MISRAÏM

Essa Obediência Maçônica, que celebrou seu bicentenário em 1988, surgiu quando os dois Ritos, de Memphis e de Misraim, foram reunidos em 1881, por Giuseppe Garibaldi, que se tornou seu primeiro Grão-Mestre.
O Rito de Misraim foi fundado em Veneza em 1788. Sua filiação veio através de Cagliostro, que o erigiu com os Graus Menores da Grande Loja da Inglaterra e os Altos Graus da Maçonaria Templária Alemã.
O Rito de Memphis foi constituído em Montauban em 1815, por Franco-Maçons que em 1799 haviam participado com Napoleão Bonaparte da Missão do Egito. A esses dois Ritos foram adicionados os Graus Iniciáticos que vieram de Obediências Esotéricas do século XVIII: do Rito Primitivo e do Rito dos Philadelphos, entre outros.

O RITO DE MEMPHIS-MISRAÏM

Até 1881 os Ritos de Memphis e Misraim seguiam rotas paralelas e concordes, no mesmo clima particular. Os Ritos começaram então a agrupar Maçons interessados no estudo do simbolismo esotérico da Maçonaria, gnose, cabala e até mesmo no hermetismo e no ocultismo.
O Rito de Memphis-Misraim perpetua sua Tradição na fidelidade aos princípios de liberdade democrática e das ciências iniciáticas.

O RITO ORIENTAL ANTIGO E PRIMITIVO DE MEMPHIS

Em 1947, alguns maçons assumiram uma postura revivalista e insistiram em fazer ressurgir O Rito de Memphis (independentemente de continuar a existir o rito unificado de Memphis e Misraïm), com a designação de “Rito Oriental Antigo e Primitivo de Memphis”. Apresentaram-no como tratando-se de uma síntese de todos os ritos filosóficos, herméticos e alquimistas, e disseram ser uma continuação do Rito Primitivo de Philalethes.

RITO ANTIGO E PRIMITIVO DE MEMPHIS-MISRAÏM

Em 1959 foi criado o “Supremo Conselho Mundial das Ordens Maçónicas de Memphis e Misraïm”, agremiando todos os Ritos Egípcios antigos.
Em 1963, passou a existir somente a designação de «Rito Antigo e Primitivo de Memphis Misraïm». A partir desta data surgiram Potencias (Soberanos Santuários) Nacionais, Continentais, Internacionais, e outros com Jurisdições definidas por idiomas (também com carácter internacional).
Memphis: Cidade do antigo Egito, situada no delta do Nilo. Ali foi criado o Rito por iniciados que estavam em contato com essa antiga civilização.
Misraim: Essa palavra é a forma plural de “egípcio”. O Rito aparece em Veneza, num grupo de socinianos. A patente constitucional foi dada por Cagliostro.
Retirado da Obra: Robert Ambelaim – A antiga Franco-Maçonaria de Memphis-Misraim
Pelo Ir.’. Marco Antônio Queixada (Xuxa)
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terça-feira, 27 de agosto de 2013

O ANJO DA VIDA

Duas mulheres, uma anciã e uma jovem viúva, estão sentadas em um quarto, na penumbra. As mãos da jovem seguram o retrato do marido que acaba de perder a vida em um acidente. Tinham-no enterrado na manhã daquele dia.
Seus vestidos de luto fazem com que dos seus rostos e mãos emane uma pálida claridade.
Por muito tempo as duas mulheres ficaram sentadas, sem palavras e sem lágrimas. Finalmente a anciã tira das mãos da neta o retrato do marido e diz com voz baixa:
- H...
A anciã não encontrando palavras para consolar a jovem, tenta uma parabola de Jesus:
- Filha, ouve o que quero dizer-te.
A jovem não responde, mas a anciã começa a falar:
- Quando Deus me deu o primeiro filho, aconteceu que ele ficou doente e eu, sentada à noite ao seu lado, com uma mão no berço, e a outra no terço adormeci.
Tive um sonho muito estranho: detrás de uma cortina longa e densa saiu um anjo escuro e aproximou-se do berço, querendo levar o meu filho. Estendi logo as mãos com o terço e sobre o berço gritei:
- Não, Morte, não te deixo levar o meu filho!
O anjo sorriu e disse:
- Não me chamo Morte, chamo-me vida! Precisarei levar o teu filho. Ou preferes trocar? Queres este em lugar do bebê? Erguendo ele a cortina, saiu de lá um menino bonito e forte, de pele clara, olhos azuis e cabelos louros em caracóis. Mas a mim era estranho e gritei:
- Não, não o quero! Antes mata-me.
Ninguém pode matar – replicou o anjo – Precisas concordar com a troca! Ou preferes este?
O menino desapareceu e em seu lugar apareceu um jovem.
- Toma este! Vê como ele é belo, seus membros bem proporcionados, corpo e alma com forças vibrantes.
- Não, não! – gritei outra vez.
E o anjo disse:
- Mas este amarás com certeza. – E mostrou-me a imagem de um homem de barba escura, bronzeado pelo sol e pelos ventos.
- Não, – voltei a gritar – nunca o amarei! Vou odiá-lo!
- Mas este aqui – o anjo continuou a argumentar comigo: era um velho de ombros largos e cabelos grisalhos.
- Não, não, não! Jamais trocarei. Vai embora e não toques no meu filhinho!
O anjo sorriu outra vez, dizendo:

- Certamente irás trocar e serás feliz. Vida e morte são uma coisa só. A morte não existe.
Assim dizendo, desapareceu. Acordei trêmula, ao lado do berço do meu filho que estava dormindo tranqüilamente. Os anos passaram e eu fui trocando: o bebê pelo menino, o menino pelo jovem, o jovem pelo homem e o homem pelo velho. E fui me lembrando de cada um como o tinha visto no sonho.
De todos eles, só o grisalho tu bem conheces: é meu filho, o teu pai!
A anciã se calou. E a jovem viúva ergueu o retrato do marido, dizendo:

- Mas isto aqui não é troca, vovó, isto é roubo!
- Espera – disse a anciã – ainda não terminei. Na noite seguinte o sonho se repetiu, e na minha visão o anjo voltou.
Vi outra vez o menino, o jovem, o homem e o velho e não quis saber nada deles. Mas, depois de mostrar-me tudo como na noite anterior, o anjo disse:
- Até aqui era só por brincadeira. Agora precisas aceitar uma troca bem mais difícil: aceita este em troca!
- Mas não vejo ninguém! – exclamei.
- Não podes vê-lo – replicou o anjo.
- Mas também não ouço ninguém.
- Pois ele não se deixa ouvir – respondeu o anjo.
Eu tateava ao redor:
- Ninguém está aqui!
E o anjo disse:
- Tampouco podes palpá-lo.
- Então zombas de mim?
- Não. Tu não me entendes. Vou falar de outra maneira.
- Tu me darias os teus olhos em troca do filho?
- Leva-os! – gritei.
Logo caiu uma escuridão profunda sobre mim, mas ouvia ainda a respiração tranqüila do meu filho, como se fosse uma brisa noturna deliciosa.
- Mas não é ainda suficiente – disse o anjo – Dá-me a tua audição.
- Leva-a! – ordenei, e peguei o corpinho de meu filho com as duas mãos, beijando-o ternamente.
- Mas ainda não é suficiente – exigiu o anjo novamente.
- Dá-me todos os teus sentidos.
- Leva-os todos! – gritei, e afundei no nada.
- Onde está o meu filho? Onde?
- Podes crer: ele vive. O que desaparece dos sentidos nem por isso está morto.
A morte não existe para aqueles que tem Jesus como seu salvador, Deus criou só a vida. Entendes agora?
A estas palavras do anjo acordei. Muitas vezes tenho meditado sobre o que o anjo disse, e paulatinamente comecei a compreender. Muitas vezes somos servos dos nossos sentidos. Mas Deus como Senhor dos mil sentidos consegue transformar o que amamos, mil vezes.
São transformações que não nos permitem ver, nem ouvir, nem apalpar. É por isso que falamos da morte.
Mas a morte não existe quando se tem Jesus como vida.
A vida natural rouba, e dá sem cessar. Se soubermos isto, qualquer sofrimento poderá transformar-se em alegria antecipada.
A anciã calou-se. Depois de algum tempo a jovem viúva repousou a cabeça nas mãos da velha, perguntando:
- Quem te ensinou tudo isso, amada avó?
- A vida, minha filha, a vida…
E a anciã acrescentou:
…e a morte!

Ir.’. Carmo Capozzi - www.revistauniversomaconico.com.br