sexta-feira, 11 de março de 2016

Simbolismo Maçônico



Simbolismo: A tradição dos símbolos é uma ciência viva. Ela permite aquele que a possui adaptar seus conhecimentos às necessidades de seus irmãos, soerguer uma sociedade que naufraga, amparar e reanimar um coração sem coragem e projetar a luz até onde as próprias trevas parecem ter seu reino absoluto.
Ritualismo, Simbologia e Símbolos: A Simbologia é a ciência mais antiga do mundo. Através dos símbolos, os povos primitivos se expressavam e comunicavam suas tradições. O primeiro aprendizado no mundo foi constituído por símbolos. Em um tempo onde a linguagem oral era ainda incipiente, os símbolos foram o meio de comunicação. A palavra símbolo deriva da palavra grega symbolum, que significa juntar, reunir. Os símbolos são uma representação de objetos, ideias ou ações e são uma linguagem especial, compreensível pelo hemisfério direito do cérebro, isto é, a imaginação. Eles têm um efeito muito poderoso na mente humana, sendo mais eficientes do que palavras. Isso porque o significado contido em um termo muitas vezes, não traduz, de fato, a essência do que busca comunicar.
Simbolismo Maçônico: Toda a estrutura ideológica da Maçonaria está baseada no Simbolismo. Nos símbolos é que se encontram as chaves que abrem o conhecimento do mundo espiritual existente em cada um de nós. Quando falamos do Simbolismo Maçônico, queremos falar não é o do conjunto de símbolos adotados pela Maçonaria, mas sim da concepção que a nossa Instituição tem do símbolo e de como pode ou deve ser utilizado.
Pode-se dividir o simbolismo maçônico em duas categorias: a emblemática e a esquemática. Emblemática: A primeira tem um sentido mais moral a inferir-se por analogia: o Compasso, a medida na pesquisa; Esquadro, a retidão na ação; Maço, vontade na aplicação; Cinzel, discernimento na investigação; Prumo, a perspicácia mental, a profundidade na observação; Nível, uso correto do conhecimento; Régua, figurando a retidão de conduta; Alavanca, poder da vontade; Trolha, benevolência para com todos; a cor branca, a inocência ou pureza; a cruz, o ideal do auto-sacrifício; uma ferramenta, o trabalho.
Esquemática: Comporta um significado mais intelectual, filosófico, ou científico, que pode ou não incluir a primeira: o ponto representando a Vida Una; a Circunferência, o infinito ou a eternidade; o Triângulo, a trina manifestação da Vida Una; o Pentágono, o homem perfeito. O simbolismo realmente iniciático é esquemático e tem sido e tem sido a linguagem inalterável, universalmente usada desde a mais remota Antiguidade para proclamar e perpetuar certas verdades eternas, essenciais à vida humana. No entanto, é mister que cada interessado procure interpretá-lo, compreendê-lo e senti-lo por seus próprio esforço para poder penetrar seus profundos significados.
Nicola Aslan sobre Simbolismo: (...) Cansados e saturados por dois séculos de guerras políticoreligiosas, desiludidos das religiões, ditas reveladas, que as tinham provocado, provocando um verdadeiro caos nos costumes morais e religiosos do povo inglês, os maçons especulativos, surgidos em princípios do século XVIII voltaram às vistas para o simbolismo das religiões da Antiguidade, tentando redescobrir os símbolos do passado e o seu conteúdo doutrinário e iniciático deturpado, desfigurado e velado pela ignorância eclesiástica medieval e pelos sofismas dos doutores escolásticos. Em consequência dos estudos empreendidos pelos estudiosos, formouse a Simbólica Maçônica. Nela são compreendidos Símbolos das mais variadas origens e procedências, que podem ser divididos em cinco classes principais: a) Símbolos místicos e religiosos tradicionais: o Tau (símbolo do poder); o Círculo com um Ponto Central (Sol); o Selo de Salomão ou Escudo de Davi (criação, Deus, perfeição); o Triângulo, o Delta Luminoso, os Três Pontos (a ideia de Deus) etc. b) Símbolos tirados da arte da construção: símbolos dos maçons operativos: o Compasso (medida na pesquisa); o Esquadro (retidão na ação); o Malho (vontade na aplicação); o Cinzel (discernimento na investigação); a Perpendicular (profundeza na observação); o Nível (emprego correto dos conhecimentos); a Régua (precisão na execução); a Alavanca (poder da vontade); a Trolha (benevolência para com todos); o Avental (símbolo do trabalho construtor) etc. c) Símbolos herméticos e alquímicos: o Sol e a Lua; as Colunas B e J; os três princípios da Grande Obra: Enxofre, Mercúrio e Sal; os quatro elementos herméticos: Ar, Água, Terra e Fogo; o VITRIOL, etc. d) Símbolos possuindo um significado particular: a romã (simbolizando os maçons unidos entre si por ideal comum); a Cadeia de União (união fraternal que liga por uma cadeia indissolúvel todos os maçons do globo, sem distinção de seitas e condições); a Estrela Flamejante (a iluminação); a letra G (conhecimento); o ramo de Acácia (imortalidade e inocência); o Pelicano (amor e abnegação), etc. e) Outros símbolos tradicionais: pitagóricos (números); cabalísticos (sefirot); geométricos, religiosos, e todos aqueles que se prestaram a um significado maçônico. De acordo com os seus pontos de vistas particulares, estes símbolos são vistos pelos maçons seja como elementos de Iniciação com significados esotéricos, seja como fórmulas morais comportando significados educativos. De qualquer maneira, as ideias representadas por estes símbolos devem ser admitidas por todos os membros da fraternidade maçônica, sem o que não podem ser considerados verdadeiros maçons. O Nível, por exemplo, representa também a ideia da igualdade, obrigatória entre os maçons. O Esquadro é o emblema da retidão e do direito, princípios que devem ser obrigatoriamente respeitados por todos os maçons. O Malhete é o símbolo da autoridade do Venerável e personifica a disciplina nos trabalhos que todo maçom é obrigado a admitir. E além de representarem fórmulas ou ideias morais, os Símbolos são uma espécie de linguagem que une os maçons entre si por serem expressão de ideias comuns a todos eles. É este o sistema adotado pela Maçonaria, diz Mackey, para desenvolver e inculcar as grandes verdades religiosas e filosóficas, de que foi, por muitos anos, a única conservadora. E é por esta razão, como já observei, que qualquer investigação dentro do caráter simbólico da Maçonaria deve ser precedida por uma investigação da natureza do simbolismo em geral, se quisermos apreciar convenientemente o seu uso particular na organização maçônica.
Uma aula de Simbologia: Trecho do livro: O Símbolo Perdido, Dan Brown. (...) A arquitetura, a arte e o simbolismo de Washington estão entre os mais interessantes do mundo. Porque vocês cruzam o oceano antes de visitar a sua própria capital? - As coisas mais antigas são mais legais - disse alguém. - E por coisas antigas - esclareceu Langdom - suponho que você queira dizer castelos, criptas, templos, esse tipo de coisa? Cabeças aquiesceram simultaneamente. - Muito bem. Mas seu eu dissesse a vocês que Washington tem todas essas coisas? Castelos, criptas, pirâmides, templos... está tudo lá. Os rangidos diminuíram. - Meus amigos - disse Langdon, baixando a voz e avançando até a beira do tablado -, ao longo da próxima hora, vocês vão descobrir que o nosso país transborda de segredos e de histórias ocultas. E, exatamente como na Europa, todos os melhores segredos estão escondidos à vista de todos. Langdom diminuiu as luzes e passou o slide seguinte. - Quem pode me dizer o que George Washington está fazendo aqui? O slide era de um conhecido mural que mostrava George Washington vestido com trajes completos de um maçom, parado diante de uma estranha engenhoca – um gigantesco tripé de madeira com um sistema de cordas e polias, no qual estava suspenso um imenso bloco de pedras. Um grupo de espectadores bem-vestidos o rodeava. - Levantando-se esse bloco de pedra? - arriscou alguém. Langdom não disse nada, pois preferia sempre que possível, que algum outro aluno fizesse a correção. - Na verdade - sugeriu outro aluno -, acho que Washington está baixando a pedra. Ele está vestido com trajes maçônicos. Já vi imagens de maçons assentando pedras angulares. Na cerimônia tem essa espécie de tripé para colocar a primeira pedra. - Excelente - disse Langdon. O mural mostra o pai de nosso país usando um tripé e uma polia para assentar a pedra angular do Capitólio em 18 de setembro de 1793, entre 11h15 e 12h30. - Langdon fez uma pausa, correndo os olhos pela sala. - Alguém pode me dizer o significado dessa data e hora? Silêncio. - E se eu dissesse a vocês que esse momento exato foi escolhido por três famosos maçons: George Washington, Benjamin Franklin e Pierre L‘ Enfant, o principal arquiteto da capital? Mais silêncio. - A pedra angular foi assentada nessa data e hora simplesmente porque, entre outras coisas, a auspiciosa Caputs Draconis estava em Virgem. Todos trocaram olhares intrigados. - Espere aí - disse alguém. - O senhor está falando de... astrologia? - Exato. Embora seja uma astrologia diferente da que conhecemos hoje em dia. Alguém levantou a mão. - Esta querendo dizer que os nossos pais fundadores acreditavam em astrologia? Langdom deu um sorriso. - E muito. O que você diria se eu lhe contasse que a cidade de Washington tem mais signos astrológicos em sua arquitetura do que qualquer outra cidade do mundo... zodíacos, mapas de estrelas, pedras angulares assentadas em datas e horários astrológicos precisos? Mais da metade dos homens que elaboraram a nossa Constituição eram maçons e prestavam muito atenção à posição dos astros no céu enquanto estruturavam seu novo mundo. - Uma coincidência impressionante, considerando-se que as pedras angulares das três estruturas que formam o Triângulo Federal, ou seja, o Capitólio, a Casa Branca e o Monumento a Washington, foram todos assentados em anos diferentes, mas tudo cuidadosamente programados para que isso ocorresse exatamente nas mesmas condições astrológicas. Langdom se deparou com uma sala cheia de olhos arregalados. Alguém levantou a mão no fundo da sala. - Por que fizeram isso? Langdom deu uma risadinha. - A resposta para essa pergunta é material para um semestre inteiro. Se estiver curioso, deve fazer o meu curso sobre misticismo. Para ser franco, não acho que vocês estejam emocionalmente preparados para ouvir a resposta. - Como assim? Gritou o aluno. – Experimente! Langdom fez uma pausa exagerada, como se estivesse pensando no assunto, e em seguida balançou a cabeça, brincando com os alunos. - Desculpe, não posso. Alguns de vocês são calouros. Tenho medo de impressioná-los. - Conte para a gente! Gritaram todos. - Talvez vocês devessem virar maçons e descobrir a resposta na origem. - A gente não pode entrar - argumentou o rapaz. - Os maçons são uma sociedade supersecreta! - Supersecreta? É mesmo? - Então por que os maçons usam anéis, prendedores de gravatas ou broches maçônicos à vista de todos? Por que os prédios maçônicos possuem indicações claras? Por que os horários das suas reuniões são publicados em jornal? - Meus amigos, os maçons não são uma sociedade secreta... eles são uma sociedade com segredos. - Dá na mesma - murmurou alguém. - É? - desafiou Langdom. - Você diria que a Coca-Cola é uma sociedade secreta? - Bom, e se batesse na sede da corporação e pedisse a receita da Coca-Cola original? - Eles nunca iriam me dar. - Exatamente. Para conhecer o maior segredo da Coca-Cola, você precisaria entrar para a empresa, trabalhar muitos anos, provar que é de confiança e, depois de muito tempo, alcançar os mais altos escalões, nos quais essa informação poderia ser compartilhada com você. E então você assinaria um termo de confidencial idade. - Então o senhor está dizendo que a Francomaçonaria é uma grande empresa? - Só na medida em que tem uma hierarquia rígida e leva a confidencial idade muito a sério. - Meu tio é maçom - entoou uma voz aguda de uma moça. - E a minha tia detesta, porque

O Ir. João Ivo Girardi é Obreiro da Loja “Obreiros de Salomão” nr. 39 (Blumenau). E autor do “Vade-Mécum Maçônico – Do Meio-Dia à Meia-Noite”

quinta-feira, 3 de março de 2016

SUBINDO A ESCADA DE JACÓ



   

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 Todo maçom está familiarizado com a expressão “Escada de Jacó”. É uma expressão que na tradição maçônica simboliza a própria Maçonaria enquanto escola de ensinamento moral e designa a escalada iniciática do iniciado pelos graus do ensinamento maçônico. Esta é uma jornada que começa na sua própria iniciação, como Aprendiz e nunca termina, em sua própria vida terrena. Isso porque, embora o Irmão possa galgar todos os graus previstos no Rito da Loja à qual ele se filiou, não é a sua diplomação no último grau que julga se ele, de fato, absorveu o ensinamento maçônico e subiu, com méritos, a “Escada de Jacó”, mas sim a prática desses ensinamentos na sua vida diária. Isso se explica pelo fato de a Maçonaria estar centrada em três fundamentos básicos que lhe dão suporte e estrutura. O primeiro é a ideia que está no núcleo central da sua própria existência como instituto cultural. Essa ideia é a da União. União que pode ser traduzida como Igualdade e que se realiza através da estratégia da Confraria.
   Essa é a razão de a Loja Simbólica, dedicada ao Aprendiz, ser aberta com a invocação ao Salmo 133: “Como é bom e agradável viverem Irmãos em harmonia. É como o óleo precioso, que unge a cabeça de Aarão, do qual escorrem gotas para sua barba, e daí para suas vestes. É como o orvalho do Hermon, que vem cair sobre as montanhas do Tsión, como bênçãos ordenadas pelo Eterno. Sejam elas perpetuadas em sua vida”. Isso quer dizer que todos os maçons são iguais e entre eles deve reinar a harmonia. Por isso, a virtude da Confraria, que se traduz na congregação dos Irmãos reunidos em Loja se realiza no simbolismo desse Salmo, que consagra a União fraternal. [1]
   O segundo fundamento é a prática que resulta da aplicação dessa ideia. Essa prática concita os membros da Confraria maçônica a viver e servir a sociedade, como se esta fosse a sua própria família. Aqui está implícita a virtude da Fraternidade, que é outra divisa consagrada pela Ordem. É o espírito de Fraternidade, simbolizada no próprio ambiente que se forma na Loja, que resulta em uma egrégora, captando e distribuindo entre os Irmãos a energia que ali circula Daí a oração final, de fechamento das seções..[2]
   ─ Ó Gra .·. Arq .·. do Univ.·., fonte fecunda de Luz, de Felicidade e Virtude, os OObr.·. da Arte Real, congregados neste Augusto Templo, cedendo aos movimentos de seus corações, Te rendem mil graças e reconhecem que a Ti é devido todo bem que fizeram. Continua a nos prodigalizar os Teus benefícios e a aumentar a nossa força, enriquecendo as nossas CCl.·. com OObr.·. úteis e dedicados. Concede-nos o auxílio das Tuas Luzes e dirige os nossos trabalhos á perfeição. Concede que a Paz, a Harmonia e a Concórdia sejam a tríplice argamassa com que se ligam as nossas obras.[3]
E por fim a instituição, que é a própria organização conhecida como Maçonaria, pessoa jurídica organizada a nível internacional, que congrega milhões de cidadãos em todas as partes do mundo, irmanadas por uma promessa, um código de conduta, uma tradição mística e um ideal comum, que é a defesa da Liberdade, da Igualdade entre as pessoas e a Fraternidade entre os povos do mundo. Essa proposta está consagrada nas palavras finais de encerramento dos trabalhos maçônicos, através da pergunta feita pelo Venerável Mestre ao Primeiro Vigilante:
VEN.·.Para que nos reunimos aqui?
1º VIG .·. Para combater a tirania, a ignorância, os preconceitos e os erros. Para glorificar a Justiça e a verdade. Para promover o bem-estar da Pátria e da Humanidade, levantando Templos á Virtude e cavando masmorras ao vício.[4]
   Moralidade ao Subir a Escada de Jacó, portanto, significa absorver a ideia de que o iniciado pertence a uma Confraria de pessoas especiais, que devem viver, na prática, os ensinamentos maçônicos, lutando sempre pela defesa dos fundamentos sobre os quais a instituição Maçonaria está assentada: a Liberdade, a Igualdade e Fraternidade. E nesse sentido respeitar e honrar a instituição à qual pertence com uma conduta ilibada no mundo profano e uma atitude tolerante e respeitosa para com todas as crenças e religiões, pois que essa é conduta espiritual que se espera de um verdadeiro maçom. Neste momento, mais que em qualquer outro, a nossa sociedade está precisando revitalizar os pressupostos que justificam a existência da Maçonaria. E talvez possamos aproveitar para acrescentar um fundamento ao triângulo: a defesa da Moralidade. Isso porque o surto de licenciosidade para com o vício, a corrupção, a imoralidade e os maus costumes estão levando o nosso país a uma crise sem precedentes. Esta não é apenas uma crise política, econômica e social.
  É, fundamentalmente, que em uma crise moral. Nos cabe aqui perguntar: O que podemos e o que estamos fazendo em relação a isso?

A Origem e o Simbolismo da Águia Bicéfala





   A Maçonaria é uma Ordem que, ao longo de sua história, instituiu um sistema de moral, transmitido através de alegorias, sinais e símbolos. Não há quem, ao deparar com um símbolo maçônico, facilmente, não faça sua ligação com nossa Ordem. Exemplos disso são, principalmente, com relação ao Simbolismo, o Esquadro e o Compasso e, para os Altos Graus, a Águia de duas Cabeças ou Bicéfala. Esse símbolo, embora seja de fácil ligação com os Supremos Conselhos do REAA, foi, apenas, por eles absorvido como sua representação. Sua origem, na verdade, atravessa tempos imemoriais, e, por muitos historiadores, é considerado o mais antigo do mundo. A Águia Bicéfala remonta à antiquíssima cidade de Lagash, que se situava na Suméria, Sul da Babilônia, na chamada baixa Mesopotâmia, entre 4 – A Origem e o Simbolismo da Águia Bicéfala remontam aos rios Eufrates e Tigre, perto da atual cidade de Shatra, no Iraque. Essa região, na época, tinha uma vintena de templos e santuários consagrados a diferentes divindades.
   Na Índia, tal símbolo, também, tem sua representação, sendo chamado de Gandaberunda, também, conhecido como o Berunda, trata-se de um pássaro mitológico de duas cabeças da mitologia hindu, ao qual lhe é dado possuir força mágica. Ele é usado como o emblema oficial pelo governo de Karnataka, cidade do Sul da Índia, por causa de sua imensa força, capaz de lidar com as forças finais de destruição, e é muito comum vê-lo esculpido nos templos hindus. Segundo alguns historiadores, há mais de mil anos, antes do êxodo do povo de Moisés, no Egito, esse símbolo já era utilizado. Encontramos, no Freemasons’ Guide and Compendium, de Bernard E. Jones, relato sobre a escavação das fundações de um templo, construído cerca de 3000 A.C., isto é, cerca de 2000 anos antes da construção do Templo de Salomão, sobre um achado de duas placas de terracota com inscrições, detalhando como a construção havia sido ordenada e iniciada. Essas placas foram ali depositadas, quando do lançamento da pedra fundamental do templo, por Gudea, governador de Lagash, na Babilônia. As inscrições dos cilindros, impressas nas mesmas, incluíam um esboço de um “pássaro da tormenta”, representado por uma Águia com duas cabeças. Em nossas pesquisas, constatamos que, além de os sumérios, esse símbolo foi utilizado pelo povo de Akkad; pelos hititas – povo indo-europeu, que, no II milênio A.C., fundou um poderoso Império na Anatólia central, hoje, atual Turquia; dos recônditos da Ásia Menor para a posse de sultões, até ser trazida pelos Cruzados aos Imperadores do Oriente e Ocidente, cujos sucessores foram os Hapsburg (Sacro Império Romano-Germânico) e os Romanoff (Rússia). No ano 102 A.C., o Cônsul romano Marius decretou que a Águia seria um símbolo da Roma Imperial. Mais tarde, já como potência mundial, Roma utilizou a Águia de Duas Cabeças, uma, voltada a Este, e outra, a Oeste, como símbolo da unidade do Sagrado Império Romano, em 414 A.C., utilizando-a em seus selos, simbolizando a unidade e universalidade do Império.
   Descrita, geralmente, em preto sobre um fundo dourado, a Águia Bicéfala substituiu a águia de cabeça única, utilizada anteriormente, e foi, posteriormente, adotada nos brasões de muitas cidades alemãs e famílias aristocráticas. Os Imperadores do Império Romano cristianizado continuaram a sua utilização, sendo, depois, adotado na Alemanha, durante o período de conquista e poder Imperial. A primeira menção de uma águia de duas cabeças, no Ocidente, remonta a cerca de 1250, em um rolo de brasões enviado pelo monge beneditino, cartógrafo e historiador Mattew Paris para o Imperador Frederico II, do Sacro Império Romano, a quem tinha grande admiração, e a quem o contemplou com o epíteto, que ficou muito conhecido, de “Mundi Stupor” – estupor do mundo. Após a dissolução do Sacro Império Romano, em 1806, a águia de duas cabeças foi adotada pelo Império Austríaco, e serviu, também, como o brasão de armas da Confederação Alemã. Era um elemento principal do brasão de armas do Império Russo, sendo modificado diversas vezes, desde o reinado de Ivan III (1462-1505), recebendo sua forma definitiva no reinado de Pedro, o Grande (1682-1725).
   A Águia Bicéfala russa continuou em uso até ser abolida na Revolução Russa, em 1917. Como símbolo, foi restaurado em 1993, depois daquele ano de crise constitucional e permanece em uso até os dias atuais, embora, o brasão atual passou a ser de ouro ao invés do tradicional preto, imperial. Os reis da Mércia, um dos sete reinos que compunham a Heptarquia anglo-saxônica, atual Inglaterra, a usaram como símbolo, antes da conquista normanda. Leofric, Conde de Mércia, a usou para representar a antiga família Shropshire. Na Escócia, a podemos encontrar no brasão de armas do Burgo de Perthshire, tornando-se, mais tarde, a defensora dos brasões do distrito de Perth e Kinross (1975). A dinastia sérvia Nemanjić a adotou, em uma versão, na cor branca, para significar a sua própria independência e, de fato, o direito ao trono imperial de Constantinopla. A águia branca foi mantida pela maioria das dinastias medievais sérvias, bem como as Casas de Karađorđević, Obrenovic e PetrovicNjegos e permanece, até hoje, em uso no brasão de armas dos países da Sérvia e Montenegro. George Kastrioti (Skanderbeg) adotou uma bandeira semelhante em sua luta contra os otomanos, que consiste em uma águia preta em fundo vermelho, que foi ressuscitado na atual bandeira da Albânia. Durante os séculos seguintes, a águia apresentava-se prendendo, em suas garras, uma espada e/ou um cetro, e um globo com uma cruz, símbolos da soberania dupla acima mencionada. Seu uso, também, sobreviveu como um elemento da Igreja Ortodoxa Grega, que era o herdeiro do legado bizantino durante o Império Otomano, mantendo-se como um símbolo popular entre os gregos, estando, ainda, em uso em bandeiras da Igreja. Na Grécia moderna, é usada, oficialmente, pelo Exército, no brasão da Hellenic Army General Staff. Enfim, esse enigmático símbolo foi adotado por diversos povos e ocasiões, aparecendo em diversos brasões de armas e bandeiras atuais e históricos de muitos países e territórios, incluindo Albânia, Armênia, Áustria (1934-1938), Áustria-Hungria, Império Bizantino, Confederação Alemã, do Sacro Império Romano Império, Reino da Mércia (527-918), Montenegro, Reino de Mysore, Império Russo, Rússia, Império Seljúcida, Sérvia, Império Sérvio, Reino da Sérvia, do Império Espanhol (durante a dinastia Habsburgo) e Reino da Iugoslávia. A localizamos no brasão e na bandeira da cidade de Toledo, na Espanha, e no brasão da cidade de Velletri, na Itália, uma série de cidades da Alemanha, Holanda e Sérvia. A encontramos, também, na bandeira da Igreja Ortodoxa Grega e na bandeira do Exército Helênico – 16º Divisão de Infantaria, e no esporte, como emblema de clubes desportivos, como: AEK e PAOK (Grécia); Konyaspor (Turquia); Nec e Vitesse (Holanda); AFC Wimbledom e San Johnstone FC (Inglaterra). Já o Bengaluru FC, um clube de futebol com sede em Bangalore, capital de Karnataka, na Índia, tem uma Gandaberunda, águia de duas cabeças, no escudo do clube.
   Na Maçonaria, até onde conseguimos pesquisar, a Águia Bicéfala foi introduzida pelo Conselho dos Imperadores do Oriente e Ocidente, Grande e Soberana Loja Escocesa de São João de Jerusalém, que foi fundado em Pirlet, em Paris, em 1758. Tal Conselho foi responsável pela criação do sistema de Altos Graus Escoceses, impondo-lhe o limite de 25 graus, resolução que seria, oficialmente, inscrita nos seus estatutos de 1762. Essa escala de 25 graus foi chamada de Rito de Perfeição ou de Heredon, servindo, mais tarde, como base para o surgimento do REAA, com a criação do seu primeiro Supremo Conselho, Jurisdição Sul dos EUA, em Charleston, em 1º de maio de 1801. Coincidências a parte, é curioso notar que existe um padrão com relação à utilização da Águia Bicéfala pelos Supremos Conselhos do REAA.
   Os Supremos Conselhos, que tinham laços com a Grande Loja da Inglaterra, têm, em seus selos, a Águia com as asas para cima, enquanto os Supremos Conselhos, que tinham laços com a Grande Loja da França, têm, em seus selos, a Águia com as asas voltadas para baixo. A Águia Bicéfala utilizada como símbolo do REAA, tem suas asas abertas e está coroada pela coroa imperial da Prússia, tendo sobre a coroa um triângulo equilátero dourado reluzente com o número 33, no seu interior. Suas garras estão segurando uma espada desembainhada, que tem uma fita como ornamento, serpenteando-a desde seu punho até a extremidade da lâmina, contendo a divisa: “DEUS MEUMQUE JUS” – que significa “Deus e o meu direito”. História e curiosidade à parte, todo símbolo apresenta-se ao verdadeiro Iniciado como uma misteriosa esfinge, induzindo-o decifrá-lo. Embora, ainda, estejamos galgando os primeiros degraus da infinita escada evolucional, permitam-nos uma despretensiosa interpretação iniciática desse símbolo, a título de analogia: a águia é um pássaro de voo altaneiro, de visão privilegiada, símbolo do poder e da expressão da Mente Universal, no seu aspecto Onisciência. Esse símbolo, ligado à Iniciação, expressa o objetivo a que se propõem todas as verdadeiras Escolas de Iniciação do presente ciclo: o despertar, em seus membros, da quintessência, da Mente Superior, do Princípio Divino no ser humano. Como a palavra mesmo diz, Iniciação é iniciar uma ação interna, de preparação do quartenário da matéria, nossa personalidade, para o despertar da “Quintessência”, nosso Princípio Crístico, nosso EU Verdadeiro.
   A Águia, com as duas cabeças, representa as duas mentes, ou seja, a mente concreta, já plenamente desenvolvida pela humanidade, e a abstrata, propósito a ser atingido com a conclusão da atual 5ª Raça-Mãe, a Ariana. Enveredando-nos pelos estudos dos Altos Graus do REAA, deparamo-nos, em determinado Grau, com a ponte, que nos permitirá, se alcançarmos mérito para tanto, adentrar a Jerusalém Celeste. Todo esse simbolismo, na verdade, está dentro de nós, com o despertar de um estado de consciência, possibilitando-nos perceber a essência dos Mistérios Maiores.
Além da Águia Bicéfala, sobre cujo simbolismo, superficialmente, apresentamos uma breve interpretação, falaremos na Cruz Papal ou do Pontífice, usada na heráldica eclesiástica. Também, conhecida como Cruz Tripla ou do Hierofante, suas três barras horizontais representam as três funções do Papa, como Bispo de Roma, Patriarca do Ocidente e Sucessor de Pedro. A Cruz Papal ou do Pontífice é, também, usada pelo nosso Soberano Grande Comendador do REAA, em seu barrete, além de ser aposta a sua assinatura nos documentos oficiais do Supremo Conselho. Lembremos que o Pontífice é o artífice construtor de pontes. É aquele que constrói a ponte, que permite a outros a transposição de um obstáculo e a alcançar o outro lado. Tal ponte, referindo-nos ao REAA, é, gradualmente, construída pelo profundo e dedicado estudo dos excelsos ensinamentos do Rito, com isso, proporcionando aos Irmãos transporem, em consciência, do mundo material (mente concreta) para o mundo espiritual (mente abstrata), alegoria muito bem expressa pelas duas cabeças da Águia.
   O Soberano Grande Comendador, a exemplo do Papa para o Cristianismo, é o Pontífice, o Soberano Artífice, construtor de ponte, permitindo aos Maçons, através dos excelsos ensinamentos dos Arcanos do REAA, atingirem um estado de consciência mais elevado; alcançarem o outro lado, através da ponte. A espada – arma de dois fios – presa nas potentes garras da Águia Bicéfala, representa, ao mesmo tempo, a Força, para se combater os inimigos da verdade, e a Sabedoria, para se fazer, acima de tudo, valer a justiça, o que pode ser corroborado pela tradução da inscrição latina na fita que a serpenteia: “Deus e o Meu Direito”. Não sabemos detalhes da Águia Bicéfala, quando adotada pelo Conselho de Imperadores do Oriente e do Ocidente, mas a do primeiro Supremo Conselho do REAA era a águia americana, marrom, tendo a cauda e a cabeça brancas. A Águia Bicéfala adotada pelo Supremo Conselho do Grau 33º do REAA da Maçonaria para a República Federativa do Brasil é de cor púrpura, cor da nobreza, do equilíbrio perfeito e da realização, matiz muito utilizada por várias religiões, e por Escolas de Iniciação do Oriente, por expressar a união das energias cósmica (Fohat – verde) e telúrica (Kundaline – vermelho), significando o perfeito entrelaçamento dos dois triângulos, formando o Hexágono Sagrado (interpenetração dos mundos celestes e terreno). A Águia Bicéfala, considerada por muitos um dos símbolos mais antigo do mundo, expressa o Poder e a Soberania. Esse símbolo, quando utilizado em uma Escola de Iniciação, como é o caso, na Maçonaria, permite, aos “que têm olhos de ver”, aos verdadeiros Iniciados nos Augustos Mistérios, quando contemplá-lo, adentrar em seus enigmáticos arquétipos, levando-os a imaginar que tal símbolo, ainda que intuitivamente, fora sabiamente escolhido para expressar a enorme riqueza contida nas entrelinhas dos excelsos ensinamentos do Rito Escocês Antigo e Aceito.



Autor: Irmão Francisco Feitosa É edior da Revista ASTREA.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

MENSAGEM DO DIA – A CRÍTICA



A CRÍTICA


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Fácil é admirar quem compartilha nossos ideais. Difícil, no entanto, é olhar    com generosidade e valorizar aqueles cujo pensamento diverge do nosso.

  Novas tecnologias – Vivemos em uma era em que as Redes Sociais, como Facebook, Twitter, Instagram e outras, são os principais mecanismos pelos quais as pessoas recebem e compartilham fatos, ideias e opiniões. Mas o que ocorre quando essas novas tecnologias estimulam a proliferação de relatos tendenciosos fomentados por rumores infundados, a desconfiança, a desinformação, os rumores, a calúnia e a mentira? As pessoas compartilham principalmente informações que confirmam seus preconceitos, e não dão atenção aos fatos e a veracidade da informação.
   Valor da crítica – A crítica construtiva, baseada em documentação, ou em sólidos conhecimentos, apontando os erros, que devem ser corrigidos, é um apanágio das sociedades democráticas, ao contrário das totalitárias, onde as críticas inexistem. A Maçonaria contemporânea, frutificada nos ideais liberais e libertários dos povos é, por definição, uma instituição essencialmente democrática, uma tribuna livre, onde o poder do povo maçônico se sobrepõe, sempre, aos poderes de eventuais “dominadores”, que pretendem fazer, da Ordem, o seu feudo particular. Assim, dentro da Maçonaria, a crítica construtiva a erros cometidos, deve ser incentivada, como direito do maçom, e não cerceada, com base na tão decantada tolerância, que, no caso, envolve cumplicidade nos erros e que pode chegar às raias da ingenuidade. Muitos autores de notória capacidade profissional, com grandes conhecimentos maçônicos têm criticado, em tese, os grandes erros ritualísticos, históricos e filosóficos, que se tem cometido na Maçonaria, desfigurando-a através dos tempos e despojando-a do seu primitivo esoterismo. Isso é altamente construtivo; calar seria acatar, seria assumir total cumplicidade, contribuindo para perpetuar o erro, oficializando-o. Qualquer homem sente-se estimulado pela crítica, dinamizando-se e procurando aperfeiçoar-se; por outro lado, a falta de crítica é altamente prejudicial, pois o homem, que só recebe elogios, torna-se acomodado e estático, acostumado, perenemente, a bajulação e curvaturas dos que o cercam.
   Críticas de má fé - É claro que a crítica rasteira e maldosa não pode ter lugar em nossos Templos, pois ela é prejudicial, ofensiva e nada traz de útil para quem a faz e para quem a recebe; mas é claro, também, que aos poucos maçons independentes que criticam as coisas erradas, possuem nível intelectual e discernimento suficiente, para não descerem a ofensas pessoais, resguardando os princípios de ética e da moral, que levam a polêmicas revitalizantes e de elevado teor cultural. Usar, como se faz, comumente, o princípio da tolerância, para tentar justificar os erros e torná-los imunes às críticas, é uma atitude simplista que chega a ser até cínica, na medida em que abusa da boa fé dos maçons, iludindo-os.
   Constatação - Viva, portanto, a crítica construtiva! Vivam os maçons independentes e críticos, que mantém a Ordem sempre desperta! No dia em que esses homens tornarem-se emudecidos pela acomodação, ou, o que é pior, deixarem a Ordem, como desejam alguns avessos às democráticas atitudes contestatórias, aí da Maçonaria, pois ela se tornará apenas um corpo robotizado, sujeito ao tacão de alguém que reinará absoluto, sobre um séquito de aduladores rastejantes. Isto não é, absolutamente uma crítica; é uma simples constatação. Alguém disse: “Alegremo-nos com os que estão alegres; choremos com os que choram”, partilhando assim, das emoções daqueles que estão ao nosso lado. No mundo espiritual, não há lugar para o choro, para a tristeza, mas tão somente para o gozo celestial.
   Comportamento humano - O povo sempre arranja um motivo para tecer críticas. É como aquela história do homem, do menino e do burro. Andava um homem montado em seu burro; seguia-o a pé, um menino, provavelmente um filho; ao passarem por um grupo de pessoas, alguém criticou: - pobre criança! Seu pai ao invés de colocá-lo na montaria, egoisticamente, busca a sua própria comodidade. Ouvindo isso, o homem desceu do burro e nele colocou o filho e passou a segui-los à pé. Passando por outro grupo de pessoas, um deles criticou: esse menino é um egoísta, e abusador, não tem pena de seu velho pai e usufrui da comodidade da montaria. O pobre homem, então, resolveu montar no burro junto com o menino; bastou para que alguém criticasse: - que homem malvado, sacrificando um pobre animal, sobrecarregando-o de peso. Constrangido, o homem desceu da montaria, fez o filho descer e seguiram a pé, puxando o burro pelo cabresto. Surgiu outra crítica: - que homem ignorante. Contando com uma montaria, prefere, com o seu filho, andar a pé. Convencido o homem que a sua primeira atitude era a certa, montou no burro, deixando o filho, segui-lo a pé.
   Diante da crítica – O motivo para criticar não tem importância; o que importa é a crítica; ela pode ser construtiva, portanto permitida quando não houver maldade, mas opinião sincera. Temos que reconhecer nossos erros e aceitá-los. O erro é uma falha acidental, involuntária, uma tentativa frustrada ou mal sucedida de acertar. Não se trata de cruzar os braços, mas não revidar, não retaliar. Eu aprendi que quando você planeja dar o troco a alguém, está permitindo que essa pessoa endureça possíveis diálogos. O que eu quero dizer é que, quando somos criticados, é vital que dediquemos algum tempo para compreender o que realmente está por trás dessas críticas. Os nossos sentimentos frequentemente são os mesmos, independentemente dos motivos de quem faz a crítica. É preciso pouco tempo para examinar os sentimentos, de modo que possamos chegar à verdade ou ao engano da crítica. Em primeiro lugar, eu pergunto a mim mesmo: “Quem está me fazendo esta crítica?” É uma pessoa rabugenta que sempre encontra de que reclamar? Ou é uma pessoa que faz críticas criteriosamente? Isso não quer dizer que eu consigo sempre descartar as críticas do crítico habitual, mas tem me ajudado a ouvir as críticas da maneira mais objetiva, com reserva analítica, sendo elas geradoras de aplausos ou motivadores de acirradas rejeições. Em segundo lugar, me pergunto: “O que há de verdade nesta crítica?” Até mesmo na mais infame das alegações pode haver um elemento de verdade que preciso ouvir.
Em terceiro lugar, eu sempre peço a opinião de outra pessoa. A confidencialidade requer consideração, por isso a importância da opinião dos Irmãos. Com muita frequência, apenas repetir em voz alta traz a definição dos meus sentimentos, e uma nova perspectiva sobre o assunto.
   Erros e acertos - Algumas vezes, a crítica vem de pessoas mal-humoradas. Outras vezes, vem de pessoas que nos amam e querem o melhor para nós. O que não podemos é ter o luxo de descartar a crítica. Deus usa as críticas para lembrar-nos de que precisamos fazer nosso trabalho com humildade e com total dependência Dele. Ele também nos lembra de que não temos opção, quando o assunto é amar. E nada ensina o amor mais rápido do que o desafio de amar. E amando todos estarão felizes, exceto belicistas e semeadores da discórdia. Tenho aprendido mais com meus erros que com meus acertos. Esperamos demais para fazer o que precisa ser feito, num mundo que só nos dá um dia de cada vez, sem nenhuma garantia do amanhã. Enquanto comentamos que a vida é curta, agimos como se tivéssemos à nossa disposição, um estoque inesgotável de tempo. Esperamos demais para dizer as palavras de perdão, que devem ser ditas, para por de lado os rancores que devem ser expulsos, para expressar gratidão, para dar ânimo, para oferecer consolo.
   Conclusão – muito difícil, para indivíduos e organizações de qualquer natureza, o exercício da autocrítica. Por implicar a avaliação rigorosa dos próprios atos, sem cancelar os aspectos problemáticos e até negativos, costuma dar a ideia de fraqueza, mostrando os pontos frágeis. Procure agir com senso e assimile esta sábia oração: “SENHOR, concede-me serenidade para aceitar o que não posso mudar; coragem para mudar o que posso. Tomar conhecimento de Tuas palavras e assumi-las é o primeiro passo para melhorar minha conduta”.
   PS - NÃO POUPE ELOGIOS À QUALIDADES DOS OUTROS - Os elogios aumentam as qualidades. Aumentando as qualidades, os defeitos acabam desaparecendo, assim como a treva desaparece quando você aumenta a luz. Não adianta remexer a treva, pois não é assim que ela acaba. Basta acender a luz para que a treva desapareça.














sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

As necessidades humanas




A busca pela Felicidade

   A vida humana é uma das realidades biológicas mais complexas e misteriosas do universo. Afirmar qualquer coisa sobre o ser humano é sempre uma atitude arriscada, pois nada é preciso, principalmente quando se fala em necessidades humanas. Além das necessidades biológicas, responsáveis pela sobrevivência do homem, há também necessidades espirituais. E a principal delas é ser feliz.
   A busca da felicidade, segundo Dalai Lama, é a igualdade fundamental entre os seres humanos. “De fato, quanto mais vejo as coisas do mundo, mais claro fica para mim que, não importa qual seja a nossa situação, sejamos ricos ou pobres, instruídos ou não, qualquer que seja nossa raça, sexo ou religião, todos desejamos ser felizes e evitar sofrimentos”. (Dalai Lama, 2000, pag.13).
  Mas como ser totalmente feliz? Modificar os pensamentos, as emoções e o comportamento podem ajudar a lidar com o sofrimento, que é o responsável pela amargura da alma. Para Dalai Lama “grande porção do sofrimento que nos aflige é na verdade criado por nós mesmos” (idem, pag. 07). Neste mundo contaminado pelo materialismo, o ser humano esquece de alimentar o espírito, abalando também sua saúde física, com sua estrutura fragilizada, os opositores da felicidade, que são a ansiedade, o medo, o estresse, a confusão, a insegurança e a depressão dominam com mais facilidade as atitudes do homem, impossibilitando que ele seja feliz. Dalai Lama acredita que os atuais padrões de comportamento são consequência do crescimento e desenvolvimento econômico. As pessoas convivem diariamente com a competitividade e a inveja. Hoje é cada vez mais difícil demonstrar um mínimo de afeto aos outros. Encontra-se apenas um alto grau de solidão e a perda dos laços afetivos.
   Ernest Cassirer, antropólogo, já previa este estágio do ser humano, ao intitular uma de suas teses como “Multidão Solitária”. Atualmente as pessoas parecem não precisar mais das outras, recorrem às máquinas para saciar suas carências. Ao observar o padrão de vida da população mundial nota-se que quanto mais desenvolvido é o país onde se vive, maior é o grau de infelicidade. As pessoas do chamado “primeiro mundo”, ao invés de utilizarem a tecnologia e a ciência em prol de sua felicidade pessoal, preferem competir entre si na aquisição de bens materiais. No clássico da literatura infantil, “O Pequeno Príncipe”, Antoine Saint Exupéry alertava o mundo quanto a falta de vínculos nos relacionamentos dos seres humanos. Este fenômeno é consequência da falta de espiritualidade. Dalai Lama, depois de viajar por muitos países e conhecer várias culturas, conclui: “Não importa muito se a pessoa tem ou não uma crença religiosa. Muito mais importante é que seja uma boa pessoa”. (Dalai Lama, 2000, pag. 29).

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

O MAÇOM E A JUVENTUDE





  Por diversas vezes, encontramos a expressão “Construtor Social” vinculada à missão de ser Maçom e com isso focamos nossos esforços no coletivo, em ações sociais. Não há nada de errado nesta postura de nos concentrarmos nesta dimensão objetiva dirigida ao outro como a sociedade organizada, desde que não nos esqueçamos da dimensão subjetiva ou bem próxima a nós. Todo Maçom tem, de alguma forma, um vínculo com a juventude, seja com sobrinho, filho, neto, funcionário ou vizinho.
   A Organização das Nações Unidas – ONU, qualifica como jovens pessoas entre os 13 e 24 anos de idade. Mesmo reconhecendo a importância desta maravilhosa fase da vida, não podemos nos esquecer de que a juventude é também uma forma imatura de um ser vivo. Nas nossas alegorias, não podemos tratá-los como “pedra bruta”, mas, sim, como uma “pedra em formação”, sem, ainda, a plenitude de uma estrutura externa e interna bem definida. Sob o ponto de vista geológico, esta “pedra em formação” está exposta a todas as intempéries do tempo e todas as forças da natureza.
 Os jovens como “pedra em formação” estão expostos também moral e psicologicamente. Nesta face é onde grande parte de sua formação (aprendizado) se dá em ambientes adversos, diferentes do lar, das instituições de promoção da moral e da ética ou mesmo das religiões. Não havendo uma atuação prática substancializada em valores e forças neste processo de formação, teremos como resultante uma pedra de estrutura interna fragilizada, com tantas arestas e deformidades externas que, ao uso do malho e do cinzel, ela trincará ou não se sustentará como peça adequada a nenhuma edificação. Os valores aprendidos pelo Maçom no estudo de nossos símbolos precisam ser balizadores de sua conduta.     
 Lembremo-nos de que um dia, estávamos “nas trevas”, vendados; éramos completamente ignorantes sobre o que se passava ao nosso redor. Por isto, precisávamos de um GUIA ESCLARECIDO (Experto). Este estado que nos encontrávamos se aplica à família, onde o jovem/filho, incapaz de se dirigir, necessita do amparo e guia de um adulto/pai. Nosso Grão-Mestre AdVitan Leonel Ricardo de Andrade, há anos nos alerta: “Para com os filhos deve (o Maçom) exercer com lealdade o poder pátrio, educando e ensinando-lhes que o trabalho e a honradez constituem o mais seguro amparo, além de ser a única forma justa e perfeita de ascensão social.” A PRIMEIRA CÉLULA DA SOCIEDADE É A FAMÍLIA. QUE NENHUM MAÇOM SE ESQUIVE DE SUA CONDIÇÃO DE EDUCADOR, PRINCIPALMENTE, PELO EXEMPLO. Este artigo foi inspirado no livro “CENTENÁRIO DA LOJA MAÇÔNICA CARIDADE SUL MINEIRA” 1998, onde na página 123, o Irmão Jesus Antonio Padilha se manifesta sobre a juventude: "Nós temos esta responsabilidade sagrada, a responsabilidade de abrir estradas amplas para a jornada do moço, na direção do futuro. Temos que rasgar clareiras, para o seu repouso e refazimento, ao longo dessa caminhada, temos o dever de nos postarmos como tenebrário para o escuro das suas noites de dúvidas e de incertezas." Neste nono ano de compartilhamento de instruções maçônicas, mantemos a intenção primaz de fomentar os Irmãos a desenvolverem o tema tratado e apresentarem Prancha de Arquitetura, enriquecendo o Quarto-de-Hora-de-Estudo das Lojas. Precisamos incentivar os Obreiros da Arte Real ao salutar hábito da leitura como ferramenta de enlevo cultural, moral, ético e de formação maçônica.

Fraternalmente Quirino
                                                                                                          Sérgio Quirino – ARLS
Presidente Roosevelt 025 - GLMMG

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Maçom, cidadão ideal




Quando pediram a Aristóteles um código moral por onde pautar a vida, ele disse:"Não posso dar-lhe um código; estejas com os melhores e mais sábios que você encontrar, e imite-os"!

   Entende-se por lei maçônica, em sentimento amplo, a Constituição e o Regulamento Geral, além dos denominados landmarks (em número de 25, que são as mais antigas leis que regem a Maçonaria Universal) e por Atos normativos maçônicos aqueles representados por Regimentos Internos de Lojas e dos Tribunais Maçônicos, bem como por Decreto Maçônico.
   As leis maçônicas são de ordem moral e estão restritas à Instituição. Assim sendo, devem cingirse, estritamente, à ritualística e a liturgia,sem gerar conflitos – vale dizer – sem colidir com a boa hermenêutica das leis civis.
   A Constituição da República Federativa do Brasil, instituiu um Estado Democrático e a Maçonaria acolhe seu preâmbulo em seus PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS, definidos na abertura do Ritual do Aprendiz.
   Trata-se de um preâmbulo maravilhoso pela riqueza conceitual de seu conteúdo que merece todo elogio, especialmente na vivência do cidadão Maçom, no desempenho de seus deveres que devem manifestar profunda reverência para com a Ordem e alta consideração para com a Loja.
   Aparecem bem claros os valores supremos proclamados no papel e que precisamos professar com a nossa vida de homens livres e de bons costumes, conscientes de que somos a própria alma da Maçonaria. Ela tem a missão de educar, desenvolver e prosperar a humanidade, e é dita progressista. Combate, ainda, o vício, a tirania, a injustiça social e pretende libertar o homem.
Na abertura das nossas reuniões, o nosso Ritual faz alusão a uma das muitas definições do que seja, ou signifique a Maçonaria, explicando o seu objetivo, o qual explicita: "Tornar feliz a humanidade pelo exemplo, pelo amor, pelo aperfeiçoamento dos costumes, pela tolerância, pela igualdade e pelo respeito à autoridade e a crença de cada um". Buscando e rebuscando o que temos diante de nós, dentro de nós, só é necessário que façamos cumprir na plenitude o que já temos. Em vez de observarmos e buscarmos fora, temos de observar e buscar dentro.
   A Maçonaria tem, como um dos objetivos primeiros, a missão de levar à humanidade a felicidade real, pelo exemplo daqueles que fazem a Maçonaria, pelos seus integrantes. Ainda estamos engatinhando na construção desses objetivos. Precisamos de dirigentes que estejam imbuídos do espírito democrático e o transmitam especialmente com ações eficazes. Se não derem de saída, o bom exemplo, invalidarão o exercício do que se prega e na prática vai gorar certamente. Virtudes se ensinam mais pelos exemplos, que pelas palavras. "Lutar pelo princípio da Eqüidade, dando a cada um o que for justo, de acordo com sua capacidade, obras e méritos". Sem essa prática não existe, não existirá razão de nos filiarmos à Instituição, destinada a assegurar o exercício dos direitos, da liberdade, da igualdade e justiça como valores supremos.
   Embora esses direitos sejam descurados, às vezes ignorados, maltratados, e longe de ser praticados por grande parte de nós e principalmente a partir das classes chamadas intelectualizadas, dirigentes, etc, aparecem com destaque, porque são a razão fundamental das demais prerrogativas anunciadas no Preâmbulo.
   Na verdade, há muito o que fazer. É preciso, apenas, idéias e boa vontade de elevar a Ordem e assistir e valorizar o Maçom. Um Maçom bem formado e motivado só precisa de uma alavanca e um ponto para fazer este mundo melhor.
   A Maçonaria preocupa-se com o analfabetismo, a violência, a superstição, a insegurança, a má distribuição de rendas, aonde o grande lucro vai para quem somente movimenta o dinheiro, dentre tantos outros. E busca soluções na raiz dos problemas, naquilo que provocam estes efeitos, estas causas.
   LIBERDADE - Em seus enunciados a Maçonaria realça o direito do homem à Liberdade, sem a qual o ser humano deixa de o ser e perde até a razão de existir. Infelizmente muito se fala em liberdade e quanto mais se fala, menos ela existe. Para ser alcançada a liberdade, está entre os clamores de nosso povo a Segurança, sem a qual é impossível funcionar a liberdade. Hoje, não se pode sair de casa tranqüilamente, até podemos, mas (quem garante!!!) retornarmos vivos e sadios? Se inexiste a segurança como pode haver liberdade? Existe sim, profundo mal-estar,agravado ainda pela inércia, ou seja, a falta de ação, de atitudes corretas, de atividade das autoridades. Se os requisitos básicos da liberdade estão em déficit, ou, sua existência é precária como pode haver dignidade da pessoa humana?
   IGUALDADE – Um valor sumamente exaltado, desde a revolução Francesa, uma revolução de burguesia e não do povo, como muitos pensam. Quanta tinta derramada no papel, páginas, versos e versos, e as maravilhosas pregações de todos os iluminados que caminharam entre nós, pregando o amor e a reconciliação entre os povos, em todas as religiões; Quanto sangue derramado em nome da liberdade e da igualdade. A Maçonaria reconhece que todos os homens nasceram iguais e as únicas distinções que admite são o mérito, o talento, a sabedoria, a virtude e o trabalho. A igualdade segundo temos constatado não existe nem em potência, nem em valor, nem em dimensão, nem em duração.
O que existe e persiste, é que queremos ser diferentes e divulgamos sermos iguais, quando somos sujeitos a comparações diferentes. Para ficarmos num único exemplo de "desigualdade" e garantia do direito de cada um ao critério de igualdade, retidão, equanimidade e principalmente justiça, seria aceitável que o Tribunal Eleitoral através dos órgãos oficiais de comunicação, (Boletins e Revistas oficiais) publicassem antes do pleito eleitoral em lugar de destaque as fotos, os currículos vitae, endereços, telefones e o PROGRAMA ADMINISTRATIVO ou de trabalho (Plataforma) de todos os candidatos aos cargos eletivos para que fosse garantida aos eleitores o direito de fazer seu julgamento e prestigiar o mais apto. Assim, os eleitos seriam, realmente, aqueles que mais conhecimento possuam, que mais espiritualidade tenham demonstrado e que sintam e se comprometam com deveres e responsabilidades. E teriam a chance de escolher melhor. Isso, por acaso tem sido feito? Nem mesmo o acesso ao endereço do eleitor é facultado a todos os candidatos. A "Saúde, Força e União" depende somente da abnegação e desprendimento. Mas ninguém dá o primeiro passo. Há medo de perder o "espaço conquistado"! Sei que não conseguiríamos esse ideal porque tudo depende da aprovação e da boa vontade das cúpulas às quais estamos subordinados. Talvez, um dia, nossos dirigentes resolvam dar uma demonstração de eqüidade, reconhecendo igualmente o direito de cada um, vencendo suas paixões e submetendo suas vontades.
   Isto poderá fortalecer a Democracia e a Maçonaria, dando um passo a frente no quesito Igualdade, e assim fariam jus serem chamados de "construtores da humanidade", "limpos e puros" e até de "sagrados".
                                                                                                                                                                               Ir.´. Valdemar Sansão
Or.´. de São Paulo/SP 


segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

C U L T U R A M A Ç Ô N I C A




   Ao conjunto de manifestações humanas fundamentadas em ideais estéticos comungados por uma segmentação social atribui-se o conceito básico de Cultura. Padrões diversos que possam ensejar princípios aparentemente rudimentares, outros mais complexos, e expressões artísticas, literárias, musicais, políticas ou comportamentais, igualmente traduzem parte desse arcabouço a que denominamos Cultura.
   De acordo com o Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa constata-se: Do latim cultura, culturae, que significa “ação de tratar”, “cultivar” ou “cultivar a mente e os conhecimentos”. Originalmente, a palavra cultura deriva-se do termo latino: colere, que quer dizer “cultivar as plantas” ou “ato de plantar e desenvolver atividades agrícolas”. Com o passar do tempo, foi se estabelecendo uma analogia entre o cuidado na construção e tratamento do plantio, com o desenvolvimento das capacidades intelectuais e educacionais das pessoas.
   Ao se fazer uma paráfrase à Maçonaria pode-se afirmar que o conjunto de postulados, conceitos, princípios, códigos éticos e morais, marcos regulatórios da Ordem (Landmarks), ritos, aspectos religiosos, esotéricos, exotéricos, sociais, históricos e filantrópicos, além é claro que os Sinais, Marchas, Batidas de Graus, Simbolismos e naturalmente a busca contínua pelo "Aprimoramento Humano" constituem-se no que se pode chamar de "Cultura Maçônica".
    A todo esse cabedal de circunstâncias conferem-lhe sua natureza Universal e nela reside a amplitude cultural de nossa Sublime Ordem expressa através de um vasta literatura, e até mesmo contextualizada por meio de peças teatrais, manifestações musicais, esculturas e obras arquitetônicas. Aliado a todo esse processo cultural, ao Maçom compete exercitar essa dinâmica entregando-se sem medo à pesquisa e à prática de sua essência. Indispensável traçar aqui um paralelo entre Cultura e Intelectualidade, especialmente do ponto de vista da Cultura Ocidental, posto que esse foi sempre um dos princípios do modus vivendi ocidental, separando o trabalho do lazer.
    Cultura evoca o conjunto da Obra e Intelectualidade remete ao exercício supremo da Ordem conjecturado por meio da concentração e formulação de Idéias e Estratégias. A cultura maçônica notadamente de grande influência das civilizações ocidentais, mormente cristãs, absorveu também atividades e métodos orientais, notadamente no seu âmbito metafísico e esotérico, o que se identifica inclusive nos estudos dos graus filosóficos e superiores da Arte Real. Influências das culturas mesopotâmicas (Caldeus, Acádios, Sumérios), dos antigos egípcios e dos Judeus todos de alguma forma deixaram seu legado como contribuição para o amalgamento da cultura maçônica.
    Outra característica cultural marcante são os seus Augustos Mistérios e os Segredos da Ordem que emprestam-lhe um ar permanentemente hermético e instigante e que somente se revelam a um legítimo Maçom por meio das próprias descobertas que se traduzem através dos Simbolismos contidos na sua filosofia e no aprofundamento de seu exercício contínuo em Loja.
    A cultura maçônica visa congregar a interpretação de seus símbolos, a prática de suas tradições e suas lendas místicas. A relação simbólica com o Universo e todos os sinais e códigos denotam essa marca cultural sempre objeto de muita curiosidade dos não iniciados. É inegável que construir e desenvolver uma Consciência Reflexiva humana no âmbito espiritual, filosófico, filantrópico e progressista, enseja outro arsenal consistente de que se vale a obra e a cultura maçônica, especialmente porque a Maçonaria propõe o exercício constante da Reflexão, visto que esta significa o movimento em volta de si mesmo, é a interrogação a si mesmo, como busca pelo aprimoramento do homem.
Cabe aqui citação do autor Mansur, 1999, Boller 2011 que escreve:
“...O medo dos poderosos não é tanto pela forma esotérica das reuniões dos maçons, mas principalmente pelo fato de, pela educação natural, libertar o pensamento do cidadão, conscientizando-o de seu papel na sociedade e no Universo. A ordem maçônica não concorda com posicionamentos radicais ou de concentração de poder, e isto lhe rendeu poderosos inimigos. A vingança de insidiosos perseguiu maçons; miríades morreram para manter a ação de educar o homem do povo em direção à liberdade...”.
   É portanto válido afirmar que um dos expoentes da Cultura Maçônica é o seu "caráter adogmático", posto que a busca pela verdade e pelo crescimento humano são valores de inestimável perenidade, vez que o Maçom está em constante elevação, pois a liberdade de pensamento permite-lhe explorar as fronteiras mais longínquos do Conhecimento.
   A Maçonaria encerra em sua compleição cultural ensinamentos místicos e simbólicos, e constitui-se num sistema de moral e ética que não deriva da antropologia religiosa. É o homem conhecendo-se a si mesmo e burilando o Templo que existe dentro de si, pautado por elementos esotéricos e referências de cunho religioso que lhe conferem seus aspectos plurais de respeito e convivência entre todos os credos que conduzem ao entendimento do princípio da existência de um Supremo Arquiteto do Universo.
   Fontes inesgotáveis para a compleição cultural da Ordem são a Alquimia, a Geometria, a Arquitetura e a Astronomia que tantos valores agregam à Maçonaria e cujos estudos se evidenciam na prática durante o transcurso das Sessões em todo o mundo. Elementos esses que se perdem no tempo e no espaço dada a longevidade e consistência de suas influências e fundamentos que norteiam a instituição. De acordo com o autor maçom Albet Pike - Grande Comandante da Jurisdição do Sul do Rito Escocês Antigo e Aceito entre 1859 e 1891, como parte da CULTURA de nossa Ordem, destaque-se que os Símbolos Maçônicos "ocultam" e não revelam os seus ensinamentos, importando revelar somente ao iniciado, e dependendo do grau em que se encontrar, o nível de revelação; não sendo entretanto uma opinião compartilhada por muitos maçons. No seu livro, Moral e Dogma, este aponta os ensinamentos que devem ser apresentados e registra que diversos são os símbolos que a maçonaria apresenta aos maçons, distribuídos pelos diversos Graus que compõem os Ritos, e cabe a eles interpretarem e apreenderem o significado dos mesmos para construir o seu caminho.
     Assim, os símbolos e as alegorias fazem com que em tese os Maçons de todo o mundo se entendam, mesmo que suas línguas sejam diferentes, porém sob a égide de uma CULTURA sedimentada que valoriza e substancia as relações Fraternas que dão vida e sustentação a nossa Ordem.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Conceito de Ética



Ética


  Ética estuda as atitudes morais de uma pessoa ou de um grupo de pessoas, identificando o comportamento humano dos indivíduos como correto ou incorreto, de acordo os valores e crenças de cada época. Vivemos no atual momento uma crise de valores, que geram uma ansiedade em busca de respostas do sentido da vida e do papel de cada um na coletividade. Já em 1914 Ruy Barbosa discursava:   
  “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto”.
   O tema ganha importância para uma reflexão sobre a conduta das pessoas e seus valores, a busca humana pelas melhores formas de agir, viver e conviver. A ação humana é fruto de uma escolha entre o certo e o errado, e entre o que é bom e o que é mau. Desde a sua origem, o homem precisou viver em grupos, criando modelos de comportamento como justiça, honestidade, responsabilidade, lealdade e respeito de acordo com os valores estabelecidos na sua cultura e na sua época.
   A ética se caracteriza como estudo das ações individuais dos homens, cuja finalidade consiste em elaborar uma orientação normativa para essas ações, sempre fundamentadas para o bem. As reflexões da ética compreendem tanto aspectos da vida pública (como o direito, o poder e a política) quanto da vida privada, e são elas que determinam o modo como cada um convive consigo próprio e com os outros. As respostas filosóficas para as questões éticas variam no tempo e no espaço, e ainda apresentam uma característica fundamental que envolve a posição dos indivíduos em relação ao valor e as virtudes que são defendidos em seu meio cultural.
    A ética surgiu no pensamento clássico grego, quando Sócrates demonstrou que ela seria sempre o juiz individual das normas morais, as quais o homem deve seguir, não somente por educação ou por tradição, mas por convicção e em razão de sua própria reflexão. Ele julgava o ser humano ser dotado de uma natureza racional e voltada para o bem, tentando compreender a essência das virtudes e do bem.
   Na Idade Média, a Filosofia sofrera uma forte influência da tradição cristã. Santo Agostinho e São Tomás de Aquino são representantes desse período, onde o Estado não tem apenas função repressiva e econômica, mas também organizadora e moral. A filosofia permanecerá subordinada a teologia ao longo de todo período medieval. É impossível separar o pensamento filosófico do teológico. A vida ética era definida por sua relação com Deus e pela caridade com o seu próximo.
   A partir do século XVIII com Friedrich Hegel a ética ganha um dimensionamento político, pregando que uma ação eticamente boa é politicamente boa, contribuindo para o aumento da justiça e distribuição igualitária do poder entre os homens. Já para Émile Durkheim, os indivíduos devem desenvolver ações que possam modificar os aspectos deficientes da coletividade, dando ênfase para a solidariedade na tentativa de alcançar a harmonia na sociedade.
   A palavra ética refere-se a valores, virtudes e fins, como honestidade, integridade, transparência, respeito e consideração com o outro. A ética deve ser uma conduta de vida, onde tem sempre que haver um pensamento básico: tudo que me faz mal, que me incomoda, que me deixa infeliz, provavelmente poderá também afetar o outro e fazer-lhe mal, incomodá-lo e deixa- lo infeliz.
   Em uma conferência em 1991 sobre ética, Inácio Strieder já destacava as mudanças da sociedade brasileira:
  “Embora no momento pareça que a sociedade brasileira esteja num processo de deterioração sistêmica, sem perspectivas de saída, com uma desmoralização cada vez maior, eu estou convencido que estamos, pela primeira vez, numa encruzilhada histórica que nos permite iniciar a construção de uma sociedade ética. Se este processo vai levar 10, 20, 50 ou 100 anos não sei. Mas ha indícios de uma nova fervura. Não sei também qual a pressão que a panela suportará. Mas sei que sem o aumento das pressões sociais a mentalidade dos responsáveis pelo sistema, até agora predominante, não se alterará...
   Se formos capazes de montar projetos, buscar fins em vistas à dignificação do homem brasileiro também saberemos encontrar os meios para executar estes objetivos. E no uso destes meios se encontra o lugar da ética. Se não tivermos fins, nem meios adequados, também não haverá ética.”.
    O homem somente conseguirá ser ético quando entrar em contato com o seu íntimo para cobiçar a perfeição, que só pode ser conseguida pela conduta virtuosa. A humanidade só pode ser pensada em sociedade quando todos aspirarem o bem e a felicidade. Devemos entender que depende única e exclusivamente de nós expressarmos o amor e a ética na própria vida, nas relações pessoais e na sociedade.

Bibliografia: GRANDE LOJA DE SANTA CATARINA – NOÇÕES GERAIS DE FILOSOFIA PARA APRENDIZ – MAÇON. GIRARDI, João Ivo. Do meio-dia à meia-noite: vade-mécum maçônico. OLIVEIRA, Ruy Barbosa de. Trecho do discurso “Requerimento de Informações sobre o Caso do Satélite”, proferido no Senado Federal, no Rio de Janeiro, em 17 de dezembro de 1914. STRIEDER, Inácio. O lugar da ética na sociedade atual. Conferência pronunciada em 07 de outubro de 1991, durante a XII Semana de Filosofia da Universidade Católica de Pernambuco.