domingo, 6 de janeiro de 2013

O PROCESSO FORMATIVO DO MAÇOM


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Candidatos – Muitos Candidatos são iniciados em nossa Ordem sem os suficientes      esclarecimentos sobre o que a Maçonaria realmente é e representa. Isso se deve, não raro, aos escrúpulos do proponente, temeroso em revelar algum segredo e, outras vezes, o seu próprio desconhecimento sobre o que pode ou não revelar.

A Loja – Hoje, o lugar onde os maçons se reúnem chama-se Loja e cada Loja tem características próprias. Algumas são mais filantrópicas, promovem atividades para arrecadar dinheiro e ajudam asilos, orfanatos e creches, outras Lojas têm um cunho mais político e seus membros gostam de analisar a situação do país nessa área, mas, enfatizamos, em Maçonaria não se permite discussão de política partidária. Todas as atividades visam melhorar a moral, o caráter e o comprometimento dos Irmãos para com o progresso da humanidade, não havendo nenhum ganho político ou financeiro em ser Maçom.

O Maçom – Verdadeiro homem de bem, cumpre a lei de justiça, de amor e de caridade, na sua maior pureza. É bom, humano e benevolente para com todos, sem distinção de raças, nem de crenças, porque em todos os homens vê irmãos seus. Possuído do sentimento de caridade e de amor ao próximo, faz o bem pelo bem, sem esperar paga alguma; retribui o mal com o bem, toma a defesa do fraco contra o forte, e sacrifica sempre seus interesses à justiça.

Encontra satisfação nos benefícios que espalha, nos serviços que presta, no fazer ditosos os outros, nas lágrimas que enxuga, nas consolações que prodigaliza aos aflitos. Não alimenta orgulho, nem ódio, nem rancor, nem desejo de vingança; perdoa e esquece as ofensas e só dos benefícios se lembra.

Nunca se compraz em rebuscar os defeitos alheios nem evidenciá-los. Estuda suas próprias imperfeições e trabalha incessantemente em combatê-las.

Não se envaidece da sua riqueza, nem das suas vantagens pessoais, usa, mas não abusa dos bens que lhe são concedidos.

Se a Sociedade colocou sob o seu mando outros homens, trata-os com bondade e benevolência, porque são seus iguais perante o Criador do Universo; usa da sua autoridade para lhes levantar a moral e não para esmagá-los com o seu orgulho. Evita tudo quanto lhes possa tornar mais penosa a posição subalterna em que se encontram.

Quando subordinado, de sua parte compreende os deveres da posição que ocupa e se empenha em cumpri-los conscienciosamente.

Finalmente, o verdadeiro Maçom respeita todos os direitos que aos seus semelhantes dão as leis da natureza, como quer que seja respeitado os seus.

A Maçonaria - é a maior organização fraternal do mundo, com quase três milhões de membros nos Estados Unidos, mais de 700 mil membros na Grã-Bretanha e mais de um milhão no resto do mundo. Embora seja a firme crença em um Ser Supremo, condição sem a qual não será admitido na Ordem, que acolhe em seus quadros homens de todas as religiões e tem como tema central o comportamento moral, o auto-aperfeiçoamento constante e a dedicação à caridade, a Maçonaria não responde à acusações.  Não se importou por ter sido declarada ilegal por Adolf Hitler, Benito Mussolini e Francisco Franco.

Mesmo em nossa sociedade dominada pela mídia, que fatos são mais importantes do que matérias em jornais, em TV ou Internet, as críticas antimaçônicas permanecem não respondidas em razão da tradicional política da Maçonaria não responder aos ataques, mesmo disponibilizando notáveis conhecedores  de sua filosofia, história e ritualística que escolheram ser membros dela, com extrema facilidade poderiam refutar esses ataques.

Influência maçônica na história – Sem mencionarmos a Maçonaria Brasileira, diremos que a Maçonaria estava presente na Revolução Americana, com membros como George Washington, Benjamim Franklin,  James  Monroe, Alexander Hamilton, Paul Revere, John Paul Jones e mesmo o marquês de Lafayette e Benedict Arnold. Outras revoluções, contra a Igreja e o Estado, foram lideradas por Maçons como Benito Juarez, Simon Bolívar, Giuseppe Garibaldi e Sam Houston (ajudado, em alguns casos pelos produtos de seu companheiro Maçom, Samuel Colt).

Reis e imperadores que fizeram o juramento maçônico incluem Eduardo VII, Eduardo VIII e George VI da Inglaterra, Frederico, o Grande, da Prússia, George I da Grécia, Haakon VII da Noruega, Stanislaw II da Polônia e até o rei Kamehameha V do Havaí. Além de Washington e Monroe, o rol maçônico de presidentes dos Estados Unidos inclui Andrew Jackson, James K. Polk, James Buchanan, Andrew Johnson, James A. Garfield, Theodore Roosevelt, William Howard Taft, Warren G. Harding, Franklin D. Roosevelt,  Harry S. Truman, Lyndon Johnson, Gerald Ford, o Irmão honorário Ronald Reagan (Irmão honorário) e Balak Obama.

A  Segunda Guerra Mundial foi travada pelos líderes maçônicos britânicos Sir Winston S. Churchill, o marechal-de-campo conde Alexander de Túnis, o marechal-de-campo Sir Claude Auchinlech,  o marechal lorde Newhall (Royal Air Force) e o general Sir Francis Wingate.

A Maçonaria americana estava bem representada pelos generais Mark Clark, Omar Bradley, George Marshall, Joseph Stillwell e Douglas Mac Arthur.

Também não havia sempre Maçons no mesmo lado. Napoleão comandou seus marechais Maçons Messena, Murat, Soult, Mac Donald e Ney contra os Maçons Kutuzov da Rússia, Blucher da Prússia e a causa de sua ruína, o duque de Wellington.

É difícil saber onde parar ao se enumerar a influência maçônica em todos os aspectos da vida ocidental nos últimos 292 anos, seja essa influência política, militar ou cultural.

Em música, a Maçonaria aparece em toda a escala, desde William C. Handy, compositor do The St. Louis Blues, até John Philip Sousa, e de Gilbert e Sullivan, passando por Sibellius e Haydn até Wolfgang Amadeus Mozart, que, segundo alguns, foi assassinado por revelar segredos maçônicos em sua ópera A Flauta Mágica.

Os membros maçônicos do mundo literário incluem Sir Walter Scott, Robert Burns, Rudyard Kipling, Jonathan Suvift, Oscar Wilde, Oliver Goldsmith,  Mark Twain e Sir Arthur Conan Doyle (que nunca teria permitido que o livro anti-maçônico Jack the Ripper: The Final Solution de Stephen Knight fosse reescrito, como foi, em uma versão de filme de ficção, degradando a criação de Sir Arhur, Sherlock Homes, contra os Irmãos do próprio Sir  Arthur em Londres).

Maçonaria e Religião (Síntese) - Os requisitos religiosos da Maçonaria são bastante simples: a crença em um Ser Supremo e a inexistência de qualquer interferência, ou mesmo persuasão contra, a crença individual do Maçom. Pode-se afirmar com segurança que a Maçonaria não é uma religião por uma simples razão; em geral, os adeptos acreditam que seus credos religiosos estão completamente certos. Isso significa que eles acreditam que todos os outros credos são, ao menos até certo ponto, errados. A posição da Maçonaria é oposta, uma vez que admite que haja alguma verdade em todas as percepções humanas de Deus e declina de afirmar que qualquer crença em particular é perfeita.

Nosso dever - Atravessamos uma época de crise abrangendo todos os pontos de vista, mas principalmente no comportamento humano, onde prevalecem a violência, o egoísmo, a corrupção e a licenciosidade, resultando, conseqüentemente, em insegurança quanto ao futuro imediato e gerando simultaneamente ceticismo, desencanto e conformismo.

Conscientizando-nos de nossas responsabilidades, cabe-nos trabalhar por uma sociedade melhor, dentro dos princípios da Razão e da Justiça e para tanto se faz urgente selecionar candidatos de valor para as escolhas de futuros maçons capazes de lutar permanentemente contra aquilo que á abominável, contra o que escraviza e degenera. Eu vos afirmo que o mundo está repleto de homens bons, cultos, sensatos, preciosos, de valor. Que sejam bem-vindos à Maçonaria e à Ordem!


Ir.`. Valdemar Sansão – M.’. M.’.
A.'.R.'.L.'.S.'. Arnaldo Alexandre Pereira - GLESP
Or.'. São Paulo – SP
focoartereal.blogspot.com

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

DEUS E O HOMEM


Todos os homens são iguais por natureza, feitos do mesmo barro, pelo mesmo Criador; embora nos iludamos, tanto é estimado por Deus o camponês pobre quanto o príncipe poderoso

(Platão)

Deus – Ser infinito, perfeito, criador de tudo e de todos. Para o Maçon, Deus é o Grande Arquitecto do Universo. - Homem – o ser humano com sua dualidade de corpo e de espírito.
 
god_creates_manO medo do desconhecido e a necessidade de dar sentido ao mundo que o cerca levaram o homem a fundar diversos sistemas de crenças, cerimonias e cultos – muitas vezes centrados na figura de um ente supremo - que o ajudam a compreender o significado último de sua própria natureza. O ser humano é uma criatura instintivamente religiosa. Deus é o nosso mais forte arquétipo.
 
Deus é amor. Não podemos ver o amor, nem ter uma compreensão do que seja o amor, a não ser quando ele toma um corpo. Todo o amor que existe no universo é Deus. O amor entre marido e mulher, entre pais e filhos, é uma parcela ínfima de Deus manifestado através de forma visível. O amor de mãe, tão infinitamente terno, tão abnegado, é o mesmo amor, apenas manifestado em maior dosagem pela mãe.
 
O Homem – Deus, em seus desígnios, faz o homem nascer num meio onde pode desenvolver sua inteligência e quer que dela use para o bem de todos; porque é uma missão que lhe dá, colocando em suas mãos o instrumento com a ajuda do qual o homem pode desenvolver, a seu turno, as inteligências retardatárias e as conduzir a Deus. A inteligência é rica de méritos para o futuro, mas com a condição de ser bem empregada; se todos os homens dotados, se servissem dela segundo os propósitos de Deus, a tarefa seria fácil para fazer a Humanidade avançar; infelizmente, muitos fazem dela um instrumento de orgulho e de perdição para si mesmos. O homem abusa da inteligência como de todas as outras faculdades e, entretanto, não lhe faltam lições para adverti-lo de que uma poderosa mão pode lhe retirar aquilo que ela mesma lhe deu.
 
Perguntaram ao Dalai Lama o que mais o surpreende na humanidade – Ele respondeu:
 
Porque perdem a saúde para juntar dinheiro e depois perdem dinheiro para recuperar a saúde. E por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem do presente de tal forma que acabam por não viver nem o presente nem o futuro. E vivem como se nunca fossem morrer e morrem como se nunca tivessem vivido!
 
Religiões – O medo do desconhecido e a necessidade de dar sentido ao mundo que o cerca levou o homem a fundar diversos sistemas de crenças, cerimonias e cultos - muitas vezes centrados na figura de um ente supremo – que o ajuda a compreender o significado último de sua própria natureza.
 
Denominam-se religiões as filosofias – há milhares delas – que conduzem o ser humano às Igrejas, movidas pelo temor de um castigo divino ou pela esperança de um prémio após a morte. Todo acto capaz de unir Deus à criatura pode se considerar religião, independente da nomenclatura.
 
A primeira missão das religiões é provar que existe Deus que nos criou e que, se o nosso corpo físico é perecível, a nossa alma é eterna. Provar também que Deus, pela sua imensidade, está em tudo que existe. E sobre o respeito que devemos ter por Deus e a reverência que a Ele devemos consagrar.
 
As religiões monoteístas professam a crença num Deus único, transcendente – distinto e superior ao universo – e pessoal. Um dos grandes problemas do monoteísmo é a explicação da existência do mal no mundo, o que levou diversas religiões a adoptarem um sistema dualista, o maniqueísmo, fundado nos princípios (opostos) supremos do bem e do mal.
 
As grandes religiões monoteístas são o judaísmo, o cristianismo – que professa a existência de um só Deus, apesar de reconhecer, como mistério, três pessoas divinas – e o islamismo. A religião visa ao retorno a Deus daquele que o “abandonou”, em um regresso aos preceitos contidos no Livro Sagrado de sua Fé.
 
Deve-se distinguir religião de seita, doutrina ou qualquer princípio similar. A Maçonaria pode ser uma religião no sentido estrito do vocábulo, isto é, na harmonização da criatura com o Criador. É a religião Maior e Universal; o contacto com a Parte Divina; é a comunhão com o Grande Arquitecto do Universo, é o culto diante do Altar dentro de uma Loja ou no Templo Interior de cada maçon. O maçon deve ser religioso nas suas atitudes, pois não é criatura de viver isolado e só.
 
Maçonaria e Igreja não se confundem, se completam. A Igreja é de cunho divino, santo, que vem do alto; Maçonaria é de cunho humano, terreno, que foi a melhor maneira de expressar os ensinamentos do alto. Maçonaria é religião, pois liga os homens entre si e com o Grande Arquitecto do Universo. Maçonaria não é religião quanto aos seus actos exteriores, dogmas de fé, pois ela nunca pretendeu sobrepor a fé de nenhum de seus membros, nem lhes impõe nenhuma crença, excepto o amor fraternal e a existência do Ser Infinito. Na Maçonaria ninguém luta por supremacia, pois todos são iguais, ninguém impõe suas ideias, pois são respeitados todos os ideais, cada qual adorando a Deus de acordo com os ditames de sua própria consciência.,
 
Resumindo, o maçon será religioso quando praticar o bem e considerar o próximo como irmão, seja qual for a sua condição social, não seja visto como superior ou inferior, mas, antes de qualquer discriminação, seja reconhecido como igual ou semelhante.
 
Deus e Homem – Para os cristãos, Jesus é Deus feito carne, a personificação da verdade, a revelação e o cumprimento das promessas de Deus. Mas Jesus era também homem, e por isso seus ensinamentos eram dotados de uma profunda preocupação com a realidade temporal da humanidade. Assim, Jesus venerou como divina a lei contida no Antigo Testamento, mas ensinou aos discípulos que se concentrassem nos dois preceitos fundamentais: o amor a Deus e o amor ao próximo. Seu nascimento, morte e ressurreição significam o início do reino de Deus, que deveria ser acima de todo esforço humano, um desígnio divino. Assim, os ensinamentos de Jesus podem ser resumidos em dois pontos fundamentais: a exortação a uma vida justa e piedosa e a exaltação da omnipotência divina como instância superior aos actos humanos.
 
A fé em Jesus Cristo, Filho de Deus, implica a aceitação do mistério de sua dupla natureza, divina e humana, que não se confundem, mas estão indissoluvelmente unidas.
 
 – Em Teologia, a Fé é a expressão da crença como acto lógico e fundamental da razão humana. É a primeira das virtudes teológicas, aquela pela qual cremos em todas as verdades que Deus revelou que a Igreja propôs à crença, e que são contidas na Escritura Sagrada ou ensinadas pela Tradição. É absolutamente necessário ter fé para ser salvo; esta fé deve ser explicita para os adultos, ao menos para as principais verdades. O cristão é, por outra, obrigado a confessar a sua fé publicamente, mesmo com perigo de vida, se o quiserem constranger pela força a renegá-la.
 
De uma maneira geral, pode-se definir a fé como uma convicção fundada não sobre a evidê0ncia ou sobre o raciocínio, mas sobre o testemunho. Assim entendida, a fé é, mesmo na ordem natural, a fonte do maior número dos nossos conhecimentos.
 
Para Luis Umbert Santos (Cartilha del Francmasón), a fé religiosa transfere os fenómenos do mundo natural ao sobrenatural, sendo portanto a principal oponente do racionalismo. E Ragon diz que, segundo os teólogos: “... a fé seria a virtude de crer firmemente em coisas que nem sempre estão de acordo com a Natureza nem com a razão. Pelo visto ignoravam que crer é o oposto de saber. A incredulidade de São Tomé é a metáfora com que se nos quer advertir que a fé não deve ser cega, sendo mister que a verdadeira fé, isto é, aquela que salva e conduz à verdade, seja iluminada pela sã razão e se apoie na convicção da consciência.
 
Diremos que a Fé de um homem pertence-lhe tanto quanto a sua Razão. Precisamos de uma fé, mas de uma fé robusta.
 
Fé em Deus – Exige-se aos candidatos à iniciação maçónica a declaração de sua fé em Deus. Aquele que negar a existência em Deus, diz Mackey, é negado o privilégio da iniciação, sendo o ateísmo uma desqualificação para a Maçonaria. “Este piedoso princípio, diz ele, distinguiu a Fraternidade desde o período mais primitivo, sendo uma feliz coincidência que a Companhia dos Maçons Operativos instituída em 1477, tivesse adoptado como sua divisa, o verdadeiro sentimento maçónico: “O Senhor é toda a nossa Fé”.
 
Valdemar Sansão – M:. M:
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quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

O SIMBOLISMO DA ROMÃ


A romanzeira ou pé de romã, em hebraico Rimmôn, é uma pequena árvore, ou até um arbusto pertencente à família “Punica Granatum” – nome latino – e no vernáculo mais purista, diz-se Romãzeira.

No sul da Espanha existe uma linda cidade, que foi a capital dos reinos de Castela e Aragão, conquistada aos árabes em 1492 pelos reis católicos, chamada romã = Granada.
Cresce silvestre no Oriente Médio e principalmente na Palestina, onde existem três cidades com o nome desse fruto, Rimon, Gate Rimon e En-Rimon. Da Palestina, através da Diáspora, foi levada a todo o mundo, inclusive, depois dos descobrimentos, ao Novo Mundo e posteriormente à Austrália e à Nova Zelândia.

Considerando-se a origem da Romã como sendo hebraica, nada melhor, para uma compreensão inicial, que recorrermos às Sagradas Escrituras. O Velho Testamento refere a Romã, ONZE vezes, enquanto o Novo Testamento, a omite totalmente. Por ordem cronológica, transcrevemos as passagens alusivas a esse fruto:
  1. “Farás também a sobrepeliz da estola sacerdotal toda de estofo azul. No meio dela haverá uma abertura para a cabeça; será debruada essa abertura, como a abertura de uma saia de malha, para que não se rompa. Em toda a orla da sobrepeliz farás romãs de estofo azul, púrpura e carmesim; e campainhas de ouro no meio delas. Haverá em toda a orla da sobrepeliz uma campainha de ouro e uma romã, outra campainha de ouro e outra romã. Essa sobrepeliz estará sobre Aarão quando praticar o seu ministério, para que se ouça o seu sonido, quando entrar no santuário diante do Senhor, e quando sair, e isso para que não morra.” (Êxodo 28-31.35.)
  2. “Depois vieram até o vale de Escol, por causa do cacho de uvas, o qual o trouxeram dois homens numa vara, como também romãs e figos.” (Números 13:23)
  3. “E porque nos fizeste subir do Egito, para nos trazer a este mau lugar, que não é de cereais, nem de figos, nem de vides, nem de romãs, nem de água para beber?” (Números 20:5)
  4. “Fez também romãs em duas fileiras por cima de uma das obras de rede para cobrir o capitel no alto da coluna; o mesmo fez com o outro capitel. Os capitéis que estavam no alto das colunas eram de obra de lírios, como na Sala do Trono, e de quatro côvados. Perto do bojo, próximo à obra de rede, os capitéis que estavam no alto das duas colunas tinham duzentas romãs, dispostas em fileiras em redor, sobre um e outro capitel.” (II Reis 7:18-20)
  5. “Há quatrocentas romãs para as duas redes, isto é, duas fileiras de romãs para cada rede, para cobrirem os dois globos dos capitéis que estavam no alto da coluna.” (II Crônicas 4:13)
  6. “Os teus lábios são como um fio de escarlate, e tua boca é formosa; as tuas faces, como romã partida, brilham através de véu.” (Cantares 4:3)
  7. “Os teus renovos são um pomar de romãs, com frutos excelentes.” (Cantares 4:13)
  8. “Desci ao jardim das nogueiras, para mirar as renovos do vale, para ver se brotavam as vides e se floresciam as romãzeiras.
    ” (Cantares 6:11)
  9. “Levar-te-ia e te introduziria na casa de minha mãe, e tu me ensinarias; eu te daria a beber vinho aromático e mosto das minhas romãs.” (Cantares 8:2)
  10. “Sobre ele havia um capitel de bronze; a altura de cada um era de cinco côvados; a obra de rede e as romãs sobre o capitel ao redor eram de bronze. Semelhante a esta era a outra coluna com as romãs. Havia noventa e seis romãs aos lados; as romãs todas, sobre a obra de rede ao redor, eram cem.” (Jeremias 52:22-23)
  11. “Saul se encontrava na extremidade de Gibeá, debaixo da romãzeira em Migron; e o povo que estava com ele era de cerca de seiscentos homens.” (I Samuel 14:2)

No que diz respeito às cidades:

  1. “Lebaote, Silim e Rimom; ao todo, vinte e nove cidades com suas aldeias.” (Josué 15:32)
  2. “Então viraram e fugiram para o deserto, à penha Rimom.” (Juizes 20:45)
  3. “A sétima sorte saiu à tribo dos filhos de Dã; Jeúde, Bene-Beráque, Gate-Rimom.” (Josué 19:45)
  4. “Em En-Rimon, em Zorá, em Jarmute.” (Nemias 11:29)
Desconhece-se a origem das cidades acima referidas, mas tudo leva a crer, que os seus nomes derivaram do grande número de Romãzeiras existentes. Alguns autores dão a Romãzeira como originária do Egito onde era conhecida pelo nome de “Anhmen”; fazem, outrossim, certa ligação entre a “Romã” e o nome de “Amon Ra”. Prosseguem dizendo não caber dúvida que foi no Egito que o fruto constituía um símbolo sagrado, pois os Sacerdotes egípcios, usavam a romã nos atos litúrgicos iniciáticos. Para os romanos, a sua origem está no norte da África. O seu nome latino – Punica Granatum – sugere a sua origem na cidade de Cartago. Na realidade, esta cidade foi fundada pelos fenícios da cidade de Tiro, que foi fundada pelos sidônios, da cidade de Sidon. Estas cidades situam-se ao norte da Palestina, no atual Líbano.

Platão teria afirmado que dez mil anos antes de Menés já existia a cerimônia que incluía a Romã como fruto, com a sua rubra flor. Somente os sacerdotes de Amon Ra tinham o privilégio de cultivar a Romãzeira. As Romãs, consideradas como oferendas sagradas, eram colocadas sobre os túmulos dos Faraós.

Encontram-se referências a respeito com ao sacerdote Egípcio de Heliópolis, de nome Manthonm, em sua história dos reis, escrita em grego, 300 anos antes de Cristo. Sobre os Altares dos deuses Horus, Set, Isis e Osiris, este o deus supremo e juiz do além-vida, protetor da morte, eram colocadas as mais exuberantes Romãs, como símbolo dos iniciados nos supremos mistérios. Essas oferendas aumentavam de número consoante a categoria do iniciado ou a importância do cargo, como os grandes hierofantes de Amon Ra e de Osiris, que além dessas ofertas serem colocadas em seus túmulos, eram também plantadas nos parques funerários, um número determinado e simbólico de Romãzeiras.

O número variava entre três, cinco e sete, de conformidade com a hierarquia. O rei Thotmesis – Tutmós – da XVIII dinastia, morto no ano 59 a.C. teve plantadas em seu parque funerário, cinco Romãs. Um hábito curioso diz respeito às pessoas que tinham débitos com o falecido. Essas dívidas eram pagas com Romãs, depositadas sobre o seu túmulo. Esse fruto simbolizava a vida e a união geográfica do Egito, compreendido assim o Alto Egito, o Meio Egito e o Baixo Egito, que representavam os três “ninhos interiores” ou a câmara baixa; os cinco “ninhos superiores” ou câmara alta, dos deuses Osiris, o juiz supremo da outra vida, Set, deus das trevas, que matou a Osiris e Horus, que vingou a Osíris, casado com Isis, além da deusa Nefritis ou Isis, irmã de Osiris.

No antigo Egito, o mês tinha três semanas de dez dias cada uma, e o ano doze meses ou seja, 360 dias aos quais, para corrigir a anomalia astronômica, foram acrescentados cinco dias que eram os correspondentes aos aniversários dos deuses Osiris, Horus, Set, Isis e Nefritis. Esses cinco dias acrescidos eram considerados de maus augúrios, e para aplacar o azar, eram oferecidas Romãs colocadas nos altares. Paralelamente, semeavam no parque funerário três Romãs, simbolizando as três o Egito e mais cinco em honra aos cinco deuses patronos dos cinco últimos dias, e mais sete, em homenagem às sete trajetórias que as almas deviam percorrer para purificar-se. Essa origem da Romã no Egito conflita com as sagradas escrituras.

Na oportunidade em que Jacó saiu de Israel em direção ao Egito, para fugir da fome que assolava a sua região, levou consigo mudas de videira, de romãzeira, figueiras e demais árvores frutíferas, plantando-as e cultivando-as. Na volta para Canaã, quando os hebreus chefiados por Moisés foram inspecionar a terra prometida, trouxeram de lá, frutos excepcionais, descritos como gigantescos, eis que para carregar um cacho de uvas, foi preciso dois homens, pendurado o cacho numa vara; junto, trouxeram figos e romãs; podemos imaginar, se comparados com o enorme cacho de uvas, o tamanho dos figos e das romãs! Sem dúvida a origem da Romãzeira, é da Palestina.

Para os Assírios, a romã simbolizava a vida e os primeiros frutos da colheita eram entregues ao sacerdote que extraía o seu suco para que o Rei o oferecesse ao ídolo. Os frutos mais formosos que simbolizavam o prolongamento da vida eram preservados para o templo; a Romãzeira era considerada como o pai da vida; com a madeira da árvore, eram confeccionados amuletos. Os fenícios tinham a Romã, também, como frutos sagrados, bem como os Cartagineses e os Romanos, que os reproduziam nos capitéis de suas colunas e os colocavam nas tumbas dos sacerdotes e dos reis. Para os gregos, a Romã era sagrada e eles a denominavam de Roidion, e a Romãzeira de Roía; os frutos eram oferecidos à deusa da sabedoria, protetora da cidade de Atenas. Para os iniciados nos mistérios de Eleusis, Dodone, Delfos, Megara e outros, a Romã simbolizava a fecundidade e a vida.

Se a Romã era usada como símbolo de vida, a concepção hebraica a reforça, considerando a propagação da espécie como o elemento mais relevante da vida. A Romã é de difícil uso como alimento, porque a separação dos grãos, firmemente inseridos em sua polpa, exige certa habilidade; mas, o seu suco, obtido com o esmagamento das suas sementes, que na realidade se constituem cada uma em um fruto separado, é de fácil obtenção. Obtido o suco, de certa forma abundante, fermentado esse, produz-se um vinho de sabor suave e delicado que, talvez para o paladar do ocidental, possa parecer estranho.

Quando de nossa estada em Israel, justamente, em Canaã, adquiri no comércio, uma garrafa de vinho de romã; gelado, nos pareceu de agradável paladar. Retornados ao Brasil, procuramos obter certa quantidade de romãs retirando-lhes os grãos que esmagamos, coamos o suco, acrescentamos um pouco de açúcar e deixamos fermentar. O vinho obtido tinha o mesmo paladar daquele que adquirimos em Israel. Efetivamente, depois de degustá-lo em pequenas doses, decorrido algum tempo, notamos o seu efeito energético; preferimos denominá-lo assim, de afrodisíaco. O relato contém além das insinuações, simbolismos profundos relacionados com os costumes hebreus. A análise meticulosa desvenda preciosas lições.

Por que Salomão valorizava tanto a romã e o seu vinho? Além do atributo afrodisíaco que os comerciantes dão ao vinho da Romãzeira, o relato de Cantares é claro. O rei Salomão reinou sobre Israel durante quarenta anos, portanto, não se o pode julgar uma pessoa já idosa, mas no vigor da idade. O relato inserido em I Reis 11 nos dá:

“Ora além da filha do faraó, amou Salomão, muitas mulheres estrangeiras; moabitas, amonitas, edomitas, sidônias e hetéias, mulheres das nações de que havia o Senhor dito aos filhos de Israel: não caseis com elas, nem casem elas convosco, pois vos perverteriam o coração, para seguirdes os seus deuses. A estas se apegou Salomão pelo amor. Tinha setecentas mulheres, princesas, e trezentas concubinas. Sendo já velho, suas mulheres lhe perverteram o coração para seguir outros deuses; e o seu coração não era de todo para com o Senhor seu Deus, como fora o de Davi, seu pai.”

Apesar do texto bíblico denominá-lo de “velho”, um homem para contentar a mil mulheres, mesmo com higidez excepcional, deveria valer-se de algum produto afrodisíaco, que não era outro senão o vinho da romã. Isto justifica o seu uso, a ponto de fazer da Romã um símbolo sexual conjugado com os lírios, símbolo da excelência feminina. Colocadas as Romãs e os Lírios, nos capitéis das Colunas do Templo, quis Salomão render destaque à sua condição de rei poderoso em todos os sentidos. Poder-se-ia, contudo, questionar sobre esse evento: mas quando Salomão tinha mil mulheres o Templo já estava construído como as duas respectivas colunas. No entanto, já naquele momento, Salomão possuía mulheres em grande número e é de se supor que a ingestão do vinho afrodisíaco já era um hábito e uma necessidade. Não se conhece a idade exata de Salomão.

No livro I Crônicas, 29:1 lemos: “Disse mais o rei Davi a toda a congregação; Salomão meu filho, o único a quem Deus escolheu, é ainda moço e inexperiente, e esta obra é grande; porque o palácio não é para homens, mas para o Senhor Deus.” E no livro I Reis, 3:7 lemos: “Agora, pois, ó Senhor meu Deus, tu fizestes reinar a teu servo em lugar de Davi meu pai; não passo de uma criança, não sei como conduzir-me”.

Quando Davi ordenou o censo, excluiu os que tinham a idade de menos de 20 anos. Poderíamos, calcular, a grosso modo, que Salomão sentira-se criança, talvez por não ter atingido a idade de vinte anos. Portanto, se Salomão reinara durante quarenta anos, e assumira o reinado aos vinte anos, ao morrer, teria sessenta anos, idade que não podemos aceitar como de pessoa já velha. Porém, se Salomão se considerou criança, poderia, perfeitamente, ter apenas quatorze ou treze anos de idade, e então ao morrer teria de 53 a 54 anos! Mas, se com essa idade iniciou a construção do Templo, como justificar a presença das Romãs e dos Lírios? Talvez uma manifestação profética, uma vez que esses adornos foram determinados por Davi que os recebera do Senhor. Davi, por sua vez, tivera um grande número de mulheres e concubinas, e o uso do vinho afrodisíaco, poderia ter sido também um hábito seu. Em Jerusalém era muito usada a Alcaparra, denominada em hebraico de Abyynah, cujos brotos e flores excitavam os desejos sexuais; hoje as sementes conservadas em vinagre constituem um condimento muito apreciado em toda a parte.

De qualquer forma, é preciso encontrar-se uma justificativa muito mais coerente sobre a presença das Romãs, do que a simplista de que simbolizava a união fraterna, pela coesão de seus grãos. A necessidade dos excitantes sexuais vem justificada pelo costume que os poderosos tinham de manter junto a si, múltiplas esposas e concubinas; os excessos sexuais da época não constituíam pecado ou falha moral.

Completaremos o estudo sobre a Romã, examinando detalhadamente o seu aspecto interno e externo. O fruto é arredondado, assemelhando-se a um pequeno cântaro, ou a uma laranja de bom tamanho. Sua casca é lisa e manchada na coloração mista do vermelho com o verde, com manchas amareladas.

Na parte oposta ao pedúnculo que se prende ao ramo, apresenta uma coroa formada de pequenos triângulos, e no seu centro restos de pistilos secos de sua flor. Essa flor é de cor escarlate e composta de três pétalas carnosas que após desabrochar completamente dão lugar a uma rosácea de cinco pétalas; curiosamente, ao formar-se o fruto, surgem mais duas pétalas que se mantêm envolvidas pela coroa, secando paulatinamente até o completo desenvolvimento do fruto.

A casca é grossa e robusta; quando bem maduro, o fruto rompe-se, pondo à mostra alguns grãos; quando colhida e deixada em lugar quente, a Romã seca lentamente; não apodrece; e mesmo seco, o fruto é utilizado, pois os seus grãos apresentam-se mais doces ainda. O interior apresenta duas câmaras: a alta que contém cinco celas onde se espremem dezenas de grãos, e a câmara baixa, que se apresenta da mesma forma; os grãos têm no centro, uma diminuta semente branca e ao redor uma grande parte carnosa e transparente, nas colorações que partem do rosa pálido ao vermelho rubi. Essa parte interna lembra os favos de mel; as celas são divididas por uma espécie de cortina branca e leve.

Essa película resistente é amarga, como o é toda a casca exterior, possuindo propriedades medicinais; pela grande quantidade de tanino que contém, é usada como adstringente para diarreia; a casca, em forma de chá é um excelente vermífugo. Os grãos são saborosos, podendo ser ingeridos agrupados; o gosto esquisito, é agridoce. No Oriente, como já referimos, esses grãos macerados produzem um líquido que fermentado resulta em vinho afrodisíaco. O simbolismo do fruto e de sua flor se adequa à filosofia maçônica. A planta, ou melhor, o arbusto, tem as folhas pequenas e perenes, de um verde escuro; a planta não atinge altura significativa e desde cedo, quando em desenvolvimento, tendo um metro e meio, já produz frutos. Os grãos simbolizam a união dos maçons em seus vários aspectos: o fisiológico, porque cada grão possui “carne”, “sangue” (o suco) e “ossos”, (as sementes). Os grãos crescem unidos de tal forma que perdem o formato natural, que seria redondo; espremidos uns aos outros, são semelhantes a polígonos geométricos, com várias facetas; são lustrosos e belos, lembrando os favos de uma colmeia de abelhas; as abelhas trabalham sem descanso e assim lutam os maçons.

Os frutos representam os maçons que estão no Oriente Eterno; são pedras totalmente polidas que abrilhantam o Reino Celestial. As câmaras simbolizam a vida externa e a interna, ou seja, a mente humana e o espírito. As cinco células da Câmara Alta representam as fases intelectuais onde se estuda a razão da verdade eterna;, o conhecimento, o impulso para o elevado, para a moral e para a perfeita harmonia.

Representam, ao mesmo tempo, as cinco raças humanas, perfeitamente unidas, sem preconceitos; também recordam as cinco idades do homem: a embrionária, a infância, a do aprendizado, a construtiva e a madura. As três células da Câmara Baixa correspondem ao aprendizado, ao companheirismo e ao mestrado. As três substâncias do homem: sangue, carne e ossos; ao homem Templo, ao homem Altar e ao homem Alma. As três luzes: Ven.’. e Vvig.’.. O formato externo representa a Terra, seja pela sua esfera, seja pela sua coloração e conteúdo.

O astronauta soviético Yuri Gagarin, quando pôde contemplar a Terra do Cosmos, exclamou: “Ela é azul!” Hoje, passada quase uma geração, o jornalista japonês Akiyama, a bordo da estação orbital russa Mir enviou a seguinte mensagem: “O ar e as águas estão visivelmente sujos. Estou muito ocupado aqui, em cima, para ser filosófico; mas sinto que realmente faço parte da mãe Terra, agora, e acredito que temos que realmente fazer alguma coisa para salvá-la” – acrescentou: “eu não estou falando dos desertos, mas em outras partes da África e da Ásia não há muitas árvores”. Que expressiva diferença após poucos anos! A Terra para Gagarin era azul; para Toyohiro Akiyama, a Terra perdeu a suavidade colorida!

A Romã expressa, na sua coloração, a realidade. A coroa de triângulos ou coroa da virtude, do sacrifício, da ciência, da fraternidade, do amor ao próximo, está colocada numa extremidade da esfera. Simboliza o coroamento da obra da Arte Real. A flor rubra representa a chama do entusiasmo que conduz o Neófito ao seu destino, iluminando a sua jornada. As cores da Romã simbolizam: o verde, o reino vegetal; a amarela, o reino mineral; e a vermelha, o reino animal. As membranas brancas, que não constituem cor, mas a mistura de todas as cores como as obtidas quando o raio transpassa o cristal formando o arco-íris, simboliza a paz e o amor fraterno.

Podemos acrescentar que o simbolismo da romã se equivale, na Arte Real, ao simbolismo da Cadeia de União, da Orla Dentada, da Corda de 81 Nós, e ao do Feixe de Esopo.

Em suma, a romã simboliza a própria Loja e a sua a Egrégora.


Gabriel Campos de Oliveira

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

A ORIGEM DA PALAVRA IRMÃO


www.brasilmacom.com.br - A ORIGEM DA PALAVRA IRMÃOOs membros da Maçonaria, unidos pelo Amor Fraternal, qualquer que seja o seu grau, dão-se o tratamento de "Irmão" . É o título que geralmente se dão, mutuamente , os religiosos de uma mesma Ordem e de um mesmo convento e também os membros de uma mesma associação.

Este tratamento existe em todas as sociedades iniciáticas e nas confrarias, onde o seu significado é a condição adquirida com a participação de um mesmo ideal baseado na amizade. É o tratamento que se davam entre si os Maçons operativos.

A origem do cordial tratamento de "Irmão" afirma que este tratamento foi adotado e nunca mais olvidado pelos maçons, desde os tempos de Abraão, o velho patriarca bíblico. Reza a história que estando ele e sua mulher SARA no Egito, lá ensinavam as sete ciências liberais ( Gramática, lógica e dialética , matemática, geometria astronomia e música ) , e contou entre os seus discípulos com um de nome Euclides. Tão inteligente que não demorou nada em tornar-se mestre nas mesmas ciências, ficando por isso bastante afamado como ilustre personagem.

Então Euclides, a par com suas aulas, estabeleceu regras de conduta para o discipulado; em primeiro lugar cada um deveria ser fiel ao Rei e ao país de nascimento; em segundo lugar, cumpria-lhes amarem-se uns aos outros e serem leais e dedicados mutuamente. Para que seus alunos não descuidassem destas últimas obrigações, ele sugeriu aos mesmos que se dessem, reciprocamente, o tratamento de "Irmãos" ou "Companheiros".

Aprovando inteiramente esse costume da escola de Euclides, a Maçonaria resolveu sugeri-lo aos seus iniciados, que receberam-no com todo agrado, sem nenhuma restrição, passando a ser uma norma obrigatória nos diversos Corpos da Ordem.

De fato, traduz uma maneira de proceder muito afetiva e agradável a todos os corações dos que militam em nossos Templos. Assim passaram os Iniciados ao uso desse tratamento em todas as horas, quer no mundo profano, quer no maçônico.

O Poema Regius, que data do ano de 1.390, aconselha os operários a não se tratarem de outra forma senão de "meu caro Irmão". Por isso o tratamento de Irmão dado por um Maçom a um outro, significa reconhecimento fraternal, como pertencente à mesma família. Os Maçons são Irmãos por terem recebido a mesma Iniciação, os mesmos modos de reconhecimento e foram instruídos no mesmo sistema de moralidade.
Além da amizade fraternal que deve uni-los, os Maçons consideram-se irmãos por serem, simbolicamente, filhos da mesma mãe, a Mãe-Terra, representada pela deusa egípcia Ísis, viúva de Osíris, o Sol, e a mãe de Hórus. Assim os Maçons são, também, simbolicamente, Irmãos de Hórus e se autodenominam Filhos da Viúva.

Durante a Iniciação quando o recipiendário recebe a Luz, seus novos Irmãos juram protegê-lo sempre que for preciso. A partir daquele momento, todos que a ele se referem o tratam como Irmão. Os filhos de seus novos Irmãos passam a tratá-lo como "Tio" e as esposas de seus Irmãos passam a ser sua "Cunhada". Forma-se nesse momento um elo firme entre o novo membro da Ordem e a família maçônica.

A Maçonaria não reconhece qualquer distinção entre raças, crenças, condições financeira ou social entre seus obreiros. Há séculos vem a Sublime Instituição oferecendo a oportunidade aos homens de se encontrarem e colherem os frutos do prazer de conviver sempre em paz, em união e concórdia, como amigos desinteressados, dentro de um espírito coletivo voltado à prática do bem, guiados por rígidos princípios morais, sem desavenças e dissensões.

Os membros de nossa Ordem aprendem a destruir a ignorância em si mesmo e nos outros; a ser corajosos contra suas próprias fraquezas, lutar contra seus próprios vícios e também contra a injustiça alheia. São estimulados a praticarem um modo de vida que produza um nível elevado em suas relações com seus Irmãos, aos quais dedicam amizade sincera e devotada. São fieis cumpridores de todo dever cujo cumprimento lhes seja legalmente imposto ou reclamado pela felicidade de sua Pátria, de sua Família e da Humanidade.

Jamais abandonará sua prole, seus Irmãos e seus amigos, no perigo, na aflição ou na perseguição. Sobre o coração do Maçom está o símbolo do amor, da amizade, da razão serena e perseverante. O que o distingue na vida profana é sua aversão à iniqüidade, à injustiça, à vingança, à inveja e à ambição, sendo ele constante em fazer o bem e em elogiar seus Irmãos.

O verdadeiro Irmão é aquele que interroga sua consciência sobre seus próprios atos, pergunta a si mesmo se não violou a lei da justiça, do amor e da caridade em sua maior pureza; se não fez o mal e se fez todo o bem que podia;

O verdadeiro Irmão é aquele que interroga sua consciência sobre seus próprios atos, pergunta a si mesmo se não violou a lei da justiça, do amor e da caridade em sua maior pureza; se não fez o mal e se fez todo o bem que podia;

se não menosprezou voluntariamente uma ocasião de ser útil; se ninguém tem o que reclamar dele. E quando não tem uma palavra que auxilie, procura não abrir a boca...( Se for falar, cuida para que suas palavras sejam melhores que o seu silêncio )

O Irmão, possuído do sentimento de caridade e de amor ao próximo, faz o bem pelo bem, sem esperança de recompensa, retribui o mal com o bem, toma a defesa do fraco contra o forte, e sacrifica sempre seu interesse à justiça.

Ele é bom, humano e benevolente para com todos, sem preferência de raças nem de crenças, abraça o branco e o preto (pois não é a cor, mas sim o talento e a virtude que faz um homem elevar-se por sobre os demais), o rico e o pobre, o jovem e o velho, o sábio e o ignorante, o nobre e o plebeu, porque vê Irmãos em todos os homens.

Porém, devemos observar que nem o rico, o príncipe ou o sábio, devem "descer" para o nivelamento. Não descendo ao nível deles mas, sim, ajudando-os a se levantarem e poderem melhor enxergar o horizonte. É caminhando que se faz o caminho. Pensando, Agindo , sentindo, sofrendo , aprendendo e corrigindo. Fazendo melhor em seguida. Se comprometendo a sempre ensinar aos capazes, o que se aprendeu. Capacitando-os. Perpetuando a GNOSE adquirida. Quem deverá "subir" é o pobre; pobre no sentido de ser CARENTE. Acontece de existir entre os ricos de recursos materiais, os pobres de sabedoria, ignorantes de conhecimento, de altruísmo e complacência.

O verdadeiro Irmão não tem ódio, nem rancor, nem desejo de vingança; Compreendendo, nem condena. Portanto perdoa, e anula as ofensas, e não se lembra senão dos benefícios que já tenha recebido, porque sabe que com a mesma sábia compreensão que deixou de condenar, assim será tratado intimamente, na sua própria causa de compreensão, como réu de sua consciência , quando essa lhe julgar.

Não se compraz em procurar os defeitos alheios, nem em colocá-los em evidência. Se a necessidade a isso o obriga, procura sempre motivar o bem que pode atenuar o mal. Não se envaidece nem com a fortuna, nem com as vantagens pessoais, porque sabe que tudo o que lhe foi dado apenas o direito da posse, pertence ao mundo. e por poder dessa força natural , se desmerecido, tudo pode lhe ser retirado.

Se a ordem social colocou homens sob sua dependência, ele os trata com bondade e benevolência, porque são seus iguais perante o Grande Arquiteto do Universo; usa de sua autoridade para erguer-lhes o moral e não para os esmagar com o seu orgulho; evita tudo o que poderia tornar sua posição subalterna mais penosa.
O subordinado, por sua vez, compreende os deveres da sua posição, e tem o escrúpulo em cumpri-los conscienciosamente.

O verdadeiro Irmão respeita em seus semelhantes todos os direitos dados pelas leis da Natureza, como gostaria que os seus fossem respeitados. Aplicando os ensinamentos maçônicos, tanto no interior dos Templos como no seio da sociedade profana, dentro de suas possibilidades, colabora para a edificação do Templo da civilização humana.

Afinal, se cultiva a liberdade, a igualdade e a fraternidade, tem por obrigação, abrir mais os seus braços, entrelaçar seus Irmãos e oferecer sua convivência fraterna, sua influência, seu trabalho de auxílio, com harmonia, paz, concórdia e fraternização, dentro e fora do Templo.

Enfim, o verdadeiro Irmão saberá fazer o Bem sem ostentação, mas não sem utilidade para todos. Onde quer que o pobre reclame o combate sem descanso aos exploradores dos fracos, o auxílio e proteção à criança ou à mulher, o Irmão é obrigado a fazer obra maçônica. É-lhe proibido fechar os olhos aos deserdados da sorte.
Porém, só quando se encontra revestidos de todas essas virtudes é que pode dizer:"Meus Irmãos como tal me reconhecem" - frase mais ouvida e citada dentro da Loja e também fora dela - como forma de identificação.
Curioso, no entanto, é que ao sermos reconhecidos como irmãos o outro abre o sorriso e os braços, como se fosse um velho conhecido. Esse é um sentimento de irmandade, é muitas vezes, mais forte que entre Irmãos de sangue.

Nossa Ordem precisa de Irmãos verdadeiros, aqueles que têm orgulho de pertencerem à Sublime Instituição e estão dispostos a sacrifícios pessoais em benefício da mesma.

O Grande Arquiteto do Universo, que é DEUS, ouve nossos rogos e nos mostra o caminho que a Ele conduz, continue a nos proporcionar a dádiva da aproximação de valorosos Irmãos que nos socorrem em nossas dificuldades, se interessam por nós, nos escrevem, telefonam para saber como estamos, trocam e-mails e assim, não nos deixam experimentar a depressão e a solidão.

Nossas Lojas Maçônicas são portos seguros, colos de mãe para enxugamento das lágrimas e o consolo de nossas dores, num ambiente de luz, paz e amor, pois é sublime reunir em seu seio, católicos, evangélicos, espíritas, maometanos, israelitas, budistas, e a todos dizer: " Aqui vossas disputas não encontrarão eco. Aqui, não ofendereis a ninguém e ninguém vos ofenderá".

Meu Irmão, se eu me esquecer de você, nunca esqueça de mim! Conte comigo. Eu conto consigo.
"O maior cargo em maçonaria é o de verdadeiro Irmão".


Ir.·. Valdemar Sansão
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terça-feira, 1 de janeiro de 2013

O HAITI VÊ RENASCER A AVE FÊNIX

Quero dar boas vindas a todos os Irmãos e visitantes deste blog e como primeira postagem deste ano que hoje se inicia, escolhi falar de uma fênix dos dias atuais, que é a Maçonaria do Haiti, renascendo das cinzas após o grande flagelo sofrido por aquele país recentemente.
Os Maçons do Haiti (de fato o primeiro país a conseguir sua independência na América, depois das 13 colônias inglesas) mostram um orgulho que gostaríamos de ver nos nossos.
Num país pobre, sofrido, esmagado pela superstição, pelo analfabetismo e pelas imensas dificuldades, ainda assim a Maçonaria floresce, quase um flashback de séculos atrás, sob luz da esperança de que é possível ascender, mudar, melhorar e evoluir.
Somos a terceira maior Maçonaria do mundo – e nos perdemos em questiúnculas desprezíveis, em baboseiras jurídicas, em disputas cretinas, em jogo imbecil de vaidades e ambições por títulos grandiloquentes à falta do devido mérito.
Claques e grupelhos ignoram as lições mais elementares da Instituição que mudou o mundo e nos legou a tolerância e o moderno sistema de democracia representativa, resvala na sua busca de poderes inúteis dos que necessitam de alfaias para se tornarem alguém.
Vejam nas fotos a pobreza material dos maçons haitianos e riqueza de suas posturas. São Maçons forjados na adversidade, Irmãos a quem devemos um profundo respeito.
E aqueles entre nós que “se decepcionam com a Maçonaria”, que façam por onde merecer a condição de Maçons. Não é a Maçonaria que tem de fazer “alguma coisa”. São os Maçons, fazendo ressurgir a Fênix das cinzas.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

FELIZ ANO NOVO!

Que o ano de 2013 seja repleto de saúde, prosperidade e progresso.

São os votos dos OObr.'. da Loja Maçônica São José Nº14.

Feliz Ano Novo!

domingo, 30 de dezembro de 2012

NE VARIETUR


www.brasilmacom.com.br - NE VARIETUR
Ne varietur, como bem observa AURÉLIO BUARQUE DE HOLANDA FERREIRA, trata-se de uma locução latina que significa: “Para que nada seja mudado”; usada para indicar reprodução muito fiel (Pequeno Dicionário Brasileiro de Língua Portuguesa, 11ª Ed., Ed. GAMA).

Por ser expressão não vernácula, vem causando certa confusão quanto a sua pronúncia. Para sanarmos a questão de forma científica e definitiva, pois o dever do Maçom é a busca incessante da Verdade, apoiamo-nos na obra do PE. JÚLIO COMBA, S. D. B., intitulada Gramática Latina, 4º Ed., Ed. Salesiana Dom Bosco, SP, 1991.

A princípio, informa PE. JÚLIO, ser “impossível determinar com exatidão qual fosse a pronúncia da língua latina no tempo dos romanos”, todavia, utilizando-se de regras gramaticais precisas, chegaremos satisfatoriamente à pronúncia mais acertada.

Preleciona o autor, que “uma sílaba longa era pronunciada pelos antigos romanos mais demoradamente do que uma breve”, dando certa impressão, do que seria para a Língua Portuguesa, da tonicidade. “É longa a sílaba que contem um ditongo”, que em Latim são três, a saber: ae, oe, au; e “geralmente breve toda vogal seguida de outra vogal: varietur. Ensina, ainda, que nas “palavras de mais de duas sílabas o acento cairá na penúltima se esta for longa; cairá na antepenúltima de for breve”: varietur.

Isto posto, concluímos que a pronúncia que mais se aproxima do Latim Clássico, é variétur.

Em Maçonaria, na instrução do Ir.·. JOAQUIM GERVÁSIO DE FIGUEIREDO, 33º, ne varietur vem denominar a “assinatura que os IIr.·. são obrigados a apor em todos os diplomas e demais documentos comprobatórios de seus graus, que credenciam sua personalidade maçônica” (Dicionário de Maçonaria, Ed. Pensamento).

Data maxima venia, acrescente-se a este conceito, ser expressão designativa de algo fiel e permanente que possa servir de base à verificação posterior. Por conseguinte, ne varietur é a “assinatura modelo”, ou seja, aquela que não será mudada, pois, uma vez aposta em documento maçônico oficial, servirá de base a posterior verificação de autenticidade.

São as Sessões Iniciáticas, quais sejam: Iniciação, Elevação e Exaltação, as ocasiões por excelência, em que o ne varietur é gravado, após a Consagração e findo Cerimonial correspondente. Com efeito, o ne varietur deverá ser observado em todas as ocasiões em que o Maçom necessitar imprimir sua assinatura, seja qual for o documento.. Desta forma, maçom que grava sua assinatura ao Livro de Freqüências ou de Visitantes de uma Loj.·., está imprimindo seu Ne Varietur.

Por derradeiro, assim dispõe o art. 136, §2º, b, do Regulamento Geral da GLOMAM, acerca das atribuições dos EExp.·.:

§2º- Compete ao 2º Exp.·.:

(...)

b) apresentar aos visitantes o livro onde devem assinar e entrega-lo ao Or.·. para ser confrontada a assinatura com o ne varietur dos seus títulos;

Desta forma, concluímos nossa breve pesquisa, informando aos RResp.·. IIr.·. que o assunto em tela não resta esgotado, mas apenas inicia a discussão.




Maurício Fernandes de Almeida
Ben.·. Loja Simbolica Rio Solimões nº 24
G.·.L.·.O.·.M.·.A.·.M.·. Manaus, Amazonas, Brasil
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sábado, 29 de dezembro de 2012

OS DONS

www.brasilmacom.com.br - OS DONS

A existência do Grande Arquiteto do Universo, inegavelmente, é o elo comum que une os Maçons entre si, essa união oriunda da verdade irrefutável da existência de Deus e incontestavelmente ratificada através do conhecimento dessa existência, pela criação do Universo, quando do nada, Deus completou sua obra criadora, de cuja razão concluímos que Deus é eterno, não teve princípio, nem terá fim.

O poder da criação do Grande Arquiteto do Universo tornou possível a nossa existência e com ela a grande indagação do homem, cuja busca para saber a verdade sobre a sua origem e o seu destino, leva-o a uma só direção, a do seu próprio Criador. Conclusão esta, chegada através dos dons legados pelo Grande Arquiteto do Universo ao próprio homem, criado a sua imagem e semelhança.

Dentre os muitos dons que Deus dotou o homem, há um destaque especial para três deles:

INTELIGÊNCIA

VONTADE

LIBERDADE.

É pelo dom da Inteligência que o homem conclui pela verdade sobre a existência de Deus e o conhecimento e discernimento entre o bem e o mal.

É, pois, no uso do dom da Liberdade que o Maçom tem a opção para direcionar a sua vida, para o bem ou para o mal. É claro que para tal fim, um novo dom é acionado, o da Vontade.

Assim, o Maçom pode e deve direcionar a sua vivência para o bem e, para isto, deverá usar dos dons da Inteligência, da Vontade e da Liberdade, em toda a sua potencialidade. O que deverá ser feito dentro dos princípios de uma moral sadia, pura, condizente e propícia para formar e aperfeiçoar o caráter do Iniciado para que possa prosseguir em direção à meta para a qual foi criado, para a maior glória do Grande Arquiteto do Universo, para amar a si mesmo, e para amar o seu próximo, o seu Irmão.

A moral maçônica é baseada nessa exigência, no amor a Deus, no amor a si mesmo e no amor aos Irmãos, não pode este amor ser isolado ou separado, pois que, se não tiver o Maçom, o amor dentro de si mesmo, não poderá amar o Grande Arquiteto do Universo, nem tampouco amar o seu Irmão.

O simbolismo e alegorias utilizadas pelos Maçons, nada mais são do que meios e sistemas para o aprendizado e aplicação dos ensinamentos da moral que levam os Maçons ao caminho da virtude.

Jamais poderia qualquer ser vivo dotado da Inteligência, Vontade e Liberdade, viver uma vida virtuosa sem que viesse a praticar essa mesma virtude e ensinamentos. É na Lei Maçônica que o homem Maçom exercita o uso daqueles dons através dos mistérios da ordem e passa a conviver fraternalmente, com os Irmãos.

Necessário se faz o estudo de Símbolos, alegorias e dos mistérios maçônicos, pois que, por estes meios, os sentidos do Maçom se fazem mais aguçados e direcionados à verdade e ao uso adequado da Liberdade, cuja prática está inserida no viver a virtude todas as horas e, de tal sorte que, despojado do orgulho e da ignorância, possa galgar os degraus da moral sã e da sabedoria, com a finalidade de atingir a meta principal, a perfeição.

As dificuldades na vida profana, a inexistência da moral, da virtude e do amor, tornam o homem desprovido de armas que o defendam das vicissitudes, dos inimigos que o rodeiam, desde o amanhecer ao pôr-do-sol, culminando por precipitá-lo no abismo das paixões, da desonra, do desamor, da ignomínia, tornando-o um homem infeliz. É no simbolismo que são marcados os pontos de partida para a perfeição e justiça e mais, para chegar à verdadeira paz e tranqüilidade, tão almejada pelo homem, e que é tão difícil de conseguir, se não tivermos uma porta que se abra para nos acolher e direcionar à luz da verdade.

Na Ordem Maçônica, isto se processa de forma livre e espontânea, pois que o Maçom é conduzido à luz da Verdade, à Felicidade, à Paz e à Perfeição, exigindo, no entanto, daquele que entra para a Ordem Maçônica seja instruído adequadamente e preparado para receber essa Luz. Se assim não fora, poderia a Maçonaria influir negativamente junto ao Iniciado e este vislumbraria a luminosidade e o brilho da verdadeira luz que ilumina o caminho do Amor, da Moral e da Virtude.

Todavia, é preciso dosar cada instrução, para que esses ensinamentos sejam bem aproveitados e praticados na vida quotidiana, de forma efetiva e condizente com os princípios maçônicos, daí deduzirmos a importância das alegorias e Sinais no conhecimento gradativo dos mistérios desvendados pela inteligência do Maçom, emanados dos exemplos daqueles que caminham à nossa frente pelo mesmo caminho, outrora palmilhados pelos nossos Mestres.

Sai o Iniciado da sua ignorância à medida que seus estudos vão se aprofundando e com essas instruções vai praticando, através do labor em Loja e da prática do bem viver, descobrindo a verdade e trabalhando para o aperfeiçoamento da humanidade.

Analisando a busca do homem pelo uso de seus dons, no encontro da verdade, se torna imprescindível o trabalho de polir a aspereza das paixões que o envolvem com o verniz da virtude, o que faz quando usa os Símbolos e o instrumental para construir a sua perfeição, pautando a sua conduta em Loja e fora dela, erigindo a grande obra de construção da sua vida, no convívio com os Irmãos, onde do alto se destacam, a Honra, o Equilíbrio, a Igualdade e a Justiça, para que possa conduzir-se de forma justa e perfeita.

Para tal mister, invocamos fora do Templo, a memória dos Símbolos, desenhos e traçados, usando a nossa imaginação e a nossa inteligência, para que tenhamos presente a existência do Grande Arquiteto do Universo, luz da verdade que nos iluminará o caminho ao longo da nossa vida discernindo o bem do mal, usando a nossa Vontade e a nossa Liberdade para nos despirmos das paixões e vestirmos as vestes da Virtude, de cuja lembrança está no uso do Avental de trabalho, desde o amanhecer ao pôr-do-sol, erigindo templos à virtude e cavando sepulturas ao vício, para que vivamos como irmãos, de forma que haja, um dia, uma humanidade mais feliz e que ao final de nossa existência neste oriente possamos prestar contas pelo uso dos dons recebidos.


Ir.·. Benjamim Manoel Zanatta
Or.·. de Curitiba – PR
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sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

EQUILIBRIO VIBRACIONAL - HARMONIA


Depois de participar de uma gestão e ficar quietinho em um canto da Loja é que se começa a aprender muita coisa em Loja. Claro que o ex-Venerável, por força de Regulamento e normas da Grande Loja de Santa Catarina, passa a sentar-se à direita do novo Venerável Mestre com intuito de orientar, corrigir e auxiliar nos trabalhos de Loja, além de passar a chamar-se de Venerável de Honra.

Pois bem, durante quase toda a transmissão dos cargos observei e fiquei maravilhado com o desenvolvimento de toda a Sessão, principalmente com a desenvoltura do Irmão empossado diante do trabalho, dando a impressão que ali estava um Venerável Instalado de muitos anos, pela firmeza e serenidade da condução.

E comecei a notar a importância dos cargos em Loja. Cada qual com o seu poder de realização dentro de Loja.  Por exemplo, os Irmãos Vigilantes, “não obstante o elevado cargo” que ocupam, eles não devem esquecer que, “em todas as coisas concernentes à Maçonaria”, todos os demais Irmãos estão no mesmo nível deles

Os Irmãos Vigilantes têm o poder, mas eles estão no mesmo nível dos demais.  Além do mais, os malhetes que lhe são entregues são para “fortalecer e embelezar os trabalhos do Venerável Mestre” e ajudá-lo com zelo no governo da Loja.

E assim seguem os detalhamentos dos demais cargos em Loja, mostrando-lhes as suas respectivas responsabilidades, deveres e contribuição à Loja e aos Irmãos.

Mas quero ressaltar um cargo, embora todos os cargos de uma Loja, são importantes por natureza, pois são comparados a uma orquestra, em que todos trabalham cada qual com a sua função,  mas sem poder desafinar, sob pena de ter um resultado desastroso.  Estou falando do cargo de Mestre de Harmonia.

Esse cargo, cuja joia é uma LIRA, tem a responsabilidade pelo “equilíbrio vibracional da Loja, propiciando o momento fértil para as manifestações do Grande Arquiteto do Universo”.

Isso me chamou atenção. E se refletirmos bem, veremos a profundeza dessa afirmação. Ele é que, com as músicas devidas, dará o verdadeiro equilíbrio em que irá vibrar os nossos sentimentos em direção ao espiritual. A importância desse equilíbrio é que vai facilitar a egrégora que se formará dentro de Loja.

É colocando no devido tempo as músicas, em seu equilíbrio de tom, suavidade e momentos especiais em que se faz necessário a música. E sabemos que a música realmente vibra dentro do nosso ser enlevando para um patamar especial de encontro com o superior.

Ser Mestre de Harmonia é ser uma pessoa de uma sensibilidade musical com capacidade de sentir, de emocionar e se comover. E, lógico, tem que gostar de música. Ser um apaixonado.

Quero deixar bem claro que não existe regulamento ou normas sobre a função de Mestre de Harmonia. A não ser aqueles momentos em que o Ritual solicita “absoluto silêncio”, e por questão de bom senso, não se deve colocar música quando um Irmão esteja falando, ou quando esteja aplicando Instruções do grau. O Regulamento do Mestre de Harmonia é a sensibilidade de quem está no cargo que vai valer na execução das músicas. Alguns dizem que não se deve colocar músicas sacras, outros que não se deve colocar músicas profanas e, assim vai enchendo o encarregado de dúvidas e, no final, às vezes, as coisas não saem a contento.

Quero afirmar aqui, pela experiência que adquiri durante a minha vida maçônica, que qualquer música pode ser tocada, desde que vibre o ser humano para uma elevação. Agora há de se respeitar as sensibilidades alheias, e ter bom senso, como por exemplo, não colocar uma música sacra com a presença de vários Irmãos de religião que não seja, por exemplo, a católica. Mas para tudo exige sensibilidade e equilíbrio.

No fundo, o que o Mestre de Harmonia deve fazer é colocar de preferência músicas de autores maçons, que temos em abundância, em que cito alguns como Claude Debussy, Felix Mandelssohn, Franz Liszt, George Gershwin, Giacomo Meyer Beer, Johan Hummel, Johann Bach, Joseph Haydn, Charles Francis Gounod, Carlos Gomes, Julis Massenet, Ludwig van Beethoven, Luigi Cherubini e tantos outros.  Mas toda essa gama não significa que todas são tocáveis para uma Sessão maçônica. Algumas podem até não encaixar. Mas, repetindo, vale a sensibilidade do Mestre de Harmonia na sua escolha e preparação das músicas para uma Sessão.

Além dessas, existem várias outras músicas, ditas profanas, que podem e devem ser colocadas em uma Sessão. Poderia citar vários, entre estes, como de Ennio Morricone, compositor, arranjador e maestro italiano. Foi responsável e fez arranjo de mais de 500 filmes e programas de televisão. Interpreta várias músicas famosas de películas como “Apocalipsis Now”, “Fateless”, “Gabriel’s Oboe”, “Ballad of Saco and Vanzetti”, e tantos outros. De Ernerto Cortazar, compositor mexicano, também com várias produções cinematográficas e músicas, como “Beethoven’s Silence”, “Concerto de Aranjuez”, “L’Adieu”, “Remembrance”, “When the Waves Dance” e tantos outros. Não podemos nos esquecer de Gheorge Zamfir, flautista romeno, conhecido mundialmente pela “flauta de pã” com músicas como “Meditation” de Julis Massenet, muito colocado para abertura do Livro da Lei. Como podemos ver, existe uma variedade muito grande de músicas para serem colocadas em uma Sessão maçônica, e vai depender, única e exclusivamente do Mestre de Harmonia de saber escolher e atingir o objetivo de sua função: fazer o “equilíbrio vibracional da Loja, propiciando o momento fértil para as manifestações do Grande Arquiteto do Universo”.


Fraternalmente,

Juarez de Oliveira Castro
Mestre Maçom Instalado
ARLS.´. Alferes Tiradentes nº 20
Filiada à Grande Loja de Santa Catarina
Florianópolis – Santa Catarina