domingo, 23 de dezembro de 2012

AOS IRMÃOS QUE BUSCAM O PROGRESSO


www.brasilmacom.com.br - AOS IRMÃOS QUE BUSCAM O PROGRESSO
Ao inquirir, um dias destes, um amado e querido irmão, que deixou nossa Loja, há bem pouco tempo;  por qual motivo ele nos deixara, se tão bem era recebido e tão à vontade eu o via nas sessões ou nos ágapes fraternos e, em nossas conversas, também nunca demonstrou algo de si ou da sua família, que pudesse inviabilizar sua participação maçônica!

Pois bem, somente agora, já desligado da Ordem, acabou por declinar que uma das principais razões dele ter pedido o seu quite-placet,  foi a de que cansara de ir às reuniões da Loja e ver,  sempre,  as mesmas discussões, em torno dos mesmos velhos problemas e as mesmas sugestões, sempre colocadas de forma superficial e mais politiqueiras que verdadeiras!

Que, diante disso e por não vislumbrar nenhum progresso na Loja como para seus membros, começou a achar que estava perdendo o seu tempo, que poderia ser muito mais proveitoso estando junto à sua família ou mesmo seus negócios...

Meus amados irmãos, neste caso e sem qualquer sombra de dúvidas, eu não poderia deixar passar a oportunidade de voltar ao assunto e falar a todos quanto podem ou poderão se encontrar nesta situação; pela minha ótica maçônica...

Ocorre que, por princípio, nossa Instituição é  progressista.
Por outro lado, só é plenamente constituída pela união das Lojas e estas pela reunião dos maçons.  Então, não se pode falar em progresso da Maçonaria, sem o progresso dos seus membros!!!
  • Como pode um corpo crescer de forma perfeita, sem lograr o crescimento parelho de todos os seus membros e órgãos?
  • E como pode um membro defeituoso ou órgão deficiente se integrar primorosamente ao corpo, se não for fortalecido?
  • E o que fazemos com um irmão de nossa caminhada, que está ficando para trás?  Não retornamos e o puxamos?
  • E afinal, em nossas famílias, ao educarmos nossos filhos, não repetimos tolerante e exaustivamente, pelos anos afora, as boas maneiras?

Ora!  Não pretendemos ser um corpo, uma família, afinal uma sociedade fraterna?  Então, antes de exigir progressos, por que não olhamos para o nosso próprio progresso...
Tolerando os irmãos menos aquinhoados... Fortalecendo as sessões com palavras estudadas e de sabedoria...
Tornando os ágapes mais participativos, através de atitudes mais singelas, que não os segmentem em ‘grupinhos’...
Enfim, auxiliando-nos primeiramente, antes de buscarmos ajudar os outros, praticando uma beneficência midiática, à moda dos fariseus...  (Fortalecidos podemos ser mais úteis)

Pensando bem, todo progresso passa pela nossa evolução e, esta terá que ser uniforme, de maneira a compatibilizar os aspectos materiais e espirituais do ser...   Se não entender isto, o maçom sempre estará em Loja com o pensamento voltado para as coisas profanas...

Um forte e T:.F:.A:. com o desejo de uma ótima semana...

    
Eduardo  Panda .'.
Fonte: Grupo de Discussões Orvalho do Hermon

sábado, 22 de dezembro de 2012

O PAPEL DO MAÇOM NA SOCIEDADE



  1. Introdução
www.brasilmacom.com.br - O PAPEL DO MAÇOM NA SOCIEDADELivre e de bons costumes, o Maçom atua, constantemente, na sociedade a que pertence, de inúmeras maneiras e valendo-se de diversos meios pelos quais possa influenciá-la. Ele, portanto, exerce um papel importante, na medida que, sendo de origem variada, ele permeia todos os estamentos sociais e se faz presente nas mais distintas e importantes funções, seja no serviço público, quando a ele estiver vinculado, seja na iniciativa particular, se é ali que desempenha o seu trabalho. É importante para todos nós, portanto, ter uma percepção o mais exata possível e um entendimento tão amplo quanto se possa atingir, desse papel que todos sabemos existir, mas nem todos conseguimos delimitar muito bem.
Todos vivemos em comunidade, seja ela extensa e diluída, como é o caso das grandes cidades, seja ela compacta e limitada, como nas orbes de menor porte. Como cidadãos, temos o dever de participar das iniciativas comunitárias de interesse geral, mormente quando somos solicitados a isso, mercê de nossas qualificações pessoais e da nossa posição na estrutura social. Como maçons, temos a obrigação moral, assumida por juramento, de influenciar o meio social em que vivemos por todas as formas ao nosso alcance, quer individualmente, quer de maneira coletiva, e esta, através de associações, entidades, organismos oficiais e... a Maçonaria.
A nossa Ordem não se destina a desempenhar um papel proeminente nem a interferir em assuntos oficiais diretamente, como alguns poderiam gostar de ver. Ao contrário, ela reúne homens de variadas formações culturais, sociais e morais, identificados, simplesmente, como livres e de bons costumes, com a finalidade de ampliar as qualidades de que são já detentores e, quando possível, fazer desabrochar outras, adormecidas ainda, de modo que, ao atuarem na sociedade a que pertencem, possam ser propagadores de uma doutrina voltada para a prática desinteressada da virtude e a busca incessante da verdade.

  1. Os papéis do Maçom
Então, podemos alinhar alguns pontos que caracterizam o papel do homem maçom na sociedade, assim entendendo o meio social da comunidade a que pertence e, por extensão, o conjunto da nação onde nascemos e vivemos. Esses pontos são, por assim dizer, lindeiros da ação maçônica em benefício da coletividade, na busca pela paz social, um dos objetivos permanentes da nossa nação.
O primeiro papel é desempenhado quando o maçom procede, na sua vida particular e profissional, com absoluta pureza, com lisura, dignidade e honestidade, sempre se valendo dos valores morais que buscamos desenvolver e maximizar. O seu exemplo de honradez, dignidade e exatidão no cumprimento dos seus deveres profissionais, assim como o seu papel de homem íntegro junto à sua família, a quem conduz com a mesma dignidade, associada ao amor que lhe dedica, é marca imarcescível que lega aos que o cercam e aos seus pósteros.
Outro importante papel é o que o maçom exerce ao participar dos esforços coletivos em prol da obtenção de resultados sociais efetivos e necessários, seja ao chamado da voz oficial, seja pela própria iniciativa, a partir de entendimentos com seus irmãos. Neste caso, as Lojas maçônicas podem e devem orientar a aplicação desse esforço, traçando as diretrizes e normas que lhe dão sustentação e orientação. Nesse papel, o maçom trabalhará sob a mesma inspiração filosófica que desenvolveu na Ordem, a partir da sua boa formação inicial. Ele procederá associado a organizações não maçônicas que possam e queiram participar da busca dos objetivos colimados, entre os quais citamos, como exemplo, o combate à maldição das drogas, a implementação de medidas de segurança pública, os esforços de melhoramento do ensino público, a luta contra doenças sexualmente transmissíveis etc.
Mais um outro papel relevante pode prestar, o maçom, na sua atuação junto à sociedade que o acolhe: é aquele de servir de meio de transferência dos ensinamentos maçônicos a todas as pessoas, através de palestras, conferências, visitas às escolas, simpósios, etc. Usando o seu poder de convencimento, ele vai implantando as sementes de cultura filosófica que, ao vingarem no fértil terreno do espírito humano, vão ajudar a propagar as nossas premissas e a contribuir para o melhoramento do ser humano, seu alvo primordial.
Algumas comunidades, como as de bairro e os municípios, organizam-se para ações específicas na direção desses objetivos e de muitos outros de seu interesse próprio. O maçom participará dessas iniciativas sempre que for chamado, seja como integrante dos poderes públicos, seja como cidadão capaz de oferecer seus esforços e recursos para o atingimento do fim traçado. Mesmo que não declare, de público, a sua condição de maçom, o obreiro deve proceder, opinar e votar, sempre, de acordo com a sua consciência e à luz inspiradora dos nossos ensinamentos. É nesses momentos que ele tem que ter em mente as várias oportunidades em que, ajoelhado ante o Livro da Lei e seus irmãos, ele assumiu, livremente, o compromisso de sempre defender, propagar e incentivar os princípios basilares que a Ordem o fez compreender e adotar.
Citemos, ainda, um papel de notável importância, que é o que o maçom desempenha ao participar das atividades beneficentes e solidárias, seja da sua Loja, por iniciativa desta, seja das organizações beneficentes não maçônicas, como Rotary Club, Lions Club, Cruz Vermelha e outras tantas existentes em sua comunidade. Atuar com elas e através delas em ações beneficentes e de solidariedade é um salutar exercício dos princípios maçônicos e uma oportunidade ímpar de ser útil à sociedade, ainda que, aparentemente, o que quer que tenha feito lhe pareça pouco. Pode ser pouco, se considerado do ponto de vista de quem faz, individualmente, mas é muito, se temos a perspectiva de quem se beneficia dessas ações, sempre pessoas carentes de quase tudo, principalmente de amor e calor humano.

  1. Conclusão
Vimos, então, que o Maçom não tem um, mas sim, muitos papeis a desempenhar na sua comunidade, no seu meio social, na sua cidade. Ele é o portador de uma mensagem oculta nas suas ações, atitudes e iniciativas, servindo como um portador de comportamentos que servirão de modelo para os que o cercam. Ele atua individualmente, no seu trabalho, nas suas horas de lazer e descanso, na sua família e entre os seus amigos. Também age como ser social, incorporado àquelas instituições que tratam de resolver os problemas da sociedade, agindo em conjunto com os poderes públicos e as organizações não governamentais, em benefício do bem-estar coletivo e da paz social. E opera nas ações de beneficência, como integrante das forças que trabalham para mitigar as necessidades dos menos afortunados.
Através das iniciativas da sua Loja, o Maçom pode, de alguma forma, ser partícipe da construção de um mundo melhor. Para isso, deve decidir-se por não se omitir, não dar de ombros, como se tais programas não fossem da sua conta. Deve oferecer-se, voluntária e espontaneamente para o trabalho maçônico de produzir o bem em todas as suas expressões, na forma e intensidade que a Loja identificar como possível e necessária, participando no planejamento, na execução e na avaliação de tudo o que for feito, lembrando-se, sempre, de que, afinal, somos todos filhos do mesmo Pai, que nos concedeu uma chispa de Sua divina Luz para que compreendamos nosso verdadeiro papel social: o de mensageiros da Verdade e do Bem.

José Prudêncio Pinto de Sá - M. I.- GOB
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quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

CAMPANHA DA FRATERNIDADE APROXIMA MAÇONARIA E IGREJA


Arcebispo de Porto Alegre Dom Dadeus Grings falou na Loja Maçônica Honra e Trabalho, onde estiveram representantes de diversas religiões

Em uma sessão magna pública realizada na Loja Maçônica Honra e Trabalho, o prefeito de Carazinho Aylton Magalhães, o Grão Mestre do Grande Oriente do Rio Grande do Sul, José Firmino, o pároco da igreja Bom Jesus, João Gheno Neto e representantes de diversas religiões, além de várias pessoas da sociedade prestigiaram a palestra do arcebispo metropolitano de Porto Alegre, Dom Dadeus Grings. Após a abertura, realizada a portas fechadas, os convidados passaram por baixo de espadas para entrar no local. O mestre de cerimônias conduziu o arcebispo para abrir a Bíblia (Livro da Lei para os maçons). Ele convidou a todos para fazer uma reflexão sobre a Campanha da Fraternidade, que fala sobre ecologia e tem como tema “Fraternidade e a Vida do Planeta”.


A iniciativa de convidar Dom Dadeus partiu de Firmino. “É uma demonstração pública que maçonaria e igreja são compatíveis. Tivemos um tempo de separação, mas estamos retomando esse passo importante, uma vez que a maçonaria é uma instituição filosófica e ao mesmo tempo religiosa. A Bíblia sempre é lida na loja maçônica e Dom Dadeus Grings está aqui nos dando à honra de falar sobre a visão maçonaria-igreja. A ideia de trazer Dom Dadeus para Carazinho, também é do Luciano Feldmann”, destaca Firmino.

Dom Dadeus começou sua explanação falando das quatro relações do ser humano. “A primeira é consigo mesmo; a segunda é com o mundo em que vivemos; a terceira é com as pessoas e a quarta é com Deus, que são conquistas. Se não funcionar o último, os outros também não estarão corretos”, completa o arcebispo, dizendo que Deus diz e faz, ao contrário de muitos homens. “Os seres humanos às vezes falam e não fazem, enquanto que a palavra de Deus está criada, também através da natureza. Tanto que disse, para os que não acreditavam em suas palavras que olhassem suas obras”, observa.

Em um outro momento ele relata sobre a industrialização que acabou interferindo na natureza. “Fizemos um mundo artificial, onde foram criadas dificuldades. Antigamente tudo era reaproveitado, hoje passamos a produzir mais lixo e tudo foi acumulando e não se transformando. Há anos foi calculado que existiam armas suficientes para destruir 25 vezes o Mundo, por isso ele corre risco, seja através da arma seja através do lixo”, lamenta.


(Dom Dadeus Grings falou sobre ecologia)
 
 
APROXIMAÇÃO ENTRE IGREJA E MAÇONARIA
 
Para o arcebispo a aproximação com a Maçonaria é resultado de uma época de diálogo. “Principalmente a partir do Concílio Vaticano, a igreja começou uma conversa com toda a sociedade. Então podemos dialogar com todas as entidades, que não é refutar o outro nem sucumbir à posição do outro, mas primeiro conhecer a diferença de cada grupo. Até porque não temos o mesmo pensamento de 50 anos atrás, pois de lá para cá muita coisa mudou. Na sociedade, temos muitas entidades que trabalham pelo bem comum, e vamos trabalhar juntos para que possamos somar, respeitando as diferenças”, enfatiza. Sobre a palestra ele compara a situação do planeta a uma febre.  “Percebemos a reação do planeta ao crescimento da temperatura: está com febre. Então o que fazer? Devemos saber o que está acontecendo, ver qual é a nossa culpa como seres humanos, onde temos recursos enormes para trabalhar o universo. Primeiro, temos que conscientizar a nossa população e todas as entidades que trabalham nesse campo são convidados a participar desse grande debate”, destaca.

Ao final da palestra, Dom Dadeus foi presenteado com a miniatura do Bombeador (um dos símbolos de Carazinho). Após, todos os presentes participaram de um jantar de confraternização.

Redação Carazinho

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

O TAPETE DO RITO SCHRÖDER


www.brasilmacom.com.br - O TAPETE DO RITO SCHRÖDERO Tapete tem origem na Maçonaria Operativa, usado para substituir os riscos que eram feitos no chão das tabernas, contendo os Símbolos do Grau que a Loja iria funcionar. Antigamente sabia-se que uma taberna abrigava uma reunião maçônica por dois motivos: os riscos no chão e o estandarte colocado do lado de fora.

No Ritual de Schröder o Tapete já estava estendido quando os Irmãos adentravam no Templo e as três Colunas, com as Pequenas Luzes eram colocadas sobre o Tapete. Para Schröder o tapete não era uma peça com expressão ritualística. Somente depois de vários anos é que passou a enrolar e desenrolar o Tapete, permitindo-se que uma questão de cunho esotérico fosse justificada. E trata-se da seguinte:

- Deve ser desdobrado do Oriente para o Ocidente, de modo que a primeira Luz do Sol nascente incida sobre a parte oriental do Tapete.

- Dobrado também do Oriente para o Ocidente, de modo que os últimos raios do Sol poente incidam sobre a sua parte Ocidental.

- Naturalmente, o Tapete, após o encerramento da Sessão, ficou enrolado ao contrário para a próxima reunião, devendo ser reenrolado para a posição certa antes  da próxima Sessão.
 
O Tapete representa o Painel Simbólico da Loja para os três Graus. É chamado da Planta do Templo de Salomão. E seus desenhos representam o alicerce de nosso trabalho espiritual.

    - Jóias Móveis: O Esquadro, o Nível e o Compasso
    - Jóias Fixas: A Pedra Bruta, a Pedra Polida e o próprio Tapete, que substitui a Prancha ou Painel
    - Simbolismo do 1º Grau: o Alvião, que contém o Malho e o Cinzel e a Régua de 24”
    - Simbolismo do 2º Grau: a Trolha
    - Simbolismo do 3º Grau: o 47º Postulado de Euclides
    - Símbolos diversos da Ordem: Pavimento Mosaico ( Tijoletas )  e Abóbada Celeste

Ir:. Sérgio Sanna
Sob:. G:.M:. da Grande Loja Maçônica do Brasil – GLOMAB – Oriente de SP
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ARQUÉTIPOS E MITOS


www.brasilmacom.com.br - ARQUÉTIPOS E MITOS
Uma técnica tão antiga quanto o ritual, que envolve o uso de símbolos, é a ativação e manipulação de arquétipos. De acordo com o psicólogo alemão Jung, arquétipo é uma experiência, ou um padrão de experiência, básica, comum a toda a humanidade.

A linguagem é um produto do intelecto e da racionalidade, mas os arquétipos e os padrões de arquétipos transcendem o intelecto e a racionalidade. Consequentemente, em geral é por meio de símbolos que eles encontram sua expressão mais direta, porque um símbolo não faz apelo apenas ao intelecto, mas despertam os níveis mais profundos da psique, o que os psicólogos chamam de “inconsciente”.

Os símbolos podem operar isoladamente ou em conjunto, produzindo um conjunto de efeitos. Quando organizados numa narrativa coerente, ou num enredo, os símbolos se tornam o que chamamos “mito”. A palavra “mito” não deveria ser usada no sentido de ficção ou fantasia, pois ela implica ao contrário, algo extremamente mais complexo e mais profundo.

Os mitos não foram criados simplesmente para entreter, mas para explicar as coisas, para justificar a realidade. Para os povos antigos – babilônicos, celtas, gregos, egípcios, etc. – mito era sinônimo de religião, o que abrangia o conhecimento humano, o que classificamos de ciência, filosofia, psicologia, história, etc.

Como os símbolos que o compõem, um mito pode ser pessoal ou coletivo. O mito pessoal dispensa comentários, pois todo o homem tem sua própria explicação da realidade, com base em experiências, aventuras ou episódios de infância, que na memória assumem proporções míticas. Todos conhecem o relevo que amigos ou pessoas amadas ausentes chegam a assumir na nossa mente, alguns traços marcantes que despertam forte reação emocional.

Num nível coletivo, pode haver figuras que gozam de uma condição mítica, mesmo quando estão vivas, intensificando-a em virtude de sua morte. A maioria dos mitos coletivos tem tanto um aspecto arquetípico quanto um aspecto puramente tribal.

Um mito arquetípico reflete certas constantes universais da experiência humana. Uma virtude singular do mito é que ele pode ser usado para unir pessoas, ao ressaltar o que elas têm em comum.
Os mitos tribais, em contrapartida, enfatizam não o que os homens têm em comum, mas o que os separa. Em vez de levar ao auto-conhecimento, os mitos tribais apontam para fora, buscando um bode expiatório, um adversário externo para lançar sobre suas costas tudo o que se quer repudiar. Tudo o que o inimigo é, nós não somos. Tudo o que o inimigo não é, somos.

Ao longo da história, as religiões se valeram de mitos e, na maioria das vezes, usaram essencialmente o mesmo mito, enfatizando seus aspectos tribais ou arquetípicos, para gerar confiança e, em troca, conferir um sentido para sua existência.

Um dos motivos simbólicos e míticos de mais forte ressonância é o do apocalipse. Por vezes é empregado como arquétipo para induzir, como uma preliminar para o “juízo final”. Por vezes é apresentado como explicação para os mais variados males reais, imaginários ou previstos. Por vezes é usado para intimidar as pessoas, para tirar proveito de sua culpa, quebrar sua resistência e arrancar confiança. Por vezes é utilizado de maneira tribal, criando uma pretensa elite dos que asseguram sua “salvação”, em contraste com a massa dos “condenados”. E por vezes chega a servir de pretexto para a perseguição dos supostos “condenados”, como aconteceu no período da Inquisição.

Segundo Jung, um mito está para a humanidade geral assim como o sonho está para o indivíduo. O sonho mostra uma verdade psicológica para a pessoa, em contrapartida, o mito mostra uma verdade que se aplica a toda humanidade. O homem só se renova pela essência; as imagens míticas constituem o veículo para que os padrões arquetípicos do inconsciente coletivo se manifestem no consciente do ser humano e o ajudem no seu processo de transformação.

Bibliografia: “A Herança Messiânica”, Editora Nova Fronteira.

Ir.·. Pedro Juchem
A.·. R.·. L.·. S.·. Venâncio Aires II, nº 2369
Or.·. Venâncio Aires RS
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terça-feira, 18 de dezembro de 2012

DE PROFANO A MAÇOM


INTRODUÇÃO

O Profano: É definido segundo o dicionário de Maçonaria como; termo usado pelos Antigos- Mistérios para designar os estranhos e que na Maçonaria se qualificam os não iniciados em seus mistérios.

Este mundo está dominado por aqueles que, de entre nós, são mais atuantes: não necessariamente mais conseqüentes, não necessariamente mais honestos nos seus desígnios.

Este mundo que nós conhecemos ou pensamos conhecer, no âmago da nossa pueril inteligência, tem muito pouco a ver com a nossa qualidade de Maçom. Existe-se para consumir e não para consumar. É triste, mas é verdade, aquilo que nos liga, na inércia do sistema de estarmos vivos, é a ânsia daquilo que nos separa. Juntamo-nos, corporativamente, para encontrar abrigos para o que nos separa. Afirmamos a diferença mais do que a semelhança, iniciação Maçônica é um ato libertador pois que graças ao trabalho em Loja nos leva aos confins do Universo


ANTES

Não se conhece uma pessoa completamente, mesmo que com ela tenhamos uma convivência plena. Cada ser humano tem seus valores próprios , seus sentimentos, ideais que fazem parte de sua personalidade, a vida é um eterno relacionamento entre pessoas, podendo ocorrer desordem e desavenças desequilibrando a balança da igualdade.

Está ai um dos grandes problemas da Maçonaria, a escolha do profano para ser iniciado na Ordem Maçônica, talvez este seja o diferencial para se ter uma Loja composta por Irmãos dignos de pertencerem a ela.

Terá o padrinho muito cuidado na escolha do profano evitando a escolha de pessoas que queiram se aproveitar da Maçonaria em beneficio próprio, ambiciosos de poder, lembremos que a Maçonaria serve ao Maçom apenas pelo fato de permitir que o Irmão entre na sua Ordem.

Cabe ao padrinho do candidato, antes de formalizar o convite ao profano, obter informações com outros Irmãos sobre a vida social, afetiva e familiar do mesmo, com isso se tenha plena convicção da índole do profano e certificar-se que o mesmo receberá a filosofia Maçônica e permitirá que a Maçonaria entre dentro de si.

Devemos acreditar que é melhor para a Maçonaria, melhor ainda para a humanidade que tenhamos poucos Maçons com muitas qualidades e condutas dignas, do que muitos Maçons que não contribuem em nada para o aperfeiçoamento da humanidade.

Em nosso universo existem profanos que por sua conduta são verdadeiros Maçons só não conhecem a filosofia Maçônica, outros não tão qualificados, mas com sede de conhecimento bastando para isso que sejam lhes dado a oportunidade e os ensinamentos do caminho do bem.

DEPOIS

A Maçonaria, por sua definição é uma associação de homens livres e de bons costumes, que em Loja devem dedicar-se ao aperfeiçoamento moral e social através de estudos filosóficos. Assim, os que dela participam nunca deveriam esquecer os juramentos feitos durante a iniciação. Irmãos, aqui entramos como P?B? na esperança que nossas arestas sejam aparadas para que um dia possamos chegar ao estado de P? P?aspiração maior de todo homem que deseja sair do estado de ignorância e ver a Luz.

O Maçom é livre, de bons costumes e sensível ao bem e que, pelos ensinamentos da Maçonaria busca seu engrandecimento como ser humano atuante e culto, combatendo a ignorância. A ignorância é o vício que mais aproxima o homem do irracional.
Assim sendo e por ser Maçom, deve ele conduzir-se com absoluta isenção e a máxima honestidade de propósitos, coerente com os princípios maçônicos, para ser um obreiro útil a serviço de nossa ordem e da humanidade.

Não se aprende tudo de uma só vez. O saber é o acúmulo da experiência e dos conhecimentos que se tem acesso, mas, a ação construtiva da Maçonaria deve ser exercida de forma permanente em todas as suas celebrações, trabalhos em Loja e no convívio social, através da difusão de conhecimentos que podem conduzir o homem à uma existência melhor pelos caminhos da Justiça e da Tolerância.O Maçom deve ter e manter elevada Moral, tanto na vida privada como na social, impondo-se pelo respeito, procedimento impecável e realizando sempre o Bem. É pelo valor moral que podemos cumprir sempre nossos deveres como elementos da Sociedade Humana e, particularmente, como membros da Sociedade Maçônica.

O Maçom busca o Bem pelo cultivo das virtudes e pelo abandono dos vícios. Tenta polir constantemente a sua pedra bruta reforçando a sua virtuosidade e reprimindo conscientemente os seus defeitos. Pela auto-disciplina livremente imposta a si mesmo, torna-se também exemplo para seus pares, colaborando para o progresso moral daqueles que com ele interagem.

Cabe ao padrinho a tarefa de estimular e promover ao novo integrante da Ordem Maçônica, os meios necessários que capacitem o mesmo a sentir- se plenamente a vontade, de tal forma que seus valores e talentos se aflorem para contribuir cada vez
mais para o auxilio a humanidade.


Conclusão:

Temos consciência que a verdadeira Iniciação não é um processo fácil nem igual para todos qualitativamente, pode durar uma vida inteira, para se ascender ao mesmo que outros apenas necessitam de um pequeno instante! Pode mesmo nunca chegar a manifestar-se. Meus Irmãos, de fato não somos todos iguais! Somo-lo apenas na condição de seres humanos que ao baterem à porta do Templo, trouxeram dentro do seu coração a pretensão de ascender a algo superior, à realidade da qual vivemos apenas na sombra.O desenvolvimento espiritual que se traduz na capacidade de sentirmos a voz interior, com uma intensidade e freqüência cada vez maior… é e sempre foi o que diferenciou os homens! Já alguém disse: “não há boas nem más pessoas, o que existe são pessoas mais ou menos conscientes, mais ou menos elevadas espiritualmente”.

A verdadeira humildade mostra-se sim no respeito que todos devemos demonstrar por alguém que não se encontra na nossa linha de pensamento e põe em causa as verdades transmitidas – as nossas verdades. É esta a grande lição do Aprendiz: saber ouvir os outros como a si mesmo, quer a razão lhe assista ou não. Devemos agradecer sempre o tempo que os outros nos dispensam, independentemente se é para nos dirigir um elogio ou uma reprimenda.

Ir.·. Antonio Geraldo Stéfano- Ap.·.M.·.
A.·.R.·.L.·.S.·.Águia de Haia N. 2518
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BEM INFORMAR PARA BEM ESCOLHER!


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A Maçonaria escolhe homens de bem, livres e de bons costumes, amantes da liberdade e legionários da razão e faz deles ainda melhores!

Graças ao prestígio que tem desfrutado em todos os períodos de sua história, a Ordem Maçônica tem sido sempre um imã que atrai numerosos candidatos à Iniciação.

Aos não-Maçons, denominados "profanos" (em Maçonaria aquele que não foi Iniciado Maçom), oferecemos uma idéia mais ou menos aproximada, desta grande Instituição e, principalmente, aos que nela pretendem ingressar. Objetivamos proporcionar-lhes uma antevisão do terreno em que poderão vir a pisar e da trilha que, obviamente, terão de seguir.

Objetivo da Maçonaria - O objetivo inicial da Maçonaria tem sido o de tornar a Fraternidade Maçônica "um centro de União e o meio de conciliar, por uma amizade sincera, pessoas que, sem ela, não se conheceriam".

Um escritor francês, em poucas palavras, descreve esta faceta, aliás, a mais importante da Maçonaria: "Durante muito tempo ainda, haverá lugar para uma instituição dizendo aos homens: nada quero ter em comum com vossas desavenças, aos que virão a mim ensinarei o bom senso e a moderação, nas horas que passarão em meus templos, obrigá-los-ei a calar as suas dissensões e a se tratarem como Irmãos. E na plenitude de sua liberdade!

Outro escritor define a Maçonaria nestas poucas palavras: "A Maçonaria é uma associação de idealistas autênticos. Compõe-se de homens de boa vontade, bem intencionados, dotados de sentimentos de solidariedade humana. Os que quiserem ingressar em seu meio devem possuir espírito de bem servir".

O Irmão Henri Dubois, dirigindo-se aos candidatos, prossegue: "Mas se vos perguntardes o que isto há de render ao bolso ou para as eleições, então, não, não deveis entrar e se entrastes por erro, rápido, parti! Se possuíres opiniões que vos dominam antes de serem dominadas por vós, se tendes propensões demasiadamente vivas para vos tornardes o censor dos outros, ou se não tiverdes para vós mesmo o orgulho de vossa independência em tudo o que se referir a vossa pessoa, à educação dos vossos filhos, aos atos de vossa vida religiosa, cívica ou de família, jamais tereis o caráter de um Maçom, jamais compreendereis os que o têm. Então não vindes. Se deveis dedicar todo o vosso tempo e recursos a vossa família, nada furteis a um dever quer prevalece sobre os demais. Mas tampouco formai ilusões! Não vos deixeis levar pela idéia de que deveis fazer sacrifícios pela humanidade, para o progresso e o resto. Não entreis para a Maçonaria salvo se o desejardes por vós mesmos. Os Maçons por certo têm o dever de assegurar a perenidade da Ordem, mas não é o número que importa.

Na verdade, a Maçonaria é a única sociedade com possibilidades de satisfazer plenamente a um homem generoso, idealista e progressista, pela razão que possui todos os elementos capazes de ajudar os homens na senda do aperfeiçoamento. Isto não significa, porém que todos os Maçons se esforcem neste sentido, objetivo principal da Ordem. É preciso contar, obviamente, com aqueles que entraram na Instituição no intuito de "explorar os Sinais, Toques e Palavras".

Se você ingressar na Maçonaria e, encontrando algum deles, se sentir desanimado e desiludido, é melhor não continuar. A Maçonaria necessita de homens fortes, dignos deste nome e capazes de empunhar o facho que nos legaram os nossos antecessores conduzindo-o a meta final. De que lhe podem servir homens fracos, pusilânimes e comodistas a debandar na primeira contrariedade Prefere poucos Maçons a muitos "Profanos de Avental".

Requisitos para ingresso - Para conseguir ingresso na Maçonaria, o que se faz por meio da Cerimônia da Iniciação em Loja, um candidato deve possuir certos requisitos mínimos sem os quais não poderá ser admitido:

a) - ser maior de vinte e um anos e do sexo masculino;
b) - estar em pleno gozo da capacidade civil;
c) - ter bons costumes e reputação ilibada, apurada em rigorosa investigação, que abranja seu presente e seu passado;
d ) - possuir instrução de nível primário completo, no mínimo, ou equivalente e seja capaz de compreender, aplicar e difundir os ideais da Instituição;
e) - ter profissão ou meio de vida lícito;
f) - não professar ideologia que se oponha aos princípios maçônicos;
g) - ser fisicamente sadio, não apresentando defeito físico ou moléstia que o impeça de cumprir os futuros deveres maçônicos ou que o incapacite para a vida social, devidamente comprovado por atestado de sanidade física e mental, com firma reconhecida;
h) - aceitar a existência de um princípio criador: o Grande Arquiteto do Universo.

Para ingressar na Maçonaria é preciso que o candidato esteja civilmente emancipado. O candidato não desfruta somente de bom conceito, como será livre. Livre quer dizer dispor de sua própria pessoa. Isenção de paixões e preconceitos é indispensável para a compreensão dos superiores ensinamentos da Maçonaria.

Também se dá atenção a uma certa independência econômica, pois as atividades das Lojas exigem de seus membros contribuições em dinheiro. Estas contribuições não são, no entanto, tão elevadas que qualquer pessoa, exercendo qualquer atividade profissional remunerada, não possa dar conta das mesmas. A Maçonaria não é uma organização capitalista. Ela é uma Ordem Fraternal. A participação do operário, do elemento da classe média, como do milionário, tem para ela o mesmo valor.

Os inadaptados - ao indicar o elemento que é conveniente afastar da Maçonaria, outro escritor traz a sua colaboração dizendo: "Deveriam ser afastados da Maçonaria os sectários cuja mentalidade acha-se em oposição formal com os princípios fundamentais de nossa Instituição; os pretensiosos ; os egoístas que praticam a Fraternidade "em sentido único", os ambiciosos necessitados de encontrar na Loja apoio, clientes, cabos eleitorais (de acordo com o seu modo de atividade profissional ou extra-profissional); os imbecis que são um peso morto a arrastar, e enfim os astuciosos decididos a explorar sob todas as formas possíveis, o altruísmo dos verdadeiros Maçons.

Farol luminoso - Ao admitir em seu seio homens de todas as religiões, de todas as nacionalidades, de todas as raças, de todos os partidos, a Maçonaria deu ao homem o exemplo da mais ampla tolerância, um ideal de Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Ela se constituiu, desta forma, em cimento que pode unir homens das índoles mais díspares, das classes mais diversas, e das regiões mais afastadas. Acima das religiões, dos partidos, das classes e das raças, a Maçonaria teve o grande mérito de fazer com que os homens se estendessem a mão por onde se encontrassem e se chamassem Irmãos.

Maçonaria é um farol luminoso que pode esclarecer e iluminar a humanidade sofredora. A sua razão de ser é, ao contrário do que pensam os que não a compreenderam, tentar unir e harmonizar os homens. A sua finalidade é demonstrar-lhes que o EGOÍSMO é a fonte de todos os males e que não chegarão à salvação sem o calor da FRATERNIDADE e do AMOR.

Procuramos nestas páginas de maneira simples, mostrar quem a Maçonaria busca para os seus quadros de Obreiros e o que é necessário para dela fazer parte.

Valdemar Sansão – M.’. M.’.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

ETERNA FUGITIVA


www.brasilmacom.com.br - ETERNA FUGITIVADiscorrer sobre o mistério das coisas é perder tempo. Mais vale calar e buscar as certezas apenas no campo da ação. Nada podemos saber do que convém crer com relação aos enigmas que atormentam aos humanos, mas cada um de nós pode adivinhar sem esforço excessivo aquilo que a Vida exige e, assim, uma verdade se nos revela proporcional à norma: é uma verdade de ordem moral que emana das próprias leis da Vida.


Um jovem teosofista, — por certo bom conhecedor de metafísica, — houve por bem submeter à minha apreciação algumas páginas, fruto de seus estudos no Campo de Châlons onde esteve mobilizado em 1920. Intitula sua dissertação: Por que o homem busca a Verdade e como pode encontrá-la. Começa assim: O homem quer saber, quer conhecer. Por quê? Porque é. Porque, em sendo, o é em conseqüência de sua função de Ser. O Ser é Verdade e, portanto, é assim mesmo Verdade em sua essência e, por este fato apenas, sua norma é aspirar à Verdade.

O autor pensa haver estabelecido de tal sorte a identidade entre o homem e a Verdade que ele deseja, como também a possibilidade de alcançá-la, posto que tal é sua norma. Considerando logo que procedemos da Verdade, o jovem dialético não vacila em dizer-nos o que somos em realidade.

Posto que deseje conhecer minhas observações de velho simbolista, permitir-me-á a resposta na linguagem que costumo usar. Eu perdi, com efeito, o costume de raciocinar sobre abstrações e desconfio dos argumentos edificados sobre palavras.

Certo dia, conversando a respeito de questões religiosas e mitológicas com um sacerdote de muita erudição, disse-lhe com humor: Enfim, no domínio do desconhecido, os poetas são os que mais acertam. Seguramente, — respondeu o padre, — são os que menos se enganam, mas, infelizmente, os teólogos são os que menos acertam.

Compreendi então que a culpa é dos crentes, quando exigem precisões de todo impossíveis sobre o objeto de suas preocupações. Alguns conceitos permanecerão sempre longínquos, vãos e indeterminados para nosso entendimento. Se tentarmos examiná-los ao microscópio, a fim de precisá-los, chegaremos tão-só a falseá-los, e pode-se muito bem dizer que a teologia toda é uma empresa quimérica para demonstrar o indemonstrável. O campo do raciocínio é muito limitado. É este pequeno círculo compreendido entre as pontas de nosso compasso intelectual. Na totalidade dessa área, nossa visão é exata, e nossas deduções, lógicas. Mas não vamos nós raciocinar além de nossa razão, que deve reconhecer sua impotência quando se trata do infinito. O que não tem princípio nem fim, nem lugar determinado, nem duração no tempo, nem qualidade de nenhuma espécie fica fora do domínio da razão, e, neste ponto, podemos unicamente calar. Devemos honrar, como nosso silêncio, o que se impõe a nós e permanece velado à nossa compreensão. O primeiro ato do candidato a franquear o umbral do templo da iluminação deve ser o de inclinar-se humildemente diante do insondável mistério que nos rodeia.

Essa lição ritualística nos convida racionalmente a limitar nossas visões especulativas. O homem quer saber, e esta curiosidade que o leva a instruir-se é muito saudável. Mas, limitado como é, — tanto em seus meios de constatação quanto em seu potencial intelectual, — será bom que também pergunte a si mesmo o que realmente precisa saber e busque apenas o que poderá ver claramente com sua inteligência.

Sejamos positivos ao abordar o grande Mistério da Vida. Será que, verdadeiramente, precisamos conhecer a fonte de onde emana, como também a meta final rumo à qual nos dirigimos? Aceitemos a vida tal como ela se apresenta, satisfeitos em constatar que ela nos impõe uma tarefa. Não é acaso o principal trabalho de nossa inteligência tornar-nos plenamente conscientes desta tarefa?

Obreiros da Vida, esforcemo-nos por compreender o que a Vida espera de nós, e procuremos instruir-nos, para poder realizá-lo com perfeição. Graças a essa orientação, seguiremos o caminho reto, sem ceder aos desvios de uma vã curiosidade. O sábio jamais se vangloria de poder responder a tudo; sabe demasiado que seu saber é muito pouco comparado à sua ignorância. Sua luz abarca apenas um espaço reduzido, mas é suficiente para que possa realizar com brilho o seu trabalho, não possuindo maior ambição.

Há uma verdade que o homem pode buscar e alcançar. É unicamente esta verdade, cuja missão é orientá-lo no caminho da Vida. É a Verdadeira Luz simbolizada pela estrela flamígera. A verdade que homem alcança em virtude de sua norma, ele não pode deixar de relacioná-la ao esquadro (em latim, norma). Unido ao compasso, esse instrumento decora o avental do Mestre Maçom, livre já de toda ilusão depois de sua estadia na Câmara do Meio. Em seu modo de ver, o campo de seu saber é o estreito domínio da relatividade, o ínfimo espaço que sua razão pode iluminar. Discorrer sobre o mistério das coisas é perder tempo. Mais vale calar e buscar as certezas apenas no campo da ação. Nada podemos saber do que convém crer com relação aos enigmas que atormentam aos humanos, mas cada um de nós pode adivinhar sem esforço excessivo aquilo que a Vida exige e, assim, uma verdade se nos revela proporcional à norma: é uma verdade de ordem moral que emana das próprias leis da Vida.

Essa verdade nos obriga, em primeiro lugar, a ganhar a Vida no mais alto sentido desta expressão corrente. A cada dia, contraímos obrigações para com a Vida, e devemos nos esforçar em cumpri-las honradamente, inspirando-nos nessa rigorosa equidade cujo emblema é o esquadro maçônico. Devemos estar conscientes de nossos deveres para com nossos semelhantes, companheiros de nossa vida. Seus direitos e seus deveres são idênticos aos nossos, e nossa atitude para com eles vem ditada, sem vacilações, pelo esquadro, norma determinante de toda forma de vida normal.

Portanto, nós duvidaremos das afirmações arriscadas dos espíritos temerários sobre as coisas impossíveis de serem positivamente controladas. Em troca, na vida prática, podemos trabalhar com absoluta certeza: aqui, a norma (esquadro) dita-nos a conduta a seguir com impecável precisão. Se soubermos nos conduzir na vida com absoluta segurança, que mais poderemos desejar? Tudo mais poderá muito bem resultar pura vaidade e nada mais. Limitemos o domínio de nossas investigações, partindo daquilo que podemos comprovar objetivamente, sem pedir ao raciocínio mais do que ele pode dar de si. A razão humana equivoca-se ao querer escalar o céu. É firme apenas no plano terreno, e ainda aí amiúde tropeça.

O simbolismo filosófico nos ensina a não nos pagarmos com palavras, e o valor que concede às nossas concepções é muito relativo. Em seu modo de ver, não são mais que as imagens imperfeitas do quanto aspiramos a nos representar.

A Verdade nos atrai. Perseguimo-la sem trégua, mas, para o simbolista, a Verdade não é uma palavra suscetível de entrar numa equação silogística. É uma virgem que foge eternamente, atraindo com irresistível poder o pensador enamorado da inacessível deusa.

Assim o cantam os poetas. E, ainda que seja verdade que mesmo os filósofos não chegam tampouco a estreitar a Verdade em seus braços, quando menos lhes fica o júbilo de recolherem, às vezes, o comovente sorriso da eterna fugitiva.
 
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A confecção deste arquivo virtual é uma iniciativa do Departamento de Atividades Culturais da Muito Respeitável Grande Loja Maçônica do Estado do Rio Grande do Sul.

Traduzido de El Ideal Iniciático tal como se desprende de los Ritos y Símbolos de Oswald Wirth, trad. Para o espanhol de D. Fernando Villard, Espanha, 1928. Versão para o português de B.C.C e M. B. T.

Proibido o uso comercial, bem como divulgação fora do âmbito maçônico. Trabalho com finalidade didática, integrando o Projeto de Docência Maçônica da GLOJARS, aprovado pelo Decreto Nº 019- 2003/2005

Ir.’. Bruno Cezar Carravetta, M.’. I.’.
Diretor do Departamento de Atividades Culturais
da GLOJARS

www.glojars.org.br

domingo, 16 de dezembro de 2012

O SONHO E A ESCADA


www.brasilmacom.com.br - O SONHO E A ESCADANão sei se é costume em todas as regiões do Brasil, o maçom dizer que “subiu um degrau na Escada de Jacó”, para externar sua alegria em receber “aumento de salário”.

Aqui, na região em que vivo e tenho vinculação com a Arte Real, é rotina dizer-se esta expressão, tanto na revelação da felicidade de quem foi elevado de grau, como nos discursos de saudação aos beneficiados.

Entendo que deverá ser muito denso o significado deste símbolo na maçonaria (1), diante de tanta ênfase que se lhe dá em seu uso ou ao se fazer a sua exegese, por mais superficial que seja a abordagem.

Não quero falar que a Escada de Jacó é importante, por haver sido admitida no Simbolismo Maçônico e, coincidentemente, ao mesmo tempo em que se inaugurava o primeiro Templo Maçônico, construído como tal e para esta finalidade – o Freemason’s Hall – inaugurado em 1776 (2), no oriente de Londres.

Nem desejo registrar, mas já registrando, a sua importância, porque esteja configurada no Painel da Loja de Aprendiz, elaborado por Willian Dight, em 1808 (3), onde a Escada de Jacó aparece, partindo da Bíblia aberta sobre o altar e alçando-se ao céu, que o alcança no clarão de uma estrela de sete pontas.

Todavia, como se percebe, mesmo sem querer me referir a uma Escada, já falei de duas. Uma, a do sonho de Jacó, cuja descrição vem do Velho Testamento (4). Outra, desenhada por Dight, que se reporta à primeira, mas com omissões e algumas inserções. Na Escada do sonho, ela está ligando a terra ao céu, e anjos, sobem e descem. Na Escada do Painel, ela está ligando a Bíblia do altar ao céu, sem anjos, mas com a introdução de fortes símbolos do cristianismo, quais sejam: a cruz da fé, a âncora da esperança, e o cálice do amor (o sangue do Filho de Deus, derramado em face do amor pela humanidade). (5)

O sonho, teve-o Jacó, e está totalmente narrado no Gênesis. O Senhor, na oportunidade, fala a Jacó de tudo de bom que lhe está reservado, tanto a Jacó quanto à sua descendência – o povo de Israel, nome este que substituiu o de Jacó, após sua luta com o anjo, episódio de que a Bíblia se ocupa no livro de Gênesis (6)

A conversa havida ao pé da Escada inspira o entendimento de uma contrapartida de Jacó e descendentes ao que o Senhor, seu Deus, lhe estava a garantir. Que aquele povo desse à vida o destino de encaminhar-se ao Altíssimo: (7) “uma peregrinação de retorno à Casa do Pai”, como séculos depois, Santo Agostinho ensinava a respeito da vida.

Parece-me não causar arrepios dizer que a maçonaria pensa desta forma, quando proclama a “prevalência do espírito sobre a matéria”. Pensamento este muito bem retratado na composição do compasso e esquadro, sendo este a matéria e aquele o espírito.

A vida, em seus aspectos menos tangíveis, é o mote principal da Ordem. O aperfeiçoamento do iniciado e seu exemplo na comunidade em que habita.. O cuidado com o bem-estar do próximo. O zelo pela família. A dedicação às coisas do amor fraternal. O adepto da maçonaria deve apresentar-se pelo bem que pode fazer.

A Escada de Jacó indica esta trajetória. No que se refere ao sonho, ela é utilizada pelos anjos (seres plenos de virtudes) em sua movimentação. O maçom deverá ser um construtor de templos à virtude. Ele mesmo será uma pedra que se poliu para ocupar espaço na construção. Ascender mais um degrau na Escada é estar mais perto do Criador. Significa dizer: possuir mais virtudes. A contrapartida ao que o Senhor ofertou a Jacó.

A Escada de Jacó, na concepção de Dight, que contém os símbolos da fé, da esperança e do amor, tem o chamamento do maçom a seu próprio aperfeiçoamento.

Se o maçom diz que subiu um degrau na Escada, tem convicção do que está dizendo, e acredita nisto, ele está declarando seu compromisso com esta prática de amar a Deus, pois está em seu caminho; de aperfeiçoar-se, porque é destinado a ser templo de Deus (8); e de amar ao próximo que é um estágio da Escada, que se encontra mais aproximado do Altíssimo.

Que o Grande Arquiteto do Universo conceda, sempre, aos irmãos maçons a força e o vigor suficientes para subirem, não somente um, porém vários degraus nesta desafiadora “escada”, com a qual sonhou Jacó e na qual a maçonaria se inspira a cada instante.



RECURSOS BIBLIOGRÁFICOS

(1) “A Escada de Jacob é alegoria de origem bíblica e designa a escada que Jacob viu em sonho, a qual simbolizava a providência e cuidado especial de Deus por Jacob; os anjos levavam suas orações e necessidades ao trono de Deus e desciam com as bênçãos divinas; em Maçonaria ela é representada sobre o círculo entre paralelas verticais e tangenciais, tendo no topo, uma estrela de sete pontas, como símbolo da ligação do iniciado com Deus, através da ascensão na escada iniciática”. José Castellani, no livro Dicionário Etimológico Maçônico, vol. DEFG, pág. 59, Editora A Trolha, Londrina/PR..

(2) “Naquele ano foi pintado um Painel... tudo leva a crer que o irmão Pintor... acrescentou também a Escada de Jacó, que desde alguns anos antes já vinha sendo ensinado nas Lojas. Lendo Machey, vemos que no rito de York, a Escada não era um Símbolo original, tendo sido introduzido por Dunckerley em 1776, época em que Priston iniciou suas LEITURAS. O que vem a comprovar, é que, até aquela data, a Escada de Jacó ainda não era um Símbolo Maçônico. No Rito Escocês Antigo e Aceito, ela entrou pelas mãos de Miguel André de Ransay, que era um ardoroso defensor dos Stwarts, transformando em símbolo maçônico a Escada Mística dos Mistérios Mitraicos.” Francisco de Assis Carvalho no livro “Símbolos Maçônicos e suas origens”, págs. 135, 136 e 137, Editora A Trolha, Londrina/PR..

(3) “Willian Dight, um maçom inglês, pintor, em 1808 elaborou três Painéis sobre lona, como era de uso na época.” Rizzardo Da Camino no livro “Os Painéis da Loja de Aprendiz” pág. 109, Editora A Trolha. Na pág. 110 da mesma obra, está reproduzido o painel onde se encontra o desenho da Escada de Jacó.

(4) Gênesis 28:10 – 17

(5) I Cor 13:13

(6) Gênesis 32: 28

(7) Gênesis 28:20 – 22

(8) I Cor 6: 19

(Informabim 290 B)


Ir.: Antônio do Carmo Ferreira
Presidente da Associação Brasileira da Imprensa Maçônica - ABIM

sábado, 15 de dezembro de 2012

POR QUE "LOJA" MAÇÔNICA?


Qual maçom nunca foi questionado por um profano do porquê do termo “LOJA”? Muitos são aqueles que perguntam se vendemos alguma coisa nas Lojas, para justificar o nome. Alguns, fanáticos e ignorantes, chegam a ponto de indagar que é na Loja que os maçons vendem suas almas!
Em primeiro lugar, precisamos ter em mente que, só porque “loja”, em português, denomina um estabelecimento comercial, isso não significa que o mesmo termo em outras línguas tem o mesmo significado. Vejamos:
 Loge”, palavra francesa, pode se referir à casa de um caseiro ou porteiro, um estábulo, ou mesmo o camarote de um teatro. Mas os termos franceses para um estabelecimento comercial são “magasin”, “boutique” ou “commerce”.
Da mesma forma, o termo usado na língua inglesa, “lodge”, significa cabana, casa rústica, alojamento de funcionários ou a casa de um caseiro, porteiro ou outro funcionário. Os termos mais apropriados para um estabelecimento comercial em inglês são “store” ou “shop”.
Já o termo italiano “loggia” significa cabana, pequeno cômodo, tenda, mas também pode designar galeria de arte ou mesmo varanda.  Os termos corretos para um estabelecimento comercial são “magazzino”, “bottega” ou “negozio”.
Em espanhol, “logia”, derivada do termo italiano “loggia”, denomina alpendre ou quarto de repouso. As palavras mais adequadas para estabelecimento comercial são “tienda” e “comercio”.
Por último, podemos pegar o exemplo alemão, “loge”, que não tem apenas a grafia em comum com o francês, mas também o significado: um pequeno cômodo mobiliado para porteiro ou caseiro, ou um camarote. Já os melhores termos para estabelecimento comercial em alemão são “kaufhaus”, “geschaft” ou “laden”.

Com base nesses termos, que denominam as Lojas Maçônicas nas línguas francesa, italiana, espanhola, alemã e inglesa, pode-se compreender que as expressões referem-se a uma edificação rústica utilizada para alojar trabalhadores, e não a um estabelecimento comercial. Verifica-se então uma relação direta com a Maçonaria Operativa, em que os pedreiros costumavam e até hoje costumam construir estruturas rústicas dentro do canteiro de obras, onde eles guardam suas ferramentas e fazem seus descansos. Essas simples edificações que abrigam os pedreiros e suas ferramentas nas construções são chamadas de “loge, lodge, loggia, logia” nos países de língua francesa, alemã, inglesa, italiana e espanhola.
A palavra na língua portuguesa que mais se aproxima desse significado não seria “loja” e sim “alojamento”. Nossas Lojas Maçônicas são exatamente isso: alojamentos simbólicos de construtores especulativos. Isso fica evidente ao se estudar a história da Maçonaria em muitos países de língua espanhola, que algumas vezes utilizavam os termos “Alojamiento” em substituição à “Logia”, o que denuncia que ambas as palavras têm o mesmo significado.
À luz dos significados dos termos que designam as Lojas Maçônicas em outras línguas, podemos observar que a teoria amplamente divulgada no Brasil de que o uso da palavra “Loja” é herança das lojas onde os artesãos vendiam o “handcraft”, ou seja, o fruto de seu trabalho manual, além de simplista, é furada. Se fosse assim, os termos utilizados nas outras línguas citadas teriam significado similar ao de estabelecimento comercial, se seria usado em substituição às outras palavras que servem a esse fim.
Na próxima vez que você passar em frente a um canteiro de obras e ver à margem aquela estrutura simples de madeira compensada ou placas de zinco, cheia de trolhas, níveis, prumos e outros utensílios em seu interior, muitas vezes equipada também com um colchão para o pedreiro descansar à noite, lembre-se que essa estrutura é a versão atual daquelas que abrigaram nossos antepassados, os maçons operativos, e que serviram de base para nossas Lojas Simbólicas de hoje.
www.noesquadro.com.br